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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta pare com um princípio de errados?
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
E há questões que duram, duram e duram, como a polêmica sobre a amamentação, não é, Bruno? Ainda não acabou.
Ainda não acabou, Carla. Em época de incêndios, há sempre quem continue a atirar achas pra fogueira ou então achos, que isto é um pouquinho mais de achismo. E desta vez foi a antiga assessora da ministra do Trabalho, Elsa Gomes, que afirmou que nenhuma mulher normal amamenta um filho depois dos dois anos. Nesses casos, segundo aquela que é a atual diretora adjunta do Centro Nacional de Pensões do Instituto da Segurança Social, a CPCJ deve intervir e, presume-se, digo eu, para proteger as crianças do trauma da amamentação e dos transtornos psicológicos provocados pelo leite materno, quem sabe. A CPCJ logo fará a avaliação. Eu acho que até podíamos ir mais longe e talvez criminalizar essa atividade nefasta, que é a amamentação depois dos dois anos. Eu sugiro que seja criada uma task force na PSP, chamemos de Brigada Anti-Amamentação. Fica a ideia.
Bruno, alerta e ironia, por favor.
Sim, pronto. Estava a ser irônico.
Não vá alguém pensar que a proposta é a sério.
É a sério. Com as opiniões que vamos ouvindo, se calhar há quem leve isto a sério.
Isto anda perigoso, de facto.
Procuram-se professores. Quem quer exercer uma das profissões mais bonitas do mundo?
É verdade, parece que é essa pergunta que o governo, neste caso o Estado, anda a fazer. Há um anúncio público de um pedido de professores. Há uma campanha lançada pelo governo, de facto, para atrair estes profissionais, lançada pela Direção-Geral da Administração Escolar nas redes sociais e no site, anúncios para atrair professores habilitados para dar aulas. No fundo, a ideia aqui é reduzir, obviamente, o número de alunos sem docentes, que todos os anos vai ocorrendo, nalguns casos, até o fim do ano letivo. Ser professor, uma profissão de futuro. É assim o slogan desta campanha, assenta, de fato, na ideia de que a docência é uma carreira que transforma vidas, o que é verdade.
Às vezes não no melhor-
Não no melhor sentido, mas por regra transforma, é evidente. E que dá condições de trabalho motivadoras e estabilidade profissional. Isto é que é mais discutível. Porque nós sabemos que uma das grandes queixas dos professores é a instabilidade, não profissional, mas pelo menos geográfica. Porque continuam com a sua carreira, mas muitas vezes têm que se deslocar centenas de quilômetros para continuar a exercê-la. E é lembrado também que o salário ronda os 1.700 € na entrada da carreira, antes de impostos, isto depois liquidado, anda por aí um pouco acima dos 1.000, 1.200, 1.300, talvez. Bom, eu não sei se é muito bom argumento este do salário.
Não me parece.
Depende do ponto de partida e da comparação e das alternativas.
E da comparação. Eu lembro-me de há uns anos ter surgido um estudo que comparava o salário dos professores em cada país da Europa com o salário médio nesse país e Portugal não estava mal.
Não estava mal, temos é salários médios baixos também.
Pois.
E os professores não fogem à regra aqui. Mas pronto, está aí a campanha. Portanto, quem tem habilitações para a docência e quer abraçar esta profissão.
É responder. E se gosta de viajar, não é?
E se gosta de viajar.
Todos os dias estar longe.
Olha, por falar em viajar.
Estar longe da família.
Bruno, e a falta que nos fazem bons transportes públicos, que falta não temos?
Temos muita falta de bons transportes públicos. Toda a gente fala na necessidade de não se usar tanto a viatura própria, mas há um problema de transportes públicos e não é apenas no interior, onde faltam mais, claro, embora aí seja mais grave. Também há muitos centros urbanos, cidades de média dimensão, que parece que ainda não entraram na era da mobilidade e daquilo que se chama a mobilidade verde. Mas depois há outros bons exemplos, Coimbra, Braga, Guimarães e, deixe-me dizer, também o Barreiro. E são estes exemplos que o autarca de Viana do Castelo quer seguir e para isso a cidade terá um novo serviço público de transporte urbano de passageiros, que entra em funcionamento a 23 de setembro e que também contempla aqui a aquisição de um desses autocarros verdes. Haverá um alargamento dos percursos e também um aumento do número de linhas. É verdade, 23 de setembro é mesmo em cima das eleições. Não sei se terá alguma coisa a ver com isso, mas os habitantes de Viana do Castelo certamente agradecerão. Pronto, calhou nesta altura, mas é melhor assim do que não haver.
Do que esperar mais. Mais vale cedo do que tarde.
Claro.
Já sobre timings. O Chega também está indeciso sobre as presidenciais, Paulo.
Muito indeciso. E é apenas um dos partidos que não sabe muito bem o que fazer. O PS será, ou pelo menos uma parte do PS será outro. Aquele que não quer apoiar António José Seguro. Bom, sobre presidenciais, André Ventura já disse que era candidato, porque ele disse na altura: "Portugal precisa", e cito, "de um presidente da República que não fique em silêncio perante a corrupção e o compadrio que destrói a nossa nação." Portanto, era uma razão aqui muito forte. Mas depois já disse que afinal dificilmente seria candidato. Portanto, não sabemos onde é que fica muito bem esta coisa do presidente da República que fica em silêncio. Depois disse que não sabia se apoiava um candidato independente, chegou-se a falar da possibilidade do apoio ao VML, e agora Ventura pediu à mesa do Conselho Nacional de Chega a marcação de uma reunião, que foi agendada para 12 de setembro, precisamente para discutir as eleições presidenciais. Provavelmente o Chega pretende ainda apresentar um candidato até 15 de setembro, que em princípio já não será o próprio André Ventura. Mas vamos lá com calma, daqui até janeiro ainda há muitos meses para o Chega mudar novamente de ideias. Portanto, vamos serenamente aguardar.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta pare com um princípio de errados?
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.