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Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida" para acompanhar as guerras no Médio Oriente. Eu sou o Miguel Gato. Hoje olhamos pra imprensa internacional com a ajuda do Carlos Pedro. Boa tarde, Carlos.

Boa tarde, Miguel.

E hoje voltamos a olhar pro alegado ataque preparado pelo Irão para assassinar Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos confirma que trocou de avião depois de ter sido alertado para este suposto plano.

Uma troca secreta que aconteceu no mês passado, em julho, depois da cimeira da NATO. Era suposto Trump regressar ao solo norte-americano, como habitualmente faz a bordo do Air Force One, mas não foi isso que aconteceu. A imprensa norte-americana revela que o líder da Casa Branca foi transportado noutra aeronave militar para Washington, desde Ancara, capital da Turquia, onde decorreu a cimeira da NATO.

Os serviços de segurança de Trump justificam esta decisão, dizem que foi por causa de uma ameaça do Irão. Ora vamos às reações a esta notícia, Carlos.

O britânico The Guardian tem um artigo que reúne reações a esta notícia, mas há um que classifica este episódio como uma farsa. E por quê? Porque Donald Trump teria sido retirado às escondidas do avião presidencial, mas mais de 100 assessores, funcionários e jornalistas permaneceram a bordo do Air Force One, que seguiu depois viagem até ao Reino Unido. Isto tudo sem serem informados da suposta ameaça do Irão contra Donald Trump. Stephen Clash, diretor-executivo da Steady State e ex-oficial da CIA, olha pro caso e diz que a imagem que foi passada pela Casa Branca é a ideia de que o objetivo passou por reduzir o risco para Trump, oferecendo em troca 100 pessoas para serem mortas pelas autoridades iranianas. São declarações de Stephen Clash, entretanto reproduzidas pela The Guardian. Ontem, dizer ainda, os democratas pediram uma reunião extraordinária no Congresso, precisamente sobre este caso. Um senador classificou a operação na CNN como sem precedentes, surreal e francamente assustadora, com críticas ao fato de os jornalistas e algum staff ter viajado no Air Force One nesse dia, apesar desta ameaça iraniana.

Seguimos com declarações de Donald Trump, que falou aos jornalistas na última noite para voltar a repetir que são os norte-americanos que têm o controle total sobre o Estreito de Hormuz.

E pra isso muito estará a contribuir o bloqueio naval norte-americano ao largo de Hormuz. De madrugada, o Comando Central dos Estados Unidos confirmou o ataque a um navio com a bandeira do Panamá, próximo de um porto iraniano. Desde que o bloqueio naval foi imposto por Washington, em 14 de julho, no mês passado, as forças norte-americanas já redirecionaram mais de 50 navios comerciais. E ainda sobre o Hormuz, o presidente norte-americano acusa os iranianos de mentirem constantemente.

Mentindo ou não, Carlos, o certo é que Teerão continua a negar declarações de Trump.

Por exemplo, ontem o novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaee, avisou que o Estreito de Hormuz não será aberto até que os Estados Unidos mudem o comportamento e aceitem as condições iranianas. Em declarações citadas pela Agência Tasnim, Rezaee afirma que o acordo de uma nova rota marítima a ser fechado entre a República Islâmica do Irão e Omã deve ser visto em separado do bloqueio ao estreito de Hormuz e não significará por si só a reabertura do canal.

Sendo assim, Carlos, importa olharmos mais uma vez pros impactos nos setores da produção energética. A Agência Internacional de Energia deixa um alerta global.

Diz que a oferta de petróleo em todo o mundo deverá cair 4,3 milhões de barris por dia. Trata-se, portanto, de uma diminuição na casa dos 4% este ano, isto de acordo com a última previsão divulgada pela Agência Internacional de Energia. São previsões que superam as do mês anterior.

Vamos agora ao Líbano, Carlos. O jornal Naharnet destaca a aprovação histórica de uma lei no país.

A lei de anistia abrangente. O jornal conta que já era há muito esperada no país. Sabe-se que, pra já, vai beneficiar milhares de prisioneiros e pessoas procuradas pela justiça no Líbano. É a primeira lei deste tipo aprovada no país desde 1991. Ainda assim, o processo de aprovação desta lei parece ter passado por alguns momentos de maior tensão no Parlamento. É que, pelo segundo dia consecutivo, o ministro libanês da Defesa, Michel Menassa, foi impedido de discursar sobre o projeto de lei. Já ontem tinha sido relatada uma acalorada discussão entre o primeiro-ministro Nawaf Salam e o ministro da Defesa, Michel Menassa. Também ontem foi registrado outro momento histórico no Parlamento do Líbano. Falo da abolição da pena de morte. O Líbano foi, de resto, o primeiro país do Médio Oriente a abolir a pena de morte, o país número 514 do mundo a fazê-lo. O governo português reagiu, entretanto, o ministro Paulo Rangel fala numa decisão corajosa.

Tudo dito no episódio de hoje da "Guerra Traduzida" sobre os conflitos no Médio Oriente. A edição de hoje esteve a cargo do Carlos Pedro. Nós voltamos amanhã.