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Essa pergunta.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder linearmente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Ó Paulo, e responde lá a esta.
Indicativo novo, foi a Mariana que fez. Está ali.
Olá, Mariana.
Bom dia. Está muito bom.
Mariana é a nossa sonoplasta.
Exatamente. Está muito bom.
Eu ainda estou muito habituada ao outro, estou-lhe um bocadinho. Penso: "O que se está a acontecer?"
Já estava velho o outro.
Sim. Os antagonistas mudaram. Sim, está bom, Mariana.
Foi outro mundo.
Isso é outra coisa, fazer as perguntas. Vamos lá.
Olha, e hoje é aquele dia em que vamos falar de dois países diferentes no Parlamento, Paulo.
É verdade, vamos estar a falar do mesmo país, atenção.
É?
Mas com dois discursos, parece que estamos a falar de países diferentes. Normal, estado da Nação. Isto é um clássico, todos os anos é assim. O governo vai falar de umas coisas, a oposição das outras. A oposição, por exemplo, trará a saúde, como é evidente. Os problemas na saúde continuam e continuam, nalguns casos, até aparentemente mais graves do que os tínhamos. Há quem diga que este verão vai ser pior ainda nas urgências. A habitação, está aí o aumento de preços que o INE divulgou ontem.
Fez-se conta disso no momento. É uma moeda.
Exatamente, o maior aumento de preços da série. A esquerda vai falar da aproximação do governo ao Chega, nomeadamente nos temas da imigração e da nacionalidade, de eventuais prioridades trocadas do governo, que está preocupado com estes temas sem resolver, agora vou citar: "Os reais problemas da população, das pessoas, do povo". E depois o governo há de falar da descida do IRS, que está aprovada, do possível bónus aos pensionistas que pode vir aí. O governo está à espera de saber como é que corre a execução orçamental este ano.
Achas que vai falar disso hoje?
Pode falar. Será que vai haver alguma novidade do governo? Aqueles anúncios que disse agora.
Pode servir para isso. Antes do verão.
Antes do verão. Não sei se o Ministério das Finanças já tem a perspetiva de contas para o fim do ano sólida para tomar a decisão.
Tem havido uns primeiros-ministros que sim, que escolhem este dia do debate do Estado da Nação para marcar depois o debate no verão, em que há menos notícias. Ainda não percebemos bem o estilo de Luís Montenegro sobre esse aspeto.
Ele gosta de dar estas novidades e de fazer estes anúncios. Vamos ver. E vamos ver, de facto, se há uma novidade da parte do governo e vamos ver qual é o número que André Ventura vai fazer, porque de certeza que vai haver um número de André Ventura.
Pelo menos um.
Não sei se vai ler listas. Lista telefónica podia ser um bom número agora. Não sei. Vamos ver o que vai ser.
É um dia de palco. Também faz parte.
É um dia de palco.
Entretanto, o PS está mesmo apostado em ser agora uma oposição construtiva?
Está. E parece que está genuinamente agora com a liderança de José Luís Carneiro. Está disponível para falar sobre a defesa, já sabemos. E ontem apresentou ao governo até uma proposta concreta para a criação de uma unidade de coordenação para emergências hospitalares. O PS quer dar contributos pela positiva, se quisermos, para os principais problemas. José Luís Carneiro diz que não querem ser só um partido de crítica, querem ser um partido também de soluções.
De alternativa.
De alternativa. Agora, nós já percebemos que José Luís Carneiro, por este andar, vai ter também problemas com uma parte do partido. Porque ainda percebemos pelo último Conselho Nacional, que uma parte do PS acha que a atitude não deve ser esta e se deve deixar o governo e a AD entregues, basicamente, ao Chega. Entregues no sentido de viabilizar o que quer que seja com o Chega e o PS não deve estar pelo menos tão disponível para aprovar temas e para fazer mudanças legislativas com o governo. E portanto vamos ver o que isto dá, mas há aqui uma atitude nova do PS e isso parece claramente que há.
Vamos ver também logo à tarde como é que isto se desenrolar.
Tal e qual.
Muito bem. E quantos dias vão demorar os franceses a vir para a rua protestar contra as medidas orçamentais?
Eu imaginei que até já estariam na rua e com aquela força que se costuma ver nos protestos em França, porque o primeiro-ministro francês, o François Bayrou, apresentou na terça-feira, já lá vão dois dias, imaginem. Um plano de austeridade que é fortíssimo, um plano que vale 43 mil milhões de euros, enfim, mesmo para a dimensão do orçamento francês é forte, isto ao longo de quatro anos. A ideia é reduzir o déficit e travar o aumento da dívida. Só para termos ideia, o déficit francês no ano passado aumentou para 5,8%. É altíssimo. Vocês lembram-se que nós tínhamos aqui o mito dos 3%, que já era alto. Isto é o dobro dos 3%, quase. E nós, em Portugal, estamos com equilíbrio orçamental e a dívida francesa sobre o PIB é de 113%.
A nossa está em quanto, Paulo? Esta é uma pergunta retórica.
A nossa andará nos 95, 96.
Já baixámos dos três dígitos.
Exatamente. Nós, na altura da Troika, estávamos nos 120%. Nessa casa.
Portanto, França não fosse o colosso que é em termos de importância na Europa e na Itália.
O que por lá também aumenta o problema.
Claro, exatamente.
Uma coisa é resolver um problema em Portugal, outra coisa é resolver um problema em França. E França, nós olhamos e é aquele país quase irreformável e rejeitam qualquer aumento da idade da reforma, por exemplo, e isso é uma questão demográfica, acho que as pessoas entendem por quê. E então, que medidas é que foram estas? Eliminação de dois dos 11 feriados anuais, pensões congeladas, redução do emprego público, isto é, em cada três trabalhadores do setor público que saia para a reforma, nenhum será substituído, cortes nos gastos sociais e na saúde. E depois há aqui uma medida para compensar parcialmente isto, que é uma contribuição solidária por parte dos mais ricos, num país onde a taxa marginal de imposto sobre os mais ricos já anda na casa dos 75%. Ok, pode-se sempre ir buscar mais dinheiro a quem tem mais, mas de qualquer maneira isso também não é perfeitamente elástico. Resta saber qual vai ser a reação das ruas. Sendo que à mínima mudança ou tentativa de mudança em França, o país fica basicamente incendiado.
E ainda por cima, aqui começa a colocar-se aquela escolha clássica entre a manteiga e o armamento, porque França está muito disponível a investir muito na defesa. Tem tudo para a rua encher.
São mais opções orçamentais, enfim, por mais legítimas que sejam, as populações obviamente vão reagir com elas quando do outro lado estão este tipo de medidas. Portanto, vamos ver o que aquilo vai dar.
Vamos ver no que vai dar. E já a seguir o Não Se Fala de Outra Coisa