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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
E esta segunda-feira vamos ao perdoa-me dos presidentes, depois vamos ver as luzes de Natal, prestamos homenagem a Mário Soares. Mas Carla, agora a sério, antes do Natal, quem é que manda na Síria, Bruno?
Carla, o líder dos rebeldes, que em poucos dias conquistaram as cidades mais importantes da Síria e puseram Bashar al-Assad em fuga, chama-se Abu Mohammad al-Jolani, mas pelo nome não vamos lá.
Não, é difícil.
Não. É melhor perceber quem são estes rebeldes e basicamente trata-se de dois grupos que se uniram para derrubar o regime, o grupo islâmico Hayat Tahrir al-Sham, que teve ligações à Al-Qaeda, mas depois desvinculou-se do grupo, e o Exército Nacional Sírio, uma coligação, também ela apoiada pela Turquia. A ofensiva pode ter surpreendido as forças de Bashar al-Assad e também os meios de comunicação ocidentais, mas já vinha a ser preparada há mais de um ano. A grande questão agora é saber que caminho vão seguir estes grupos que derrubaram o regime sírio e se há ou não razões para otimismo. A história recente do Médio Oriente mostra que os festejos pelo derrube de um ditador podem rapidamente dar lugar aos lamentos pelos senhores que se seguem.
Então e por cá, Paulo, Mário Soares tornou-se um dos políticos mais consensuais do país?
Tornou. Já era e agora cada vez vê mais reforçado esse seu estatuto de consensual e se dúvidas houvesse, a sessão comemorativa dos 100 anos do político confirmou isso mesmo. O seu papel na luta, primeiro contra a ditadura, depois a moderação durante o processo revolucionário, enfrentou Álvaro Cunhal e livrou-nos do que poderia ser uma ditadura de sinal contrário. E por fim, a luta pela adesão à então Comunidade Económica Europeia fizeram dele o político seguramente mais estruturante daquilo que é a nossa democracia. No Parlamento, as divergências históricas da extrema-esquerda com Soares voltaram a ser evidentes nos discursos de sexta-feira e também sem surpresa, juntou-se agora a contestação do Chega, que até acabou por ser a mais dissonante do dia contra Soares. Não há dúvidas aqui. De facto, os extremos tocam-se e o sectarismo é basicamente um vírus que causa alguma sequeira.
Bruno, o último. Apaga a luz?
Nem apaga, nem paga. Pagam os contribuintes, mas é por uma boa causa. Quem é que não gosta de ver as ruas das cidades todas iluminadinhas nesta quadra festiva?
Opá.
Pelos vistos toda a gente gosta. E também é bom para o comércio local.
Sem dúvida, para toda a gente. Para as criancinhas, sobretudo.
É bonito. Ou seja, ninguém apaga as luzes nesta altura. Treze das 16 capitais de distrito vão gastar mais este ano com as iluminações de Natal, em comparação com 2023. Duas vão gastar o mesmo. Évora fica pelos €30 mil, que já tinha gastado no ano passado, e Lisboa, que é poupadinha, não gasta mais do que os €749.500 que gastou em 2023. Quanto à autarquia de Setúbal, não se sabe se vai gastar mais ou menos, porque não se sabe quanto gastou em 2023 e também não se sabe quanto tenciona gastar este ano. Há muitas luzes, mas transparência é que nem vela. Quanto aos campeões dos aumentos em iluminação natalícia, ficam ambos nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores. São os chamados custos da insularidade.
Está bem visto. E entretanto, o perdão, quando nasce, também é para todos?
Para todos os presidentes da República, entenda-se. E é de facto. E neste caso, para os presidentes americanos, que são rápidos e um pouco sem vergonha na utilização do seu poder, de se sobreporem à Justiça, ultrapassarem-na pela direita ou pela esquerda e concederem perdões. Joe Biden não teve problemas em utilizar essa arma para proteger o seu filho Hunter de condenações que estavam relacionadas com posse de armas e com ocultação de consumo de drogas às autoridades, dizendo, basicamente, o presidente, que estas acusações é que tiveram motivações políticas. E Donald Trump utiliza agora basicamente o mesmo tipo de argumentos para anunciar que vai conceder o perdão aos atacantes do Capitólio em 2021. Diz ele que foram sujeitos a um sistema de justiça muito mau e que por isso devem ser protegidos. Portanto, basicamente a mesma cartilha para um e para outro. Aqui ninguém, de facto, pode dar lições a ninguém.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.