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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Paulo, o Presidente da República tem de morar em Lisboa?
Não tem, mas pela polêmica parece que sim, não é? Ou devia morar mais perto de Lisboa.
Não tem, mas devia.
Não tem, mas devia. A não ser a prática, nada obriga a isso. Mas António José Seguro decidiu que vai continuar a viver nas Caldas da Rainha, onde vive há muitos anos. E claro que já se fazem contas ao aumento dos custos de segurança, por exemplo. Parece que uma dúzia de efetivos do corpo de segurança pessoal da PSP vão ter que ir todos os dias da zona de Lisboa em dois veículos à vez para garantir a segurança do novo presidente. A pergunta é: por que não são efetivos que são formados para estas funções nas Caldas da Rainha, de alguma maneira?
Sim, não sei se a hipótese está a ser avaliada.
Eu espero que sim.
Faz sentido.
Em nome do bom senso e da razoabilidade de meios, como é evidente. Estamos a falar de 100 km, portanto, não é nada de outro mundo. Obviamente que a logística é mais complicada do que se Seguro vivesse em Lisboa.
Ou em Cascais.
Ou em Cascais.
Como o atual.
Mas atenção, 100 km são 100 km, demora uma hora pela A8, Lisboa-Caldas da Rainha. Uma hora não é nada que não se passe na fila em hora de ponta de Cascais pra Lisboa, pro centro de Lisboa.
Se vivesse em Sintra.
Ou em Sintra. É mais importante ver o tempo do que-
A distância
...sem batedores, é evidente. Com batedores, a viagem fica mais rápida. Mas, de facto, o principal sacrificado até será o próprio presidente da República, que tem que fazer os 100 km, se não for diariamente quase, dependendo da agenda, porque muita coisa acontece em Lisboa. Ficar pelas Caldas também é uma boa forma de manter o contacto com aquilo que é a vida fora da capital, a vida real. Mas basicamente esta discussão é mesmo doença de país pequeno e país centralista, que acha que é um problema o presidente da República ou alguém viver a 100 km de distância.
Pois é. Nem só de pão vive o homem.
Não, Carla, também vive de palavras, que às vezes são mais duras que o pão, que se quer fresco e fofo. E as palavras de alguns católicos contra o novo pacote laboral foram particularmente duras. A Liga Operária Católica, Movimento de Trabalhadores Cristãos, aprovou no sábado uma moção em que classificou a proposta do governo como uma perigosa regressão histórica e um retrocesso civilizacional que segue a lógica da desregulação neoliberal. Dito assim, isto poderia ter vindo do PCP, do Bloco de Esquerda, de grande parte dos sindicatos ou até do PCTP/MRPP, até porque o título do documento tem aquele som das palavras de ordem: trabalhamos para viver, não vivemos para trabalhar. Pelo meio, estes católicos pintam empresas e patrões como os capitalistas de caricatura, só falta a cartola e o charuto, em busca de mais lucro e da, cito: "mercantilização da pessoa". Ora aqui está uma hóstia dura de roer para o governo.
E por falar nisso, vem aí mais uma polêmica, Paulo, sobre a utilização da base das Lages pelos americanos.
É, começa a desenhar-se essa polêmica, isto perante a iminência de um ataque norte-americano ao Irã. É que uma boa parte, ou uma parte pelo menos, dos meios aéreos militares dos Estados Unidos passam pelas Lages, que nessas alturas funcionam como uma espécie de porta-aviões parado ali no meio do Atlântico. A questão é que o acordo entre Portugal e os Estados Unidos prevê que as forças norte-americanas possam utilizar a base açoriana, nestes casos, sem aviso prévio a Portugal. Basicamente, é o que está no acordo. Em vez de andarmos recorrentemente a discutir e com polêmicas sobre isso, talvez fosse melhor discutir se devemos ou não alterar o acordo, os termos do acordo, do que encenar agora uma indignação sobre o assunto.
Espelho meu, espelho meu, como está o meu cabelo? É, não é preciso ser tão bruto. Eu sei que está horrível, mas vou tratar disso hoje.
Mais a cabeleireira, depois não tens um serviço pago pelo governo.
Pois, tivesse até.
Se estivesses num gabinete ministerial. Mas está ótimo, senhora ministra, o seu cabelo está ótimo. Todos nós nos devemos preocupar com a imagem. O governo não quer ficar atrás de ninguém e, mais do que isso, quer dar o exemplo. Vai daí, contratou uma empresa para serviços de maquiagem e cabeleireiro para os membros dos gabinetes ministeriais antes das conferências de imprensa. O custo total é de 11.520 euros. Assim, o governo pode dar as piores notícias enquanto os cidadãos comentam as nuances da ministra e aquele penteado que faz o secretário de Estado parecer o George Clooney.
Ontem eu vi uns memes nas redes sociais muito interessantes sobre este tema.
Vi uns penteados muito criativos. Verdade seja dita, a imagem é mesmo importante e como acontece em tantas áreas, o melhor se calhar é entregar a tarefa a profissionais, porque uma ferripa de cabelo, umas sobrancelhas hirsutas ou pelos nas orelhas.
Ui, pelos nas orelhas.
Podem ser fatais.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer