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É mais difícil conhecer alguém ou só parece que é mais difícil porque estamos todos agarrados ao digital e parece que não sabemos ser sociais?
Alguém que, pelo digital, te diz: "Eu sou esta pessoa, tenho esta idade, este nome," pode não ser real. Claro que é sempre preciso passar à parte seguinte, que é conhecer aquela pessoa pessoalmente. Ok, nesta fase da vida, o que é que eu procuro? E sem preconceitos.
Estás a dizer fazer uma lista daquilo que procuro na outra pessoa ou das minhas intenções?
O que é que eu preciso? Quais são as minhas necessidades? O que é que eu dou mais valor quando estou com alguém? Pode haver algo físico que é tão importante pra ti que tu não queres tirar da lista. Agora, será que isso depois não te vai impedir de conheceres uma pessoa absolutamente espetacular?
Se era o momento errado, é porque não era a pessoa certa. Acreditas nisto?
Acredito que é preciso as duas coisas. Nós dizemos isso do: "Não, por mim ele vai mudar." É a coisa menos romântica do mundo. Eu sei que ele pode mais ou ela pode mais. Mais pra ti.
Olha, e o amor aparece quando menos esperamos?
Claro que sim.
Mas tens de ir para uma dating app?
As dating apps são muito ativadoras da sensação de rejeição. Procurem, mas saiam de casa. Não há nada em casa.
Será que é esse o maior erro da minha geração? É ficarmos muito fechados?
É o ficarem, terem uma relação muito forte com o ecrã.
Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio. Hoje trago aqui a Catarina Beato, que podia falar de 1001 temas, desde desporto com o powerlifting, desde muitas outras coisas que ela acaba por abordar nas redes sociais, mas hoje vamos falar de relacionamentos. Vamos falar sobre amor, sobre dating, como é o dating nos dias de hoje, como é que a nossa geração está a lidar com os tempos digitais, com dating apps, todos estes temas que eu vou abordando aqui e ali com amigas aqui no podcast. Hoje eu trago uma especialista e uma pessoa que já viveu muito mais que nós neste tema. Portanto, eu espero muito que vocês gostem desta conversa. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume. Então, neste momento tenho 27 anos e eu já trouxe aqui o tema de relacionamentos antes, de amor, de dating e tudo mais. E na altura, quando eu trouxe, foi uma menina com 24 anos e falamos sobre este tema, sobre aquilo que estávamos a sentir. E eu pensei trazer aqui uma pessoa mais velha, que já passou por mais coisas que eu, e debatermos um bocadinho este tema e também percebermos de que forma é que a minha geração está a passar por isto e que impacto é que as redes sociais, o digital, a desconexão/termos tanta amostra à nossa frente, está a impactar o dating de hoje em dia, o conhecermos a pessoa certa e tudo mais. E também achei curioso teres conhecido o Pedro através do Tinder, depois mais tarde Facebook, etc.
Quer dizer, mais tarde foi só uma hora ou duas. Mas sim, foi depois.
Sim, ou seja, ser a partir também do digital. Mas hoje em dia, e queria já começar aqui por esta pergunta, hoje em dia é mais difícil conhecer alguém ou só parece que é mais difícil porque estamos todos agarrados ao digital e parece que não sabemos ser sociais?
Olha, eu acho que não é nem mais, nem menos difícil. Ou seja, eu acho que é tão difícil no digital como era na festa da terrinha, na universidade, na escola, quando ficas divorciado e tens só o teu trabalho. Eu acho que não é isso. Eu acho é que o digital traz-nos isso, traz-nos muita ansiedade, traz-nos falsas noções de felicidade, até nos relacionamentos, e traz-nos essa sensação, tu disseste, de à amostra, porque é irreal. Nós achamos: "Ok, há muita gente", mas depois no nosso dia a dia, na realidade, não há tanta gente. As pessoas continuam a ser as mesmas. Por isso é que eu acho que não é nem mais, nem menos difícil. A questão é que a fuga tornou-se mais fácil. Estes fenômenos do ghosting, da pessoa desaparecer. Por isso é que há tantos comentários maldosos no Instagram ou numa outra plataforma, porque é muito fácil nós desaparecermos quando temos ali um ecrã pelo meio. Eu acho que isso sim. Em termos da dificuldade ou da facilidade, não, não sinto de todo. Acho até que as pessoas, se puderem conhecer ou enviar uma mensagem, por exemplo, através do Instagram, ou conheceres uma conta em que partilhas um ou dois interesses e aquilo suscita de curiosidade e tu: "Ok, por que não abordar esta pessoa?" É bom, mas se calhar isso acontecia, por exemplo, no ginásio, num lugar em que fazíamos as mesmas coisas.
Mas faz diferença eu ter esse contacto em vida real ou através do online, ou não?
Olha, eu honestamente acho que não. Acho que as coisas podem correr mal num sítio ou noutro. O que nós temos que perceber sobre o online, em tudo, é: online não é o real. Ou seja, é um ótimo ponto de partida, mas da mesma forma que tu não podes pesquisar algo, seja numa inteligência artificial, seja num Google, seja onde for, e acreditar profundamente que aquilo é a verdade absoluta, tens que ir confrontar. A mesma coisa com alguém. Alguém que, pelo digital, te diz: "Eu sou esta pessoa, tenho esta idade, este nome." Aquilo que tu sabes pode não ser real. E, portanto, claro que é sempre preciso passar à parte seguinte, que é conhecer aquela pessoa pessoalmente. E não acreditarmos de uma forma quase cega de que se aquela pessoa te disse, se está ali, se está no online, é óbvio que é verdade, eu vi uma foto. Sabes, não é assim.
E às vezes estamos ainda a começar a conversa com alguém e já estamos a assumir que aquela pessoa vai ser a nossa pessoa e começamos a criar cenários na nossa cabeça.
Mas isso não é só online.
Não, na vida.
Isso é o nosso lado de princesas e príncipes, Disney e filmes de domingo, em que de fato nós gostamos ou gostávamos todos de viver uma história em que isso acontece. E então acabamos por fantasiar ou projetar no outro uma data de coisas que temos como expectativa. Só que, às vezes, por que é muito injusto? Olha, é muito injusto, muitas vezes aquela pessoa até é espetacular, mas noutras coisas, e tu vais tão focado e focada, porque isto acontece com homens e mulheres, com todos. E tu vais tão focado naquilo que tu gostavas que fosse, que não estás disponível pra ver o que é. E por isso é que eu costumo dizer, eu ouvi, quando nós Eu acho muito importante, não é preciso queimar, mas é muito importante fazer uma lista do que nós queremos. Mesmo. E isto não tem a ver com visualizar.
Manifestar.
Desse ponto de vista, sim, manifestar, mas o verbo é muito abrangente. Tem a ver exatamente com isso, com perceber, ganhar consciência. Imagina: "Ok, nesta fase da vida, o que eu procuro?" E sem preconceitos. Imagina uma miúda novinha que pensa: "Eu o que eu queria mesmo era casar." E pensas: "Mas não é suposto. Sou nova, casar não é fixe ou não é cool." Ou o contrário. Imagina, eu quero só algo muito ocasional. O que vão pensar de mim? E é muito importante nós percebermos, naquela fase da vida, o que tu queres.
Mas então tu estás a dizer fazer uma lista daquilo que procuro na outra pessoa ou das minhas intenções?
Daquilo que tu precisas naquela pessoa, na pessoa que tu queres para a tua vida. O que eu preciso? Quais são as minhas necessidades? A que eu dou mais valor quando estou com alguém?
Eu quando era mais nova fazia listas assim: "Quero um rapaz moreno, quero não sei o quê."
Eu costumo dizer que em relação às características físicas, o único perigo é se tu pões lá que queres moreno e pões mais 50 coisas e de repente encontras um louro com aquelas 50 coisas. E só porque ele não é moreno, não consegues olhar que ele tem as outras. Por isso é que as características físicas são um bocadinho tricky. Porque tu: "Ok, espera lá, então ele não é fisicamente como eu idealizei, mas tem tudo o resto." Imagina, o Pedro era muito contrário a tudo o que eu achava que ia achar piada. E o facto de eu ter conseguido olhar para as outras coisas que eu tinha na minha lista mental.
Ou seja, não ir já com a ideia preconcebida de que eu quero aquele estereótipo.
Tu podes ir e não tem mal nenhum. A questão é que isso te vai limitar. Há um filme muito giro, brasileiro, na Netflix. Eu não almejo nada, que isto de memória é terrível, mas é de uma mulher que se apaixona perdidamente por um homem muito baixo. Aliás, o ator não é tão baixo quanto depois no filme conseguem fazê-lo parecer. E ela, de repente, não é tensa, toda a gente com o preconceito, porque ele é muito mais baixo do que ela. E é o momento em que ela para e percebe: "Caramba, só que ele é tudo o resto que eu quero. Então, será que isto é importante?" Porque eles até fisicamente eram muito intensos, muito apaixonados. E é isso, pode haver algo físico que é tão importante para ti que tu não queres tirar da lista? E eu acho que cada um é como é. Agora, será que isso depois não te vai impedir de conheceres uma pessoa absolutamente espetacular?
E isto volta ao início da minha geração, que eu acho que nós cancelamos situações muito facilmente, porque achamos que se calhar há muitas opções. Se calhar entra por aí.
Será que é porque há muitas opções?
Não sei.
Eu acho que não. Eu acho que tem mais a ver com esta questão. Eu acho que isso é natural. Repara, eu sou de outra geração e até uma determinada idade fiz exatamente isso e não tinha o digital da forma como hoje ele existe. Falou muito isso, eu faço parte da geração que cresceu sem digital e, portanto, tenho duas vidas. E te garanto que eu fiz isso mesmo quando não havia digital nenhum. Imagina, alguém que até é espetacular e tu dizes: "Mas não tem aquela característica, não vou olhar sequer."
"Eu não gosto dos ténis que está a usar."
Sim, eu acho que isso faz parte. Acho que se calhar a idade é que te traz alguma consciência.
Ok.
Eu digo muitas vezes, por exemplo, com relação ao Pedro, aquela coisa meio romântica do quem me dera ter-te conhecido antes. Só que a verdade é que eu antes não teria dado valor àquilo que o Pedro tinha para me dar. Não teria olhado para determinadas coisas dele como consegui olhar. Portanto, eu acho que a vida vai te alterando.
Ainda hoje eu vi um TikTok que era: tu não conheceste a pessoa certa no momento errado. Se era o momento errado, é porque não era a pessoa certa. Acreditas nisto?
Acredito que é preciso as duas coisas ao mesmo tempo, porque nós às vezes cruzamo-nos com uma pessoa absolutamente maravilhosa, mas não é o timing. Por isso é que não convém. Eu acho que é uma luta que faço muito com algumas das pessoas com quem vou trabalhando, que é: do que te serve, por muito que de facto aquela pessoa tenha características maravilhosas, mas por exemplo, é comprometido. E tu queres uma relação, tu queres uma relação inteira, queres alguém com quem possas ter uma relação, uma pessoa que está disponível para ter uma relação. Por muito espetacular que esta pessoa seja, se ela não está disponível, não é o momento. Aquela ideia do amor vai fazer com que esta pessoa veja, ou se eu for suficientemente interessante, esta pessoa larga tudo e fica comigo. Eu acho que isso não é bem assim. Não há essa coisa do amor ser o suficiente, porque as pessoas acabaram de se conhecer.
Eu acho que nós, mulheres, o homem até pode dizer: "Eu só quero uma coisa casual", mas a mulher vai: "Não, eu vou mudar a opinião."
Sim, mas já viste que esta coisa de nós dizermos, eu acho que consigo ver isso, que é quando nós dizemos isso do: "Não, por mim, ele vai mudar", é a coisa menos romântica do mundo. Porque quando tu desejas que alguém mude.
É porque também não estás a gostar da pessoa.
Tu não gostas daquela pessoa como ela é. E eu acho que nós pensamos nisso quase como uma coisa muito de missão nossa, do eu vou mudá-lo. A verdade é que isso é muito pouco romântico, porque quando tu dizes: "Ele vai mudar por mim", tu não gostas daquela pessoa como ela é. Seja, obviamente, por motivos que têm a ver contigo, por exemplo, uma pessoa que é comprometida. Vais ficar à espera que aquela pessoa deixe de ser comprometida? Pode acontecer, um dia a vida pode te dar isso, não é aquele momento. Ou: "Não, por mim, ele vai ser mais..." Seja o que for. Isso significa que tu não gostas daquela pessoa como ela é. Então não é aquela pessoa. Gasta essa energia Noutra coisa qualquer, mas não gastem energia nessa missão de mudar o outro, porque isso é muito pouco romântico.
É, nós associamos muitas vezes o amor a termos uma missão de conseguir mudar, de conseguir atrair aquela pessoa.
Melhorar a pessoa. Quando as pessoas me dizem: "Está bem, mas eu sei que ele pode mais ou ela pode mais." O que é mais? Mais para ti, pode não ser para aquela pessoa. Porque para ti ser mais alguma coisa, imagina mais romântico, mais líder, fazer mais desporto, menos desporto, seja o que for, isso é importante para ti. Não tem que ser para aquela pessoa, porque as pessoas são todas diferentes, senão isso não tinha piada nenhuma.
Claro.
Eu acho muito mais importante tu de facto avaliares o que é importante para ti agora e, por exemplo, se for o desporto, procurar alguém que esteja na mesma onda que tu, porque isso vai ser ótimo. Se tu conheces alguém que tem dois ou três valores superalinhados contigo e daí vocês decidem criar um compromisso e melhorarem a equipa, porque vocês vão ser duas pessoas que vão formar uma equipa, então ótimo. Agora, estar um na missão de melhorar o outro, só se o outro pedir, imagina. Por acaso eu estou com o Pedro e digo: "Pedro, olha, eu gostava de mudar não sei o quê na minha vida. Ajuda-me." Aí, sim, está bem, mas isso é um pedido teu, não é do outro.
E como é que foi com o Pedro? Foi ali um clique instantâneo?
Olha, eu digo muitas vezes isto: claro que há um clique. Dizem e eu acredito muito, eu adoro aqueles programas, tipo "Casados à Primeira Vista", mas em todas as nacionalidades, o australiano é sem dúvida o meu preferido. E está provado que o principal até é o cheiro.
Ah é?
É. O cheiro é aquilo que faz.
Mas o cheiro do perfume?
Pode ser do perfume ou da pele. O grave do perfume é se mantém quando muda ou quando tu conheces o verdadeiro cheiro da pele da pessoa. Mas o cheiro é o primeiro instinto que te leva a gostar ou não gostar, ou a mexer com as tuas hormonas, ou sentires o tal clique, que é a coisa da atração à primeira vista, tem muito a ver com o cheiro do outro. Portanto, por exemplo, tu até podes construir, olha lá está, no digital, conversares com alguém, estás perfeitamente encantado.
Por isso é que é importante ir para o físico.
Exatamente. De repente, cruzas-te com a pessoa e até achas que é porque é alto, baixo, e não, há uma conexão ali física que não se deu. E eu com o Pedro foi muito engraçado, que eu acho que houve uma, eu costumo dizer que foi uma sensação quase de meia família. Alguém com quem eu me senti logo muito à vontade. Também eu estava numa fase da vida em que tinha prometido a mim que só me relacionaria com alguém com quem estivesse muito à vontade, porque já tinha tido os meus momentos. Eu conto sempre esta história, é repetida, mas é importante, que é: eu era aquela que estava a ouvir uma rádio completamente, com uma música mais pimba impossível, e se fosse para um date e a pessoa se aproximasse, eu mudava para um jazz para parecer mais interessante. E o Pedro conheceu-me numa altura em que eu estava muito cansada desse fingir que era interessante e tentar mostrar ao outro que eu era interessante como era. Portanto, eu acho também que estava nessa fase e foi bom. E com o Pedro houve uma sensação muito de está tudo bem. E ele no dia seguinte, por exemplo, o Pedro era todo muito cuidadoso, muito bem-educado, eu era muito mais tudo à pressa. E no dia seguinte o Pedro voltou a ir ter comigo e, por exemplo, eu tinha as minhas amigas todas em casa, que era um ambiente um bocadinho caótico, porque nós todas éramos mães, mães solteiras, havia muita criança, muita confusão, e a presença do Pedro foi sempre muito fácil. E nós tínhamos uma brincadeira um com o outro, uma brincadeira, não, uma frase que mantemos, que era: "Eu gosto de ti sem mas." Que é, sabes, eu gosto de ti, mas gostava que tu fosses mais isto.
Nunca houve isso.
Nós tentamos fazer isso um com o outro, dizer ao outro quando não gostamos de alguma coisa, mas eu não quero que o Pedro mude, nem o Pedro quer que eu mude. E nós já fomos, não é que nós estejamos juntos há tanto tempo, já são 10 anos, e já fomos pessoas diferentes.
Mas já se conheceram numa altura, se calhar, já muito mais maduros e a saber muito bem aquilo que queriam.
E aquilo que não queríamos.
E aquilo que não queriam.
Eu acho que nisso, sim. Eu acho que nós sabíamos muito bem o que não queríamos quando nos conhecemos. E isso permitiu-nos comprometermo-nos. Eu acredito muito nesta palavra, que é o compromisso.
Sim, casaram-se seis semanas depois?
Sim, seis semanas depois. E foi por isso, foi porque nós não queríamos ser mais um namoro. Um divórcio não é uma coisa complicada, se as pessoas o quiserem. Portanto, não era nem mais nem menos nos casássemos, mas foi uma forma como se firmássemos um compromisso diferente um com o outro e por isso é que casamos.
Muito bonito.
Mas eu acredito mesmo nisso, acredito no compromisso. Que é eu comprometo-me em que isto funcione. E repara, por exemplo, mesmo tu contigo, eu adoro o exercício, o exercício mudou a minha vida, mas eu sou muito pouco aquela pessoa que te vai dizer que tem disciplina. Eu sou zero disciplinada, mas eu sou muito comprometida. Ou seja, ok, eu comprometo-me. Uns dias vai correr melhor, outros dias vai ser péssimo, outros dias vai ser muito bom, mas eu quero tentar. E acho que este querer tentar foi aquilo que fez a diferença entre mim e o Pedro. Nós tentamos mesmo todos os dias, vamos tentando.
Então quando se conheceram, sentes que é importante nós também percebermos a reação em nós, ou seja, como é que o nosso corpo está a reagir na companhia da outra pessoa, se conseguimos ser nós próprios na companhia dessa pessoa, achas que isso é um bom indicador?
Olha, eu acho, desde que tenhas levado com muita terapia em cima. Por quê? Porque quase todos nós, infelizmente, associamos muito a questão da paixão ao desconforto Eu gosto da expressão das borboletas. A ansiedade é boa, mas não tem a ver com ansiedade, tem a ver com desconforto. Nós em pequeninas, adolescentes, aquela altura em que nós começamos a ter os primeiros interesses, o teu interesse é por algo que te causa desconforto, quase sempre. Porque tu estás numa altura disso. Quando és adolescente, queres desafiar, faz parte de testares os teus limites, formares-te enquanto pessoa. E depois levas isso para a idade adulta. Então muitas vezes estás numa relação que te está permanentemente a deixar desconfortável e tu pensas: "Não, é paixão." Se calhar não é paixão, se calhar é mesmo só desconforto.
Se calhar é só errado para ti.
Sim, ou para os dois. Eu acho que é importante haver adrenalina. Depende. É importante para alguns, porque repara, há pessoas para quem uma relação calma basta e não precisam dessa sensação mais de desafio. Agora, observa mais, por exemplo, a questão do desejo. O desejo é mil vezes mais um indicador do que a questão do desconforto. Se o teu corpo diz que te apetece estar com aquela pessoa, se gostas do cheiro, se desejas, se te apetece ser um par romântico, que vai envolver o beijar, o tocar, sim. Portanto, é por isso é que eu acho que a terapia faz aí uma grande diferença na vida. Quando tu na terapia te encontras mais com as tuas dores, com as coisas que te marcaram, és mais capaz de perceber que esse lugar não é bom. E portanto, eu acho que muitas das coisas que ganhei em crescida, foi também porque fiz muita terapia até lá.
É a única forma de quebrar padrões antigos?
Eu acho que sim. Eu não tenho dúvida.
Porque, por exemplo, quem está sempre em loop de relacionamentos tóxicos e está habituado a isso e está habituado a essa sensação. Quando conhece alguém que se calhar até é muito seguro.
É que não tem interesse nenhum.
É boring, é aborrecido. Que ódio.
Não, e é aborrecido e, por exemplo, em pequenas indicações que o teu corpo foi guardando erradamente como declarações de amor. Por isso é que eu às vezes fico tão aflita com algum do conteúdo que acabo por me cruzar mesmo nas redes e nas meninas, principalmente. O ciúme não é uma declaração de amor. Alguém controlar onde tu estás, com quem estás, não é uma declaração de amor. Mas se tu fores guardando isso enquanto normal, se uma pessoa não te dá isso.
"Ele não gosta de mim."
Exatamente. "Ele não gosta de mim." Eu e o Pedro tínhamos no início e mantemos: nós nunca falámos do nosso passado para além do necessário. Porque, por exemplo, eu tenho filhos, o Pedro tem filhos, claro que falamos um bocadinho do nosso passado. Mas eu não sei quantas namoradas o Pedro teve. O Pedro não sabe quantos namorados eu tive.
Não te faz confusão não conhecer essa parte dele?
Nada, zero. Porque a nossa história foi naquele dia e dali para frente. E eu não quero saber com quantas pessoas ou se ele já teve outros desgostos. A questão é, há pessoas que dizem: "Mas isso lá está, não te interessa?" Não, porque o que nós temos é tão nosso, é tão bonito, que isso não acrescenta. Claro que se amanhã nos cruzássemos com alguém e eu percebesse, imagina, desconforto, e o Pedro e ele diz: "Olha, foi alguém com quem estive." Está tudo bem. Agora, dar aquela vontade que nós temos de contar tudo ao outro.
Saber de tudo e controlar tudo.
Isso não é uma declaração de amor. E nós, se não fizermos terapia ou se não formos desconstruir essas questões, vamos levar isso para sempre. E depois isso não é bom. Então na idade adulta, esquece. Quando nós normalizamos alguns comportamentos. Isto ao contrário, imagina uma mulher que é muito insegura e um homem que se habitua a ter uma mulher insegura, que faz com que, por exemplo, ele deixe de fazer algumas coisas. Nós sabemos que é um bocadinho um padrão, aquele rapaz que quando tem uma relação, desaparece. Deixa de ter amigas, amigos, deixa de sair. E, portanto, quando ele se cruzar com uma rapariga a quem isso não faça qualquer confusão, e ele pensa: "Então, não gosta de mim? Não quer saber se eu vou, se eu estou?" Não. E depois eu acho que fazeres isso e quebrares isso e perceberes, de facto, que a liberdade é algo que nós não podemos mesmo prescindir enquanto pessoas. Depois, claro que cada um tem níveis diferentes de equipa. Há casais que adoram estar sempre juntos e há casais que raramente estão juntos.
Mas se calhar existe primeiro aquela fase lua de mel em que se passa mais tempo ou não é padrão?
Eu acho, por exemplo, o que muita gente faz de errado é viver uma falsa lua de mel. O que é a falsa lua de mel? Eu até sou alguém que não gosta assim tanto de estar sempre com o outro, porque prezo muito as minhas atividades individuais, os meus amigos, e dou isso ao outro no início. E quando dou por mim: "Espera lá, eu não quero dar isto o tempo todo." E depois isso gera um desconforto muito grande na relação, porque há alguém que-
Mas tenta se pôr um travão num comboio que está a alta velocidade.
E, portanto, diz: "Era a lua de mel." Não, lua de mel são fases que os casais devem ter ao longo da relação. A relação não é uma permanente lua de mel, não dá. Também havia de ser bonito, ficávamos todos exaustos. Mas as relações devem viver pontuais luas de mel. Imagina, de vez em quando vem uma lua de mel, porque fomos fim de semana e aquilo fez com que nós voltássemos a conversar de qualquer coisa e estamos ali uns tempos. Ou porque qualquer coisa, houve um momento em que nos conectámos mais por algum motivo, e aí vem uma lua de mel. Mas convém que os casais tenham muitas, e não só uma no início e depois zero. Irmos vivendo pequenas luas de mel.
Pequenas fases.
Pequenas fases, sim. Eu sinto muito isso agora, porque o desporto surgiu de uma maneira diferente na minha vida nesta idade, e o facto do Pedro se ter envolvido Da forma dele, mas neste desporto, com a questão da imagem, da fotografia, o facto de ele estar lá sempre, ainda que estejamos lá sempre afastados o tempo todo, isso faz muito viver esse reapaixonar.
Um recomeço de uma nova fase, posso assim dizer?
Sim.
Que giro. E ainda voltando à parte em que estamos a conhecer alguém, muitas vezes nós falamos deste tema de procurarmos alguém quando estamos completos ou quando falta uma parte de nós. E faz sentido nós definirmos um tempo: "Vou cuidar de mim, vou tratar de mim, vou me sentir bem comigo e estar na minha melhor fase. Só aí é que eu mereço ter alguém na minha vida e mereço o amor." Ou também pode acontecer numa fase em que estamos menos bem e que vem uma pessoa completar isso?
É como a lua de mel. Esta ideia, para mim, nós temos sempre que ser completos. Isso é um desafio que cada pessoa vai levá-lo à sua maneira. Não há metades que se juntam, nem há o grande amor da tua vida.
Não há?
Não, o grande amor da tua vida é aquele...
Não há uma alma gêmea?
Não. Há muitas almas gêmeas, felizmente, na nossa vida. Vamos nos cruzar com algumas, com outras não. O amor da nossa vida é aquele com quem nós estivermos quando morrermos e que de certeza vai marcar. Agora, isso é muito limitador, porque faz-te procurar algo que pode nunca aparecer. E isso constrói-se. O Pedro está muito mais próximo hoje de ser a minha alma gêmea do que estava quando nos conhecemos, porque acertamos agulhas, conversamos sobre assuntos difíceis. Portanto, não, não há. Agora, esta ideia do "tenho que estar completo, o melhor de mim".
Melhor versão.
Não há a melhor versão de nós. Ou melhor, há. Há muitas melhores versões de nós em vários momentos da nossa vida. E há as piores. E a relação, quando é uma boa equipa, está lá na nossa melhor versão e na nossa pior versão. O que é importante quando tu partes para uma relação é um bocadinho aquilo que eu te dizia no início: estar consciente do que eu quero e conseguir falar sobre isso. Isso é muito importante e pode determinar uma boa relação. Agora, repare, eu conheço relações que começaram quando as pessoas tinham 16, 17 anos e ainda estão juntos. Foi uma aprendizagem a dois. De certeza que não sabiam fazer isso tudo quando se conheceram. E eles estão juntos. Portanto, não, não temos. E às vezes, repare, há amores que surgem em alturas em que as pessoas estão tão frágeis e são ótimas redes para tu te curares. Imagina uma boa relação, se te apanhar num momento super frágil e for de facto uma boa relação, é um porto seguro brutal para tu fazeres o teu trabalho de crescimento pessoal, se calhar para ires descobrir uma coisa que adoras fazer, seja o que for. Agora, o que é importante é que quando nós encontramos uma relação, não vamos desistir de nós. Não é porque eu estou em relação que vou desistir.
Que vou aceitar migalhas. Eu acho que é mais esta questão de, se calhar, estou com menos autoestima, estou mais fraca, vou aceitar coisas que se calhar não queria.
Mas eu acho que isso acontece. Obviamente, quanto mais frágil estás, mais difícil é. Mas isso, por exemplo, vem muito mais de padrões do que propriamente daquela fase. Há pessoas que às vezes acham: "Ok, agora estou ótima", mas repare se o teu padrão, se as referências com que cresceste, algumas coisas que ficaram aí mal guardadas.
É tóxico.
Às vezes nem tem que ser tóxico, Maria, às vezes são pequeninas coisas que te marcaram profundamente em criança e que tu não as vês, não as consegues ver, ficaram lá, foram arrumadas na gaveta errada e que te levam a aceitar menos do que aquilo que tu realmente mereces. E por muito que isto seja evidente aos olhos, por exemplo, das amigas, de outras pessoas, para aquela pessoa pode não ser de todo evidente. E, portanto, se calhar, a melhor maneira é nós estarmos por lá, os amigos, seja quem for, para podermos dar a mão se aquela pessoa de repente perceber: "Olha, esta relação não me dá aquilo que eu preciso." Mas também tens outra coisa, que às vezes as relações são: a pessoa com quem estás é maravilhosa e tu não tens amor romântico por aquela pessoa. Aquela pessoa até te dá tudo e tu não queres ficar com aquela pessoa, também acontece. Portanto, também temos que normalizar isso.
E é difícil lidar tanto para uma pessoa como para outra.
Pois é. E ainda é pior. Eu acho que as boas relações ainda são piores de aceitar quando não funcionam. Quando as pessoas: "Está bem, mas ele tinha tudo, ou ela tinha tudo, e porque eu não gostava desta pessoa?" Porque essa parte já mete aqui coisas físicas e químicas e coisas nossas, que isso também não se explica tudo.
Não é uma das almas gêmeas.
Não é, esqueçam. Há muitas almas e não são gêmeas, porque se fosse gêmea era muito chato. Mas há muitas pessoas com quem vamos fazer essa sensação boa de: "É aqui. Aqui vale a pena."
Olha, e o amor aparece quando menos esperamos.
Claro que sim.
É?
Claro.
Isto não temos muito a deixar-nos estar no nosso canto de vou esperar que o príncipe bata à porta.
No canto não aparece ninguém. Só no digital, então, só tens o telemóvel na mão. Quanto à parte de aparecer alguém, é matemática. Quanto mais aumentares as probabilidades, mais hipótese há de acontecer. Portanto, se ficarmos quietinhas no nosso canto, o amor vai aparecer, pode vir a aparecer, claro, mas a probabilidade é mínima, a não ser lá está que estejas a fazer scroll e te apareça ali uma mensagem. Eu acho que por nós, não é pelo amor só, mas por nós, é bom quando nós nos forçamos a procurar coisas que nos fazem felizes. Olha, não é cerâmica. Não tem que ser cerâmica, a leitura, um desporto, seja o que for, nós somos seres sociais e o social não se faz só. O digital é maravilhoso para complementar, não pode ser a nossa base. É ótimo para conhecer pessoas novas, é ótimo para aproximar pessoas que tu nunca conhecerias por questão Noutro ponto do país, noutro ponto do mundo, mas não pode ser o nosso, não pode ser a base. A nossa base tem que meter pessoas. E se nós sentirmos que isso está a fugir de nós, então vamos nos forçar um bocadinho a isso no bom sentido. Não tens que se tornar, de repente, numa pessoa que gosta de ir pra noite ou pra uma discoteca.
Mas tens de ir pra uma dating app, por exemplo?
Não, de todo. E as dating apps são, e estão cada vez piores, muito ativadoras da sensação de rejeição. E nem toda gente consegue lidar com isso de uma forma saudável. Por exemplo, imagina, tu estás a falar com quatro pessoas e essas quatro pessoas deixam de responder de um dia pro outro. Tu vais achar: "Fui eu. Eu não sou interessante, a conversa não estava boa, eu não sou suficiente, nunca ninguém vai gostar de mim", isto e aquilo. Tu não sabes, eu costumo brincar, a pessoa pode ter morrido atropelada entre uma mensagem e outra.
Credo.
Não é credo, é mesmo. Ou, na verdade, era casada e voltou pra sala com a minha desculpa. A gente não sabe. Portanto, as dating apps são um ótimo ponto de encontro. E não são nem melhores nem piores do que tu estares numa festa da aldeia. Não, pessoal, imagina, tu estás numa festa da aldeia e cruzas-te com duas pessoas que nunca viste. Deitas um olhar. O que sabes sobre aquela pessoa? Nada, a não ser a imagem dela.
Nas dating apps sabes mais um bocadinho.
Às vezes. Mas sim, até podes saber mais numa dating app. Portanto, a questão está: quando tu vês alguém, pode haver um clique ou não, mas temos sempre que passar pro lugar seguinte, que é conhecer a pessoa. Agora, naquele momento, aquela pessoa apareceu na festa, sorriu-te e depois desapareceu. Não sabes nada sobre ela. Podia ter fugido da prisão e estar só ali por acaso e fugiu a seguir. Não tem nada a ver contigo. E nós personalizamos imenso, é tudo sobre nós. "É porque não gostou de mim, é porque, na verdade, eu mandei outra foto ou naquela foto ele achou que eu não estava bem." Não é. Quase sempre é sobre a outra pessoa, não é sobre nós. E as dating apps têm isso. E é isso de uma forma muito acelerada.
Escalam muito.
Escala muito.
Então, o que se pode fazer hoje em dia pra conhecer pessoas? É sair de casa, fazer uns hobbies?
Olha, eu acho que as dating apps são sempre pra quem serve sair de casa. Principalmente, imagina, se estás num emprego, teletrabalho ou um emprego onde estás há não sei quantos anos e são sempre as mesmas pessoas, aí vais ter que sair. Pá, pesquisa, há coisas tão giras. Eu desde que tive que pesquisar, porque os tempos vão mudando. E eu às vezes pesquiso pras pessoas com quem estou, grupos com quem trabalho, outras mulheres, outros homens. Pá, coisas tão engraçadas. Clubes de corrida, malta que se encontra pra andar ao domingo de manhã e que depois vai toda tomar o pequeno-almoço. Eu falo sempre do exercício, que é horrível, porque está sempre um bocadinho monotemática.
Não, mas agora eu ia tentar falar do exercício em comum acaba por puxar.
Eu acho sempre que o movimento ajuda. Isto eu estou falando a sério, mesmo que seja só andar. Acho mesmo, acho que o movimento, percebe, quando estás a dançar.
Até é mais fácil de falar com pessoas quando se está em movimento.
Ah, eu também.
Eu acho tanto isto.
Dou sempre essa sugestão quando as pessoas falam do primeiro encontro. No café, não, vai dar uma volta. Primeiro, podes fugir em caso de necessidade. Verdade. Imagina que não está a ser bom. No café, sabe aquele constrangimento?
Sim, quem é que vai jantar no primeiro date?
Não, olha, nunca na minha vida, nunca iria. Uma coisa que me obrigasse a ficar lá uma hora? Depois, repara, alguém vai ter que pagar a conta, portanto, não dá pra fugir. Não, escolhe uma coisa, movimento. Movimento é ótimo.
Um café em andamento.
Exato. Pede um café, vai dar um sumo, vai dar uma volta, vai ver qualquer coisa, vai a uma livraria e estejam os dois a ver livros e a conversar. Vai a uma aula de alguma coisa.
Eu andei até a correr.
Só não é bom pra conversar se tiveres naqueles treinos mais agressivos, em que o batimento cardíaco não é coerente.
Mas hoje em dia os clubes de corrida estão muito focados nisso.
Ou, por exemplo, agora, já sei, agora vá, puristas, venham e batam, mas agora, por exemplo, houve uma altura, a gente fala do paddle. Por quê? O paddle tem dois momentos muito importantes. Um é o exercício, não é ali que tu conheces, mas a malta está em grupos pra marcar os campos. Por exemplo, logo ali, repara, até achas piada à pessoa, tens um sítio onde podes meter conversa. E tens o pós. Quem não tem que ir pra casa acaba por ficar um bocadinho. Portanto, é aí.
E tens logo ali um ponto em comum que ajuda.
Claro, que ainda por cima, quase sempre, se formos adultos, é algo com que tu ocupas bastante o teu tempo livre. Portanto, ótimo. Agora, não vejam isso com nenhum preconceito. Óbvio que o homem que está lá casado, anda no paddle ou no clube de corrida, não tem que sair a envolver com ninguém. Portanto, isto é pra quem quer.
Também pode ter hobbies.
Pode ter hobbies. Agora, por exemplo, até cerâmica ou uma plataforma online em que há grupos de tudo. Até há encontros, imagina, eles encontram-se ao fim da tarde pra fazer uns jogos tipo de palavras, pá, as coisas mais-
Mais aleatórias.
Aleatórias.
Pra todos os gostos.
Jogos de tabuleiro. Pá, procurem, mas saiam de casa, não há nada em casa.
Será que é esse o maior erro da minha geração? É ficarmos muito fechados?
É o ficarem, terem uma relação muito forte com o ecrã. Sim, porque repara, eu às vezes com os miúdos em casa, quando eles, por exemplo, querem ver qualquer coisa, as miúdas mais pequenas. E eu digo sempre: "Olha, não, agora tablet, telefone, não, mas vamos pôr na televisão." A televisão é um ecrã grande, que é partilhado. Desculpem, bati no microfone. É um ecrã partilhado, portanto, eu estou a ver o que as minhas filhas estão a ver. Não é algo que te bloqueia. Fecha-te.
Fecha da realidade à tua volta.
Claro, é normal, o telefone fecha-nos. Não é só, a mim também. Olha, eu tenho um problema enorme no meu cotovelo da mão direita e não é dos treinos, é de segurar no telefone.
É, todos temos aqui uma coisinha no dedo também.
Sim, de segurar, eu também tenho, porque eu seguro o telefone de uma determinada maneira. Portanto, o telefone fecha-nos. E depois temos uma falsa ideia de grupo. E depois, repara, espremido. Quer dizer, não vou achar que aquelas 90 mil pessoas, que nem todas elas sequer têm as contas ativas, os seguidores, ou seja o que for, se calhar há ali uma comunidade, sim
Sim, mas é uma falsa sensação de companhia.
Pois é, estamos sempre com companhia, mas para mim disso dá no quê? Temos que juntar as duas coisas, na minha opinião. Temos que saber fazer as duas coisas. Eu sou muito apologista do digital. Eu adoro o digital, adoro mesmo. Adoro as redes, adoro o que podes aprender, adoro a facilidade com que a informação chega de um lado ao outro. Adoro. Adoro comunicar com os meus filhos por WhatsApp, porque acho que permite ter conversas que não teríamos. Adoro falar com o meu marido por WhatsApp.
E partilhar fotos e estarmos mais presentes na vida uns dos outros, não é?
Claro, isso é maravilhoso, mas tem que haver um lugar de cheiro, em que nós nos conhecemos uns aos outros, em que damos um abraço, em que mesmo que não demos um abraço, em que nos vemos uns aos outros. E nós temos que juntar as duas coisas. Eu quero acreditar que o futuro é esse. Ou seja, não quero acreditar num futuro feito só de ecrãs ou de óculos de inteligência artificial, ou disso tudo. Eu quero acreditar que agora que chegamos a um ponto de tanto alheamento, que possamos conjugar o melhor do digital com o melhor do pessoal.
Tentar encontrar um equilíbrio. Mas acho que é difícil, principalmente para as gerações mais novas, fazer essa distinção, mas estas conversas também acho que ajudam nesse sentido.
É muito difícil, eu digo sempre isto: eu não queria ter sido adolescente nesta altura, porque quando nós somos a uma determinada idade, enquanto tu não estás, tens sempre a sensação de que estão a falar a ti. "Será que eu estou no grupo? Será que eu estou integrado?" Isto é importante, faz parte do nosso crescimento. E de repente, quando tu não estás lá, está sempre alguma coisa a acontecer. Eu, pelo menos, quando chegava a casa, quando saía da escola, havia quase 12 horas de pausa. O mundo só recomeçava quando a malta chegava à escola no outro dia às 08h15. Hoje em dia é 24 sobre 24 horas. Não sei, eu ficaria exausta. Não queria saber.
Sim, pois é, que depois surgem aquelas séries tipo adolescência e tudo mais, que extrapolam tudo aquilo que é vivido em termos de bullying na escola.
Extrapola e dura muito tempo. Agora, estas séries, como mãe, o que eu digo é: aquilo choca, claro, mas aquilo é a nossa realidade de todos e nós não podemos achar que ela não existe. Temos que perceber que não é porque a série nos trouxe, que nós de repente abrimos os olhos. Quer dizer, o digital está presente. Eu tenho um blog há 20 anos e o digital está presente há muito tempo. E uma porta fechada, numa casa, tu não sabes, de facto, o que é que está a acontecer lá dentro. E portanto, intimidade sim. Aos namorados não se tem que dar, nem se deve dar nem localização, nem as passwords, mas se calhar com um filho a minha função é de proteção e portanto, será que eu também não devo perceber no que é que ele passa mais tempo, o que é que ele está a ver?
E como é que se consegue fazer esse controle?
Olha, eu não tenho certezas absolutas e por isso acho sempre que há situações difíceis. Em minha casa, eu gosto muito da ideia de não haver portas fechadas e costumo dizer que se eu passo por trás e um filho meu esconde um telefone, é porque o que está a ver não é confortável para ele. No sentido: "A minha mãe não aprovaria isto." Então eu costumo dizer que se há essa sensação, eu não preciso de ir ver, mas peço-lhe então que pense só dois segundos no que é que estava a ver. Portanto, normalizarmos o uso dos telemóveis uns perto dos outros e não sozinhos.
E falar também abertamente sobre isso.
Não usar os fones, por exemplo, nos mais pequeninos ajuda imenso, porque tu consegues ouvir. É chato, muito chato, mas eu prefiro ouvir o que é que as minhas filhas estão a ver, porque eu se ouvir, eu já sei mais ou menos. E se eu não ouvir, eu não faço ideia do que é que está lá, porque às vezes até é um boneco ou um desenho animado, eles estão a falar coisas ao lado.
É isso, é o querer saber. Porque muitas vezes é dar-se o telemóvel para distrair.
Eu compreendo, mas então o equilíbrio que é: eu vou dar o telemóvel, se calhar, porque às vezes preciso mesmo, estou cansada e sei que dali basta abstrair durante um bocadinho, mas pelo menos mantém-te a ouvir ou sei lá, senta-te ao pé deles um bocadinho, conversa sobre qualquer coisa que também viste. Nós partilhamos muitas coisas, ou seja, nós temos muito a mania, aqueles reels sobre a pessoa que está sempre a mandar reels uns aos outros. Nós somos essas pessoas lá em casa uns com os outros. E eu gosto imenso quando meu filho manda um TikTok. Eu não uso TikTok, de todo. Não uso. Tenho instalado porque sei que quando um deles manda, eu quero abrir e quero ver o que é que ele me está a mandar. E nós conversarmos. Imagina, eu não vou dizer, porque agora há uma série que dizem que aquilo é para queimar o cérebro. Uns cães tubarões, é uma coisa italiana, que tem umas falas que entre eles todos reconhecem. Eu não sei o que, a bailarina, os meus filhos se ouvirem isto vão gozar comigo.
Bailarina cappuccino?
Isso mesmo. Eu não vou ouvir aquilo e dizer: "Ah, que horror!" Não.
Tentar entender.
Sim, "Ok, vês isso? Então explica-me, mostra-me, deixa-me tentar rir". Ou não.
És uma mãe muito cool, estou a sentir.
Não sei se sou cool, só que eu acho mesmo que quando tu criticas muito, sabes quando a pessoa te esconda.
Vai se afastar mais.
E eu não quero que me escondam, eu quero estar lá para: "Ah, gostas disso?" E às vezes estou a pensar: "Ai, valha-me, nossa!"
"Explica lá isso, onde é que me vou meter?"
Não, tipo: "Ah, que giro!" Eu não sou assim tão cool, porque eu sou exigente, mas a sério, isto não serve só, serve nos namoros, nos casamentos, não há pior do que a crítica. Não há mesmo, acreditem.
Rebaixa a pessoa.
Rebaixa. E quando tu criticas, estás a criar dois degrauzinhos, se isto fosse um jogo, eu a descer dois degraus. Seja um filho, um amor O que for. E quando criticas outra vez mais dois graus para baixo, há um momento em que tu já não consegues sequer ver a outra pessoa. E por isso é que eu tento mesmo não criticar, mesmo quando não entendo, não gosto, tento só ouvir. Mesmo que por dentro a minha vontade primeiro seja de dizer mal. Tento mesmo, com toda a gente.
E no que toca a relacionamentos das pessoas que tu foste acompanhando ao longo dos anos, quais foram os mais comuns erros ou problemas?
A maioria é crítica. E quando tu criticas tanto, que a certa altura já não há comunicação possível. Porque quase sempre há um que fica com medo de ser criticado e, portanto, cala-se. E quase sempre esta pessoa é que desaparece na relação, deixa de ser interessante aos olhos do outro. Isto pode ser o homem ou a mulher, não interessa, ou duas mulheres ou dois homens, não interessa, é a dinâmica. E as pessoas afastam-se muito. E depois tem a ver com isto, que é uma coisa que eu também batalho na minha relação, que às vezes tu dizes ao outro assim: "Magoaste-me". E o outro ao invés de dizer: "Ok, o que é que sentiste? Por que é que te magoei?" Diz: "Mas eu não queria magoar. Eu fiz isto porque..." Justifica-se. Isto vem da infância. É aquela coisa que tu não fazes por mal, mas, por exemplo, eu vou na cozinha e está água no chão. E eu digo: "Podem ajudar a limpar esta água?" E os meus filhos: "Não fui eu". E eu digo: "Mas eu não quero saber quem foi. Eu só quero que me ajudem a limpar a água." E isto é assim nas relações. Tu dizes: "Eu não gostei" ou "Magoaste-me" ou qualquer coisa que dizes ao outro, e o outro ao invés de se focar no que tu disseste, justifica-se. E de repente, a pessoa que disse o que sentiu não se sente ouvida. O outro está à procura de uma validação que tu também não vais dar, porque tu queres é falar do que sentiste. Imagina, a pessoa chegou tarde do trabalho. A coisa mais válida do mundo. Foi uma reunião. Um médico, vá. Um médico esteve nas urgências a operar alguém que ia morrer. Não podia mesmo sair de lá. Chega a casa e a pessoa que ficou em casa diz: "Chegaste tão tarde. Fiquei triste por tu não teres chegado mais cedo." "Mas eu tive que operar." Não é isso que a outra pessoa está a dizer, está só a dizer que sentiu a tua falta. Por isso, por que não lhe hás de dizer: "Olha, senti isto. Quando não houver uma urgência, eu vou tentar chegar mais cedo. Olha, o que é que nós podemos fazer juntos para agora estarmos mesmo só os dois?"
Mas também não é fácil ter essa atitude quando se chega cansado a casa.
Eu acho que isto vem mais de trás ainda. Vem muito desta nossa necessidade de justificar.
Sim, ser logo o primeiro instinto.
É, de proteção, de não fui eu. Não sanguem comigo, não fui eu. E quando nós largamos isso, a vida é muito melhor. Por exemplo, imagina, uns últimos posts que escrevi foi sobre um assunto supersensível, supervulnerável, que tinha a ver com a questão da interrupção voluntária da gravidez. E vai lá alguém e escreve uma opinião completamente contrária à minha. E a vontade é tu explicares a história toda outra vez. Não é sobre isso. Deixa vir essa opinião. Desde que não sejam ofensivos, ok? Não estou a falar aqui, mesmo nas relações, não estamos é a ofender. Se aquela pessoa diz: "Eu não penso assim." Por que é que ao invés de tu dizeres: "Está bem, mas é assim," por que não lhe perguntas: "Ok, então como é que tu pensas?"
A abertura para ouvir o outro também e tentar entender.
Sim, mas que tu tenhas uma certeza que é: nada tira a tua razão. Não tenhas medo de falar com o outro, porque nada te vai levar a tua opinião, a tua razão. Ouve só, primeiro pergunta, depois explicas, mas se a tua primeira coisa for saber o que o outro te quer dizer, tipo telemarketing com a reclamação. As pessoas nem sempre fazem muito bem feito e às vezes enerva muito, mas as pessoas são ensinadas, está provado. Quando tu fazes uma reclamação antes de explicarem, repetem. Tipo, segundo percebi, está muito insatisfeito. Chama-se validação. E isto funciona. Quer dizer, se for bem feito, não vale a pena ser em modo telemarketing. Mas se eu te disser: "Estou chateado." E tu em vez de dizeres logo: "Está bem, mas eu não fiz por mal." Em vez de dizeres isso, dizes assim: "Ok, mas estás chateado por quê? O que é que sentiste?" "Porque fiquei aqui sozinha ou sozinho." "Ok, olha, como é que gostavas que tivesse sido?" "Não gostava nada, eu sei que estiveste a trabalhar, mas..." Já viste? Já não há discussão. Tu até sabes por que o outro não veio.
Tu já validaste o sentimento do outro.
Sim, valida só, dá um abraço. Eu acho que as pessoas não se preocupem tanto em proteger-se, porque a nossa razão ninguém nos tira. Preocupem-se em falar com o outro, e isso é o principal.
Isto faz mesmo sentido para relacionamentos e para tudo na vida.
Para tudo. E a principal coisa que eu recebo são casais, que a única coisa que não perguntaram ao outro foi: "Ok, explica-me o teu ponto de vista. Eu não te vou explicar mais."
E vêm te buscar ajuda para ter um intermediário.
É isso que eu faço. Na verdade, eu estava a dizer, há uma linha muito ténue que me assustou um bocadinho entre aquilo que eu faço e um psicólogo, a terapia, que me levou muito a um lugar muito mais resguardado, ou receber pessoas que já vêm de uma psicóloga ou que já têm esse acompanhamento, e portanto, eu sei que vêm a mim só para aquilo, para aquilo que eu posso ajudar. E eu faço muito isso, é quase tradução simultânea. Às vezes eu só digo assim: "Ok, já pensou que a pessoa o que queria fazer era isto?" "Ah, não." Eu tinha um casal muito engraçado, que sempre que começavam a discutir, ele saía. Ele não queria, portanto, ele ia-se embora.
E estava o confronto sempre.
E voltava com uma comida, ia buscar comida. E quando nós começámos ali, era sempre a comida preferida dela. E ela nunca tinha reparado. Portanto, ele não aguentava, ele não queria aquele confronto, então ia-lhe pedir desculpa Da única maneira que ele conseguia. E ela até aquele momento, estava sempre tão zangada, porque ele não conseguia conversar e ela queria conversar, que nunca tinha reparado que ele ia sempre buscar a comida que ela gosta. E em um momento em que eu disse: "Ok, mas o que ele vai?" "Ah, vai buscar isto. Ah, pois ele vai sempre buscar isto." E eu: "Claro, coitado." A pessoa só não conseguia discutir. Porque também há questões que são muito particulares, são da pessoa.
Isso é as linguagens do amor também, ou não?
Sim, eu acredito muito na questão das linguagens do amor e elas são muito importantes, principalmente às vezes pra tu veres uma coisa no outro que nunca tinhas visto. Elas não são fechadas. Mas os livros se lerem, não há fechadas, elas são sempre um mix. Imagina aquele namorado que se queixa: "Por que ela nunca fica sentada a ver uma série comigo? Nunca fica quieta, nunca fica aqui sentada só um bocadinho ao pé de mim a ver uma série." Então ok, mas o que ela está a fazer? Ela está a preparar a marmita dele para o dia a seguir. Ou está, por exemplo, a passar camisas. Eu não quero dizer que eles não tenham que se equilibrar. O que eu quero aqui é que uma das pessoas diga: "Não, espera, a pessoa não está a fugir de mim, está a fazer uma coisa que eu tenho que valorizar." Então eu posso dizer: "Olha, obrigada por estares a fazer isso, por mim também ou por nós", porque, por exemplo, se for uma família e ela ou ele estão a fazer qualquer coisa para os filhos, é por eles. "Olha, obrigada, mas agora precisava mesmo que te viesses sentar 10 minutos ao pé de mim." "Ah, mas 10 minutos?" "Vá, só 10 minutos." E devagarinho, ou seja, primeiro tens que ver o outro, que é o que nós todos queremos na vida. Nós queremos ser vistos. Todos. Nós queremos alguém que nos diga: "Ok, estás a fazer isso." E nós fazemos muito pouco isso uns aos outros. Sabes, dizer: "Estás bonita. Olha, reparei que fizeste isto."
Pequenas coisas que depois-
Eu às vezes pareço um bocado psycho nas redes, porque eu, por exemplo, o algoritmo é assim. Tu passas ali que tempo e só vês as mesmas pessoas. Bem, de repente percebes que aquela pessoa, imagina, exercício, desculpem, mas está há semanas a tentar fazer qualquer coisa e de repente conseguiu. E eu, não sei, as pessoas acham que eu sou doida, as pessoas não me conhecem de lado nenhum, sou a primeira a mandar um: "Que bom!" E a pessoa pensa: "Uau, alguém reparou." E se uma pessoa que está ali numa rede, por que não fazemos isso para os nossos?
Faz mesmo sentido. E são pequenas coisas que às vezes-
E não é elogiar. As pessoas dizem: "Ah, mas depois ficamos dependendo do elogio." Não, é como com os miúdos. É dizer: "Ah, desenhas tão bem" ou "cantas tão bem", quando a criança não canta nada bem. E depois a criança quer se inscrever num concurso de talentos e tu tens que dizer: "Ah..." Não, mas imagina, eu percebo que a minha filha adora cantar. Eu não tenho que lhe dizer que ela canta bem, mas posso dizer-lhe: "Ó Maria Luísa, já reparei que tu tens cantado imenso. Qual é a cantora que tu mais gostas? Ah, gostas daquela, não é?" Eu só reparei, eu não elogiei, eu não disse que ela cantava bem. E não canta. Mas ela é maravilhosa, porque depois sabe a história, porque ela depois vai ver coisas e, por exemplo, está fascinada com uma cantora qualquer, que eu nem posso nem ouvir. Mas por que eu não hei de perguntar uma coisa sobre aquela cantora, se ela adora? É uma coisa para o meu marido.
Sim, aí abres ali uma portinha para ela começar também a falar e a ligar-se cada vez mais contigo, porque há um tema que ela gosta.
Reparem, não temos que elogiar, mas reparem no outro. Isso faz muita diferença.
Adorei esse conselho. Estamos aqui a chegar ao final. Queria pedir-te, eu sei que já leste vários livros sobre este tema.
Deus me impeça de muitos autores, mas eu tento.
Não, diz-me só um livro que tu recomendes.
Ninguém me preparou.
Um livro que tu gostes e que tu recomendes.
Olha, pra começar, por exemplo, tu fizeste uma ótima sugestão: ler "As linguagens do amor".
Nunca li, por acaso.
Leiam. Agora há várias transmutações, aquilo tem um livro mãe, o livro base, mas eu diria que na maioria dos casos, qualquer livro que fale sobre relacionamentos e sobre comunicação, tem lá muitas coisas boas. Agora, não fiquem por ler. Leiam e depois pensem: "Ok, como é que eu posso adaptar isto à minha vida? O que eu vou fazer daqui, que vou levar?" Portanto, escolham um livro qualquer, "As linguagens do amor" é ótimo. Eu gosto muito de consumir tudo o que tem a ver com um terapeuta de casal, muito conhecido, americano, que é o Gottman, que tem, de facto, uma posição muito interessante sobre muitas coisas. Até tem uma aplicação giríssima de perguntas para os casais fazerem um ao outro. Vão, uma versão gratuita, procurem, que se chama Gottman Cards, procurem coisas, consumam, mas não se fiquem pelo consumo. Olha, cada vez que virem um reel, façam assim. Para a malta que está na bolha. Quando estiverem a ver reels, por exemplo, cada vez que virem um, parem um segundo e pensem: "Uma pessoa que eu conheço pessoalmente, que se iria rir ou chorar ou gostar deste reel" e mandem.
Para criar uma conversa a partir daí.
Não precisas de conversar, mas mostra aquela pessoa que te lembraste dela e vais pausar, de certeza, porque mandaste, vais pensar numa pessoa real e vais criar uma conexão real. Portanto, não fiquem só por ver.
Sim, mas isso em termos de leitura também se aplica a várias coisas na vida, seja desenvolvimento pessoal, no fundo, porque muitas vezes lemos-
Põe-o em prática.
É isso, muitas vezes lemos e estamos ali a consumir todos os livros que existem.
Sim, e não fizeste nada daquilo no teu dia a dia. Lê só uma página, mas depois daquela página pensa: "Onde é que eu posso aplicar isto na minha vida?" E leva e faz.
Última pergunta: um conselho que tenhas recebido recentemente e que tenha marcado?
Ah, meu Deus. Quer dizer, agora vão todos parar ao powerlifting. Mas o powerlifting ensinou muita coisa e os conselhos do desporto se fazem muito métodos com a vida real. E, portanto, não tem mal nenhum desistir, mas faz força. Tenta. Nós é faz força, não é? Porque é o que é.
Tens mesmo que fazer força.
Tens mesmo que fazer força, mas esse faz força para a nossa vida é: não tem mal se depois falhares, mal nenhum, falhar não tem mal nenhum, mas se for mesmo importante pra ti, tenta. Tenta, faz força, não tem mal nenhum. Portanto, fica o faz força.
Adorei. Obrigada, adorei ter-te aqui, foi uma ótima conversa.
Obrigada.
Não é fácil, eu sei. Mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo ao hora do costume?