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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos-lhe os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Boa noite, Diana.
Olá, boa noite, Beatriz.
Começamos com a imprensa ucraniana e com uma notícia que tem poucos minutos. Volodymyr Zelensky declarou estado de emergência no país, em causa a crise energética em consequência dos ataques russos.
Com atenção especial, Beatriz, para Kiev, onde os moradores ficaram sem eletricidade, sem aquecimento e até sem água, numa altura em que estão temperaturas abaixo de zero. Vai ser criada uma task force para Kiev, por forma a coordenar a resposta 24 horas por dia. Os esforços estão a ser liderados pelo ministro da Energia, Denis Shmyhal. Zelensky, citado pelo Kyiv Independent, diz que as consequências dos ataques russos e do agravamento das condições climatéricas são graves. O governo vai intensificar os esforços com os parceiros estrangeiros para adquirir equipamentos energéticos essenciais, aumentar as importações de eletricidade e garantir apoio adicional. Vão ainda ser simplificadas as regras para conectar equipamentos de energia de reserva à rede durante o estado de emergência. O presidente ucraniano ordenou uma revisão do toque de recolher à meia-noite, uma coisa que foi instituída a partir do momento em que existe a lei marcial. E para quê? Para permitir o acesso de forma irrestrita da população aos chamados pontos de invencibilidade instalados em Kiev, que fornecem energia elétrica e aquecimento.
O Ministério da Educação e as autoridades locais também devem enviar propostas ao governo sobre o formato em que as crianças podem frequentar a escola durante o estado de emergência.
Nos últimos dias, Beatriz, a Rússia bombardeou a capital ucraniana e o resto do país com mísseis e drones e deixou cerca de 70% da capital sem energia. Enquanto as equipas dessas empresas de energia trabalham para reparar os danos, as temperaturas negativas dificultam esse trabalho e os equipamentos de reposição, que vão substituir outros que estão avariados, estão neste momento a esgotar-se.
A União Europeia revelou hoje detalhes sobre o empréstimo de apoio à Ucrânia de 90 mil milhões de euros.
Com a maior parte dos fundos destinada à defesa. 60 mil milhões vão ser destinados a gastos militares, 30 mil milhões vão ser alocados para apoiar o orçamento da Ucrânia, o que afirma a presidente da Comissão Europeia. A Ucrânia corria o risco de ficar sem dinheiro em meados deste ano e isto sem apoio adicional dos países estrangeiros. Ursula von der Leyen diz que todos nós, europeus, queremos a paz para a Ucrânia e para isso o país precisa de estar numa posição de força. A proposta da Comissão para os fundos, denominada empréstimo de apoio à Ucrânia, como disseste, Beatriz, vai ser agora submetida à apreciação do Parlamento Europeu e do Conselho. É um empréstimo que vai cobrir aproximadamente dois terços das necessidades da Ucrânia para este e para o próximo ano. O país não vai ter de reembolsar esse empréstimo à União Europeia, exceto no caso, improvável, diga-se, de a Rússia pagar as reparações à Ucrânia depois da guerra.
O Serviço de Segurança da Ucrânia prendeu uma ex-diretora que defendia a Rússia e elogiava a presença das tropas na Crimeia ocupada.
Nas escolas ucranianas, esta mulher impunha padrões educacionais russos e disseminava a propaganda do Kremlin entre alunos e pais. A mulher foi detida em Kiev, onde tinha ido visitar familiares. Os investigadores afirmam que ela trabalhava com a administração da ocupação russa nessa península ocupada e reescreveu o programa educativo para se alinhar com as políticas do Kremlin. Terá começado a colaborar com as forças russas logo depois da ocupação da Crimeia, em 2014, portanto, quase há 12 anos. As autoridades russas teriam nomeado esta pessoa para dirigir a escola e ordenaram que ela reestruturasse o ensino de acordo com as diretrizes ideológicas de Moscovo. Esta diretora organizava eventos de propaganda, glorificava as tropas russas e justificava os crimes de guerra perpetrados por Moscovo. Defendia ainda a expansão da Rússia. Ela está agora detida, assim vai permanecer. Está acusada de participação em atividades criminosas e vai ficar em prisão preventiva.
Fica por aqui a primeira parte da "Guerra Traduzida". Voltamos já a seguir com a imprensa russa.