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"Nossa Cultura", a Rádio Observador está em Penalva do Castelo, desta vez na Casa da Ínsula. Eu sou o João Costa Campos. Na minha companhia tenho José Luís Nogueira, historiador da Casa da Ínsula. Estamos aqui, José Luís, perante uma propriedade que é verdadeiramente majestosa, um marco em todo o país, de certa forma, mas especialmente para Penalva do Castelo.

Eu diria principalmente para o país, porque realmente é um marco histórico e encerra muita história. É um museu vivo por dentro e depois está cheia de outros temas que iremos descobrir ao longo dos próximos minutos. Mas se calhar começar pela própria história da casa, como é que ela começa. E a Casa da Ínsula encerra já hoje cinco séculos de história. E em todos os seus recantos há pormenores de história para todos os gostos. Ela começa, de facto, no século XVI, com três gerações dos Albuquerques que estão na Índia. São ouvidores gerais e o primeiro é o Diogo, o terceiro neto também é Diogo, e este Diogo de Albuquerque regressa da Índia no século XVI, portanto, 1560, e compra aqui esta propriedade, esta quinta. Constrói uma primeira casa, que está hoje em ruínas. Constrói uma primeira capela de evocação a Santo António, que desapareceu completamente, não se sabe muito sobre ela. Curiosamente, no local dela está hoje um painel de Santo António, que relembra a gênese da casa e que é outro dos pontos altos das visitas ao jardim. Depois há um segundo momento, que é no último quartel do século XVIII, em que a história da Ínsula é marcada pelo protagonismo de Luís de Albuquerque, que é um nome que vamos falar e que é um desconhecido para os portugueses, mas é uma personalidade incontornável na história do Brasil. E é ele, enquanto está no Brasil, mandatado para ser governador do Cuiabá e Mato Grosso, que manda os planos para aqui para o pai e constrói esta atual Casa da Ínsula, que é construída durante a década de 70, e sabemos que em 1780 está pronta a habitar. É dessa época também a remodelação da capela, porque esta casa é construída sobre uma casa já existente, com o jardim que se mantém. A capela é completamente remodelada, é ampliada, eu diria quase que é uma nova capela também nesta fase da história da obra. É também dessa altura os jardins, todos os recantos que podemos descobrir na envolvência da casa. Depois, o terceiro marco importante é no século XIX, particularmente na última década do século XIX, entre 1890 e 1899, estão aqui duas personalidades importantíssimas para a história da casa, ambas italianas, o arquiteto Nicola Bigaglia e o pintor e ceramista Luigi Battistini, que deixam aqui uma obra fantástica. É também, curiosamente, neste final do século XIX, no caso concreto, a partir de 1893, que a casa, que sempre esteve à frente em termos de tecnologia, dá um passo importantíssimo, que é dos primeiros pontos do país a produzir eletricidade. Esse é incontornavelmente o grande impulso para os anos seguintes. E finalmente, o quarto ponto chega na primeira década do século XXI, quando o grupo Visabeira toma conta da casa e faz o renascimento da casa. Recupera a sua alma, cria, de facto, uma unidade de charme histórica, uma unidade hoteleira, que tem tudo para oferecer, preservando esta carisma de todos estes séculos e a alma da casa. Aqui estamos na entrada principal da casa.

Aqui em grande destaque, dois canhões que foram usados.

Dois antigos canhões, que têm história na história de Portugal, porque estiveram em 27 de setembro de 1810, na Batalha do Buçaco, a derrotar os franceses do general Masséna, e que estão acompanhados de alguns morteiros. Mas ainda neste terreiro, que é o ponto central da entrada da casa, há mais dois pontos, entre tantos outros, que vale a pena destacar. Um primeiro é o imponente fontanário central, de várias bicas, e como todos os trabalhos do Bigaglia, está assinado e tem o ano em que foi construído.

1894.

Que é a assinatura do Nicola Bigaglia e do mestre pedreiro, que transformou a obra que estava em papel em pedra, que é o Duarte de Ferreira Machado, e que é um par de artistas que vamos encontrar ao longo da casa. E outro ponto é a capela, como já foi referido, era uma capela já existente e tinha um pequeno sino. E Bigaglia faz o quê? Faz um desenho de uma nova torre, imponente, cujo desenho está nas paredes da casa lá dentro, preservado o projeto, e que mantém o sino anterior no topo da torre, mas depois junta-lhe mais cinco sinos. E estes cinco sinos são com martelo exterior, portanto, são todos concêntricos. E como na casa o relógio tem realmente um ponto a seu favor, da importância que ele tem, porque o relógio tem uma sala de relógio, tem uns pesos que lhe fazem trabalhar, que passeiam nos diferentes pisos da casa e as pessoas veem-nos a descer. E depois, como todas as outras coisas na casa, há frases em latim e esta do relógio é luciosa porque diz: "Para rezar, para trabalhar e para o ócio, eu estou aqui para chamar o homem".

E é com esta mensagem na torre dos sinos, aqui no terreiro principal da Casa da Ínsula, que fechamos este primeiro episódio. De seguida vamos entrar pela casa adentro nesta viagem pelo tempo na Casa da Ínsula, aqui em Penalva do Castelo. Vamos conhecer no próximo episódio a entrada e a escadaria principal da Casa da Ínsula.