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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, tá bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Calma. Os políticos estão todos a precisar de férias, Paulo.

Uma grande parte deles sim. Faziam muito bem se tirassem uns dias para uma pausa, para férias. Pelo menos assim não se entretinham em polémicas sobre as férias dos outros. A história conta-se depressa, há poucas semanas, penso que todos nos recordamos que Luís Montenegro anunciou ao país que não ia fazer férias para ficar aos comandos do país. Isto foi logo depois do seu vaivém atlântico para ir ver a bola aos Estados Unidos. E o disparate logo a partir daqui estava feito. Quando ele fez esse anúncio, estava-se mesmo a ver o que isto podia dar, porque agora uma foto publicada no Correio da Manhã, onde aparece precisamente Luís Montenegro ao lado de Hugo Soares na praia, fez o resto, porque independentemente do número de dias que eles lá estiveram, podia ter sido o fim de semana, a ideia é questão de férias. José Luís Carneiro.

Podia ter ido só dar um mergulhinho à tarde.

Dar um mergulhinho à tarde, exatamente. Mas pronto, aquilo tem aspecto de férias. José Luís Carneiro, líder do PS, acusou imediatamente o primeiro-ministro de ter faltado à sua promessa de não fazer férias. Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, que estava ao lado na foto, ao lado de Luís Montenegro, vem acusar José Luís Carneiro de estar pior do que André Ventura, no estilo e na mentira. E algum ponto de ordem nesta discussão é feito por Ascenso Simões, ex-deputado socialista, que sobre o assunto escreveu: "Assim não vamos lá, temos que dar importância ao que tem mesmo importância e não chafurdar em coisas de..." vocês adivinham a palavra de cinco letras. Quanto a mim, publique-se no Diário da República este decreto, Ascenso Simões, fica feito.

Paulo, então e como é que está a correr a revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela?

O problema é que não está a correr, está parado, como tantas outras promessas de governantes ao longo de muitos anos. E o presidente da República denunciou isso mesmo este fim de semana, numa visita à Guarda. Toda a gente se lembra do grande incêndio em 2022, que durou mais de duas semanas e que devorou uma grande parte da paisagem da Serra da Estrela. Na altura, o governo socialista foi muito rápido a anunciar um pacote de apoios. Aliás, Mariana Vieira da Silva, que então era ministra da Presidência, quando anunciou a declaração de estado de calamidade, também é um mestre destas coisas, prometeu um plano de revitalização que ia deixar o parque natural, e citamos, "melhor do que estava". Até hoje não aconteceu nada. António Gêsekuro afirma agora que quatro anos depois, que essa é uma promessa por cumprir há demasiado tempo e diz que é urgente evitar que as medidas fiquem na gaveta. Quanto a mim, em relação a isto, só há uma solução, que é retirar todas as gavetas dos gabinetes dos governantes.

Não ter gavetas.

Não há gavetas, não há medidas que fiquem na gaveta.

Nem prateleiras, porque também pode haver papéis que ficam na prateleira.

Não, nem prateleiras, nem nada.

Nem gavetas, nem prateleiras.

Zero. Vamos explorar esta dica.

É uma bela ideia. E estás cheio de boas ideias esta segunda-feira, por falar em políticas públicas que falham. Como é que estamos de mortes nas estradas, Paulo?

Estamos mal, porque desde 2015, portanto em 10 anos, até 2025, as mortes nas estradas caíram apenas 0,7%. Há quem olhe para estes números de forma positiva, porque para todos os efeitos há uma queda marginal, mas há uma queda e argumenta-se que hoje há muitos mais carros nas estradas portuguesas, que o número de quilómetros percorridos também é muito maior e que, por isso, em termos relativos, as vítimas são hoje bem menores do que eram em 2015. E isto é tudo verdade, mas no mesmo período, na Europa, houve uma redução de 20% do número de vítimas fatais na sequência de acidentes rodoviários. E na Europa também há mais carros, mais quilómetros percorridos e por aí fora. Por isso, alguma coisa estamos a fazer mal, ou a fazer pior do que os outros, ou então não estamos a fazer de tudo nesta matéria. É preciso mais prevenção, melhor desenho das estradas, fiscalização também no terreno, mais fiscalização pelas autoridades e devíamos deixar de ver, pelo menos, aquele choradinho da caça à multa pelas autoridades. Em tempos dizia-se que isto era uma guerra civil para nos assustar, e é verdade, mas eu acho que agora já nem falamos do assunto, o que é péssimo.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, tá bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.