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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Finalmente, não é? Estávamos à espera e finalmente vem aí a reforma de que o país precisa.

Não. Vem aí uma excelente reforma, mas só Mário Centeno é que beneficia dela. Reforma de Mário Centeno, antigo governador do Banco de Portugal, a deixar a instituição depois de mais de três décadas de serviço. Agora vai dedicar-se ao ensino universitário. Já era professor universitário em Portugal, vai também dar aulas em Miami, o que é bom. Acho que é bom, é um bom sítio para se dar aulas. Ao mesmo tempo, e porque já cumpria as condições para o acesso à reforma antecipada, sai com uma reforma que está a incomodar principalmente o Chega. André Ventura quer ouvir o atual governador do Banco de Portugal no Parlamento, Álvaro Santos Pereira, para explicar os contornos da negociação e de números que considera absolutamente escandalosos, palavras de André Ventura, embora o valor da reforma de Centeno ainda não tenha sido divulgado. O vencimento enquanto governador seria à volta dos € 17 mil mensais. Estas não são as reformas de que precisamos, de que precisa o país, são as reformas que temos ou, neste caso, é a reforma que vai ter Mário Centeno.

Então, Paulo, não devemos ir a reuniões para as quais não somos convocados. Porque eu tenho esse hábito, entro e

Vais para ali fora.

Vou sim, vejo que estão a haver reuniões e vou.

Eu acho que não. A menos que queiramos fazer barulho de protesto, porque só pode-se entender dessa forma. É isso que a CGTP diz que vai fazer hoje a propósito das negociações do pacote laboral. O governo convocou as quatro confederações patronais e a UGT para uma nova reunião, e a central sindical afeta ao PCP diz que vai deslocar-se também ao Ministério do Trabalho nesse mesmo dia para, e citamos: "Reafirmar as propostas e soluções para a legislação laboral". O governo argumenta que a CGTP se colocou de fora logo no início, quando defendeu que a proposta que está em cima da mesa em negociação devia ser simplesmente retirada, e o governo não aceitou retirá-la. Aliás, a CGTP já não faz parte destas reuniões há algum tempo. Agora vamos ver o que acontece hoje ao início da tarde. Mas lá está, lá diz aquele velho ditado: "Ao ministério, à boda e ao batizado, não vás sem ser convidado."

Já que falamos em ditados, este é novo. Depois da tempestade vêm os seguros?

A bonança também veio, em parte, mas os seguros vêm, definitivamente. As pessoas preocupam-se com os seguros, sobretudo depois de verem os efeitos de uma tempestade como a Christine. E é isso que também confirmam os dados de algumas seguradoras, que houve um aumento entre 20% e 25% dos seguros, da procura dos seguros. E não são apenas os particulares, são também as empresas, que perante aquele grau de destruição da tempestade, e não só aquela tempestade, mas do mau tempo em geral, começam a fazer as contas à vida e a concluir que se calhar é mesmo melhor prevenir do que remediar. No caso dos particulares, a procura centra-se nos seguros multirriscos habitação, inclusivamente para residências secundárias, que normalmente passam para segundo plano e as pessoas nem sempre se preocupam em fazer seguros. Agora parece que as coisas estão a mudar. O Estado tem certamente o dever de acudir a quem está mais necessitado, mas a tempestade veio lembrar isso aos proprietários que têm mesmo de cuidar do seu património e que a melhor maneira será através de um seguro. O que se espera é que também as seguradoras assumam as suas responsabilidades, porque também há muitos relatos de pessoas com dificuldades depois de conseguir ter a cobertura dos seguros nestas situações. Portanto, vamos ver se esta corrida aos seguros não deixa as pessoas às vezes penduradas quando mais precisam desse dinheiro.

Vamos passar agora para a alta política. O Chega, Paulo, já está com problemas de partido antigo.

Já está. Ainda não fizeram 10 anos e já estão com problemas típicos dos partidos com mais de 50 anos, aqueles que o Chega tanto critica. É assim um bocadinho como alguém, um miúdo com sete ou oito anos ter já reumatismo, dor nas costas e essas coisas todas. Temos agora este sintomático caso de Lisboa. O vereador Bruno Mascarenhas indicou a sua namorada para liderar os serviços sociais na Câmara Municipal de Lisboa. Ela foi nomeada e soube-se depois, agora há uma semana, por uma reportagem da RTP, que Mafalda Livermore, é esse o nome dela, é muito empreendedora, além do trabalho que tinha na Câmara Municipal de Lisboa, e é proprietária de vários imóveis com habitações clandestinas que arrenda a imigrantes sem emissão de recibo e sem condições de habitabilidade. Rita Matias, o delfim de Ventura, exige agora a demissão de Bruno Mascarenhas, porque alegadamente ele não representa o partido. Portanto, isto é coisa típica daqueles partidos malandros que andam a roubar o país há mais de 50 anos, como diz o Chega.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer