Durante algum tempo, sobretudo depois do terceiro empate em sete jogos no Campeonato frente ao Arouca, a questão ainda era colocada no “se”. A partir da derrota com o Ac. Viseu que deixou a equipa a nove pontos do líder FC Porto, passou de imediato para o “quando”. O que faltava para Rui Borges sair? Chegar a acordo com uma das várias possibilidades que existiam nos planos verdes e brancos – sendo que as principais eram todas portuguesas. Agora que essa fase chegou, o inevitável aconteceu: o técnico de Mirandela está de saída do Sporting e Paulo Fonseca será apresentado em Alvalade durante a semana como novo treinador.
Como o Observador escreveu na passada sexta-feira, apesar desse aparente balão de oxigénio que tinha saído de Rio Maior com a vitória frente ao Casa Pia por 2-0 com golos de Pedro Lima e Geny Catamo, o próprio Rui Borges sabia que estava a prazo e à espera que a administração da SAD verde e branca encontrasse com o devido tempo um sucessor que não chegasse “apenas” para completar a época mas sim num projeto a médio prazo – um pouco como foi feito em relação ao plantel. Paulo Fonseca, sendo um desses nomes do perfil identificado, não foi o primeiro que recebeu uma abordagem leonina mas foi o primeiro que se mostrou muito agradado com a possibilidade de rumar a Alvalade. Isto era o que se sabia na sexta-feira, tudo o resto foi alcançado nos últimos dias, com o Sporting a chegar a acordo com o Lyon para a rescisão do técnico.
De acrescentar que, como o Observador tinha também destacado, o facto de haver ainda uma verba acima dos 6,5 milhões de euros por liquidar respeitante às mais-valias da transferência do internacional Sub-21 português Afonso Moreira dos franceses para o Bayer Leverkusen também ajudou a desbloquear aquele que era o último entrave. Tanto que, este domingo, na sequência do triunfo do Lyon diante do Angers para a Ligue 1, Paulo Fonseca não conseguiu esconder a emoção e às lágrimas quando todos os jogadores foram até à zona técnica festejar o segundo golo com o treinador num abraço coletivo que soava a despedida.
“Existe uma possibilidade, logo se vê. Gosto muito deste grupo [do Lyon], são magníficos. O Lyon é um grande clube. Às vezes é difícil compreender as dificuldades do clube. O que esta equipa conquistou até agora é incrível. Somos uma família. Interesse do Sporting? Neste momento, tudo é possível. Vou terminar a época? Não sei. Amanhã [segunda-feira] estarei lá com o grupo. Gosto muito de trabalhar em França e adoro as pessoas do clube”, comentou Paulo Fonseca depois do encontro deste domingo com o Angers, num abrir de porta à possibilidade de regressar a Portugal uma década depois da saída do Sp. Braga.
Desta forma, e naquele que acabou por ser o dado mais surpreendente saído das reuniões que existiram este domingo, apenas a saída imediata de Rui Borges não estava nos planos – e nenhuma das partes inicialmente queria esse desfecho. Apesar da relação que foi piorando entre SAD e treinador nos últimos tempos, também porque o técnico ia tendo conhecimento de contactos exploratórios que estavam a ser feitos com possíveis sucessores, Borges mantinha-se focado em mostrar que poderia conseguir uma série de triunfos seguidos que pudessem espantar esses fantasmas da saída mas, ao perceber que nem mesmo as vitórias com Marítimo na Taça da Liga e Casa Pia no Campeonato mudaram esse cenário, entendeu não ter condições para ficar.
Assim, Frederico Varandas, que comandou todo o processo nos diferentes níveis, tentou que Rui Borges ainda pudesse marcar presença no encontro da Liga dos Campeões frente ao Shakhtar Donetsk na terça-feira, em Londres, algo que acabou por ser rejeitado pelo treinador. Tiago Fernandes, atual treinador da equipa B (que venceu o Leixões este domingo e lidera a classificação da Segunda Liga), será o técnico interino apenas para a quarta jornada da Champions, com Paulo Fonseca a fazer a estreia no comando dos leões ou na receção ao Moreirense, no próximo sábado, no Estádio José Alvalade, ou, no limite, no regresso das provas após paragem para seleções em casa com o União da Serra, para a Taça de Portugal, no dia 21.
A dúvida em relação a esse ponto depende apenas da celeridade com que serão fechados os últimos detalhes do processo. À partida, Paulo Fonseca deverá ser apresentado já na quarta-feira em Alvalade, o que daria tempo para trabalhar e preparar a equipa para o encontro de dia 7, com o Moreirense. É isso que está nesta fase acordado por ambas as partes, é isso que deverá acontecer caso não apareça nenhum entrave.
Como o Observador escrevera na sexta-feira, e dentro de uma ideia que passa pela prioridade de manter a aposta num treinador português, algumas possibilidades que se podiam levantar foram tendo as portas fechadas. Exemplos: Leonardo Jardim, técnico que deverá deixar o Flamengo no final da temporada qualquer que seja o desfecho do Brasileirão (e que tem relação há vários anos com Frederico Varandas), não pretende regressar a Portugal; Abel Ferreira, que no final de novembro vai discutir a quarta final da Taça dos Libertadores desde 2020 pelo Palmeiras, pode ou não continuar no Verdão mas também não se vê a voltar a Alvalade; Vítor Pereira, bicampeão português pelo FC Porto que está sem clube desde que foi dispensado do Nottingham Forest, pretende prosseguir a carreira em ligas como a inglesa; Sérgio Conceição, que em termos internos teria alguns “apoiantes”, não é opção para o Sporting. Assim, apesar de terem sido ventilados outros nomes nos bastidores como Paulo Sousa ou Vítor Matos, Paulo Fonseca era a principal hipótese.
“O Sporting Clube de Portugal informa que reuniu esta tarde com Rui Borges, treinador da equipa principal de futebol, tendo sido iniciadas conversações com vista à cessação do seu vínculo laboral. Tiago Fernandes assume, com efeitos imediatos, o comando técnico interino da equipa. O Sporting anunciará em breve o novo treinador da equipa principal de futebol”, anunciaram os leões em comunicado à noite.
“Sobre a minha segurança, já disse que desde o primeiro dia em que entrei no Sporting, a confiança é demonstrada por toda a gente diariamente, logo à cabeça pelo presidente. Por isso não vejo necessidade de nada. Sei bem aquilo que é o nosso dia a dia, sei bem o que é o dia a dia da Academia do Sporting. Estamos, sim, à procura de melhorarmos. Era importante a vitória, sim, porque vínhamos de um resultado negativo, porque já estávamos a muitos pontos, que não queríamos, do primeiro classificado. Era importante voltar às vitórias. Mais do que isso, tudo o resto é ruído. Balão de oxigénio? Eu, felizmente, estou bem de saúde, não preciso, graças a Deus… Em relação a tudo o que é ruído, não estou preocupado. Não viemos para aqui tocar ópera, viemos fazer um jogo de futebol contra outra equipa competitiva e conseguimos uma boa vitória, que é mais do que merecida”, tinha dito Rui Borges na conferência após o triunfo com o Casa Pia.
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]