Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.
E começa agora uma nova edição do Ainda Bem que Faz Essa Pergunta, da Rádio Observador. Hoje falamos de apagão político, TV às escuras. Em Espanha já sabem tudo. É no duelo ibérico do apagão.
Ah, o apagão.
Afinal...
Não, ia falar no presunto.
Não. É o apagão. Quem é que levou a melhor, Bruno?
Quem ganhou o presunto, não era, Paulo?
O presunto ganha, mas eu acho que ganha Espanha.
Pois é. Ganha Espanha, claro.
Viva Espanha. Por cá a oposição foi unânime nas críticas ao governo, sobretudo pelo que considerou serem as falhas de comunicação, mas também se falou de soberania energética e de outros bichos que a sensibilidade dos portugueses traduziu para um muito simples: "Olha, não há luz". Tudo normal, visto que estamos em pré-campanha eleitoral e o Paulo já nos vai explicar isso mais detalhadamente. E um acontecimento com este impacto dificilmente não seria tema de conversa e seria desaproveitado para tentar retirar alguns dividendos políticos. Mas em Espanha a oposição caiu em cima do governo de Pedro Sánchez, dando como exemplo de eficácia, até na comunicação, o governo português. E esta. Isto, de facto, nada como sairmos do país para nos começarem a elogiar.
É a galinha da vizinha. Mas nem tudo é mais lento em Espanha. Paulo, já há culpados para aquilo que aconteceu.
Já, para Pedro Sánchez, a questão está praticamente resolvida. O primeiro-ministro socialista de Espanha não precisa de auditorias e investigações sobre o que aconteceu, já tem as suas conclusões. Sánchez apontou claramente a responsabilidade das operadoras privadas pelo maior apagão da história de Espanha. Não disse nomes, mas não há grandes dúvidas sobre as empresas a que se refere, Iberdrola, Endesa, a nossa, entre aspas, obviamente, a nossa EDP, a Acciona Energia e a Naturgy. E a rede elétrica que é equivalente à REN em Espanha? Essa não, porque essa é controlada pelo Estado e pelos vistos não terá falhado só por isso. O primeiro-ministro espanhol ainda sabe mais coisas, diz que as energias renováveis não têm nada a ver com o sucedido e que a energia nuclear não ia servir para nada num caso como este. Portanto, nada como líderes políticos que sabem tudo logo à partida. E também aqui acho que estamos muito melhor do que a Espanha.
Então, Bruno, a RTP também se apagou.
Olha, eu descobri isto ontem numa notícia do Observador. Não sabia e acho que muitos portugueses não deram por isso.
Pois, por que será?
Não deram, porque...
Não tinham corpo, também se apagaram.
Se apagaram? Estavam todos apagados. O apagão da estação pública de televisão aconteceu pouco depois da hora de almoço e durou quase uma hora. E o problema terá tido origem na sobrecarga de um gerador que mantinha os sistemas em funcionamento, sistemas que permitiam que a televisão pública continuasse a emitir. A alternativa que poderia funcionar nestes casos era passar a emissão para o Porto ou para as ilhas, onde não houve qualquer apagão. No caso do Porto, não houve falhas nos geradores, mas essa alternativa não foi ativada por falhas de comunicação. Sabemos como foi difícil comunicar na segunda-feira e aqui também, neste caso, aconteceu o mesmo. Num primeiro momento, só foi retomada a emissão da RTP 1 e da RTP 3, o canal noticioso do serviço público, e os restantes canais emitidos a partir de Lisboa só foram reativados às 21h. Contudo, atenção, o apagão não afetou a RDP, a rádio, que esteve sempre a emitir por dispor de um gerador autónomo. E até aqui a rádio, na segunda-feira, dia do apagão, esteve melhor do que a televisão. Vocês não gostam da rádio. Eu amo a rádio.
A rádio é bom. Acho que um dia desses fomos comentados.
Se calhar.
Não, mas ontem houve muitas pessoas a falar da rádio, não só com os rádios, mas também não nos podemos esquecer disso. Havia muitas pessoas na segunda-feira, no trânsito, a ouvir rádio e algumas a ir de propósito para os carros para ouvir rádio.
É a trend neste momento no X, rádio. Ainda é.
É. Rádio meio de comunicação e rádio aparelho para comprar. A malta anda a ver se compra.
Ontem foi uma fugida às telefonia, comprar rádios e pilhas.
É, o Fred Mercury tinha comprado o rádio Gaga.
E lá poderia este assunto deixar de ser aproveitado em plena campanha eleitoral.
Obviamente que não. Para a oposição, o governo foi incompetente, foi lento, foi calado, ou esteve calado demasiado tempo e não teve voz de comando, isto entre várias outras considerações. Para o governo e os partidos que o suportam, a reação foi rápida, foi adequada, foi eficaz e ao ponto de termos de nos orgulhar da forma como tudo correu. Nada de novo, estamos em campanha, críticas normais ou defesas normais. E depois há as reações ideológicas. Para o PCP e o Bloco de Esquerda, isto só vem demonstrar que as empresas têm de ser nacionalizadas. E por quê? Porque sim, porque todas as grandes empresas deviam ser do Estado. E o Chega também já se pronunciou, uma espécie de: "Isto é uma pouca vergonha" ou "Isto é uma rebaldaria", mas com frases mais longas e que levemente têm a ver com energia. O Chega não ter dito que a culpa é dos imigrantes, já vai aqui um enorme progresso, é que de falta de energia na campanha é que não nos podemos queixar.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.