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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Estás a vê-las, Paulo? Onde é que param as ambulâncias do INEM?
Eu não sei onde é que elas andam. Tu sabes?
Não.
Ninguém sabe. E esse é precisamente o problema. O presidente do INEM, do Instituto Nacional de Emergência Médica, esteve no Parlamento para falar dos casos mais recentes de falhas no socorro a doentes e fez revelações surpreendentes. E uma delas é mesmo esta, diz ele: "Temos de saber onde andam as ambulâncias. O INEM neste momento não sabe onde andam as ambulâncias." Na era da tecnologia, da georreferenciação ao preço da chuva, hoje em dia é baratíssimo saber onde é que andam objetos, onde anda o cão e o gato, se quisermos, com uma coleira. O INEM está às escuras na gestão da sua frota de dezenas de ambulâncias e de facto assim não há milagres. Luís Cabral disse também que há duas ou três décadas tinham mais informação, porque havia um quadro onde iam apontando as localizações que eram transmitidas por rádio. Hoje, nem isso. Portanto, deixaram de fazer esta sinalização por rádio e a georreferenciação eletrónica, esqueçam. Sendo assim, até é um milagre que não ocorram mais falhas, ou que ocorram tão poucas falhas.
Bruno, Seguro já ganhou?
É aquele tipo de coisa que tem de se dizer assim, baixinho, pelo menos quando se está em público. A reação oficial é assim: a verdadeira sondagem é só no dia oito, o que conta são os votos. É preciso que cada portuguesa e cada português vão às urnas. Mas imagino que as garrafas de champanhe já estejam no frigorífico e as rolhas prontas a saltar. A corrida de André Ventura é outra. Já não está a pensar em apanhar o adversário. Ele diz que continua a pensar na vitória, entrou para ganhar, mas neste momento o objetivo é o cruzar de certas linhas, digamos, imaginárias, como a dos 30%, do número de votos de Luís Montenegro nas legislativas. Isso é que interessa neste momento a André Ventura. Portanto, Seguro já ganhou, mas André Ventura ainda não perdeu.
Lá está. Paulo, o caso Epstein ainda só está a começar?
Parece que sim, para muitos dos envolvidos, ou que se vai sabendo que estavam envolvidos, está mesmo a começar, com a divulgação que vai sendo feita dos documentos do processo pela Justiça americana. E é uma divulgação um pouquinho a conta-gotas. Embora cada gota seja uma gota muito volumosa. Foram três milhões de documentos agora. E as ondas de choque são globais. Ontem o ex-embaixador britânico Peter Mandelson demitiu-se da Câmara dos Lordes, depois de ter saído já do Partido Trabalhista. Saiu após a divulgação de e-mails ligados a Jeffrey Epstein, que eram comprometedores sobre a sua participação na rede de crimes sexuais. O ex-príncipe André também está cada vez mais enterrado no caso, que chega agora também às famílias reais da Noruega e da Suécia. Enfim, vai-se puxando fio, vem vindo muita gente famosa, supostamente distinta atrás. E no meio disso tudo, Donald Trump lá vai escapando entre os pingos da chuva. Muitos documentos que o referem, muitas fotos. Aliás, parece que há mais fotos em que ele aparece do que fotos em que ele está ausente. Mas pronto, lá vai andando. Basicamente, sem que nada lhe aconteça.
Enfim. E Bruno, é assim tão difícil acreditar nas alterações climáticas?
Não devia ser, Carla, especialmente quando as alterações climáticas ou os efeitos nos entram literalmente pelas casas adentro. Mas há sempre quem diga: "Até parece que antigamente não havia ventanias" ou "Até parece que nunca houve cheias."
Não é bem assim.
Pois, não é bem a mesma coisa. Claro que sempre houve chuva, mau tempo. O que estamos a assistir é diferente pela intensidade e pela frequência com que se irá repetir. E uma coisa é decidir o que fazer perante esta situação, e essas decisões serão naturalmente políticas, até mesmo ideológicas. Já vimos as alterações climáticas usadas como argumento e como forma de fazer pressão política e ideológica. Agora, outra coisa é fazer de conta que aquilo a que temos assistido nos últimos anos não representa uma nova fase no clima do nosso até muito ameno planeta. Agora temos aqui em Portugal a tempestade Leonardo, não se prevê que seja tão devastadora quanto a Kristen, o que levará logo alguém a dizer: "Pronto, é apenas mais um dia de chuva, como antigamente."
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.