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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta.
Está no ar o Ainda Bem Que Faz Cha, essa pergunta das manhãs 360, Paulo Ferreira e Júlia Magalhães. Esta quinta-feira falamos de boas notícias, Lester Dias, a contramão na pandemia, mas Paulo, começamos por lógicas secretas.
É isso mesmo. Afinal, para que servem as informações que o poder político recebe dos serviços secretos?
Olha, é uma boa pergunta.
Obrigado, Maria João.
Como são dados sensíveis, provavelmente nunca vamos saber a resposta.
Fica tudo assim num conveniente segredo dos deuses. E é o que se está a desenhar precisamente com este caso de Setúbal e com as atividades, ou a suspeita sobre as atividades, dos responsáveis da associação russa pró-regime, que estava a receber refugiados ucranianos e a quem fazia perguntas ou desnecessárias ou inconvenientes. O secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, Paulo Viseu Pinheiro, esteve ontem no Parlamento a ser ouvido sobre este caso e diz que os movimentos e as atividades de Igor Kashin, que é o tal cidadão de origem russa e dupla cidadania, dirigente da Associação de Imigrantes dos Países de Leste, que está no centro desta polémica, diz que esses movimentos foram acompanhados pelos serviços de informação e que esses serviços deram a devida nota às autoridades políticas, nomeadamente ao primeiro-ministro, que tutela os serviços de informação da República. E a pergunta que se segue, de facto, é: e o que fez o primeiro-ministro com as informações que foi recebendo? Não se pode saber, obviamente, porque são informações secretas e aqui voltamos ao princípio.
É isso mesmo.
É mesmo. Será que andamos ao contrário da Europa nesta pandemia?
É, os casos estão de novo a aumentar.
Já começamos todos a conhecer gente que está com Covid, são cada vez mais. Os especialistas já começam a dizer que foi um erro as medidas drásticas de não usar máscara, a não ser em unidades de saúde ou nos transportes públicos ou nos lares. Ontem já se falava que estamos a caminho de uma sexta vaga e eis que ontem mesmo a Agência Europeia para a Segurança da Aviação e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, e tendo em conta os últimos desenvolvimentos da pandemia, que são altamente favoráveis na Europa, levantou as restrições do uso de máscara nos aviões e nos aeroportos a partir da segunda-feira. Há aqui qualquer coisa que não está a bater certo.
Pois não. E foram precisos 26 meses para ter um anteprojeto de uma lei de emergência de saúde pública. Não conseguimos mesmo fazer as coisas um pouquinho mais depressa?
E tem calma, Paulo, ainda há um longo caminho pela frente até que a lei seja aprovada e que depois que entre em vigor.
Pois, ainda faltam outros 500, não é?
É provável.
O certo é que se falou na falta de uma lei destas logo que começou a pandemia, quando se percebeu que algumas das medidas tomadas obrigavam o presidente da República a decretar sucessivos estados de emergência ou estados de calamidade. E percebemos como tudo era burocrático e demorado para cumprir a Constituição, pois na urgência conseguimos demorar mais de dois anos a ter um esboço de uma nova lei. Agora, ainda vai ser necessário que ela seja discutida amplamente até entrar em vigor. E vamos ver se no final de tudo não há suspeitas, por exemplo, de inconstitucionalidade ou um percalço desse gênero. Mas sabemos como são estas coisas. Meteu-se a pandemia e não se conseguiu fazer uma lei útil precisamente para gerir a pandemia.
Olha, eu como sou vosso amigo, querem ouvir boas notícias para Lisboa?
Ótimas.
Ó Manuel, Júlio, estamos interessados. Avança, Júlio.
É esta a proposta que o LIVRE levou à votação na câmara, prevê a redução em 10 km/h a velocidade máxima de circulação, ou seja, passa para 30 km/h em vias de terceiro, quarto e quinto níveis da rede viária, claro. 40 km/h nas vias de segundo nível e a 70 km/h nas vias de primeiro nível. Vocês lá saberão o que é isto.
Eu não sei o que é isto.
Terceiro, quarto e quinto deve ser no centro, o segundo deve ser por ali, sei lá.
É uma coisa assim, mas vamos ficar a saber, vamos pesquisar.
E primeiro nível deve ser as vias à volta de Lisboa. Mas não fica por aqui. O LIVRE também propôs aos domingos e feriados, todos, não se pode circular na Avenida Liberdade e aos domingos essa restrição é alargada também a todas as freguesias. Entre outras medidas, querem a breve prazo favorecer e facilitar o teletrabalho e, sempre que possível, respeitar a vontade do trabalhador, isto para além da tendencial gratuitidade nos transportes. Há mais, há muito mais, mas fico por aqui. Esta proposta foi aprovada com os votos a favor do PS, do LIVRE, Bloco de Esquerda, o PCP absteve-se. PSD, que por acaso é o partido do presidente da Câmara, votou contra, mas como não tem maioria, a proposta passou. Ora bem, isto é com quem vive em Lisboa, mas eu acho que num país civilizado faria mais sentido fazer, com certeza, um referendo ou ouvir os interesses económicos e sociais da cidade. Mas enfim, vocês vão passar a andar a 30 km/h numa cidade. Com o devido respeito, é quase um cortejo fúnebre. E vai-me acontecer o mesmo.
Eu noto o teu sorriso troçista e esquece que vens a Lisboa semana sim, semana não.
Pois é. Mas pronto, está aprovada. Não se ouve ninguém, não se pergunta nada a ninguém, está aprovada.
Aprova-se e pronto.
Pronto, em qualquer país civilizado fazia-se um referendo. Aliás, na Suíça também fazem referendos por tudo e por nada.
Júlia Magalhães e Paulo Ferreira com as perguntas que marcam a atualidade. Amanhã há nova edição, é a seguir ao Jornal das 7.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta.
É essa a pergunta