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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Seguimos com a imprensa ucraniana, com a jornalista Diana Rosa. Diana, o chanceler alemão admite que a Ucrânia tenha de vir a ceder território para se juntar à União Europeia.

Friedrich Merz diz que a certa altura a Ucrânia vai assinar um acordo de cessar-fogo e espera-se um tratado de paz com a Rússia e dessa forma poderá acontecer que parte do território da Ucrânia deixe de pertencer ao país. Diz o chanceler que se o presidente Zelensky quiser comunicar isto à sua própria população e obter uma maioria favorável, caso precise de realizar um referendo sobre o assunto, então deve ao mesmo tempo dizer ao povo que está aberto o caminho para a Europa. Além disso, o chanceler alemão adverte também contra as expectativas de uma adesão rápida da Ucrânia à União Europeia. Lembra que para se juntar aos 27, o país não pode estar em guerra, tem de cumprir condições rigorosas de um Estado de direito, nomeadamente no que diz respeito ao velho problema da Ucrânia, o combate à corrupção. Zelensky, diz Friedrich Merz, tinha a ideia de aderir à União Europeia no dia 1 de janeiro do próximo ano, isso não vai funcionar. Mesmo no dia 1 de janeiro de 2028, não é realista, é o que conclui o chanceler.

E a Ucrânia avisou Israel que vai responder diplomática e legalmente, caso o país permita que uma embarcação russa que contém grãos de território ucranianos ocupados pela Rússia, atraque no porto de Haifa.

A notícia é avançada pela Reuters e confirmada pelo Kyiv Independent. Se essa embarcação e a mercadoria não for rejeitada, diz uma fonte ucraniana, o país reserva-se ao direito de implementar um conjunto completo de respostas legais, diplomáticas e internacionais. No domingo, um jornal israelita, Haaretz, publicou uma investigação que dava conta de quatro embarcações que tinham descarregado grãos de territórios ucranianos ocupados pela Rússia desde janeiro e é isso que a Ucrânia não quer, que a Rússia ganhe com isso.

E a NATO e a Ucrânia estão a realizar treinos militares na Suécia. É a preparação contra uma ameaça de leste.

Cerca de 18 mil militares de 12 países da NATO e da Ucrânia, juntamente com a Ucrânia, aliás, iniciaram hoje o maior exercício militar do ano, que vai simular, como dizias, Rita, uma ameaça grave e inesperada. O exercício chama-se Aurora 2026, vai ter a duração de duas semanas, envolve tropas de países como a Suécia, os Estados Unidos, o Reino Unido, França, Dinamarca, Finlândia e Noruega, mas ainda Estónia, Letónia, Alemanha, Países Baixos, Canadá e, como dizia, a Ucrânia. As manobras concentram-se, sobretudo, no sul do país, no sul da Suécia e na ilha de Gotland, no Mar Báltico. O contra-almirante das Forças Armadas suecas afirma que é a Rússia que apresenta uma ameaça mais significativa. Foi a guerra da Rússia contra a Ucrânia que levou à pior situação de segurança desde a Segunda Guerra Mundial e é a ameaça de Moscovo que exige que estes aliados treinem as respectivas capacidades defensivas.

Zelensky acusa ainda a Rússia de terrorismo nuclear, numa altura em que se assinalou o aniversário de Chernobyl.

Passaram 40 anos desde o desastre nuclear. Cinco pessoas morreram na Ucrânia depois de Moscovo ter lançado mais de uma centena de drones durante a noite, o mais recente de uma série de ataques quase diários que o país enfrenta desde o início da guerra em 2022. Numa publicação nas redes sociais, em memória do aniversário de Chernobyl, Zelensky afirma que a invasão russa está mais uma vez a levar o mundo à beira de um desastre causado pelo homem. Destaca como os drones russos sobrevoam Chernobyl regularmente e que um deles atingiu o revestimento protetor no ano passado. Acrescenta que o mundo não pode permitir que esse terrorismo nuclear continue e a melhor maneira é forçar a Rússia a parar com estes ataques imprudentes. O chefe da Agência Internacional de Energia Atómica e a presidente da Moldávia participaram nestas cerimónias comemorativas.

E foi mais uma edição da "Guerra Traduzida" com Diana Rosa. Está de regresso amanhã.

Até amanhã.

Até amanhã.