Nos meses das cheias, entre 20 de janeiro e 15 de fevereiro, sete das nove grandes tempestades que atingiram Portugal foram alimentadas por outros tantos rios atmosféricos, sete. A Ingrid, a Joseph, a Kristin, a Leonardo, a Marta, a Nils e a Oriana agigantaram-se devido à absorção dessas grandes massas de vapor de água que atravessam o Atlântico vindas das zonas tropicais. Não calhou um rio a cada uma destas depressões. Algumas ‘beberam’ do mesmo. Mas outras tiveram direito a exclusividade. O que as tornou maiores e mais perigosas. Foi o caso da destrutiva Kristin, por exemplo, que esteve associada ao rio atmosférico AR #2, e da Leonardo, também muito intensa, que foi acompanhada por um enorme rio atmosférico subtropical.
▲ Os valores do transporte de vapor de água (imagem do estudo)
Em certas regiões do Atlântico, o transporte de humidade dos rios atmosféricos foi de mais de 20% de vapor de água do que os valores habituais de 1985–2014. Para exemplificar a dimensão do que Portugal viveu no último inverno do ‘comboio de tempestades’, foi feita uma comparação com cenários quase catastróficos. Alguns destes episódios extremos apresentaram características que são possíveis de comparar com as que teremos, de acordo com as simulações, no final do século, se existir um aquecimento global médio de 4,4ºC provocado pelos gases de efeito estufa (cenário climático conhecido como SSP5-8.5). “Os rios atmosféricos extremos atuais podem gerar transporte de humidade e impactos hidrológicos comparáveis aos previstos nas primeiras fases de cenários de elevadas emissões”, lê-se no estudo que chegou a estas conclusões, publicado na revista científica internacional Geophysical Research Letters.
Os números impactantes não ficam por aqui. As conclusões sobre os rios atmosféricos que atingiram a Península Ibérica entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 são de quatro investigadores ligados a instituições científicas de Espanha e Portugal. O título da análise que fizeram diz tudo: “Os rios atmosféricos de 2025–2026 na Península Ibérica apresentaram um transporte de humidade semelhante ao de uma fase inicial do cenário climático SSP5-8.5”. Ao todo, durante os 151 dias estudados, 84 deles estiveram sob influência de rios atmosféricos. Estes episódios sucessivos de extrema humidade (muitos associados depois às referidas tempestades) tiveram efeitos agravados porque encontraram, à medida que aconteciam, terrenos cada vez mais saturados, acabando por aumentar o risco de cheias, derrocadas e deslocamento de terras, que acabaram por acontecer.
▲ A precipitação acumulada devido aos rios atmosféricos - imagem do estudo
A humidade transportada por estes rios atmosféricos que atingiram Portugal no inverno passado teve origem principalmente no Atlântico subtropical e tropical. Os investigadores reconstruíram o percurso do vapor de água até dez dias antes da chegada à Península. A precipitação associada aos rios atmosféricos foi de 8% a 12% superior no norte e centro do país. Já ao longo de todo o litoral, foi entre 10% e 20% superior ao da comparação feita pelos cientistas. “As anomalias no transporte de vapor de água ultrapassam os 20% em extensas regiões”: estamos a falar de resultados dos modelos, não de resultados concretos de aumento da chuva em relação ao ano anterior. Na contabilidade real desses meses feita pelo IPMA, fevereiro de 2026 teve 241,7 mm de precipitação média, 329% do normal.
▲ Dois exemplos de rios atmosféricos já deste mês de outubro 'encaminhados' mais para norte de Portugal devido ao anticiclone
Os rios atmosféricos são enormes corredores de ar húmido que percorrem entre dois e quatro mil quilómetros (podem ultrapassar os cinco mil) desde zonas tropicais até à Europa. Para comparação, um grande rio atmosférico pode chegar a transportar, em vapor de água, 7 a 15 vezes o caudal do rio Mississípi por segundo (7,5 a 15 milhões de toneladas de água). Têm entre 400 e 600 quilómetros de largura e a grande parte da humidade está nos primeiros dois a três quilómetros de altitude. Essa humidade transforma-se, se encontrar as condições certas, em chuva intensa. A passagem sobre uma região pode durar de 12 a 48 horas, às vezes até mais.
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]