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Olá, sejam muito bem-vindos à História das Histórias. Meu nome é João Paulo Sacadura, mas quem estou aqui a apresentar é Alberto Correia, historiador e investigador. Quem hoje o Alberto Correia vai apresentar vai ser Manuel Ingrácia Carrilho, este engenheiro agrónomo que marcou tanto também a região Centro e os vinicultores do Dão, e que foi deputado, governador civil, trabalhou no Ministério da Agricultura. Teve uma grande vida e um pouco sobre a vida deste grande beirão vai nos falar Alberto Correia. Bem-vindo, Alberto.

Manuel Augusto Ingrácia Carrilho, cuja vida decorre de 1916 a 1992, nasceu no Souto do Sabugal, extremas da Beira Alta, mas desde Viseu, a sua terra, chão lazeredo, onde a sizália nunca entrou e que produziu sempre fruto em abundância. Engenheiro agrónomo, ingressa em 1948 na Junta de Colonização Interna do Ministério da Agricultura e pela mesma vem como delegado para Viseu, concretizando melhoramentos nas povoações rurais, como fizera, ainda estudante, na sua terra, que isso foi lembrado no livro de curso em jeito de caricatura. Exerce funções de delegado do governo junto da Federação dos Vinicultores do Dão. Um passo para a política e em 1960 é deputado com assento na Assembleia Nacional, de onde passa, entre 1974 e 1972, a servir Viseu, o seu distrito, como governador civil, de onde segue para dirigir a Comissão de Planeamento da Região Centro até 1975, de onde regressa ao Ministério da Agricultura como inspetor. Cumpre-se mais tarde, entre 1985 e 1989, como ativo presidente da Câmara de Viseu, eleito pelo CDS-PP, anos intensos de entrega à cidade, onde imprime sua garra na modernização do seu tecido urbano e rural. Manuel Ingrácia Carrilho, homem inteiro, revela agora mais afoito a outra face, sempre a olhar a cidade, a olhar os outros, os que mais precisam, e falo como provedor eleito da Santa Casa da Misericórdia de Viseu, cargo que já antes desempenhara, entre 1957 e 1974, e interrompera para de outro modo servir a cidade, para regressar ao beneficente mister de 1981 até à sua morte ocasionada por trágico acidente. Empreendedor, entrega-se de alma e coração aos seus projetos orientados a essa missão do bem servir, lema que subjaz à inteireza de uma vida. E, coroa de glória do seu desempenho, da sua dedicação, do seu trabalho aturado, permanecem vivos hoje os efetivos projetos do bairro residencial Dona Maria do Céu Mendes, o Jardim Escola da Nossa Senhora de Fátima, o Complexo Desportivo de Cavanões, com piscina e court de ténis, o Hotel Príncipe Perfeito, edificados nesse imenso chão, a Quinta da Lagoa, que fora de Dona Maria do Céu Mendes, e ainda obras de melhoria no Lar São Caetano, na recuperação do antigo Colégio Português e nessa gigantesca obra que é a residência Dona Leonor, cativante espaço que acolhe gente da terceira idade. Honrarias muitas. Comendador da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo em 1971, Comendador da Ordem de Mérito Civil em 1994, louvor póstumo de uma vida entregue a ações de bem fazer. Como palmarés de glória, é-lhe entregue a 18 de maio de 2009, em Viseu, postumamente, na pessoa de seu filho mais velho, Manuel Maria Carrilho, o Viriato Duro, essa máxima distinção com que o município de Viseu consagra labor de vida inteira.

Muito bem, temos então esta homenagem final da semana. Manuel Ingrácia Carrilho e termina em beleza com esta homenagem póstuma da cidade, que foi recebida pelo seu filho mais velho, Manuel Maria Carrilho. Não sabia nada sobre o pai dele. Portanto, é curioso saber isso, que grande figura a que Viseu tanto deve a Manuel.

É, um homem de grande elevação, muito estimado e que deixou saudades em Viseu.

Muito bem. Ficamos então com esta última homenagem da semana. Agradeço-lhe muito, Alberto Correia, esta sua prestação, estes seus comentários, essas suas crónicas e, sobretudo, é sempre bom ouvirmos falar bem de pessoas que marcaram a região, marcaram o país. Muito obrigado, Alberto. Estamos conversados. Marcamos encontro pra semana. Bem haja.

Até para a semana.