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Não é fácil, eu sei. Mas, amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume? Olha, tenho umas histórias para te contar do Brasil, mas nem sei se conto.

Por quê? Ouvo "share", nós gostamos.

Vamos primeiro rosa, espinha e semente.

Está bem.

E depois conto. Pode ser?

Queres que eu comece?

Podes começar.

A minha rosa vem de uma meta que eu tinha definido para este ano, que eu acho que toda a gente define, que até está no meu vision board, que eu pus lá uma foto com produtos de skincare, que para mim representava o cuidar mais de mim, self-care. Que estamos sempre a pôr e depois acabamos por não cumprir nas pequenas tarefas do dia a dia. E eu tenho cumprido muito.

Mas em que sentido? Tens uma rotina mesmo certinha de skincare?

Sim, eu estou com um problema de acne já há alguns meses e eu sempre: "Não é assim tão grave, depois eu trato. Sim, eu tenho que ir ver." Sabes aquelas consultas médicas que dizemos sempre que vamos marcar, que nunca marcamos? Pronto. E eu, de há umas semanas para cá, decidi: "Não, já chega. Isto é saúde, isto é minha saúde, estas pequenas coisas não são fúteis" e defini. Sabes quando arrancas um penso rápido? E a minha rotina de skincare, cabelo, essas coisas todas que nós desleixamos, eu estou super a cumprir.

Mas sentes diferença no dia a dia?

Sinto, imensa. E é uma coisa, não só em termos de resultado, mas parece que começas a romantizar esses hábitos.

Eu acho que isso é um clique na cabeça, que também me aconteceu há uns tempos. Se calhar também tem a ver com conversas com amigas e ver as pessoas a falar mais sobre isso. "Olha, eu cuido desta forma." E tu sentes que se calhar também queres começar a explorar essa parte. Mas para mim, eu acho que tem a ver com o fato de eu, durante muito tempo, sentir que tive um bocado de numbnness, não me queria arranjar, não queria comprar roupa, não queria nada. Ou seja, eu sentia que isso não tinha importância porque eu não gostava de mim. E acho que tem a ver com isso.

Tem super a ver com isso. Isso não é para mim, eu estou preocupada com outras coisas. E depois, quando estás em situações de confronto, por exemplo, um evento, uma festa, um casamento, uma situação em que tu estás com outras pessoas, em que está mais exposto essas pequenas coisinhas diárias, a tua pele, o teu cabelo, a roupa que tu escolhes. Se calhar, não paraste tempo nenhum para escolher a roupa que tu ias usar para determinada situação, porque na tua cabeça, isso não é importante, ou tu dizes a ti própria que não é importante para esconder essa insegurança ou esse sentimento que tens contigo própria e quando te confrontas, metes fogo.

Mas eu acho que se calhar nós somos um bocadinho parecidas nisso, que é nós somos bué workaholic, tudo o resto é fútil e não tem importância. Eu tenho é de me focar naquilo que me vai levar para a frente. E acho que esse mindset de cuidar de ti não importa, seja em termos de skincare, cabelo, treino, alimentação. Eu tive uma fase em que eu sei que descambeie entrei no buraco porque não fiz nada disso. Portanto, eu acho que isso é só mais uma camada de cuidar de ti.

Sim, 100%. E acho que já com as pessoas à nossa volta e com as mudanças que vão existindo, tu já estás muito mais consciente que treino e alimentação é saúde. Pessoas bem-sucedidas fazem isso. Pessoas saudáveis, os médicos dizem-te para fazer isso. Mas há outras tantas pequenas coisas que nós ainda associamos à beleza e a fútil. Por coisas que tu vais ouvindo em pequenina e por "a mulher bonita não é inteligente, a mulher bonita chega lá porque isto e aquilo." Então tu vais ouvindo essas coisas e pensas: "Eu não quero ser mulher bonita, eu quero ser mulher inteligente e capaz" e tudo isso. E isso reflete-se nas pequenas escolhas diárias e nas pequenas rotinas diárias. E eu sinto que tenho tentado desconstruir cada vez mais isso e eu vou sentindo para comigo própria, mesmo que eu não veja já os resultados, eu estou a gostar mais de mim. Eu estou a fazer estas coisas porque eu mereço, porque eu quero.

Para ti.

É.

E no final do dia tudo é confiança, e tu não sentes que se calhar quando te arranjas um bocadinho mais ou te sentes bem contigo, não é preciso, não estou a dizer fazer um full glam, estou a dizer só cuidares, fazeres pequenas coisas. Por exemplo, cena mega aleatória, mas eu sinto que cuido mesmo mal do meu cabelo em termos de arranjar no dia a dia, ou seja, eu uso bons produtos, mas depois em termos de arranjar, não arranjo assim tão bem, mas tenho agora um novo secador que me seca o cabelo. Cenas ridículas, à partida.

O teu cabelo hoje está super esticadinho.

Não está! Porque eu tenho um secador novo, podem dizer. Eu ando super obcecada com isto porque me deixa o cabelo parece que mais arranjado, menos tipo acabou de acordar. E só esta pequena coisa deixa-me mais confiante. E no final do dia, tudo é sobre isto, é tu apareceres e sentires-te, porque se calhar para os outros até pode não ser uma diferença assim tão grande, mas é o que tu sentes em relação a ti, a forma como tu vais te apresentar para os outros.

Eu quando comecei a desconstruir isto do acne e perceber que a minha situação não é a pior de todas, mas é a que eu tenho. E se eu não me sinto bem com ela, é motivo suficiente para eu querer mudar isso. E eu percebi que tu te sentires desconfortável sobre uma coisa no teu corpo, seja ela qual for, tem impacto na forma como tu estás no teu trabalho, como tu lidas com a tua família, como tu lidas com os outros. Tu vais estar muito mais defensiva em relação a toda a gente. Se tu estiveres insegura em relação a alguma coisa, pode ser mínima.

Sim, isso vês, por exemplo, com usares uma roupa que não estás a sentir. Normalmente quando eu vou olhar-me ao espelho e não estou a sentir bem esta roupa, eu vou mudar, porque eu sei que aquilo vai ter influência na forma como eu vou estar a conviver com as pessoas. Vou estar 100% consciente: "Ai, estas calças não me favorecem." E vou estar o jantar inteiro a pensar nas calças que não me favorecem e que ninguém reparou.

Sabes uma coisa que eu pensei esta semana e que me deixou triste em relação a ter chegado a essa situação, mas, por outro lado, eu vou mudar essa situação? Eu sinto que, apesar de eu gostar de maquiagem, de me arranjar, de roupas, sempre gostei, nos últimos anos sinto que tem sido um bocadinho em stand by. Eu até vou tratar disso, mas é a última coisa e checo tudo que é importante na minha cabeça primeiro. Com o passar dos anos, tenho sentido que eu já não tenho bem um estilo de roupa, parece que já não sei o que eu gosto, o que me fica bem. O meu corpo também tem mudado e eu parece que não tenho essa preocupação de ir adaptando. Eu estava a escolher roupa para ir à Moda Lisboa ver um desfile. Todas as opções que apareciam, eu não me sentia eu. Eu já não sabia o que era eu, porque passou tanto tempo de eu não-

Mas o estilo para mim é mesmo uma cena difícil. Eu sinto que não tenho um estilo definido.

Eu acho que não precisamos ter um estilo definido, mas eu lembro-me de, uns anos atrás, quando eu se calhar passava mais tempo preocupada com isso, eu sabia aquilo que me ficava bem, eu sabia aquilo que eu gostava e não era só uma coisa. Eu podia não ter o estilo definido, mas havia várias peles nas quais eu me sentia confortável. E hoje em dia, parece que eu só me sinto numa determinada coisa, que é extremamente confortável. Não é fato de treino, mas estás a perceber? E eu sinto que é o de tu passares tão pouco tempo a explorar isso, a pensar nisso, quase que já não te consegues ver de uma forma mais arranjada.

Não é uma coisa focar na tua vida ou central na tua vida, é uma coisa que vai ficando sempre em segundo plano. Tenho a certeza que há imensas raparigas que devem estar constantemente no Pinterest a criar looks e todos os dias o look é o momento do dia.

Isso é uma forma de também explorares a tua criatividade e a forma como te comunicas.

Acho isso ótimo, mas eu também passei muito tempo na minha vida a descurar isso, mesmo, por exemplo, a não comprar roupa de tolo. Eu agora já sinto muito mais vontade, lá está, porque começo também a gostar mais de mim e a querer cuidar mais de mim e a querer também cuidar da forma como eu apareço e como me sinto, a confiança que transmite. E sinto que ao fazer isso, também me apetece comprar mais roupa. Fui agora ao Brasil, apeteceu-me andar ali a experimentar, comprei imensa coisa, porque também tenho dedicado mais tempo a explorar um bocadinho essa parte, porque acho que faz toda a diferença, mas demorei também a chegar lá.

Vi um TikTok há pouco tempo, que era de uma rapariga, isto era sobre exercício físico, mas eu acho que se adapta 100%. Que ela treinava muito, tinha um corpo perfeito, ótimo, supersaudável. E ela dizia: "A forma como tu entras numa sala e nota-se que tens um corpo cuidado, diz muito mais sobre ti do que 'ok, tens um corpo bonito'. Diz que tu gostas de ti", pode não ser, na verdade, mas comunica antes de tu entrares. O facto de tu estares com o cabelo arranjado, maquiada ou não, mas te esforçaste de alguma forma ou sentes-te bem nessa pele, vai falar sobre ti. A forma como tu estás vestida vai comunicar se tu és uma pessoa que gosta de coisas mais elegantes, mais criativas, mais isto, mais aquilo, vai falar por ti. E eu acho que tu teres a coragem e passares tempo a: "Ok, eu quero mostrar aos outros como é que eu sou e como é que eu sinto, porque eu gosto de mim. Eu gosto de mim assim."

Eu por acaso estou agora a entrar um bocadinho nessa fase de querer mesmo remodelar o meu armário e tudo.

Também estou super.

Imagina, eu desde que mudei para o Porto há um ano atrás, a maior parte, eu diria que quase 90% da minha roupa, eu não toquei durante um ano. Que isto é gravíssimo.

Até porque já não serve.

Mas eu preciso é de pegar, mas obviamente que é uma trabalheira.

Sim, eu sei.

Pegar e remodelar e experimentar e fazer esse trabalho, porque acho que depois acabamos no dia a dia por pegar no que é fácil e juntar o que é fácil. E eu sei a importância, agora sei a importância, que é também trabalhar essa parte, essa vertente minha. Portanto, quero mesmo fazer isso, porque acho que é absurda a quantidade de roupa que eu tenho aí que não uso e que não me identifico.

Estamos na mesma tarefa. No próximo episódio vimos aqui e dizes: "Já remodelei toda a minha guarda-roupa."

Olha, pode ser a nossa semente. Por acaso a minha semente não é essa.

Olha, a minha pode ser.

Qual é o teu espinho?

O meu espinho vem da síndrome do impostor, de tu assumires para contigo própria que "ok, vou cuidar mais de mim, ok, isto não é fútil". Quando tu assumes esse compromisso, torna-se mais real e tu vais contra alguns fantasmas que estão aqui e que enquanto tu vais colocando como não prioritário e como não importante essas coisas, vai piloto automático e está escondido. E quando tu assumes, as inseguranças tornam-se mais reais. Então é lidar um bocadinho com essa parte. Às vezes vêm alguns comentários que tu dizes a ti própria que não são, falas de formas contigo que não falas com as outras pessoas, és muito mais crítica, comparas-te mais. Eu achava que era uma pessoa que não me comparava a nada. Desde que assumi um bocado este compromisso comigo própria, parece que olho mais para as coisas do lado. Sim, porque antes, como eu me sentia segura em relação-

A não querer saber?

Não. Eu sinto-me segura em relação ao meu trabalho, sinto-me muito confiante em relação a isso e sinto-me muito confiante em relação à pessoa que eu sou, os valores que eu tenho. Sinto-me uma pessoa inteligente, então não me comparo muito para o lado. Como eu se calhar nunca priorizei esta parte exterior e não me comparava. Porque isso não é do meu campeonato, eu não tenho que estar preocupada com isso. Como agora assumi para comigo própria-

É surreal, como para mim é exatamente igual.

A sério?

Sim. E está me a lembrar, por acaso, que quando eu era mais nova, estava na ginástica e era mesmo pequenina, e eu sempre fui muito de gostar de cor-de-rosa, era a minha cor favorita, e gostava de me arranjar e de roupas e fazia desfiles de moda e cenas assim. Chamavam-me dondoca. Sempre me chamaram dondoca quando eu era pequena e eu detestava.

Claro.

E então tentei mesmo ao máximo contrariar isso. Depois passei a detestar cor-de-rosa, de ser a minha cor favorita para eu detestar, eu não conseguia usar cor-de-rosa. E foi tipo uma mudança radical. "Não quero que me chamem dondoca." E eu hoje em dia já estou ok, chamem-me dondoca, está tudo bem.

Eu quero ser dondoca.

Quero ser dondoca. Quero ter esse lado em mim também, quero ter o lado feminino.

Explorar o nosso lado. Sabes aquilo de a gente tem um lado masculino e um lado feminino. E eu não percebo imenso sobre isto, deixa o disclaimer, mas supostamente o nosso lado masculino é um lado muito mais prático, muito mais de ação, muito mais de força, digamos assim, e o nosso lado mais feminino é mais sensível, mais de autorreflexão, mais de detalhe. Eu sinto que o último ano, os últimos anos, foram muito de resolução de problemas, de andar para frente, então o meu lado masculino esteve super ativo.

Eu acho que este lado de empreendedorismo e assim está muito ligado à força de CEO e de levar tudo à frente, é o lado masculino.

Exatamente. E eu sinto que o meu lado feminino esteve tão adormecido que, se calhar, por isso, esse meu lado, porque há uns anos atrás era super de roupas, de não sei o quê, eu acho que isso fez com que o meu lado feminino estivesse mais adormecido e que eu estou mesmo numa fase de sentir que preciso de equilíbrio. Preciso que o meu lado feminino volte.

Deixar de ser o Steven Bartley que usa só T-shirts pretas para não ter de pensar na roupa.

Exato.

Mas eu tive uma fase que era tipo: "bem, isto faz mesmo sentido?"

Eu já tive fases mesmo chocantes.

Mas imagina, nessa fase, eu juro que eu olhava para o lado, via raparigas a comprar roupa, a falar de roupa, a falar de maquiagem, e eu pensava: "Eish!"

Que chatas, não têm nada na cabeça.

"Que chatas, não têm nada para dizer, que fútil." E agora digo: "vai, Mariana."

Não, eu também acho que eu nem tanto à mar, nem tanto à terra. Também me irrita, às vezes estou com amigas minhas que as conversas delas são essas.

Eu acho que o foco não deve ser isso, ou seja, tu não podes pôr o teu valor na tua imagem, mas acho que isso tem que ser um complemento àquilo que tu és.

Uma coisa que tu gostas, tal como eu gosto de futebol, também gosto de roupa e maquiagem e coisas, e não tem mal. Uma coisa, preparares a tua roupa, principalmente se tens eventos e não sei o quê, com antecedência. Eu não fazia isso e não faço muito.

Sim, por exemplo, eu fiz o espetáculo ao vivo. Eu tive três semanas para escolher o look, porque pus mesmo como uma tarefa. Isto é superimportante. E já não sei quem é que me disse, mas que eu estava a comentar a lista de tarefas que tinha para fazer. Realmente eu não tinha pensado nisso da roupa, mas realmente é mesmo importante. E eu senti-me superconfiante no look que escolhi. E ainda bem que tirei tempo para isso, porque acho que é mesmo importante. A minha presença em palco acho que também tem tudo a ver com a forma como eu estou vestida.

Como tu estás vestida visualmente e como tu te sentes. Eu acho que se tu estiveres confortável. Uma das coisas que eu mais gosto que me digam em relação à minha roupa é: "isso é super tu." Porque eu acho que não há nada mais confiante e com o tempo eu sinto mais orgulho em ser eu, em construir as pecinhas que fazem com que seja eu.

Sim, por muito que não tenhamos um estilo megadefinido, tu sabes mais ou menos como é que tu te sentes tu. Por exemplo, estávamos a preparar o espetáculo ao vivo e eu pedi à minha agente, a Ana, para me ajudar em looks. Ela esteve ali a mandar-me imensas opções e eu tinha o conjunto que queria usar, que era até um conjunto todo de ganga, e ela estava a mandar opções de lenços, que ficava superbem um lenço no pescoço. Supercool, super Portuguese girly, cenas. Zero eu, eu não me ia sentir eu. E é muito importante que eu entre em palco a sentir-me eu.

Sem dúvida.

Por muito que o lenço, se calhar, até ficava supergira e supercool, mas eu não ia conseguir estar ali sem pensar, isso ser uma questão, estar em palco e a pensar: "tenho um lenço ao pescoço."

Nunca tive.

Nunca tive. Hoje tenho lenço ao pescoço.

Fala tudo. Antes de tu falares do teu look, ia falar que tu não eras tu.

Posso passar eu então?

Vai. Já metade do episódio para falar da minha rosa.

E vamos fazer uma pausa no episódio de hoje para vos falar do patrocinador deste episódio, a Hiwell, que já falei por aqui várias vezes, que é uma plataforma de saúde mental, de terapia, com vários psicólogos para fazer terapia online. E neste episódio, mais que todos os outros, faz todo sentido em trazermos este tema, porque aquilo que nós estávamos a falar aqui de self-care, de cuidarmos de nós. A terapia, termos acompanhamento psicológico, faz parte tanto da minha vida como da Inês mensalmente, para nos ajudar a desconstruir todas estas ideias, todas estas confusões que vamos tendo no dia a dia, que acabamos por tentar fazer aqui, mas precisamos de ajuda de profissionais, obviamente, para nos ajudar a perceber qual é que é o melhor caminho e como contrariar um bocadinho estes pensamentos de autossabotagem que estamos constantemente a ter. Portanto, fica aqui a minha recomendação. É uma plataforma online com imensos psicólogos que acaba por facilitar todo o processo, que é superdifícil de encontrar o profissional certo para nos acompanhar neste processo. Tenho um código de desconto também para vocês, que é Mariana20, e vou deixar aqui na descrição também, cá embaixo, o link para vocês poderem fazer o download da aplicação. E fica aqui a minha recomendação. Espero que ajude e espero que deem esse passo. Bem, o que eu apontei como minha rosa este fim de semana da Moda Lisboa. E neste fim de semana eu não fui à Moda Lisboa porque não estava com a minha família há imenso tempo, então quis passar também o fim de semana cá em família e fiquei a pensar que há uns tempos, há um ano, talvez, eu sentiria FOMO por não estar lá. E depois fez-me pensar também que, por exemplo, eu hoje vou ter no aniversário de um primo meu e fez-me pensar no oposto, que se eu não estivesse neste aniversário hoje, eu ia sentir FOMO por não estar. E comecei a pensar sobre isto, que se calhar agora posso estar errada, mas sinto que tenho FOMO nas coisas certas.

Isso é tão importante.

Eu penso em mim, na minha cabeça de há um ano e meio, faltar aniversários e não estar aqui no almoço de família, aqueles que nós tivemos este domingo, está tudo ok, porque eu estou na Moda Lisboa, iria sentir FOMO por não estar lá. E agora senti zero.

E se calhar estás na Moda Lisboa, zero confortável.

Zero na minha, zero no meu ambiente.

Não te estavas a aproveitar, mas tinhas que estar lá para marcar o ponto, porque foste à Moda Lisboa.

E fez-me pensar sobre isto, sobre se calhar estou a sentir FOMO nas coisas certas, mas depois voltou o meu espinho, que me fez pensar sobre: será isto menos ambição ou isto é mudança de prioridades?

Não, eu acho que é alinhamento.

Não estamos a falar do caso específico da Moda Lisboa.

Sim, eu não estou a falar da Moda Lisboa. Eu acho que é tu estares cada vez mais alinhada com aquilo que tu gostas, com aquilo que tu queres fazer, com aquilo que te carrega. Eu acho que é mesmo importante isso. Tu estares atenta e ires analisando ao longo dos dias, ao longo das semanas, ao longo dos eventos, o que te carrega e o que te descarrega e quem é que te carrega e quem é que te descarrega.

Sim, mas por exemplo, não falando só deste caso específico, há imensos eventos, imensas coisas giras que eu já não sinto tanta vontade em fazer parte. Não sinto tanta vontade em fazer parte da comunidade digital. Não sinto tanta vontade de estar envolvida em Lisboa e nessas coisas. Sinto vontade quando tenho projetos giros e que me identifico 100%, mas, por outro lado, tenho medo que isso seja uma fase de me desligar mais do meu trabalho e que represente menos ambição nesse sentido.

Eu acho que, obviamente, tens que ir analisando. Ou seja, se se reflete dessa forma ou se as coisas, o trabalho continua a acontecer, tu continuas a querer fazer isto e aquilo, as coisas continuam a andar, mas em direções opostas ao que a maioria está a fazer. Percebes?

Imagina, eu fiquei tanto tempo só focada em trabalho e era a minha ambição número um e o meu foco número um, que para mim ainda é esquisito. Isto vem também com estar de volta ao Porto, com ter menos coisas ligadas ao meu trabalho aqui presencialmente a acontecer. E também estar mais numa cabeça de família e ter esta ambição também no futuro de criar família e estar a dar passos nesse sentido, que me faz um bocado de confusão de que será que eu estou a perder esse meu lado, esse meu drive, porque estou a canalizar tudo para assentar e estar na minha.

Ontem vi um vídeo que era uma pessoa, uma mulher, que já era mais velha, tinha filhos e não sei o quê, e o vídeo era ela a trabalhar, a fazer várias coisas e o que estava escrito era algo como: "Não há nada mais poderoso do que tu mostrares aos teus filhos que eles podem e devem seguir os sonhos deles." Ou seja, não é tu dizeres, é tu mostrares e tu fazeres. E eu acredito piamente que uma coisa não vai contra a outra. Ou seja, tu quereres assentar, tu quereres constituir família, tu quereres estar mais perto dos teus, não é sinônimo de tu não seguires os teus sonhos ou não trabalhares.

Mas é esquisito, percebes o que eu digo? É esquisito para quem viveu muito tempo para o trabalho.

Eu acho que isso são dores do crescimento, porque tu vais ter sempre que dizer que não a algumas coisas para dizer que sim às certas e às que estão mais alinhadas com aquilo que tu queres. E vais ter sempre essa sensação de: "Estou a fazer a escolha certa? Eu estou a fugir ou eu estou a ir ter com aquilo que eu quero?"

Por exemplo, os anos em que eu estava a trabalhar mais na Flare e tudo mais, as noites eram passadas a trabalhar, sempre. Eu hoje em dia, as minhas noites são passadas a ver séries no sofá. E eu sinto culpa ainda por fazer isso, porque sinto que devia estar a fazer outra coisa.

Olha, eu agora estranho. Eu este fim de semana trabalho o fim de semana todo. Estou para aí há 10 dias sem folgas. E eu durante meses, anos, eu nunca tinha folga. Para mim, eu não diferenciava o fim de semana da semana, era sempre igual. E eu ontem, segunda-feira, não senti que era segunda-feira, porque trabalhei os dias todos e fiquei tipo: "Ei, calma aí, eu preciso de uma folga. Isto não é assim. Eu não gosto disto assim, não me sabe bem." Eu acho que é normal, obviamente, é uma mudança.

De fazer as coisas para mim que estão certas e que estão alinhadas com aquilo que eu quero agora e que me fazem sentir bem e eu estou feliz. Não é esse o ponto. O ponto é a minha cabeça ainda mata ou sabotar um bocadinho nesse sentido. Porque acho que foi muito tempo assim.

Há de o fazer sempre, eu acho.

Mas se calhar também é bom ter um bocadinho este meu lado que puxa por mim.

Sim, eu acho que a dualidade é o feminino e o masculino, se calhar. Vai-te sempre puxar e equilibrar.

Pronto, em relação à minha semente, para além de arrumar o meu armário, como estávamos a conversar, também já falei várias vezes, acho que em podcast, que um grande objetivo este ano é cozinhar mais.

Sim! Tu achas que eu não cozinho?

Eu tenho cozinhado mais, só que tenho feito coisas, porque janto agora praticamente todas as noites em casa com o meu namorado e é ok, frango com arroz, cenas mesmo básicas. Ainda no outro dia sentei-me a fazer uma lista de receitas e de refeições que eu quero começar a explorar e quero mesmo obrigar-me. Porque eu adoro, imagina, no fim de semana fiz uma cena mega simples, que foi granola, demorei meia hora e agora como a granola, eu fico tipo: "Ah, fui eu que fiz!"

"I made it."

Fui eu que fiz. Eu fico mesmo feliz a comer a granola, que foi básica de fazer, foi meia hora, mas eu gosto mesmo de cozinhar e acho mesmo que pode ser um hobby Ou uma vertente, uma camada da minha vida que me traga esse lado criativo.

Sim, tu és super essa pessoa que é: "Dá-me uma coisa nova que eu vou ficar obcecada com ela."

Imagina, o meu pai cozinha imenso. Ele tem muito jeito, ainda agora foi tirar mais um curso de culinária. Ele está sempre a fazer cursos e agora diz que nos vai dar um workshop a todos para nós aprendermos a cozinhar, porque eu gostava mesmo de aprender e acho que seguir receitas consegues, mas há técnicas que tu precisas mesmo de aprender.

Sim, há aquelas pessoas que cozinham mesmo bem.

Sim, imagina, tu fazes um bolo, tu segues a receita. Agora, cozinhares salgados, comida, é preciso tu teres jeito e técnicas, portanto quero explorar isso.

E quanto mais tempo tu fazes e com gosto e com tempo.

Vais mais aprimorando.

Sim, e vais ganhando gosto. Eu não sou ótima a cozinhar, mas eu gosto. Eu gosto quando estou ali com tempo a fazer, quando é para despachar só para comer.

Eu adoro receber amigas em casa e cozinhar entrada, prato, sobremesa. Adoro! Fico ali três horas na cozinha. Adoro!

Sim.

Mas não faço muito isso.

A minha dificuldade, eu quando vivi em Lisboa fazia muito. A minha dificuldade agora tem sido cozinhar só para mim.

Pois.

Eu acho que muitas gente vive nessa questão. As pessoas vivem sozinhas e é difícil cozinhar só para ti. Mas eu tenho assumido para mim, isto é amor-próprio. Bora! Não é porque eu comi sozinha que tenho que comer leite com cereais. É uma seca, porque é difícil fazer as poucas quantidades e do nada fazes uma receita e uma semana a comer a mesma coisa.

Sim, para mim, na minha cabeça é tipo: "Vou perder tempo a cozinhar quando podia estar a fazer outras coisas." É mais isso. Mas eu gosto do tempo da cozinha e tenho é de me lembrar mais disso. Portanto, forçar um bocadinho no início. É um hábito, é como ir treinar.

E uma dica que tu podes fazer com o teu namorado é um dia por semana, e pode ser à vez um e outro, guarda uma receita que veem nas redes sociais e experimenta fazer essa receita juntos.

Quero muito fazer isso.

É um hábito mesmo giro.

Tenho imensas receitas guardadas, acho que toda a gente tem sempre imensas receitas e depois não se faz nada.

Sim.

E eu quero começar a fazer isso. Até estou a pensar mesmo criar uma série no Instagram.

Isso é giro.

Aquelas receitas estão guardadas e eu vou fazê-las. Vou ter o compromisso e vou fazê-las.

Sabes que isso é das partes mais giras de trabalhar com as redes sociais, que é coisas da tua vida, tu consegues materializá-las, criar memórias com elas e elas vão para mais pessoas. Consegues-

Passar essas ideias

...tirar uma coisa maior do que aquilo que poderia ser. Isso é muito fixe.

Bem, viagem ao Brasil. Conta-me tudo. Olha, eu adorei, fui sem expectativas. Basicamente, a minha irmã queria muito visitar o Brasil e por isso é que eu decidi ir nesta viagem numa ótica de era uma viagem de família, fui com os meus padrinhos, meus primos, fomos bastantes. Então foi muito giro nesse sentido. Mas eu fui sem expectativas, eu não pesquisei nada, eu não sabia nada, fui tipo: "Levem-me, façam o plano e o que for."

Sabes, quando tu me disseste que ias para o Rio de Janeiro, eu fiquei tipo: "A Mariana no Rio de Janeiro?"

Não associavas ao Rio?

Não, não associava.

Mas eu adorei mesmo. É qualquer coisa, é a vibe, é o ambiente, é boa música, é tudo bom. Boa vibe. Senti-me sempre 100% segura. Nós estivemos principalmente a maior parte do tempo Ipanema, Leblon, que é as zonas das praias. E tu não sentes bem que estás no Rio.

Não?

Porque é tudo muito seguro. E quem vive lá é malta com dinheiro ou então são turistas.

Ok.

Portanto, é um ambiente um bocadinho à parte. Quando tu vais ao centro do Rio, que é onde tem a escadaria de Selarón.

Porque já me disseram que Copacabana é mais perigoso. É isso?

Não, Copacabana ainda faz parte das praias. Copacabana e Ipanema.

O centro do Rio não é nas praias.

O centro do Rio, tens de apanhar um Uber e 40 minutos de Uber e vais ao centro do Rio, que é mais para cima, é longe das praias. E nessa zona dá para sentir o Rio e dá para sentir os sem-abrigos por todo lado, ambiente assim meio manhoso. Tens aí de mesmo ter cuidado com os telemóveis. Imagina, eu fui correr em Ipanema com o telemóvel na mão e a gravar tudo, as pessoas a criticar no meu vídeo que eu pus no Instagram, tipo: "Com o telemóvel na mão, vai ficar sem ele." Mas naquela zona tu sentes zero, tu sentes mesmo que podes estar à vontade. No centro do Rio era sair do Uber e guardar o telemóvel, logo. Houve um Uber que até nos disse: "Olha, vocês já estiveram aqui nesta zona?" Nós: "Não." "Então olhem, tenham cuidado, é perigoso, guardem os telemóveis." E foi num dia em que estava a chover, nós fomos ao shopping de manhã e depois à tarde fomos ao Saara, que é a zona do centro onde tem lojas, mas tipo quase como se fosse a Varziela, sabes? Daqui. Muitas lojas tipo manhosas, baratíssimas, preço da chuva. E o ambiente efetivamente estranhíssimo. Mas guardar o telemóvel, nunca tirar o telemóvel. E nesse dia aconteceu duas situações, que era isso que eu te queria contar. Nesse dia à noite, vou começar pela mais leve, que nós fomos jantar e depois estávamos na zona de Ipanema, portanto uma zona ótima, restaurante ótimo, só que quanto mais tu te afastas das praias para cima, menos gente tens, então mais perigoso é, principalmente à noite. Mas nós queríamos ir a uma pastelaria que ficava um bocadinho mais para cima, fomos a pé. E passamos por um grupo de sete meninos de 15 anos, que eu estava com o telemóvel na mão, sempre com a fita enrolada, não sei o quê, mas estava a seguir o mapa, e eles passaram por mim e olharam-me de alto a baixo Estava com a carteira, mas com o telemóvel na mão e claramente veem o meu telemóvel, um bom iPhone, ficaram de olho. E a minha prima estava mais um bocadinho atrás e depois o meu padrinho atrás dela. Eles passam todos por mim, olham-me de alto a baixo e depois vão ter com a minha prima. Iam lhe pedir o telemóvel, mas o meu padrinho chegou-se ao pé dela e eles depois bazaram. Mas se ela estivesse sozinha, provavelmente tinham lhe tirado o telemóvel. Mas isto aconteceu porque foi numa zona em que não estava ninguém na rua e era de noite.

Pois, toda a gente diz para tu nunca andares sozinha.

Estávamos em grupo, mas aí foi o único momento que eu tive medo.

E se calhar pensaram: "Ok, não é para repetir."

Não é para repetir estar sozinha à noite. Ou seja, quando tu estás em sítios muito movimentados, restaurantes, bares, tu estás bem, tu não te sentes insegura. Mas aí, foi o único momento. Nesse dia à tarde, quando saímos da Uber, nos fez esse comentário e fomos às lojas.

Aí foi o pior momento.

Assisti a um tiroteio.

Ai, meu Deus! Estás a gozar?

Juro.

Tipo como nos filmes?

Olha, parecia que estava dentro de um filme. Nós estávamos a andar a pé.

É que há bocado, antes de gravarmos, eu disse à Mariana: "Então como é que foi o Rio?" E ela: "Vou-te contar no podcast."

É assim, eu adorei a experiência, senti-me sempre segura. Eu não quero de todo que esta história desvirtue isso e que achem que eu estou aqui a tentar que as pessoas não vão ao Rio.

Claro, sim.

Estamos aqui todos vivos.

Eu assisti em São Tomé e Príncipe a tiros.

O que é que aconteceu?

São países diferentes.

Estávamos a andar a pé para ir em direção às Escadas Selarón, que são aquelas escadas supercoloridas onde as pessoas tiram fotos. Centro do Rio. De repente, ouve-se um barulho e o meu primo vai ter com a minha prima e diz assim: "Vou gozar com elas, vou dizer que isto foram tiros."

Olha, isso é o karma.

E vem ter conosco e diz que são tiros. E de repente vemos o gajo a correr com uma arma na mão, atrás de um menino.

Um menino pequenino?

Era um menino para 16 anos, bué magrinho, a correr feito louco. E estava um senhor bem formado com uma arma na mão, provavelmente um polícia à paisana, que começa a disparar para o ar. E de repente estamos nós a 20 metros a ver isto acontecer, parecia um filme, literal um filme. Mas estava imensa polícia, porque no centro tu sentes que está polícia e carros por todo lado.

Pois, como é uma zona que não tem mão para a quantidade de coisas a acontecer, mas tem muita gente.

O mais grave é que aquilo para eles foi normal.

Ninguém se assustou.

Ninguém se assustou. As pessoas continuaram a andar, a passear como se nada estivesse a acontecer. Se fosse em Portugal, de repente: mira.

MTV.

Lá é tipo: "Bem, passou ali um gajo a mandar tiros para o ar."

Bora.

Seguiu a sua vida e toda a gente seguiu a sua vida. Mesmo estranho. Vivi uma cena de um filme.

Até posso contar essa experiência que eu tive em São Tomé. Nunca me senti insegura, supertranquilo, é um bocado choque cultural, porque eles chamam-nos brancas e existe muito isso dos brancos, então das brancas. Tu andas nas ruas e estão sempre em cima de ti. No início, eu sentia-me muito sufocada e muito: "O que é isto?" Mas depois de passado tempo, estás ótimo e nunca te sentes insegura, até porque lá se acontecesse um problema com turistas é muito grave. Mas nós estávamos numa discoteca à noite, superfixe, aquelas discotecas ao ar livre, incrível, e tu tinhas que ir lá fora para ir à casa de banho. Não havia casa de banho, ias lá fora. E quando nós estamos lá fora, está imensa gente cá fora, à porta da discoteca. E do nada, um rapaz pega numa pistola e começa a dar tiros para o ar. E nós ali a olhar, só vemos o segurança: "As brancas para dentro." Porque nunca pode acontecer nada.

As brancas para dentro.

As brancas para dentro. Pega em nós as duas, mete-nos dentro da discoteca e nós: "Ok, vamos continuar a dançar." Como se nada fosse. A preocupação deles era, lá está, não sei se era nós não vermos aquilo ou se era não nos acontecer nada.

Se calhar os dois.

Se calhar os dois. Mas foi assim uma cena que eu tipo: "Ok, nunca vi alguém a dar um tiro."

Mas é surreal, porque pensas em isso acontecer no teu país e era toda uma cena.

Sim.

Mas bem.

Mas overall...

Overall, comida incrível, adorei. Fomos também a uma zona que fica a quatro horas do Rio, que é Búzios. Paradisíacas as praias, lindo. E aí tu não sentias que estavas no Brasil, porque principalmente a malta falava toda espanhola.

A sério?

Toda espanhola, mesmo a malta a trabalhar. Muito espanhola.

Por algum motivo?

Porque basicamente acho que é um destino que muitos argentinos vão para lá. Por quê? Porque é perto do Rio, mas é 100% seguro. Mesmo os taxistas diziam: "Isto não tem nada a ver, aqui não há mesmo qualquer tipo de assaltos."

Uma coisa que eu gostei de ver pelos teus olhos da tua viagem ao Rio é que primeiro tu foste muito perto do Carnaval.

Estava vazio.

Nas redes sociais eu tive muitas amigas no Carnaval no Rio de Janeiro. É muito festa, álcool, curtir, que eu acho superfixe, mas também é mesmo giro ver o Rio de Janeiro de outra forma, que tu falavas muito da cultura do desporto, tatuagem na rua.

Super, mas tu não estás bem a perceber. Eu nunca fui ver o nascer do sol. A minha madrinha ia várias vezes que o nascer do sol era 5:45. Era tipo "uau"!

Todos férias.

Não, é isso. Eu ainda pensei, mas eu depois também fiquei um bocado doente, estava a dormir mal, com tosse, então acabei por não ir. Ia correr, mas ia tipo 7:30. Mas ela foi várias vezes. Ela dizia que o mar estava cheio já de malta a fazer stand up paddle, surf. Malta às 6:00 a jogar vôlei na praia.

Que fixe.

As praias têm todas redes Ginásios, imensa gente a correr a toda hora. Tu sais à rua, até te sentes mal por não estar a fazer desporto.

Que giro!

É esse nível. Tens aulas de ioga e pilates gratuitas na praia.

Eles têm muito a cultura do corpo.

Nós marcamos, não fomos, porque começou a chover nos últimos dois dias, mas tínhamos marcado uma aula de soul cycling, como nós fazemos aqui, na praia.

Que giro!

Na praia de Ipanema. Super giro. Nós compramos os créditos e tudo, só que depois cancelaram por causa da chuva. Porque o Brasil, basicamente, como eles não estão habituados a chuva, não está preparado e eles deixam mesmo de viver. Eles fecham-se em casa. Está a chover, não se vai à rua. As crianças não vão à escola quando chove.

Mas chove torrencialmente ao ponto de...

É tropical, portanto, quando choveu, houve um dia que choveu duas horas, fica tudo alagado porque eles não estão com as estradas preparadas pra isso. Então chove agressivo porque é tropical, era uma chuva que aqui no Porto está tudo bem.

Sim, pensa, mas Lisboa também há muito pouco tempo não estava preparado pra chuva e quando chovia muito ficava tudo alagado.

Sim, mas aqui estamos a falar de chover uma hora, uma hora e meia e já ser o fim. Nós estávamos com uma brasileira que estava sempre a receber mensagens tipo: "Alerta, não sei o quê." E foi só uma chuvinha, mas eles recebem os alertas, tipo: "Vá pra casa."

Porque aquilo não está preparado em termos de saneamento e nada.

Pronto, então nós também, dois dias inteiros no Rio sem nada pra fazer.

Só que foste às compras.

Fui às compras e comprei imensa coisa e foi ótimo. Mas foi nesse dia que depois aconteceram essas coisas todas.

Pois, mesmo.

Porque fomos pro centro passear. Mas pronto, eu recomendo muito o Rio, quero muito voltar outra vez.

Quero muito ir também.

Gostava de voltar também numa vibe de amigas e assim pra aproveitar a noite. Não diria Carnaval, e que toda gente nos dizia que o Rio estava vazio nesta altura, porque pós-Carnaval a malta vai toda embora. Ainda é verão, mas é época baixa. Então estava mesmo vazio, estava ótimo.

Pessoas que já foram em Carnaval e não Carnaval disseram que país pra o Carnaval é país curtir só o Carnaval. Porque acho que ficas três horas naqueles restaurantes mais conhecidos à espera, tens mesmo filas pra tudo e mais alguma coisa, está tudo cheio. Isto foi feedback que me deram, se alguém quiser este feedback, e que és noutra altura pra curtires o Rio, porque há muita gente no Carnaval diz: "Vou duas semanas que é pra ter uns dias a curtir só o Carnaval e outros a turistar", mas depois não consegues turistar bem.

Porque está sempre cheio de gente em todo lado. Sim, eu digo que não iria pro Carnaval porque acho que não estou nessa vibe de conseguir aguentar tanta festa. Eles saem às 7:00 para ir pros blocos.

Direto.

E ficam até às 11:00 da noite, meia-noite, acho que é demais.

É assim, eu gostava, pra mim, Carnaval de Rio de Janeiro é daquelas coisas que está na minha bucket list, eu gostava de fazer uma vez na vida e todos os anos adio. E depois sinto que já não falta muito pra se calhar não ser o timing pra ir. Eu gostava ter essa experiência, mas não gostava de ir imenso tempo.

Sim, mas é assim, eu acho que as pessoas quando depois entram na cena, tu vais gostar. Não há como. Eu imaginar estar agarrada, a colar a pessoas, não sei.

E também podes fazer uma viagem consoante aquilo que tu gostas. Eu vi imensas viagens de amigas minhas, fizeram viagens completamente diferentes umas das outras, porque umas gostam mais de ir pra blocos, outras preferem ir aos camarotes, outras preferem... Acho que tu também adaptas.

E tens alguma viagem marcada tu, entretanto?

Olha, viagem grande ainda não tenho nada marcado. Vou pra Madeira passar meu aniversário esse fim de semana. Eu estou sempre a ir à Madeira. Adoro. E estou sempre a ir, que é super pertinho aqui em Portugal, e vou muito, mas ainda não tenho nada assim programado. Sinto que com ter comprado casa e assim, estou um bocado ainda a não fazer grandes planos financeiramente.

E como é que vai a tua situação financeira?

Estou muito melhor, mas eu sinto que viver sozinha, mesmo sozinha, sem outra pessoa, eu senti uma alteração mesmo grande financeiramente. Sinto que é muito exigente.

Gastas mais?

Claro, deixas de dividir imensa coisa.

Supermercado e assim.

Tudo. Renda.

Tens agora uma prestação bem superior ao que pagavas, se calhar. Porque era uma renda a dividir por dois.

Sim, é por causa disso. Ou seja, eu sinto que é difícil e é assustador a quantidade de pessoas que se juntam por questões financeiras. Eu tenho tido cada vez mais essa noção e isso é superassustador.

A sério?

Sim, ou seja, eu até queria ir viver sozinha e tenho namorado, mas eu sei que eu não consigo sozinha.

Claro, pra dividir a renda, claro, mesmo lógico.

E isso é um bocado assustador.

Eu durante muito tempo, eu tinha uma casa em Lisboa T2 e eu subarrendava a amigas o meu quarto, o segundo quarto.

Sim, é muito difícil.

Todo o tempo que eu estive em Lisboa, eu estive a subarrendar.

É superdifícil. Pela minha experiência, tu tens que ter um ordenado e trabalhar mesmo muito para conseguir ter uma vida sozinha. E tenho falado, mesmo pessoas que se mudam em conjunto. Os primeiros meses são de muita adaptação financeira a tudo, a todas as despesas, porque são sempre mais e mais coisas. E eu menosprezei um conselho que a minha mãe me deu e que vou dar aqui quando eu fui viver sozinha e comprei casa. Minha mãe disse-me assim "Filha, olha, agora vai ser uma grande alteração, financeiramente tu vais sentir, mas não te preocupes, eu ajudo-te. Podes estar descansada em termos de alimentação e tudo, podes vir sempre comer na minha casa ou eu faço toda a questão de pagar as compras de supermercado e de garantir esse lado." E eu fiquei: "A minha mãe acha que eu não vou conseguir." Na minha cabeça: "Eu fiz as contas todas, por que a minha mãe me está a dizer isto? Que estupidez, eu fiz as contas e o passo que eu vou dar, estou super segura e estou super confortável. Isto de todo que não é acima das minhas possibilidades financeiras." E depois, lá está, os nossos pais têm sempre mais experiência e sabem sempre mais do que nós. Mas é uma realidade completamente diferente quando tu dás este passo de independência, porque é tudo mais. E quando tens uma alteração grande.

E depois queres manter também o teu estilo de vida.

Exatamente.

E fazer as coisas que toda a gente faz, ir a restaurantes, viajar na mesma.

Exatamente. E eu tenho sentido que quando tu vais viver sozinho, nos primeiros meses, normalmente, tu vais ter que fazer mais escolhas. E as viagens não têm sido uma prioridade.

Sim, eu também tinha no plano deste ano não fazer viagens grandes, era a minha ideia também numa ótica de comprar casa este ano. Mas entretanto surgiu esta viagem ao Brasil, pronto, já fomos ao Brasil. Mas de resto, acho que também não vou entrar por aí, porque lá está, temos de definir prioridades.

Tens sempre que contar com mais do que aquilo que quando vais fazer uma alteração, eu acho que tens sempre que contar mais do que o que tu estás à espera gastar.

Sim, imagina, no meu caso, eu neste momento, eu estava em Lisboa, sempre subarrendei, dividi a renda, ou seja, era super ok. Quando vim para o Porto morar, nos primeiros meses ainda não tinha o apoio da Porta 65 que eu submeti, então aí estava a sentir imenso o peso de uma renda completa. Mas entretanto com o apoio já fica muito mais leve, porque no meu caso foram 50%, que é imenso. Mas agora comprando casa, tendo a prestação da casa, vamos voltar a eu ter um peso grande e vou sentir uma diferença grande.

Sim, sentes uma diferença grande em despesas fixas e depois é toda uma oscilação nos primeiros meses. Eu tinha despesas divididas em duas pessoas, voltei para a casa dos meus pais, eu pelo menos deixei de ter despesas, e depois vais viver sozinha. Então é um bolo todo grande que se acumula, não é só o empréstimo da casa, é a luz, a água, que nos primeiros meses ainda vai oscilando bastante, porque se calhar no primeiro mês ainda estás em mudanças e as despesas são menores. Depois, em inverno, a luz aumenta imenso. Depois são tudo internets, mobília, obras que tu tens que fazer. E até tu estabilizar e perceberes de facto: "Ok."

É isto que eu preciso.

É isto que eu preciso. Agora sim, já estou acostumada a ter estas despesas, já adaptei também, se calhar, e aprendi a poupar aqui e ali em coisas que também não interferem tanto com o que eu gosto de fazer, com o meu dia a dia. Agora sim.

Mas como é que tu defines, por exemplo, quantas vezes é que vais jantar fora ou se vais a esta viagem ou não? Como é que fazes essa gestão? Ou não há uma regra?

Eu sinto que eu estou a aprender ainda a fazer essa gestão e sinto que é isso que é difícil, porque tu ficas frustrada. Eu sinto que estes primeiros meses de viver sozinha, tenho me sentido um bocado frustrada nisso, que é, primeiro, vou me sentindo um bocado fora do controle em relação a isso, porque quero continuar a não ter que pensar quantas vezes é que vou jantar fora, porque eu não sou pessoa de todas as semanas ir a restaurantes que gasto €100. Não, é mais o jantar fora habitual, gastas €20 ou €30, mais em convívios com amigos. Mas se tu fores somando, dá um bolo grande. Mas eu já há uns anos, desde que sou mais financeiramente independente, não tenho que contar quantos jantares é que eu faço com amigos. E agora tento não o fazer na mesma, mas a consequência é que sinto-me mais fora do controle.

Mas o apontar quanto gastas não o ajudaria nesse sentido?

Eu acho que ajuda, mas mais do que isso, o que me ajuda a mim, porque eu acho mesmo importante tu não menosprezares os convívios com amigos, eu acho que é mais quando tu estás contigo própria. O mandar vir comida, às vezes Ubers desnecessários, compras por impulso. É aí que eu tenho tentado e que tenho feito o maior esforço, porque isso são as coisas que na verdade são prazeres momentâneos e não têm um impacto efetivo na tua vida. O convívios com amigos, o viagens, são as coisas que eu tenho tentado manter, porque para mim são as mais importantes.

Sim, no fundo, acaba por ajudar o não encomendar, por exemplo, acaba por ajudar a tudo, à carteira, a cozinhar mais, a comeres mais saudável. Mas acho que o comodismo é muito prático.

E por quando tu estás habituado. Eu fico chocada. Quer dizer, eu ficava chocada. Às vezes em podcast estou a ouvir e o pessoal diz que encomenda comida todos os dias. Não cozinha, encomenda comida todos os dias. Eu ficava muito chocada. E ok, eu nunca cheguei ao ponto de encomendar comida todos os dias, mas é um hábito.

Há pessoas que encomendam três vezes por dia ou mais.

Sim, é isso.

Há pessoas que encomendam o jantar e depois apetece uma sobremesa, encomendam a seguir, depois apetece não sei o quê, encomendam de outro sítio. E isso é rotina.

E eu acho que isso é um hábito Isso é um péssimo hábito.

Mas eu quando estive, por exemplo, em Barcelona e em Lisboa também, encomendava muito. Gastava mesmo muito dinheiro em Uber Eats.

E eu sinto que quanto mais dinheiro tu tens, se tu implementas esses hábitos, é mesmo difícil de voltares atrás.

Eu acho que também é teres obviamente as possibilidades, mas eu nesta fase em que isso aconteceu, eu não tinha noção do que é que estava a gastar.

Ok.

Portanto, para mim, o eu apontar, o eu ter noção dos meus gastos e eu querer diminuir os meus gastos e ganhar o mês passado, é tipo: "Gastei aquilo mês passado, agora tenho que ser melhor." Ter este joguinho comigo e apontar tudo e ter noção, consciência das minhas finanças, ajuda a que eu não queira encomendar tanto.

Sim.

Portanto, acho que é um bocadinho como dos dois.

Pois, sim, mas eu sinto muito mais pressão quando estou em fases que estou mais apertada. Sinto que sou muito assim e isso irrita-me. Eu acho que isso ajuda imenso, principalmente quando tu estás super estável financeiramente. Porque eu acho que quando tu tens menos, tu vais poupar, porque tu não tens. Então eu acho que tu teres objetivos, mesmo específicos, são ótimos para tu brincares contigo própria. Brincar com dinheiro, mas para tu jogares contigo própria. Porque senão é muito difícil para ti tu dizeres ao teu cérebro: "Mas por que eu não hei de encomendar? Eu mereço. Eu estou aqui a trabalhar há horas."

Sim, porque para mim não é só pelo dinheiro.

Sim.

Acaba por ser por outras coisas.

Saúde.

Pesa também bastante.

Sim.

E é tipo agora queres ser uma adulta, responsável e cozinhar. E não estamos a falar só cozinhar, tipo viagens de Ubers e coisas assim.

Olha, eu este fim de semana fiquei super orgulhosa de mim, que estava em Lisboa a trabalhar e quando tu começas a estar mais confortável, tu deixas de te lembrar de pequenas coisas que tu fazias quando eras mais nova, tipo andar de transportes públicos. Eu, do sítio em que eu estava a ficar hospedada ao meu trabalho, eu demorava metade do tempo de transportes públicos do que de Uber. E eu só percebi isso no segundo dia e pensei: "Eu estou a ser burra, eu estou a gastar muito mais dinheiro e muito mais tempo." E depois comecei a ir de transportes.

Sei lá, muitas vezes eu sinto que é uma coisa que eu já faço muito melhor, mas eu fazia muitas vezes de ir buscar um café a algum lado. Tipo um latte, porque sabe bem e porque romantizar a vida, não sei o quê. Aí são tipo €5, €6, se calhar, às vezes, à vontade, por dia.

Sim, o tracking ajuda imenso nisso. Eu fico super orgulhosa quando passa um dia e eu gastei mesmo pouco dinheiro naquele dia. Adoro isso. "Eu gastei mesmo pouco."

Mas por isso é que é bom apontar tudo, para teres noção disso. E acho que há tanta gente, e eu, por exemplo, estou a entrevistar também muita gente para aquele podcast de finanças do Universo, do cartão Universo. E eu fico chocada, é tipo pessoas, pessoas feitas, adultos, que não têm noção de quanto gastam, não têm noção das finanças. E fico mesmo orgulhosa por nós estarmos a mudar isso. E a ter consciência da importância, porque toda a gente diz: "Eu sei, eu devia." Mas depois ninguém faz.

Pois não. Sim, e faz uma diferença gigante tu apontares. E consciente, estás muito mais consciente.

Uhum. De cada atividade.

O tracking é uma coisa ótima na vida. Claro que não é fixe ser crazy em relação ao tracking.

Desde que não te limite. Há muitos trackings que eu acho que depois podem se tornar um bocadinho obsessivos.

Sim.

Gené aquelas coisas de hábitos e assim, já fiz durante muito tempo isso, acho que ajuda numa fase inicial, mas depois pode se tornar um bocadinho obsessivo, de que não estás a cumprir, estás-te a dar na cabeça por isso. Agora, o financeiro, desde que não te limite, que tu fiques obcecado e deixes de viver para conseguir cumprir com aquilo.

E acho que há imensas pessoas que o tracking financeiro pode servir mais numa fase inicial para se consciencializar e para perderem alguns hábitos. O hábito do café.

E para perceber para onde é que está, para que segmentos é que o dinheiro está a ir. E tomar: "Ok, é neste segmento aqui de restaurantes, por exemplo, que eu tenho de melhorar."

Sim.

E se calhar não precisas de fazer todos os meses, mas vais tendo noção de onde é que podes trabalhar.

Sem dúvida.

Bem, temos mais alguma coisa?

Não tens nenhum overshare para fazer, nada?

Não, olha, só te queria perguntar se tens sentido Mercúrio retrógrado.

Retrógrado.

Retrógrado.

Retrógrado. Acho que é retrógrado.

Retrógrado.

Retrógrado.

Tens sentido? Está a ser agora.

Não, mas agora que me disseste vou sentir.

Pois vais, agora vais estar atenta.

O que é que se passou? Sentiste alguma coisa?

Senti, duas.

Em quê?

Olha, tive um episódio que nunca me aconteceu na vida, eu uso Red Express FlixBus imensas vezes. Estava a ir para Lisboa e estava com a minha mala de cabine da American Tourister, tipo rígida, preta. Vou para Lisboa com a minha malinha para gravar no dia a seguir podcasts. Tinha lá imensa coisa de valor, imensa roupa, tudo. Saio do autocarro, pego minha mala e vou para casa. E estou a abrir a mala para trocar de roupa para ir para um evento a correr que eu ia ter a seguir. E a mala está fechada, eu: "Ah, eu não fechei a mala com código, o que é que se está a passar?" Não era a minha mala. Eu tirei a mala de uma pessoa aleatória e percebi em casa.

Que mau! E depois, quanto à outra pessoa?

Pânico. Pois, quanto à outra pessoa também.

E de ti.

E a culpa foi minha, porque eu saí primeiro. Então eu levei deliberadamente a mala de outra pessoa.

E como é que conseguiste solucionar? Ligaste para a Red Express?

Liguei a eles. "Preencha o formulário de perdidos e achados." Eu: "Não está a perceber."

Isto é grave.

Isto é grave Mas tinha deixado o formulário.

A pessoa podia roubar-te as coisas ou tu as dela.

E a minha não tinha código.

E é muito difícil.

Voltei a Oriente, fui à cena da Red Express e correu tudo bem, porque o senhor tinha feito a mesma coisa, tinha ido lá, deixado um contacto e passado 10 minutos estava lá ele com a minha mala.

Que bom!

Bem triste porque perdeu o voo.

Por tua culpa.

Por minha culpa. Não, por culpa do Mercúrio.

Era um voo para onde? Para Londres, para Cairo?

Não sei, ele era estrangeiro.

Coitado! Aposto que ele perdeu milhares de euros em voos. Meu Deus! Se eu estivesse na tua situação e fosse milionária, o dinheiro não me fizesse falta, eu pagava-lhe o voo.

Eu senti-me tão mal. É que ele disse: "Mas a culpa foi tua, tens noção?" E eu: "Ah!" Porque ele ia sair no aeroporto que era a seguir. Ou seja, fui eu, que não sei, estava a dormir em pé.

Ele disse-te assim com esta cara?

Disse.

Não choraste? Eu chorava logo.

Mas aconteceu-me essa e aconteceu-me outra que estava a correr e caí em cima de um carrinho de bebé com um bebé lá dentro.

What? Ela vê tiroteio, ela perde malas, ela cai em carrinhos de bebé. Amiga!

Olha, é assim, primeiro, porque é que toda a gente ao domingo de manhã se lembra de ir para a Marginal andar a pé?

E bom, não és tu que fazes vídeos de vida saudável?

Eu sei, fazem todos muito bem, estava solinho, ainda bem. Mas fica a Marginal cheia. Há pinta. Foi obstáculos e de repente ponho um pé numa árvore e ando em tambalhotas e caio em cima da mãe do bebé, do carrinho do bebé, e caí no meio do chão.

E ela?

Ficaram todos preocupados comigo. Estava toda lá a noite.

Mas o bebé não se magoou?

Não, magou-se a mãe.

Amiga, tu estás mal.

Pois estou. Foi Mercúrio, mas estamos mesmo a chegar ao fim, eu juro.

Até quando é que está Mercúrio?

Eu acho que acaba tipo...

Mas quando é que começou? É que agora estou a pensar em coisas que me podem ter acontecido.

Não sei. Mas já se está a acabar. Mas pronto, estas foram os meus dois episódios.

Esperamos que não tenhas mais.

Pronto. Estamos a chegar ao fim?

Não, já chegamos.

Já chegamos ao fim.

Amiga.

Já não tenho mais histórias. Não tens nenhuma tu?

Essas histórias foram o milhar?

Então, caí de cara em cima de um carrinho de bebé.

Por acaso também quase caí a descer as escadas da estação, mas não foi grave, não caí em cima de ninguém.

Ontem caí também, torci o pé. A ir para o pilates. Eu fui mesmo ao Google, tipo "Mercúrio", para perceber quais eram as datas. Porque o que é que se passa? Porque é que isto me está a acontecer?

Mas normalmente são coisas mais tecnológicas.

É?

Eu gostava de saber a veracidade.

Mas falhas de comunicação, trocas, acho que a mala tem de ter a ver. Ou é que ando a dormir na vida?

Mas o Mercúrio é mesmo verdade?

Depende do que tu acreditas.

Eu devo ser uma daquelas pessoas que naqueles podcasts, vê aí, põe aqui na imagem, por favor.

Põe aí no ecrã.

Mercúrio, o que é? Se é verdade ou não, digam-nos nos comentários.

É isso. Espero que estejam a lidar bem com esta fase, que eu não estou. Vemo-nos na próxima.

Vamos.

Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?