Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Ainda bem que faz essa pergunta com o Bruno Vieira Amaral. Bruno, o presidente está preocupado?

O presidente está preocupado, estamos todos, mas o Presidente da República está preocupado porque as famílias estão preocupadas e também deve estar ansioso porque as famílias estão ansiosas com tudo o que se tem passado com os exames nacionais. É essencial garantir a salvaguarda do princípio de igualdade entre todos os alunos, disse o presidente, e poderia acrescentar: é preciso garantir o princípio de igualdade entre todos os portugueses. É isto que um Presidente da República pode fazer, picar o ponto, acompanhar as situações com a medida certa de preocupação e consternação, e depois apanhar o aviões para uma visita oficial a Cabo Verde, porque é para isso que um presidente serve.

E por falar em viagens, o primeiro-ministro não vai tirar férias.

Não vai. Luís Montenegro vai fazer o sacrifício, vai prescindir dos mergulhos, das bolas de Berlim, dos comentários em tronco nu e, ao contrário dos compatriotas, vai ficar abnegadamente a trabalhar no seu gabinete durante o verão. Esperemos que pelo menos tenha ar condicionado. Antigamente o verão era silly season, por isso nenhum político corria grandes riscos por ir trabalhar para o bronze. Mas os tempos mudam, os incêndios e as urgências, sobretudo estes dois temas, vão afetando a vida dos portugueses nesta altura e preenchendo os noticiários, e os responsáveis políticos começam a pensar duas vezes se será mesmo boa ideia ser apanhado de calções e chinelos enquanto o país está no caos. A polémica dos exames e o caso do ministro da Administração Interna devem ter sido a gota de água que fez Luís Montenegro abdicar das férias, mas não tenho pena do primeiro-ministro, porque afinal ele até já viajou muito nos últimos tempos.

Viagens transatlânticas e tudo. A nossa transparência é muito opaca?

Carla, eu nem sei se é bem transparência, se é mais um arremedo de transparência. Mais de uma semana depois de serem divulgadas as ligações de Luís Neves à agora célebre Constro Barcelos, os contratos desta empresa com a Polícia Judiciária, que ascendem a mais de dois milhões de euros, não aparecem no portal de contratação pública, o Base. A PJ invocou razões de segurança para que os contratos não fossem divulgados, o que até se compreende a decisão de não revelar tudo em alguns domínios da segurança e da defesa, mas não se percebe muito bem quando o que está em causa são obras. Será que o tipo de cimento usado na obra é matéria confidencial? E a tinta? Seria antifúngica? Mas estes pormenores também não tinham de constar da informação disponibilizada no portal. Bastava o valor e a duração, umas coisinhas de nada. Mas em certos temas continuamos a preferir a opacidade à transparência.

E essa caça ao lixo de que se tem falado um pouco em Portugal vai acabar é por causa daquelas garrafas.

É, do sistema Volta, exatamente. E essa é a promessa da SDR, que é a entidade gestora do sistema Volta, a propósito desses problemas verificados, sobretudo nos grandes centros urbanos, com muita gente a revirar o lixo para devolver as embalagens e receber aquele talãozinho para desconto no hipermercado. Parece que não é um fenômeno exclusivamente português, acontece noutros países que implementaram sistemas idênticos, mas nós temos aquele jeitinho de imprimir o nosso cunho pessoal e cultural às modas importadas do estrangeiro. Apesar de algum lixo espalhado pelas ruas, o balanço na recolha é positivo, com uma taxa de recolha de 38%, o equivalente a 100 milhões de embalagens, mas também nos faz pensar ainda no outro lado. Significa que houve muitas embalagens pelas quais os portugueses já estão a pagar, os tais R$ 0,10, que não foram devolvidas e portanto acaba por ser lucro para quem vende. Mas há que fazer um esforço e ver o lado positivo das coisas.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.