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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
E esta quinta-feira falamos de passes maiores do que a perna, palavras-passe, conselhos de opinião, mas começamos . Estás bem?
Abro a porta e ela vai à disparada.
Saiu da frente. Começamos a aquecer motores. Começamos pela corrida eleitoral para as presidenciais. Vai começar este fim de semana no PSD, Paulo?
Pois, é bem possível. A Maria João, aliás, já está na grande partida.
Eu já estou. Eu só fumo aqui.
Aí vai uma candidata. É bem possível que arranque este fim de semana, ainda de forma não oficial e não assumida, como é evidente. Este fim de semana realiza-se o congresso do partido PSD, que não será eletivo, como é regra em partidos que estão no governo. E há um ponto de interesse a olhar já para 2026. Dos nomes de que se fala como possíveis candidatos presidenciais a apoiar pelo PSD, apenas Luís Marques Mendes vai estar presente ali no congresso. Nem Rui Rio, nem Pedro Passos Coelho vão a esta reunião partidária. Eles são outros dois ex-líderes do partido que aparecem sempre naquelas listas de potenciais candidatos, que são muitas vezes utilizadas para fazer sondagens, ainda que possa não estar na cabeça de nenhum deles serem candidatos, mas também aparecem naquelas listas. E, portanto, Luís Marques Mendes preenche o perfil já definido por Luís Montenegro. O próprio, sabemos, não afasta essa hipótese, diz que está a refletir, promete uma decisão apenas para o próximo ano, mas também sabemos que 2025 é já ali ao virar da esquina. E os sinais e a ocupação de espaço político são importantes e devem ser feitos quanto antes.
Bruno, qual é a opinião do Conselho de Opinião da RTP sobre o plano do governo para os media?
O parecer é negativo. A presidente do Conselho de Opinião, Deolinda Machado, foi ouvida no Parlamento, a pedido de PS, PCP e LIVRE, e mostrou-se contra o plano do governo, em particular, o plano de acabar com a publicidade no canal público. E deixou uma pergunta: uma empresa sustentável, que há 14 anos não tem contas negativas e vamos agora, de forma governamental, torná-la insustentável? Boa pergunta. Na opinião do Conselho de Opinião, a publicidade traz público, audiências, e as audiências são fundamentais para que a RTP cumpra a sua missão e seja financeiramente viável. O plano de rescisões anunciado para a RTP também leva cartão vermelho porque implica o aumento da dívida, que é atualmente de 70 milhões, uma verba que iria aumentar precisamente para financiar os despedimentos. Soluções, além de não se acabar com a publicidade, atualizar a contribuição audiovisual, é uma das ideias do Conselho de Opinião da RTP, contribuição audiovisual que é atualmente de €3,02 e que se mantém neste valor desde 2017, há sete anos. E é assim, quando há um problema, aumenta-se o imposto.
Exato. Paulo, e devemos ou não alterar as nossas passwords de acesso ao Portal das Finanças?
A resposta mais curta e mais prudente é: devemos. Devemos, sim. Pelo menos, no mínimo.
É melhor, é aconselhável.
Exatamente. Devemos consultar uma lista de dados que caíram na praça pública para saber se as nossas credenciais de acesso lá estão. Ontem fiz essa consulta num site, há sempre esses sites disponíveis, introduzindo o meu número de contribuinte e a referência que me apareceu é que as minhas credenciais não estão nessa lista.
Ainda assim, vale a pena?
Ainda assim, valerá a pena alterar. Bom, quem devia dizer isto mais claramente era a própria Autoridade Tributária, ou sim ou não, ou antes pelo contrário. Mas sabemos que demoram a assumir problemas e a dar as indicações certas aos cidadãos. Isto porque uma lista de cerca de 15 mil dados de acesso ao Portal das Finanças, atenção que isto é diferente do ataque da AMA, que estamos a falar também. Este é outro problema, outra fuga de dados. Esta lista de 15 mil dados de acesso ao Portal das Finanças começou a circular online. Isto foi notícia do Expresso. A grande maioria das passwords desta lista é verdadeira. Esta fuga de dados foi detetada, aqui sim, por causa do recente ataque à Chave Móvel Digital, da Agência para a Modernização Administrativa, mas só foi detetada por causa disso. Portanto, o incidente tecnológico não é o mesmo. Por isso, o melhor é alterarmos esses dados para manter reservado o acesso ao Portal das Finanças. Presume-se, obviamente, que ninguém queira pagar por nós os impostos que nós devemos pagar.
Em princípio, não.
Em princípio, não. É pena. Mas alguém pode, por exemplo, alterar o IBAN para onde são feitos os reembolsos. Quando a eles temos direito. Portanto, era bom também verificar se o IBAN continua a ser o nosso. E já agora, uma boa parte da nossa vida financeira está lá na base de dados do Fisco. Eu costumo dizer que os bancos e a Autoridade Tributária sabem mais sobre a nossa vida do que os nossos companheiros ou companheiras, basicamente. Mas pronto, o melhor é alterar.
O melhor é alterar. E a Associação Nacional de Transportes de Passageiros vai bloquear os passes?
É uma possibilidade em cima da mesa ou dentro do autocarro, ainda não sabemos. A ANTROP reclama uma dívida do Estado de €50 milhões relativa aos passes rodoviários do corrente ano e ameaça suspender a aceitação dos passes a partir de novembro, quando também entra em vigor o alargamento da gratuidade a todos os jovens até aos 23 anos, dos passes, independentemente de serem estudantes ou não. Até agora, tem de se ter 23 anos, mas ser cumulativamente estudante. A partir de novembro, basta ter até 23 anos. A associação também criticou a introdução do Passe Ferroviário Nacional, no valor de €23, e que entra em vigor já no dia 21 de outubro. Para a ANTROP, este passe, ao apoiar um meio de transporte e deixar de fora os restantes, cria uma grave desestruturação do ecossistema, tornando impossível a concorrência do setor dos transportes rodoviários com um passe muito barato e que também abrange o Intercidades, uma decisão que é igualmente contestada pela associação. Não há almoços grátis, dizem, e também não há transportes grátis. Alguém tem que pagar a conta, a ANTROP não quer ser a vítima.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
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