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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

E esta terça-feira falamos da triste e trágica histórica da nossa vida nos últimos cinco anos: canceladores de aeroportos. Assim uma pessoa farta-se disto. Mas para começar, Carla, quantos anos tens?

Há perguntas que não se fazem.

Há perguntas que não se fazem, Bruno?

Há perguntas que não se fazem. E isto logo numa rubrica chamada "Ainda bem que faz essa pergunta". E não falamos daquela de não perguntar a idade a uma senhora, essa agora até já deve ter passado de moda. Já nem se diz uma coisa dessas.

Sobretudo a pessoas da minha idade.

De uma certa idade.

Já é machista dizer isso.

Agora é mais quantas décadas tens.

Estamos a falar aqui do questionário que foi enviado pelo governo dos Estados Unidos a várias instituições portuguesas de ensino superior, com perguntas de teor ideológico e fazendo depender o financiamento a alguns projetos das respostas das universidades. Até agora, o governo português não se tinha pronunciado, mas ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, saudou as universidades portuguesas que se recusaram a responder ao inquérito, considerando o tipo de perguntas contrário à Constituição portuguesa. Ainda assim, disse que não irá queixar-se à embaixada norte-americana. O governo americano tem todo o direito de decidir se quer investir ou não em mecanismos do chamado soft power e se quer cortar o financiamento a projetos que até são claramente do interesse do próprio país. Mas há perguntas que não se fazem e há perguntas às quais não se responde, porque o dinheiro não compra tudo.

Pois.

Grande verdade, Bruno.

Agora é que tu disseste.

Mas compra muita coisa.

Mais nada.

Paulo, estamos mesmo cansados de eleições e de discussões políticas?

É bem possível que sim. Estejamos já a acusar uma certa fadiga eleitoral. Esta vai ser a terceira vez em três anos que os portugueses vão eleger o Parlamento e ontem fez-se o balanço da primeira semana de debates entre os líderes partidários e há uma queda de 17% nas audiências, isto em relação à primeira semana de debates também das eleições de 2024. Foi há cerca de um ano. É isto que diz, pelo menos, a Universal McCann, a agência de meios do grupo Media Brands, que analisou os dados. Os protagonistas basicamente são os mesmos, não houve mudanças nas lideranças partidárias, os problemas do país continuam os mesmos e as soluções que os partidos apresentam também são, mais coisa menos coisa, as mesmas. O certo é que tem havido muita discussão, mas há problemas que se arrastam há demasiado tempo e uma pessoa farta-se, claro. Sempre a mesma coisa.

Não somos de ferro.

Não somos de ferro. Não é assim.

Está a haver uma renovação da grelha.

Claro, problemas novos.

Sim, problemas novos, figuras novas. Agora, mais do mesmo.

Sempre mais, sempre arroz. O problema é que, de facto, ainda não se inventou um sistema melhor do que este da democracia eletiva com base em partidos. Portanto, olhem, vamos ter mesmo que aguentar. É assim.

Aguenta, aguenta.

Disseste o quê? Outra vez arroz, Bruno? Estamos todos ansiosos pela construção do novo aeroporto?

Olha, este é um problema novo.

Ora aí está. Todos, todos, como dizia o Papa Francisco, não. Foram 10 as organizações ambientalistas e de justiça social que se uniram para pedir o cancelamento de qualquer projeto de expansão da aviação em Portugal, nomeadamente o futuro Aeroporto de Lisboa. Para estes ativistas, seria uma loucura avançar com o projeto, bem como com a expansão do Aeroporto da Portela, porque isso, dizem, é como pôr o pé no acelerador do caos climático. Meus amigos, isto é o apocalipse. Se eu fosse ativista, não me preocupava. É que ao longo dos últimos 50 anos, foram muitas as promessas sobre a construção do novo Aeroporto de Lisboa e mesmo sem protestos e apelos, sem petições e exigências das organizações ambientalistas, o certo é que aeroporto, até agora, nem vê-lo. Em vez de se empenharem com tanta energia, o que também não deve ser bom para o planeta, os ambientalistas podiam simplesmente ficar sentados e esperar que o país faça o que nesta matéria tem feito, ou seja, nada.

Nada.

Exato.

E com isto tudo, que mais nos irá acontecer?

Pois.

Isto era uma novela, não era?

Era.

Já não me lembro quem é que dizia isto.

Isto era de uma novela de um programa do Herman, do TalkBack, se não me engano. Tenho ideia disso. Que era por aí.

Sim.

"Que mais nos irá acontecer?", que era feito assim com uma voz brasileira.

Com a Marilu.

Era o Diário da Marilu.

Podias fazer isso, emita lá. Como é que é?

O quê?

O que mais irá acontecer?

Que mais nos irá acontecer? Era assim.

Era assim. Agora já está.

Está identificado já. Pois, mas neste caso a pergunta é mais retórica. Vamos olhar de relance para os últimos cinco anos. Estávamos muito bem, ainda a recuperar ali das mazelas da crise da dívida, da troika por cá e por aí fora, e cai-nos em cima uma pandemia com um notável impacto económico, impacto social e também sanitário, sobretudo ao nível da saúde mental. Foram dois anos de abre e fecha de empresas, lojas, eventos, ficar em casa, sair, enfim, sabemos bem o que isso foi. Depois estávamos a recuperar desse impacto e a Rússia invadiu a Ucrânia. Além do sobressalto, obviamente, e da perda de vidas humanas lá no local, a inflação disparou um pouco por todo lado, as taxas de juros subiram bastante, começaram a pesar no bolso de muitas famílias. E agora que estávamos a respirar um pouco, também dessa situação, um outro louco, desta vez em Washington, decidiu abrir uma guerra comercial que está já a ter impacto económico antes de ser levada inteiramente à prática. O FMI diz que o contexto geopolítico atual é a maior pressão em décadas sobre a estabilidade financeira global, por isso preparem-se, aos abrigos. Basicamente, há cinco anos não temos descanso, em grande parte por causa da loucura humana. A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

Segunda a sexta-feira, a partir das 06h57. E começa agora o "Três Toques", sempre com o Bruno Vieira Amaral.

No futebol, o pior cego é o que só vê a bola.

Carla Jorge de Carvalho.

Vamos voltar aqui ao velho dilema, Paulo: intervir ou não intervir.

Paulo Ferreira.

Esta vossa posição bipolar em relação à idade e à forma como se sentem, está bem?

Maria João Simões.

Paulo, Gouveia e Melo está a deixar as direções partidárias sentidos.

Sentidos. É que está mesmo.

E Bruno Vieira Amaral.

Agora vamos ver se o Bruno recebe bem ou se é como o Paulo.

Atira aí.

As manhãs 360 da Rádio Observador. Muito bom dia, são 07h21