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A Rádio Observador Viseu está em Santa Comba Dão, no NMAO, o Núcleo Museológico de Artes e Ofícios. Viemos conhecer a exposição de desenho de Manuel dos Santos, que melhor que ninguém nos vai explicar o que está por detrás destes retratos. Faz-me companhia. Bom dia, Manuel dos Santos. Obrigado por ter aceitado o convite. O Manuel retratou aqui várias figuras incontornáveis da história da música. Já lá vamos, mas dedicamos este primeiro episódio a conhecer precisamente o seu percurso. O Manuel nasceu em Moçambique, é um artista autodidata. Foi ainda em Moçambique que começou a desenhar?
Não, não foi. Foi há cerca de 16 anos que comecei a pintar. E a fazer estes desenhos. Os primeiros desenhos que eu fiz em tela foram estes retratos dos maestros.
Estava-me a dizer que em Portugal esteve na Força Armada. Começou a desenhar só depois desse percurso na Força Aérea?
Sim, muito depois. Sabe que uma pessoa tem a vida para construir e nos tempos livres é que eu começava a fazer estes desenhos.
Neste momento, que lugar ocupa o desenho na sua vida? Ou seja, o Manuel encara completamente e meramente como um hobby, é isso?
Sim. É um desenho de tempos livres. Eu agora até me dedico mais à pintura acrílica. E gostei destes desenhos feitos, porque estes desenhos são espetaculares mesmo, a sua figura. E ao fazê-los, quanto mais desenhava, mais queria fazer. Gostei imenso destes desenhos e foi que eu passei para a tela e fiz em tela.
E é a primeira vez que o Manuel tem os seus desenhos expostos ou já tinha exposto?
Pus em várias exposições em Lisboa. Estive na Gusela também, onde eu estou a residir agora. E agora fui convidado para vir expor os meus desenhos aqui.
Estes desenhos que vamos ficar a conhecer agora ao longo dos próximos episódios, que vamos ter aqui da nossa cultura, estão disponíveis para serem adquiridos ou são meramente para exposição?
Só para exposição.
Não tem a intenção de vender as suas obras?
Não, é um prazer que eu tenho de os ver de vez em quando expostos. E se eu vendesse, tinha que fazer outros, porque não deixava ficar incompleta a coleção que eu tinha.
Você faz muitos.
Tenho. Agora mais em acrílico, mais em pintura acrílica.
Nestes retratos que vamos conhecer melhor ao longo destes episódios, o Manuel utiliza o carvão enquanto técnica. É a técnica que mais gosta e o que permite fazer, que, por exemplo, pintar com o pincel não permite?
Esta tem uma técnica diferente da acrílica, que é preciso conseguir as cores, o carvão, dar o carvão e depois dar a tonalidade das faces. Ou pôr mais claro ou mais escuro, e é essa a diferença que há entre o carvão e o acrílico.
Neste momento, é a maneira como mais gosta de pintar. Olho aqui para alguns quadros que estamos a ver. Utiliza sempre o mesmo tipo de lápis? Para eu, que sou um leigo, explique-me quais é que são estas diferenças.
Nós para estes desenhos podemos utilizar primeiro um lápis mais rijo, com mais dureza. E depois a seguir, automaticamente teremos que utilizar um lápis mais macio. Nesses traços todos que se vê aqui, é já o lápis macio que está ali a atuar. E depois disso é que se vai meter o carvão em cima do retrato e dar as tonalidades que ele precisa.
Por exemplo, para reforçar os contornos, os cabelos mais carregados, utiliza esse lápis com a pinça mais grossa?
Eu utilizo mesmo carvão. Há umas varetas de carvão em que a gente utiliza o lápis só para os traços principais da face, para realçar. E depois utilizo o carvão e espalho o carvão. Há umas varetas de carvão que há. Faz-se o carvão e depois dá-se a tonalidade conforme quiser, ou com uma esponjazinha ou até com o dedo, e espalha mais o carvão.
Muito bem, e é isso que vamos conhecer e vamos descobrir estas obras na companhia precisamente do autor, Manuel dos Santos, que tem esta exposição no Núcleo Museológico de Artes e Ofícios em Santa Comba Dão. Não percam os próximos episódios aqui na Rádio Observador Viseu.