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Esta é a história do dia da Rádio Observador: porque voltámos a gostar de Fórmula 1?

"We never thought that we would be neck on neck going into the last race. We've had an amazing recovery."

Of all the drama, of all the controversy, of all the magic moments in Formula 1 in 2021, it comes down to this. And at this moment, it looks like it's gonna go the way of Max Verstappen.

This was the ultimate dream. And now that we have achieved that, basically for me, everything what comes next is a bonus.

Lewis Hamilton tentava, em Abu Dhabi, ultrapassar Michael Schumacher como o piloto mais vezes campeão na Fórmula 1. O alemão e o britânico têm sete campeonatos cada. Mas Hamilton perdeu na última volta do último grande prêmio da temporada de 2021 para Max Verstappen, um holandês então com 24 anos, que conseguiu assim o primeiro campeonato. A prova foi acompanhada por milhões em todo o mundo. A Fórmula 1 renasceu depois de alguns anos de desinteresse por parte do grande público. O campeonato arranca este fim de semana e por isso vamos falar de Fórmula 1, de carros e de pilotos com a jornalista da seção de desporto do Observador, Mariana Fernandes. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia. Bem-vinda, Mariana.

Olá, Ricardo.

O Campeonato Mundo de Fórmula 1 arranca este fim de semana. Há grandes diferenças nos carros do ano passado para este ou é praticamente a mesma coisa?

É praticamente a mesma coisa. A verdade é que de 2022 para 2023 existem poucas diferenças daquilo que é a dinâmica, a aerodinâmica, o chassi, tudo aquilo que são as regulamentações dos carros. A grande diferença e a grande tentativa que a Fórmula 1 tentou fazer foi acabar com o chamado porpoising, que são os saltos que os carros-

Porpoising?

Exato. São os saltos que os carros dão a dada altura a grandes velocidades e que partem da ineficiência da aerodinâmica.

Os carros começam a saltitar, é isso?

Os carros saltitam, sim, normalmente em retas a alta velocidade.

My feeling is that like a pro basketball player, you know, when they get the ball really low and do like that.

Right.

That's like I felt like we were just getting our, someone's bouncing our helmet.

Wow.

So.

Yeah, a lot of bouncing, guys.

O que os torna obviamente complicados de controlar e de conduzir. A Ferrari teve muitos problemas com isto o ano passado, no início da temporada.

We had it a little bit in Jeddah, a little bit less, and now it's a bit more, so, yeah, it is not so pleasant, but-

E aquilo que a Fórmula 1 procurou fazer foi aumentar um bocadinho a altura dos carros. Ou seja, todos os carros são 15 milímetros um bocadinho mais altos, estão 15 milímetros mais longe do chão. Foi isto, principalmente, que a Fórmula 1 tentou fazer para evitar este dito porpoising.

Bouncing has gone. So, I mean, we have sometimes it occurs a little bit, but most of the time it's not there. So that's-

Ainda que nos testes que já decorreram, nos testes pré-temporada que já decorreram, várias equipas já tenham dito que as coisas estão um bocadinho na mesma, ou seja, que estes 15 milímetros não estão a fazer grande diferença, mas de facto eles estão lá, existem e os carros estão 15 milímetros mais altos, carros estes que nunca foram tão pesados como em 2023. O limite mínimo de um carro de Fórmula 1 nesta altura são 798 quilos.

Mas se estão pesados, ou pelo menos isso acontece comigo, correm menos, ou pelo menos correm mais devagar. Já que puseram mais 15 milímetros, não dava para tirar aí um quilo ou dois ao carro?

Está a tornar-se cada vez mais complicado, ao contrário de retirar quilos, não acrescentar quilos. Ou seja, estes 798 quilos já são mais três do que o limite mínimo do ano passado. Portanto, as equipas não conseguiram sequer não acrescentar peso. A verdade é que isto é um ciclo vicioso, ou seja, os carros são cada vez mais pesados, o que obriga também a medidas de segurança, regulamentações de segurança adicionais, são cada vez mais, e obriga também a uma distribuição, uma tentativa de distribuição deste peso, o que torna também os carros mais largos, mais encorpados, digamos assim. Portanto, estes carros de Fórmula 1 nunca foram tão grandes, tão largos e tão pesados como são atualmente em 2023. E a verdade é que as equipas atualmente, e também muito por queixa dos pilotos, porque como dizia, se o carro é mais pesado à partida também corre menos, também se torna mais complicado de conduzir e até mais aborrecido de conduzir. O Lando Norris, da McLaren, dizia isso há cerca de um ano, que o carro era aborrecido de conduzir porque era demasiado pesado. A verdade é que as equipas procuram, de alguma forma, retirar gramas, autenticamente. Já nem estamos nos quilos.

Gramas?

Exatamente. Estamos nos gramas. E estamos num ponto em que já nem sequer acrescentam tinta. Ou seja, se olharmos para os 10 carros que vão fazer parte deste mundial de Fórmula 1 e compararmos com, por exemplo, os do ano passado, os carros são quase todos mais escuros. O exemplo paradigmático é a Mercedes, que deixou por completo o prateado e assumiu um carro completamente negro, mas o caso da Alpha Tauri também e até da Alfa Romeo, que tinham como base o branco e que este ano assumiram o preto, por um motivo simples: é a fibra de carbono original. Portanto, o carro nem sequer está pintado.

Não está pintado?

É o negro da fibra de carbono. Isto para retirar tinta e para retirar, lá está, gramas ao carro.

Porque a tinta pesa.

Porque a tinta pesa.

Ainda me lembro do carro, do Lotus preto, do Ayrton Senna, mas já vamos falar dele um pouco mais à frente E quantas equipas há a disputar este campeonato?

São 10 equipas, cada uma com dois pilotos. Normalmente, um piloto principal, um que está mais lançado para conquistar pontos, e um piloto mais de apoio, mas são dois pilotos por 10 equipas.

São as mesmas do ano passado?

São as mesmas equipas do ano passado.

E as grandes favoritas continuam a ser as mesmas também?

São as mesmas do costume, com essa particularidade de estarmos a viver uma época em que muito recentemente terminou a hegemonia da Mercedes e estamos a começar a entrar na dinastia da Red Bull. A Red Bull parte como a grande favorita a voltar a ganhar este campeonato do mundo de construtores, com a Mercedes e a Ferrari claramente a competirem pelo segundo lugar.

E continua a ser, Mariana, uma corrida e uma coisa de rapazes, ou isto está finalmente a mudar?

Está finalmente a mudar. Ainda é uma corrida de rapazes e ainda continua a ser muito dominada pelos homens, pelo menos naquilo que diz respeito aos carros e àquilo que está dentro de pista. A verdade é que nas equipas existem cada vez mais mulheres, principalmente engenheiras. E se olharmos para a Mercedes e para a Red Bull, as chefes de estratégia, as líderes de estratégia, tanto da Mercedes como da Red Bull, nesta altura são mulheres. E existem outras duas, também na Alfa Romeo e na Alpha Tauri, as líderes da estratégia das equipas são mulheres. E isso começa a fazer diferença, obviamente. E começa a perceber-se que todas as equipas e a própria Fórmula 1, enquanto um todo, olham para a integração da mulher e principalmente para o aparecimento da mulher piloto como uma inevitabilidade para os próximos anos. Eu estive em Londres recentemente na apresentação dos novos carros da Alpine e, para além da apresentação dos novos carros, a Alpine também apresentou um novo projeto de academia para jovens pilotos, precisamente. Contratou também algumas pilotos que já vinham a dar nas vistas, principalmente na Fórmula 3 e noutras categorias do automobilismo, e está a ter uma aposta clara naquilo que é o desenvolvimento da mulher enquanto piloto, tendo em vista, obviamente, a integração no futuro de uma mulher no Mundial de Fórmula 1.

Mas para já só há pilotos homens, não é, nas provas de Fórmula 1?

Sim, atualmente são só pilotos homens nas provas de Fórmula 1.

E há alguma competição similar para mulheres ou não?

Existia até aqui a W Series, era um campeonato totalmente feminino, tinha começado em 2019, eram 20 pilotos com seis corridas por ano. Vai existir este ano uma competição similar, algo chamado Formula One Academy. E soubemos também há pouco tempo que a diretora desta Formula One Academy vai ser a Susie Wolff, uma mulher que está muito ligada ao automobilismo nos últimos anos e que, a título de curiosidade, é a mulher de Toto Wolff, o diretor da Mercedes, o mediático diretor da Mercedes, e que vai ser então a diretora desta F1 Academy, que vai ter apenas pilotos mulheres e vai servir claramente como projeto piloto, passando a redundância, para este surgimento das mulheres piloto e da integração da mulher no automobilismo. Vão ser carros de Fórmula 4, mas o apoio é de equipas, neste caso, engenheiros de Fórmula 2. Portanto, existe esse investimento com todos os fundos a serem promovidos pela Fórmula 1.

Já voltamos à conversa com a Mariana Fernandes. Afinal de contas, por que nos voltamos a apaixonar pela Fórmula 1, um desporto milionário em que uns tipos andam assim a alta velocidade numa pista? Conservatism. Conservatismo. Conservatismo. Conservatorismo. Conservadorismo. A palavra conservadorismo anda nas bocas do mundo. Mas será que sabemos o que ela quer dizer? O conservadorismo é de direita ou é a direita que é conservadora? Miguel Morgado vem à Academia Observador responder a estas e a outras questões. Inscreva-se.

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Estamos de regresso à conversa com Mariana Fernandes. Mariana, deixa-me aqui dar uma nota pessoal. Eu estava, e lembro-me disso quase como se fosse hoje, num café a ver Fórmula 1. É isso, via-se Fórmula 1 no café, no 1º de Maio de 1994. E nessa tarde de domingo, lembro-me perfeitamente de ver Ayrton Senna sair de pista disparado para embater com grande velocidade nos rails, em Ímola, na Itália. O piloto brasileiro morreu. Senna bateu forte. Ali na Tamburello. A batida muito forte. E a partir daí parece que alguma coisa mudou. Pelo menos os pilotos que se sucederam não tiveram tanto carisma, nem se sentia tanto carisma dentro da pista. Obviamente, Mariana, isto é uma opinião muito pessoal, de quem se lembra perfeitamente disto, mas achas que podemos dizer que há aqui uma Fórmula 1 antes de Ayrton Senna, pelo menos nos tempos mais modernos, e uma Fórmula 1 depois de Ayrton Senna?

Eu acho que sim, nesse paradigma e nessa particularidade de as pessoas não se terem apaixonado por mais ninguém como eram apaixonadas por Senna a partir do momento em que o piloto brasileiro morreu. Schumacher era muito bom e todos lhe reconheciam enorme qualidade e enorme valência, mas era frio, era calculista, não estabelecia proximidade. As pessoas não se apaixonavam por Schumacher. Reconheciam, obviamente, que era o melhor piloto do mundo, se calhar um dos melhores pilotos que já existiu e que já passaram pela Fórmula 1.

Era incrível.

Era incrível, mas não se identificavam com ele. E a verdade é que depois dessa hegemonia de Schumacher, todos aqueles que foram campeão do mundo não conseguiram também criar esse elã. O Jenson Button, o Sebastian Vettel, o próprio Hamilton, que poderia tê-lo feito, até porque é cada vez mais importante também fora de pista, no ativismo, naquilo que defende, nas causas que defende, acabou por ficar um bocadinho sempre embrenhado no fato de as pessoas se terem fartado de Fórmula 1 nessa altura, pela hegemonia da Mercedes, por ganhar sempre o mesmo. Deixou de ter piada, a verdade é essa.

Exatamente.

E o próprio Hamilton, que poderia ser essa figura, também não conseguiu sê-lo. Portanto, acho que só agora é que estamos a voltar a uma era, digamos assim, em que existe essa identificação, existe essa proximidade com os pilotos.

Então vamos falar dos atuais artistas. Eles têm essa mística, em tua opinião? As pessoas Sabem quem eles são? Conhecem as caras dos pilotos?

As pessoas sabem cada vez mais quem são os pilotos de Fórmula 1 e estamos cada vez mais a entrar numa era em que já não se conhece um ou dois, ou já não se conhecem aqueles que lutam pelas vitórias. Conhecem-se todos, conhecem-se toda a grelha, até aqueles que não lutam pelos pontos, aqueles que estão nas equipas.

Aqueles que ficam sempre cá para baixo.

Exatamente, aqueles que ficam sempre cá para baixo. E claro que a Fórmula 1 está a aproveitar, e é das modalidades que mais está a aproveitar o facto de vivermos na era das redes sociais. Todos estes pilotos são autênticas estrelas no Instagram, no TikTok, têm contas de TikTok que são seguidas por milhares de pessoas no mundo inteiro. Os jovens, principalmente, conhecem todos estes pilotos de Fórmula 1. São pilotos de Fórmula 1 muito jovens, quase todos abaixo dos 30 anos, ricos, bonitos, que viajam, que fazem vidas extraordinárias e que, obviamente, os jovens gostam de seguir e de almejar um dia chegar lá perto ou ser como eles.

E Mariana, e eles são competentes a conduzir? Quem são estes grandes artistas?

A verdade é que, obviamente, e numa grelha de Fórmula 1, existem uns mais populares do que outros e os mais jovens, principalmente, são mais populares do que os mais antigos, digamos assim. Sim, a verdade é que, e como dizia, esta questão de serem jovens e muitos deles, e existe essa particularidade hoje em dia em Portugal, existem dois, três pilotos de Fórmula 1 que nesta altura namoram com portuguesas, com jovens portuguesas, e isso também cria uma proximidade para nós, aqui dentro, obviamente, muito portuguesa. A verdade é que temos o Pierre Gasly, é dos pilotos mais populares, digamos assim, e é um desses que está na Alpine, portanto, não luta propriamente por vitórias, não luta propriamente por conquistar nada, mas é um piloto muito popular. O caso do Max Verstappen, obviamente, é paradigmático, é muito popular também, ainda que não seja dos pilotos que mais fomenta essa proximidade com as pessoas, mas obviamente é o campeão do mundo, portanto, estimula muito interesse. Mas depois temos vários, o Lando Norris, o Lance Stroll, o Charles Leclerc, são todos muito novos, são todos extraordinariamente talentosos e despertam obviamente muito interesse, nem que seja por serem o futuro. E eu acho que se percebe cada vez mais que todos eles, um bocadinho à sua maneira e cada um com o seu papel, são o futuro da Fórmula 1.

I was just here to get some behind the scenes for you all, show you what's going on. Get some cool content, 'cause it's all about content, right?

São muito conhecidos, têm muitos fãs nas redes sociais. Muitos adoram o Verstappen, ou o Lando Norris, ou o Leclerc. Mas estes fãs, só para perceber isto melhor, Mariana, sabem quantos cavalos têm os carros ou isso não interessa nada?

Eu acho que isso interessa cada vez menos. A verdade é essa. E dando também um exemplo pessoal e uma nota pessoal, a minha irmã é uma fã acérrima de Fórmula 1, adora Fórmula 1.

E vê as corridas.

Conhece todos os pilotos, vê as corridas, vê a série da Netflix, adora, nem sequer tem a carta e não percebe absolutamente nada de carros. Portanto, a Fórmula 1 conseguiu este feito de marketing, de publicidade, em que hoje em dia não é preciso adorar carros, não é preciso adorar velocidade, não é preciso adorar aquilo que está mesmo em causa a nível competitivo para gostar de Fórmula 1. Personalizou a Fórmula 1 nestes pilotos, na fama destes pilotos, na personalidade destes pilotos, de uma forma em que basta adorar o Verstappen, ou basta gostar das cores do carro da Red Bull, e basta gostar de estar ali um bocadinho ao domingo, nem que seja a fazer scroll no Instagram enquanto a corrida está a dar como pano de fundo, para seguir todos os grandes prêmios todos os domingos.

Mas deixa-me voltar aqui à capacidade de dominar a máquina, se têm ou não unhas para esta guitarra. Os computadores ainda mandam muito nos carros. Estes rapazes, tal como os pioneiros da velocidade, têm grande capacidade para dominar estas máquinas infernais que andam bem acima dos 300 km/h?

Eles têm grande capacidade para as dominar e claro que na decisão do segundo, na decisão do split second, são eles que decidem, são eles que têm o volante nas mãos, mas acho que é cada vez mais notório que as decisões e aquilo que acontece dentro de pista é decidido e é escolhido por quem não está lá dentro de pista, ou seja, por quem está nas equipas, pelos engenheiros, pelos diretores.

Verstappen DRS and safety car window open.

Por estas diretoras de estratégia que decidem se temos uma ou duas paragens, quando é que se para, se para mais perto do fim, se troca de pneus, se não troca. Ou seja, eles estão lá e são a parte da coragem e a parte espetacular deste desporto, que é a pessoa que quase não tem medo de se colocar naquilo que é um aparente suicídio, que é conduzir a esta velocidade. Mas a verdade é que no que toca à estratégia, no que toca às decisões, no que toca ao planeamento da corrida, por muito que os pilotos estejam envolvidos no planeamento da corrida nos dias que a antecedem, quando estão lá dentro, muito daquilo que acontece é escolhido por quem não está em pista.

Mas muitas dessas decisões, ou quase todas, são tomadas com base em dados eletrónicos. Há espaço para o improviso, há espaço para a magia?

Tem de haver, nem que seja porque não sabemos o que o adversário vai fazer. Ou seja, se somos surpreendidos com a estratégia do adversário, e existiram vários casos no ano passado, se existe uma surpresa, se a Mercedes para duas vezes e a Red Bull estava à espera de que a Mercedes fosse apenas para uma corrida de uma paragem, tem de haver uma adaptação a isso mesmo. Portanto, o improviso, o decidir em cima do joelho, tem de existir sempre. Agora, existe um planeamento quase com regra e esquadro e as equipas preparam todas as corridas sempre a pensar no pior cenário possível e a pensar qual será a resposta a esse pior cenário possível.

E quem são os pilotos favoritos para esta temporada?

Max Verstappen parte como favorito absoluto para ser campeão mundial pela terceira vez e pela terceira vez consecutiva.

Yeah, enjoyed a bit, try not to think about Formula 1 too much. Spend a bit of time at home at some point as well

Get ready for racing again.

Com Charles Leclerc da Ferrari e Lewis Hamilton da Mercedes a lutarem claramente pelo segundo lugar do Campeonato do Mundo, sendo que Sergio Pérez, o segundo piloto da Red Bull, também tem de ser colocado nesta equação. Portanto, Verstappen parte como favorito absoluto, sendo que todos os outros partem como candidatos a serem o melhor dos outros todos.

Mas Mariana Fernandes, se os pilotos favoritos são mais ou menos os mesmos, se as marcas, os construtores, são mais ou menos os mesmos no que toca aos favoritos, se a estratégia é muito assente nos computadores e há algum espaço para o improviso, mas não muito, já percebemos. A Fórmula 1 não continua a ser um desporto ou uma prova chata? Por que é que nos voltámos a apaixonar pela Fórmula 1?

Eu acho que existem vários fatores para este boom de popularidade da Fórmula 1 outra vez. Já falámos sobre alguns deles, esta questão da personalização dos pilotos, ou seja, todos os desportos, todas as modalidades precisam de ídolos, precisam de aproximação, precisam de identificação com as pessoas que ali estão. E esta questão das redes sociais conseguiu muito isso. As pessoas sentem-se próximas destes pilotos, têm ídolos, escolheram aqueles de que gostam mais e torcem por eles como se estivessem a ver futebol, basquetebol ou qualquer outra modalidade. Depois, existe a questão da competitividade. Durante muito tempo a Fórmula 1 esteve adormecida com a hegemonia de Hamilton e da Mercedes. Era aborrecido, como dizias, ganhava sempre o mesmo. E por muito que estejamos a entrar outra vez nessa ótica, porque ganha sempre o Verstappen e ganha sempre a Red Bull, esta luta entre Hamilton e Verstappen, ou até entre Verstappen e Leclerc, estimulou outra vez a competitividade. As pessoas querem saber quem ganha e quem ganha no final do ano. E depois, obviamente, e parece-me aqui a lógica ou a justificação mais óbvia, até para aqueles que não estão muito dentro do assunto, a Fórmula 1 conseguiu, com uma série da Netflix, fazer o golpe de marketing desportivo, neste caso, mais extraordinário, se calhar, das últimas décadas.

Max Verstappen, how are you feeling about being in the chair?

It's quite comfortable, sir.

It is a new dawn.

Hello, hello.

Annie, do a big smile.

I charge for my smile.

Oh boy, here we go.

Aquela série, o "Drive to Survive", que já leva várias temporadas e a última estreou precisamente quase uma semana antes deste mundial ir começar, aproximou novamente muitos daqueles que já não queriam saber e trouxe para a modalidade muitos daqueles que nem sequer sabiam o que se passava lá dentro. A forma como está feita, a forma como está filmada, é quase em reality show, a contar os bastidores, aquilo que está nas garagens, faz com que, obviamente, todos queiramos ver o que depois acontece nos capítulos seguintes. Os capítulos seguintes depois são em direto, nas corridas, todos os domingos. Aquilo que a Fórmula 1 conseguiu fazer com esta série da Netflix é um exemplo para todas as modalidades que estiveram ou que estejam a correr o risco de se tornarem demasiado aborrecidas.

Isso é uma espécie de MasterChef, mas com alcatrão, gasolina e borracha dos pneus?

Com a particularidade que o MasterChef vamos para a cozinha fazer e aqui só podemos mesmo ficar a ver.

Obrigado, Mariana.

Obrigada, Ricardo.

Mariana Fernandes é jornalista da seção de desporto d'O Observador. Esta foi a história do dia. Ouvimos sons retirados da F1 TV, BBC, YouTube e Netflix. A sonoplastia é da Beatriz Martel Garcia e do Bernardo Almeida, dois fãs de Fórmula 1. A música do genérico é do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até segunda.