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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parte com um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

E vocês responderam o mesmo que Luís Montenegro aqui na promo. Eu tenho mais que fazer do que responder às vossas perguntas.

Isso é muito bom.

Por acaso até tenho.

Já vamos ao rubrico.

Por acaso até tenho. Mas vou abrir uma exceção.

Tens uma galinha para pôr no forno.

Tenho muita coisa para fazer.

É, tens. Então vamos lá ver se respondes a esta.

Mas vou responder primeiro.

O que é que a Igreja vai fazer agora com os lucros da JMJ?

Em primeiro lugar, por acaso acho que até tenho aqui a resposta, mas em primeiro lugar, deixa-me dizer que fiquei surpreendido de haver lucros da JMJ.

Não, a JMJ teve a fundação da Igreja.

A fundação, sim.

Agora vai ver as contas públicas, se tiveram ou não.

Pois, é isso, precisamente. Mas o que é que a Igreja vai fazer com estes lucros? Vai fazer o bem, mas olhando a quem? Neste caso, aos jovens. A Fundação Jornada, agora é assim que se designa, que organizou a Jornada Mundial da Juventude, é normal, é natural que canalize estas verbas também para projetos ligados aos jovens. A JMJ deu um lucro de 35 milhões de euros, que agora serão geridos pela Fundação Jornada e distribuídos por projetos que envolvem jovens nos próximos anos. E ao invés de distribuir o bolo dos 35 milhões, a ideia da fundação é juntar fermento para, a exemplo do que fazem outras fundações, como por exemplo a Fundação Gulbenkian, investir o dinheiro e depois distribuir os dividendos ao longo do tempo num valor que estimam ronda os 800 mil euros por ano. O concurso para apoiar projetos e iniciativas arranca a 16 de outubro deste ano e cada projeto escolhido receberá no máximo 30 mil euros. Para quem temia que a jornada fosse apenas um espetáculo passageiro, esta opção da Igreja revela uma visão diferente, que é ao invés de distribuir os frutos, alguns deles de origem pública, plantar sementes para ir distribuindo com o tempo.

Oremos, irmãos.

Paulo, falamos agora da cortiça. Vai ficar à tona da guerra comercial com os Estados Unidos?

A ideia é essa. As negociações estão a decorrer entre Bruxelas e Washington e o que se passar com a cortiça é um assunto muito importante para Portugal. Somos o líder mundial na produção e na transformação de cortiça. 10% das exportações portuguesas vão para o mercado americano. São à volta de uns 140 milhões de euros todos os anos. Ora bem, qual é o objetivo do setor? E estão a fazer essa pressão junto de Bruxelas, que por sua vez também diz que está a tentar fazer isso nas negociações com a Casa Branca. O objetivo é ter este produto, a cortiça, na lista de isenções de tarifas, isto é, nos produtos que na exportação para os Estados Unidos não vão pagar. E já há uma promessa, obviamente. Se conseguirem, os industriais portugueses prometem fazer saltar umas rolhas de champanhe para comemorar isso.

Exatamente. Bruna, então e André Ventura, está outra vez na mira da Justiça?

Mais uma vez, o Ministério Público abriu um inquérito para investigar a divulgação de nomes de crianças estrangeiras, supostamente de uma escola de Lisboa, divulgação essa que foi feita pelo líder do CHEGA no Parlamento e pela deputada Rita Matias nas redes sociais. A Comissão Nacional de Proteção de Dados, que recebeu várias queixas, também já tinha aberto aqui um processo de averiguações, que poderá eventualmente resultar numa multa, quer a André Ventura, quer a Rita Matias, mas nós já sabemos que o antagonismo é o oxigênio de André Ventura, que já veio acusar os outros partidos de tentarem ganhar na Justiça o que não ganham nas eleições. Disse que o Ministério Público tem mais o que fazer do que andar ocupado com isso, mas que não tem problemas nenhuns em fornecer todos os elementos que lhe sejam solicitados. A Justiça lá fará o seu caminho, mas para já está a acontecer o que normalmente acontece nestas situações. André Ventura usa a narrativa de nós contra o mundo.

E mundo contra nós.

E mundo contra nós, para sair reforçado, pelo menos aos olhos dos seus eleitores.

Pois é, e assim se vai funcionando. Há mais uma pandemia.

Então.

Uma que infeta os famosos do mundo.

É verdade. E o vírus dessa pandemia chama-se Jeffrey Epstein, o magnata americano, celebre por ter criado e alimentado uma rede de tráfico sexual que envolvia menores. Por quê? Porque regularmente surgem novos nomes de VIPs.

Ligados a esta polémica toda.

Ligados de alguma maneira, que terão privado na esfera. Exatamente. Com este poderoso, que caiu em desgraça. Aliás, ele acabou por suicidar-se na prisão. Há também quem alega que foi suicidado.

Foi suicidado.

Exato. Não há imagens de vídeo, há ali um período em que as câmaras não funcionavam.

De estranhos rituais pagãos.

Enfim, há uma teoria da conspiração sobre isso. E ontem o New York Times revelou trocas de correspondência, por exemplo, de Woody Allen com Epstein, também do ex-primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak. Ora bem, troca de correspondência que não permitem, obviamente, pelos documentos, relacioná-la com qualquer atividade criminosa. Mas são mais dois nomes que se juntam, por exemplo, não sei se querem tomar nota, Donald Trump, Bill Clinton, o príncipe André, Michael Jackson, David Copperfield, o mágico, Alec Baldwin, o ator, Naomi Campbell.

Modelo.

Modelo. Mick Jagger, que ninguém sabe quem é.

Esse Mick Jagger tens que me explicar quem é. Primo do Michael Jackson.

Era um dos apóstolos de Jesus Cristo.

É aquele rapaz novo que está a despontar na música.

Ah, sim!

É uma expressa.

É um jovem cheios de promessas.

Pianos rolantes.

Venceu o The Voice há pouco tempo.

Exatamente, venceu o The Voice.

Ver televisão em espanhol.

Mas isto é uma lista que peca por defeito de pessoas que de alguma forma contactaram, foram às festas, andaram no barco e por aí fora. Tantos outros nomes que aparecem nos documentos, nas comunicações que estão em tribunal. Ou então isto pode ser visto de outra forma. Quem não aparece nas listas de Epstein não conta para nada neste mundo. Se calhar já vamos chegar a esse ponto.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parte com um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.