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A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.

Paulo Ferreira, Judite França nua, ainda bem que faz essa pergunta hoje sobre a variante portuguesa do coronavírus. Rui Rio e sobre material informático que não existe.

Isso mesmo. Afinal, onde param os computadores para todos os alunos que o primeiro-ministro prometeu em abril?

Foram prometidos para o início do ano letivo, portanto, para setembro.

Setembro passado, mas já passou setembro, outubro, novembro, dezembro e estamos a chegar ao fim de janeiro. E de computadores, só há uma pequena amostra. Mas vamos recordar a promessa feita por mais do que uma vez por António Costa em abril. Isto logo no início da pandemia e quando as escolas foram fechadas.

Há um compromisso que, como sabem, já assumimos. No início do próximo ano letivo, nós teremos assegurada a universalidade do acesso digital, quer de rede, quer de equipamentos, quer de conteúdo, para que todos, seja em que ano estejam, vivam onde vivam, possam ter acesso aos mesmos conteúdos digitais.

Assim firme, universalidade para todos, rede, computadores, equipamentos sem reservas ou condicionalismos. Em setembro, todos então terão esses equipamentos para o ensino à distância. Bom, e isso não é verdade, como sabemos, e com esta promessa falhada, o recurso às aulas à distância é um enorme problema por causa das dificuldades de condições entre alunos. É sempre fácil fazer promessas, difícil é encontrar mesmo vacas voadoras.

E qual é o cúmulo do chico-espertismo?

Bom, chico-espertismo nesta manhã, vais falar certamente do autarca que contornou as regras para ser vacinado na primeira fase.

Precisamente. A notícia é do Expresso. Conta que José Calisto já tomou a primeira dose da vacina. Calisto é presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz e administrador da fundação que gere o lar onde em agosto morreram 18 pessoas. O problema é que esta primeira fase destina-se apenas a profissionais, funcionários de lares ou instituições similares e os respectivos utentes. Não existe qualquer referência no plano de vacinação a administradores ou gestores. Calisto já admitiu no Facebook que, de facto, não faz parte do grupo, mas acha que devia fazer. E, portanto, como acha que devia fazer, decidiu contornar as regras. Esperemos que a situação não fique por isto mesmo, ou então a mensagem é de que a falsa dedecência é compensada.

E só agora é que Rui Rio reparou que o governo precisa de um abanão na gestão da pandemia.

O presidente do PSD acordou ontem para o problema.

É, depois de ter estado em isolamento profilático, Rui Rio reparou que isto olhou para trás e: "Isto afinal escambou, não é?" Criticou o fecho tardio das escolas, diz que o governo tem um hospital novo, mas que está fechado, que é o hospital de Miranda do Corvo. Acusa o governo de não ter aproveitado estes 10 meses de pandemia para preparar melhor, por exemplo, as aulas, as escolas e os tais equipamentos dos alunos. Acusa o governo de desgoverno e diz então que precisa de um abanão para entrar na ordem. Citação de Rui Rio. Bom, não se sabe que abanão será esse que o Rui Rio defende. Talvez ele próprio tenha acordado tarde para o problema. Bom, mas que António Costa vai ouvir as boas no próximo debate quinzenal na Assembleia da República, lá isso vai.

E quando é que será o próximo debate quinzenal? Esse é o problema.

Seria um dia destes se Rui Rio não tivesse acabado com eles.

Lá está. Quando são as próximas eleições no Partido Socialista?

Ainda não faço ideia.

Ainda não estão marcadas, não é? Mas pelo menos Pedro Nuno Santos, se quiser concorrer à liderança do PS, já pode contar com o apoio de Ana Gomes. O ministro das Infraestruturas é um dos dois membros do governo que furou a vontade de António Costa e apoiou publicamente a Ana Gomes. Agora, a candidata presidencial promete retribuir na mesma moeda. Quando Pedro Nuno Santos quiser, já sabe, pode não só contar com o apoio de Ana Gomes, mas também dos militantes que preferem uma socialista em Belém do que um social-democrata.

É, apoios com apoios se trocam, não é?

Se pagam.

Se pagam, isso mesmo. E haverá alguma variante do vírus mais perigosa do que a variante portuguesa?

Não há nenhuma variante portuguesa, Paulo.

Há, e é uma variante com características muito especiais que deixam toda a comunidade científica muito baralhada e sem saber como o vírus se transmite. Se levarmos a sério o que responsáveis políticos têm dito, a variante portuguesa do vírus é assim: não se transmite nos transportes públicos, não se transmite em ambiente escolar, não entra em qualquer tipo de eventos de caráter político. 64% dos casos ocorrem em ambiente familiar, mas, por outro lado, desconhece-se a origem de 87% dos casos. Bom, como é que se domina um enigma destes? Não é fácil. Nem os matemáticos conseguem resolver estas equações, que dão uma soma maior do que 100%, nem os epidemiologistas conseguem perceber como é que a variante portuguesa se comporta.

Ainda bem que faz essa pergunta com a Judite França e o Paulo Ferreira na Rádio Observador e sempre em podcast.

A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.

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