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27 de setembro de 2023, começa agora mais uma edição de Guerra Traduzida na Rádio Observador. Vamos analisar nos próximos minutos os dois lados do conflito. Hoje começamos pela imprensa ucraniana. Temos conosco o jornalista Rui Casanova, que para este programa conta também com colaboração de Tânia Olynnyk. Rui, vamos começar hoje com o grupo Wagner. A Ucrânia afirma que alguns ex-mercenários voltaram a combater contra Kiev.

A situação é denunciada por fonte do exército da Ucrânia ao jornal Pravda. Afirma que ex-mercenários do grupo Wagner, que estavam na Bielorrússia, assinaram um contrato com o Ministério da Defesa da Rússia e que voltaram à Ucrânia precisamente para combater contra Kiev. Concentram-se particularmente no leste do país, onde lutam contra o exército ucraniano. No entanto, de acordo com esta fonte do exército da Ucrânia, estes militares, estes ex-mercenários, já não representam uma ameaça tão grande como no passado, por causa da morte do líder do grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin. Ainda assim, fica este alerta do exército da Ucrânia.

Entretanto, os serviços secretos da Ucrânia anunciam a detenção de dois agentes russos responsáveis por um ataque contra a Ucrânia.

Um ataque aéreo russo contra Kiev que aconteceu na noite de 21 de setembro. A notícia é avançada pelo jornal Pravda, que cita fontes dos serviços secretos da Ucrânia. Não é divulgado como é que esta operação decorreu, ou seja, como é que estes agentes foram detectados ou detidos. O jornal Pravda escreve apenas que estes agentes enviavam ao exército russo informações sobre alvos a atacar, como coordenadas ou fotografias, e entre os alvos estavam infraestruturas de energia. Depois eram pagos. Foi o que aconteceu com este ataque a Kiev há apenas alguns dias. O Pravda divulga fotografias destes agentes, naturalmente com a cara desfocada, pixelizada, e também fotografias das comunicações no telemóvel. Aí é possível ver as mensagens que eles trocavam e também ver fotografias, por exemplo, de edifícios. Os dois agentes russos enfrentam agora prisão perpétua, de acordo com a imprensa ucraniana.

Seguimos com outra notícia. O presidente da Ucrânia promete uma grande ação comemorativa já no dia 1 de outubro, próximo domingo.

Vai ser celebrado o Dia dos Defensores da Ucrânia, que costuma ser a 14 de outubro, mas no ano passado essa data foi alterada. O Parlamento aprovou a alteração da data de 14 para 1 de outubro. Por isso, vai ser a primeira vez este ano que este Dia dos Defensores da Ucrânia é assinalado no dia 1 de outubro, já no próximo domingo. Volodymyr Zelensky anuncia um minuto de silêncio em honra dos soldados que já morreram desde o início da guerra. Esta celebração, esta homenagem, vai decorrer nas principais praças e ruas das cidades ucranianas. Volodymyr Zelensky convida todos os ucranianos, todos os cidadãos a honrarem e homenagearem estes soldados neste Dia dos Defensores. É uma notícia em destaque no canal TSN.

Seguimos ainda no portal TSN, que tenta hoje dar respostas a uma pergunta: como é o mercado de trabalho de um país em guerra?

O canal ucraniano tem aqui um longo artigo sobre esta questão e há dados muito interessantes. O destaque é que, e apesar de estarmos a falar de um país em guerra há mais de um ano, o mercado de trabalho tem um número recorde de vagas. Há muita oferta de emprego atualmente, porque há dezenas de milhares de cargos por preencher. Em agosto, de acordo com o sistema de gestão de emprego da Ucrânia, as empresas anunciaram, publicaram quase 103 mil ofertas de emprego. Foi uma subida de 10% face ao mês anterior, julho. As regiões de Kharkiv, Odessa, Lviv, Dnipropetrovsk e Kiev são as regiões onde há mais oferta de emprego e as vagas continuam a aumentar aqui, de acordo com o canal TSN.

E que tipo de empregos é que há?

Um pouco de tudo, desde cozinheiros, comerciantes, vendedores, empregados de mesa, professores, mecânicos de automóveis e até funcionários públicos. São áreas muito variadas. O canal TSN lembra que o outono é época do novo ano letivo, começa a escola, as pessoas voltam ao trabalho e também da época alta de negócios. Apesar da guerra, este ano não é exceção.

E quanto ao desemprego?

O canal TSN divulga aqui dados oficiais do governo que dizem que no início deste mês estavam desempregadas na Ucrânia cerca de 106 mil pessoas. Mas importa também destacar que recentemente o salário médio na Ucrânia voltou a aumentar. É agora de 17.500 hrivnias, a moeda oficial da Ucrânia. Traduzido para euros, falamos de cerca de 449 €. E de recordar também que há umas semanas tínhamos dado conta aqui na Guerra Traduzida que o governo da Ucrânia afirma que, apesar da guerra, a economia atravessa uma fase positiva. São sempre indicadores interessantes de analisar num país em guerra e que estão aqui em destaque, naturalmente, na imprensa ucraniana. Desta feita ao canal TSN.

A economia e o mercado de trabalho de um país em guerra em destaque nesta revista de imprensa ucraniana.