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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais o que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Tenho uma dúvida, Paulo.
Então.
Só uma?
Estamos cá para isso.
A primeira: vai mudar alguma coisa com a greve geral?
Se olharmos para o passado, para outras greves gerais, dificilmente mudará alguma coisa. São manifestações de posições políticas, essencialmente por parte dos sindicatos. Esta greve tem ainda essa particularidade de ocorrer no momento em que o pacote legislativo, a proposta do governo ainda não está fechada nem apresentada, prosseguem aparentemente negociações, sobretudo com a UGT. É assim, nesta fase, uma espécie de greve que pretende ser preventiva, tentando evitar uma coisa que ainda não aconteceu, nem se sabe se vai acontecer. Mas no fundo faz parte do jogo político, é evidente, sobretudo quando é a direita que está no poder e a contabilidade das greves gerais apontam para isso, porque há sempre uma espécie da parte dos sindicatos, esta espécie de: "há governo de direita, sou contra", basicamente.
Então e Amadeu Guerra tem sido mal interpretado?
É provável que sim. Mas também porque ele se tem feito entender mal. Declarações muitas vezes equívocas ou mal preparadas. A Justiça, antes de mais, é um setor com muitas corporações que muitas vezes, senão quase sempre, têm interesses conflituantes. E essas corporações, obviamente, estão também sempre disponíveis, sempre prontas para explorar as fraquezas das outras. Por outro lado, a Justiça também sempre comunicou mal. Ou se remete a silêncios profundos, não explica nada, já tivemos essa fase na PGR e no Ministério Público, ou então vai falando de forma improvisada, pouco preparada, de forma errática, e isso obviamente não beneficia o entendimento da mensagem certa. Explica pouco o que faz a Justiça e porque faz, sobretudo nesta área da investigação. E neste contexto, é normal que surjam mal-entendidos e que depois sobrem dúvidas e suspeitas de um setor que parece que está muito em rodolivos.
E ainda vamos ter saudades da Web Summit?
É provável que sim. É muito provável que sim. O contrato entre Portugal e a feira tecnológica termina em 2028, portanto ainda vai haver mais três anos de Web Summit, mas obviamente que estas coisas decidem-se a prazo e já há países a negociarem para a retirarem de Lisboa e para passarem a ser eles os anfitriões da Web Summit. A Polônia, por exemplo, já está na corrida, já anunciou isso.
A Polônia tem um panteão.
Exato, para fazer jantares. Há de ter alguma coisa parecida, certamente. E no fundo, isto vai ser um leilão também, quem dá mais, de alguma maneira, porque hoje em dia é uma marca maior ainda do que era quando veio para Lisboa há cerca de 10 anos. Não sabemos se o Estado português vai voltar a ir a jogo ou não, portanto, é uma decisão de política pública que não estará tomada ainda, o Estado central e a Câmara de Lisboa. Mas pode acontecer aquele fenômeno muito português, muito nacional. Depois de tão odiado e tão criticado, o Alvibeja dos computadores e por aí fora, ainda vamos ter saudades do evento se o viermos a perder e ainda vamos achar raros os 11 milhões anuais que ele está a custar agora. Bom, nesse caso será simples. Vamos todos para Varsóvia, se for Varsóvia a cidade escolhida, daqui a uns dias, matar saudades.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais o que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.