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Pergunta.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Pois é.
Pois é.
Cá estamos.
Vamos à Bolsa de Valores, Paulo, mas à Bolsa de Valores da Justiça. Explica-nos como é que está a cotação de bandido e a cotação de corruptor ativo.
Deixa-me olhar aqui para as últimas cotações.
Abriu quando? Quando é que abriu esta bolsa?
Está em permanente evolução.
Não para.
Não para. Bandido vale muito mais neste momento. A cotação de bandido está 12.500 €. A cotação de corruptor ativo, esqueçam, zero. Ninguém paga nada por ele. É um título que não vale a pena. Os caminhos da justiça. Bandido vale muito mais, de facto, porque é considerado uma ofensa ilegítima e por isso sujeito à condenação. E corruptor ativo, esqueçam, zero, não vale nada. Podemos chamar à vontade. Isto tem a ver com o Frederico Varandas. E ele que o diga, que acaba de experimentar, no espaço de duas semanas, a evolução destas cotações, como é evidente. Ontem, o presidente do Sporting foi absolvido pelo tribunal porque tinha dito que Pinto da Costa era corruptor ativo. Portanto, absolvição. Pode-se dizer. Pode-se dizer. O juiz considerou que o presidente do Sporting, neste caso, utilizou, e cito a decisão do tribunal: "Utilizou aquela expressão, corruptor ativo, no exercício do direito à liberdade de expressão." Mas já há duas semanas, o mesmo Varandas foi condenado por chamar ao mesmo Pinto da Costa de bandido. Chamou na altura. Aliás, ele chamou-o de corruptor ativo na sequência de lhe chamar bandido. Quando soube do processo, por lhe chamar bandido, disse: "Bom, em vez de lhe chamar bandido, podemos lhe chamar corruptor ativo."
Ai, isso já pode.
E isso mereceu outro processo.
Ok.
E portanto, nessa altura, a condenação há duas semanas por ter dito bandido custou 12.500 €. Há recurso, neste caso, para a relação. O presidente do Sporting, Frederico Varandas, recorreu para a relação e vamos ver o que a relação sugere ou decide sobre isto, mas são estas as cotações. Já agora, um detalhe: o tribunal que condenou pela palavra bandido por 12.500 € foi o mercado de Bulhão, no Porto. O tribunal que absolveu agora pelo corruptor ativo é um tribunal de Lisboa. Não estou a insinuar rigorosamente nada sobre algum viés geográfico que pode haver.
O tribunal de Bulhão .
Sempre estas coisas mais .
Começo por outra coisa.
É um detalhe e o diabo está nos detalhes.
São factos.
Ó Paulo, e nas autárquicas, o pragmatismo é que mais ordena.
Olha, é verdade, parece que tudo vai valendo para contabilizar mais uma vitória. Depois, na noite das eleições, quando se fizerem aqueles mapas de quantas presidências e variações é que cada partido tem.
É a noite em que todos ganham, não é?
Exato. É mais uma em que todos ganham. Tudo vale para contabilizar mais uma vitória ou pelo menos para evitar uma derrota. E por isso estamos aqui a assistir ao anúncio de candidaturas ou de apoios de geometria muito variável, uma espécie de coligações tutifrútia à vontade de freguês, ou o apoio a independentes que têm elevado potencial para ganhar. Veja-se o caso do PSD, por exemplo, vai apoiar Isaltino Morais em Oeiras, independentíssimo. Andaram zangados durante muito tempo, aliás, na altura da presidência de Marques Mendes, não foi?
Sim, foi Marques Mendes que não aceitou arguido.
Arguido. Na altura era arguido, Isaltino Morais, depois já foi condenado, cumpriu pena, como sabemos, saiu. Isto é, saldou as suas contas com a sociedade, se quisermos, em termos de justiça, e agora já ganhou duas vezes, vai para o terceiro mandato. O PSD vai apoiá-lo em Oeiras, vai apoiar também a ex-CDU Maria das Dores Meira, em Setúbal. No caso de Maria das Dores Meira, anda neste momento de cadeiras às avessas com o seu partido de sempre, com a CDU. Aliás, foi candidata por Almada nas últimas eleições, não venceu.
E agora concorreu como independente.
Exatamente. E vai com este apoio, mas a candidatura é independente de facto, só que o PSD decidiu apoiar. Sabemos que o PSD dificilmente venceria isto, para não dizer que era impossível vencer em qualquer um destes concelhos, Setúbal e Oeiras. E pelo menos assim não sacrificam um candidato que já se sabe que vai ser dado ao sacrifício de fazer uma candidatura para perder. E ainda podem dizer que estão ao lado do vencedor nestes concelhos, se obviamente Isaltino e Maria das Dores Meira vierem a ganhar. E em Lisboa, Moedas tem uma coligação com o PSD, com o CDS e com a Iniciativa Liberal. Aqui a Iniciativa Liberal corrige aquilo que foi apontado como um erro ou como um risco há quatro anos, quando ficou de fora.
E não deu a maioria a Carlos Moedas.
Exatamente. Vamos ver o que é que acontece desta vez. E isto remete-nos àquela máxima política: o que é importante é caçar ratos, agora se o gato é branco ou preto, é absolutamente indiferente.
O que é preciso é apoiar o gato.
É apoiar o gato certo, independentemente da cor dele.
Estar ao lado dos que ganham.
Exatamente.
Como dizia o George Bush há uns anos.
E como dizia alguém: "Luís, fico melhor em pé ou sentado?"
Essa pergunta na altura não foi propriamente essa, fico melhor assim ou assim. Olhando para a direita e olhando para a esquerda. Mas o que José Sócrates disse ontem no tribunal, onde está a ser julgado, recordo-me de facto que esses momentos, já lá vão uns aninhos, 2011. Tem 14 anos, pré-troika, mas um pré é muito quase troika.
A abrir a porta à troika.
E na altura, o então primeiro-ministro quis saber junto do seu eterno e fiel assessor Luís Bernardo, de comunicação, se ficava melhor assim ou assim, olhar para a direita ou para a esquerda. Isto foi uma entrada em falso, não é? Um direto na TV.
Um direto que foi um bocadinho antes do tempo.
Um bocadinho antes, quando ainda não estava tudo pronto. E neste caso, o Sócrates preparava-se precisamente para anunciar o pedido para a vinda da troika. Bom, ontem em tribunal, o Sócrates disse: "Falar três horas de manhã e outras três à tarde é demais para mim." Até para ele, diria eu. Ainda assim, ele insistiu em ficar em pé durante esse período em que está a prestar declarações. E ele diz o seguinte: "Por respeito ao tribunal e porque acho que fico melhor em pé. Tenho melhor ideia de mim próprio quando estou em pé."
Olha!
Isso é muito giro.
É engraçado. É, e é uma questão também de projeção de voz, de atitude, por aí fora, mas não deixa de nos recordar esse momento do é melhor assim ou assado.
Muito bem, foi o ainda bem que faz essa pergunta, já de seguida o não sei