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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, mais um episódio em que trazemos os destaques da imprensa russa e ucraniana. Já temos conosco, como é habitual, a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde. Bem-vinda.
Boa tarde, André. Obrigada.
Hoje vais começar pelos jornais russos e com os dados mais recentes sobre a ofensiva ucraniana em Kursk. Mais de 30 pessoas já morreram na sequência de ataques ucranianos nas últimas duas semanas.
As contas são apresentadas pelas autoridades de saúde russas. Há ainda mais de 140 feridos. Oitenta foram hospitalizados, quatro são crianças. A informação do mais recente balanço feito à comunicação social, os dados são citados pela TASS. Desta região já saíram mais de 120 mil pessoas para fugir aos ataques. As autoridades ucranianas garantem que foi permitida a retirada de civis através de corredores humanitários, mas de acordo com o governador da região, há ainda muitos idosos e crianças que não conseguiram ser retirados. De acordo com outra publicação, o Agentstvo, um jornal independente, as declarações do governador de Kursk sobre as mortes de civis podem sinalizar que as autoridades estão a tentar consolidar a opinião pública contra a Ucrânia ou preparar terreno para um número de mortes potencialmente chocante.
E Diana, a Rússia diz que a Ucrânia tentou atacar Moscovo esta noite.
E garante ter abatido 10 drones lançados durante a noite perto da capital russa. É o que alega o militar Sergei Sobyanin. De acordo com o Moscow Times, esta foi uma das maiores tentativas de ataque a esta região desde o início da guerra. Não há registro de vítimas ou de danos. Entretanto, nas redes sociais surgiram vários vídeos com imagens dos drones, registros que, no entanto, não foram ainda verificados de forma independente. Num comunicado esta manhã, o Ministério de Defesa da Rússia confirmou a tentativa de ataque. Além da região de Moscovo, os drones ucranianos também sobrevoaram as regiões de Bryansk, Belgorod, Kaluga e Kursk.
E o ex-presidente russo Dmitry Medvedev reitera que depois do ataque ucraniano a Kursk, acabaram-se as hipóteses de negociar a paz.
Depois de ter liderado o país, convém lembrar sempre que Medvedev ocupa agora o cargo de vice-presidente do Conselho de Segurança Russo. Ele tem sido um dos maiores atiradores de achas para a fogara deste conflito, sempre a tentar atiçar tudo e todos. Nestas declarações citadas pelo Kommersant, Dmitry Medvedev diz que a única saída para esta guerra é a Ucrânia sair inequivocamente derrotada. O ex-presidente diz que os neonazis ucranianos, estou a citar, estão a cometer atos de terrorismo na região de Kursk e que a partir de agora a Rússia deixou de ser sensível à intermediação de outros países que, na opinião de Medvedev, não têm nada que se meter no conflito.
Diana, seguimos com a história de uma mulher grávida que morreu a tentar proteger os filhos dos ataques ucranianos em Kursk.
É uma história publicada pelo Izvestia, que entrevistou o marido da vítima. Diz este homem que um dos filhos sofreu ferimentos de estilhaços que atingiram o carro onde seguiam durante um tiroteio de soldados ucranianos. Mãe e filho estavam dentro do carro. A mãe terá tentado cobrir a criança com o próprio corpo quando o carro foi atingido. Mesmo assim, a criança ficou ferida na zona dos rins, mas não corre perigo de vida. Diz este homem que o militar ucraniano que estava na estrada tinha uma metralhadora na mão quando abriu fogo sobre os carros que estavam a cumprir a ordem de evacuação de Kursk. A família conseguiu escapar, foi assistida no hospital, mas a mãe, a rapariga de 28 anos, não resistiu aos ferimentos, acabou mesmo por morrer. Este marido apela aos países ocidentais para que pressionem Kiev a abrir corredores humanitários para a saída de civis na região de Kursk.
Foram os destaques da imprensa russa neste "Guerra Traduzida". Já a seguir vamos falar do que dizem os jornais russos.