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Está na hora de traduzir a guerra. Vamos olhar nos próximos minutos para a imprensa russa neste dia 42º da invasão. Um trabalho do jornalista Rui Casa Nova, com a colaboração da Larisa Tovmazian. E Rui, começamos com o anúncio da modernização do sistema de recrutamento para o serviço militar.
Sim, boa tarde, Aníbal. Este sistema vai ser modernizado, é o que indica um projeto de lei do Parlamento russo. O objetivo é melhorar todo o sistema de recolha de dados de militares e também de soldados na reserva. Ora, o chefe do Comitê de Defesa do Parlamento russo, a Duma, é assim que se chama, admite que no ano passado este recrutamento apresentava algumas deficiências, mas garante que agora todos os problemas vão ser corrigidos com esta atualização e modernização. O projeto de lei garante que o sistema eletrônico vai estar devidamente protegido. É uma notícia em destaque esta terça-feira no jornal estatal russo KP. Recordar também que já tinha sido notícia aqui há umas semanas o fato de o recrutamento militar passar a ser feito por via eletrônica. Demos conta disso mesmo aqui na "Guerra Traduzida" há umas semanas atrás.
E a partir de agora, quem receber uma convocatória para o exército está proibido de sair do país até comparecer no cartório do registro e alistamento militar.
Sim, é o que indica também uma nova lei aprovada no Parlamento russo. É uma notícia em destaque no jornal estatal russo RBK, mas também na imprensa independente. Os cidadãos que forem convocados para a guerra a partir de agora têm exatamente 20 dias desde essa convocatória para comparecer no registro. Até lá, não podem sair para o estrangeiro, ficam proibidos de sair da Rússia. Os deputados da Duma, o Parlamento russo, propõem, para além desta limitação, outras medidas, como por exemplo, a proibição do registro estadual de indivíduos como empresários individuais, ou seja, não podem registrar-se como empresários, abrir empresas, até comparecerem no cartório do registro e alistamento militar, e ficam também suspensos todos os bens imóveis destes cidadãos. Portanto, aqui fortes restrições impostas por Moscovo aos cidadãos russos enquanto dura a guerra na Ucrânia.
E entretanto, no terreno, a guerra, como diz, continua. Rui, o que diz a imprensa estatal russa sobre as movimentações nas últimas horas?
O jornal KP tem um artigo em destaque com essas mesmas informações, isto com base no relatório do Ministério da Defesa da Rússia. O Ministério da Defesa da Rússia informa que nas últimas 24 horas as principais batalhas ocorreram, estiveram concentradas em Bakhmut, no leste da Ucrânia. É um dos pontos mais críticos neste momento na invasão, esta cidade no leste da Ucrânia. O Ministério da Defesa russo informa também que o exército ucraniano perdeu 450 militares de ontem para hoje, precisamente na batalha por esta cidade. O ministério adianta também que os soldados do grupo Wagner continuam a libertação da cidade de Bakhmut, como dissemos, um dos pontos mais críticos neste momento da guerra. Zelenskyy, o presidente ucraniano, tem dito que a defesa da cidade continua. A Rússia garante que está a tomar poder, o controle da cidade. Portanto, aqui troca de palavras e acusações, agora com o Ministério da Defesa da Rússia a informar que só de ontem para hoje morreram 450 militares ucranianos nesta cidade.
E os serviços secretos de Moscovo abriram processo contra um cidadão russo, acusando-o de ajudar o exército ucraniano.
Sim, um processo criminal por alta traição contra um morador da cidade de Khabarovsk. Este morador apoiou o exército ucraniano, ajudou com transferências monetárias para a compra de armas e munições. É o que informa em comunicado os serviços secretos russos e passo a ler o comunicado, passo a citar: "A atividade ilegal de um morador de Khabarovsk, envolvido em cometer uma alta traição na forma de assistência financeira às Forças Armadas da Ucrânia em atividades dirigidas contra a segurança da Federação Russa, foi interrompida". Portanto, aqui um comunicado lacônico dos serviços secretos da Rússia, o FSB. Também esta terça-feira, um cidadão foi detido na ilha russa de Sakhalin por traição. A Rússia acusa-o de ter tentado deixar o país e alistar-se no exército da Ucrânia para lutar contra a Rússia. Esta é uma notícia também em destaque tanto na imprensa estatal russa como na imprensa independente. E há um mês uma outra mulher foi detida em Khabarovsk por financiar o exército ucraniano. Portanto, este tipo de notícias tem sido frequente ao longo deste último ano de guerra. Cidadãos russos que tentam sair do país ou ajudar de qualquer forma o exército ucraniano. São esses movimentos detectados pelos serviços secretos da Rússia que depois punem estes cidadãos com este tipo de processos e até penas de prisão.
Ponto final neste "Guerra Traduzida", dedicado à imprensa russa. Já a seguir passamos em revista a imprensa ucraniana.