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Guerra traduzida na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com o jornalista Martim Madeira. Boa noite, Martim.
Boa noite.
Começamos com Zelenskyy que diz apenas que 10% dos mísseis Patriot dos Estados Unidos podem acabar com a ameaça russa.
Destaque no jornal The Kyiv Independent. O presidente ucraniano afirma que se os Estados Unidos vendessem à Ucrânia apenas 10% do seu estoque de mísseis Patriot, Kiev teria capacidade para destruir todos os mísseis balísticos russos. Numa declaração citada também pelo Ukrainska Pravda, Zelenskyy explica que bastariam apenas 5% dos mísseis Patriots para a Ucrânia conseguir atravessar o inverno em segurança e salvar milhares de vidas. Este apelo surge num momento crítico em que o governo ucraniano tenta convencer os aliados de que o investimento em defesa aérea é a forma mais eficaz de proteger a infraestrutura civil e reduzir o impacto dos bombardeamentos russos que continuam a atingir o país.
Martim, vários drones ucranianos atingiram uma refinaria russa a 1300 km da fronteira.
O jornal The New Voice of Ukraine confirma que as forças ucranianas realizaram um ataque bem-sucedido contra o complexo de refinação de Gazprom, em Salavat. Este alvo fica situado a cerca de 1300 km da Ucrânia e, de acordo com os jornais ucranianos, mostra a capacidade crescente de Kiev em atingir infraestruturas estratégicas no interior da Rússia. De acordo com a Ukrainska Pravda, o ataque causou danos significativos e forçou a paragem temporária da produção. O ataque teve como objetivo o asfixiar da economia que financia a máquina de guerra russa, o que diz o jornal ucraniano. O Estado-Maior ucraniano, também citado pelo The Kyiv Independent, sublinha que estas operações de longo alcance são vitais para reduzir a capacidade de Moscovo em fornecer combustível às tropas na frente de batalha.
Continuamos nas ofensivas. Um ataque ao centro logístico da empresa russa Wildberries causou prejuízos de milhões.
O jornal Ukrainska Pravda traz hoje uma análise sobre a legitimidade dos ataques ucranianos contra as instalações da Wildberries, uma gigante de retalho online russa. Segundo estes dados publicados pelo jornal, os prejuízos acumulados pela empresa e pelos vendedores devido a estes ataques são estimados entre os sete e os 8,5 mil milhões de dólares. Já o The New Voice of Ukraine refere que os vendedores da plataforma recomeçaram a reportar atrasos graves nos pagamentos. A Ucrânia defende que estes centros logísticos apoiam indiretamente o esforço de guerra da Rússia e que a disrupção do comércio online é uma ferramenta de pressão económica necessária num conflito que já dura há mais de quatro anos.
Há também outra notícia em destaque: um radar russo de 100 milhões de dólares foi destruído em Sevastopol.
De acordo com o jornal Ukrainska Pravda, este radar era fundamental para detetar aeronaves e mísseis a longa distância. Servia como um dos olhos da defesa aérea russa na península. O The New Voice of Ukraine acrescenta ainda que a operação foi cirúrgica e enfraquece consideravelmente a proteção russa sobre o porto militar de Sevastopol. Para os especialistas citados na imprensa ucraniana, a perda de equipamento tecnológico deste valor é difícil de recuperar para Moscovo a curto prazo, dada a dificuldade de importar componentes eletrónicos, tendo em conta as sanções que foram impostas pelos países do Ocidente.
Falta ainda falar da Ucrânia, que recebeu 261 corpos de soldados que estavam na posse da Rússia.
O jornal The New Voice of Ukraine relata que a Ucrânia concluiu hoje o processo de repatriamento de 261 corpos de soldados que a Rússia afirma pertencerem às forças ucranianas. De acordo com o jornal The Kyiv Independent, estas trocas de corpos são um dos poucos canais de comunicação direta que ainda funcionam entre Kiev e Moscovo. No entanto, as autoridades ucranianas alertam que, em processos anteriores, a Rússia terá devolvido corpos dos próprios militares para evitar o pagamento de indemnizações às famílias russas. O trabalho de identificação e verificação começa agora, enquanto a Ucrânia continua a prestar honras militares aos heróis que regressam a casa, como aconteceu recentemente com o líder histórico Yevhen Konovalets, cujas cinzas também foram repatriadas.
Está feita a guerra traduzida, versão Ucrânia. Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.