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Hoje vamos falar de um tema que está cada vez mais presente nas nossas vidas, em todo lado. Nas redes sociais, ouvimos tanta informação que nem sabemos o que filtrar, o que fazer, que é a alimentação. Tantos mitos, tantas coisas que nos dizem, que ouvimos em todo lado. Mas o que devemos fazer, na verdade? O que nos faz bem? O que é mais saudável? O que é só um mito do Instagram, uma trend que não deve ser seguida e aquilo que nós devemos mesmo aplicar para a nossa vida? Eu nunca trouxe aqui o tema da nutrição pura e dura e queria fazer aqui um episódio com uma nutricionista também para quebrar alguns destes mitos, seja jejum, seja o que devemos comer, o que não devemos comer, se devemos fazer 30 dias sem açúcar, ou não devemos fazer. Portanto, todas estas coisas que vamos ouvindo, vamos desmistificar um bocadinho o que é a alimentação e de que forma podemos ser mais saudáveis. Vou sentar-me aqui com uma nutricionista, a Bárbara Oliveira, que provavelmente, se acompanham o tema da nutrição, já a conhecem, dá muitas dicas práticas, receitas práticas, o que comprar, o que não comprar no dia a dia de como planear refeições. E hoje vamos falar um bocadinho de tudo isto, deste tema, deste mundo gigantesco, uma pequena parte do que é a nutrição. E portanto, se têm curiosidade neste tema para aplicar na vossa vida ou se é um tema só que vos interessa e querem aprender mais um bocadinho, eu espero que gostem deste episódio. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume. Olha, eu hoje queria falar também um bocadinho, tocar alguns tópicos relacionados com a nutrição, mas se calhar, antes de entrarmos nessa parte, queria perguntar se tu tens seguido muito aquelas trends que agora existem à volta da alimentação nas redes sociais. E começarmos um bocadinho por aqui, desconstruir algumas coisas que estão constantemente a aparecer agora no feed, para percebermos se faz sentido, se não faz sentido. Tens alguma à partida, eu tenho aqui algumas apontadas, mas alguma que para ti seja red flag máxima e que tu não concordes nada?
Vem-me logo à cabeça uma que agora andam a fazer imenso, que é: metem vários alimentos ou mesmo no vídeo ou pegam mesmo nos alimentos e depois têm uma tabela do gênero: estes alimentos emagrecem ou estes alimentos engordam. E categorizam os alimentos como este emagrece, este engorda. Depois pegam noutro, este emagrece, este engorda. E isso não funciona assim. Portanto, na minha abordagem, tu consegues ter espaço para todos os alimentos e num processo de emagrecimento ou num processo de aumento de peso, tu vais conseguir incluir estes alimentos de que gostas. Claro que tem tudo a ver com a questão de equilíbrio, consistência, bom senso, para quando incluís ou não. Portanto, essa é logo a primeira trend que eu fico .
Mas achas que temos falta de informação, de saber que o déficit calórico é o que emagrece? Achas que é isso?
Eu acho que não, eu acho que há excesso de informação. Eu acho que há muitas pessoas a partilharem muitas coisas e não só nutricionistas, mas há muitas pessoas que falam de alimentação que não são nutricionistas. E isso acaba por dar ideias erradas às pessoas, porque depois as pessoas confiam mesmo nisto que ouvem nas redes sociais. Sejam PTs, sejam coaches, sejam pessoas que nem têm nada a ver com a área de saúde e bem-estar, que dão biteites e as pessoas depois acreditam. E como há tanta informação, às tantas tu ficas um bocadinho perdida sem saber em quem é que acreditar. Então eu acho que nós, nutricionistas, promovemos muito a questão de se queres emagrecer, tem de haver déficit calórico. Acho que é geral. No entanto, a abordagem acaba também por ser muitas vezes diferente. Há pessoas mais restritivas, há pessoas mais tranquilas, portanto, isto depois também varia em quem é que tu segues, quem é que tu segues.
E isso passa por filtrar melhor os perfis que tu segues, as pessoas que tu segues, ou achas que todos devíamos passar por uma nutricionista em alguma fase da nossa vida?
Eu digo muitas vezes isso. Eu acho que toda a gente devia passar por uma nutricionista em alguma fase da vida para aprender algumas coisas base. Sendo que, tal como eu estava a dizer, mesmo dentro da nossa área, existem nutricionistas que têm abordagens diferentes. E está tudo bem com isso. Eu acho é que tu tens de encontrar com quem é que tu te identificas mais e o que resulta melhor para ti. Tal como estávamos a falar, se calhar há alguém que chega ao pé da nossa equipa e diz: "Eu quero emagrecer 10 quilos em quatro meses". E nós vamos dizer: "Olha, se calhar, então nós não somos a equipa ideal, porque nós fazemos um processo que é tranquilo, com calma, vamos fazer pequenas mudanças de hábitos e, como consequência, vais ter resultados. Se calhar, se tu queres muito perder peso rapidamente, então não é a nossa equipa o ideal". Eu diria que todas as nutricionistas vão abordar a coisa de forma semelhante, mas há outras profissionais que se calhar gostam de fazer coisas mais rápidas e que está tudo bem. Desde que seja, obviamente, com saúde por trás. Mas lá está, mesmo dentro da nossa área, há abordagens diferentes.
É como escolher qualquer profissional, seja um psicólogo, tens que escolher uma pessoa com a qual e um método que te identificas.
Exato.
Acho que passa por aí.
Sim, e as redes sociais podem ser uma boa amostra daquilo que nós abordamos, daquilo que nós vamos fazer.
Olha, então vamos a trends que eu apontei aqui.
Certo.
Primeiro, que já se fala há muitos anos de detox, beber aqueles sumos detox para fazer um recomeço. Faz sentido, não faz sentido?
O nosso corpo tem órgãos que têm exatamente esta função de desintoxicar. Se tu conseguires nutrir estes órgãos da melhor forma, se tu conseguires fazer uma alimentação saudável que os deixe com saúde, nutridos, então eles vão estar no seu melhor para conseguirem fazer este processo de desintoxicação. Por isso, tu não precisas, à partida, de estar a fazer nenhum sumo detox desta vida para conseguires desintoxicar o teu corpo. Por isso não faz sentido. Sumos detox não faz sentido.
Mas eu acho que muitas vezes as pessoas fazem isso e sentem logo a diferença, porque estão a perder também muita água.
Perdes muita água.
Num déficit calórico também gigante.
Exatamente.
E se calhar acham que é por aí, mas também consegues desintoxicar o corpo a comer bem.
Exatamente. Tu perdes muita água porque quando retiras os hidratos de carbono, moléculas da água estão associadas às moléculas dos hidratos de carbono, aqui de uma forma mais geral, e acabas por perder bastante água, eliminas bastante água também. E como perdes água, perdes bastante volume, é normal. E as pessoas pensam que estão a perder peso, mas estão, na verdade, a ficar, de certa forma, um bocadinho até mais desidratadas, estão a perder água. Portanto, não é propriamente a forma mais saudável.
Mas acho que as pessoas já começam a perceber que não faz tanto sentido.
Sim, embora ainda se veja muitas coisas nesse sentido.
A trend agora é tudo ser focado na proteína. Isto pra quem treina também tem outro peso e se calhar temos mais atenção a isso, mas há um limite que acaba por ser exagerado, querer muita proteína em todas as refeições?
Antigamente, acreditava-se que o excesso de proteína podia ser mau pros rins. Hoje em dia já se sabe que não é bem assim. Claro que existe um limite, mas existe um limite, tal como existe um limite em tudo. Eu costumo dizer muitas vezes que se tu comeres cenoura todos os dias, a toda hora, também não é bom. E a cenoura é saudável. E lá está, é semelhante à proteína. Existe um limite, porque na tua alimentação geral, tu tens de incluir todos os macronutrientes: a proteína, a gordura, os hidratos de carbono, as vitaminas, minerais, isto são os micronutrientes. Tu tens necessidades, consoante o teu objetivo, tens necessidades, e no teu dia vais ter de ir buscar as calorias, a energia, a todos estes nutrientes, não só à proteína. Então se tu exageras na proteína, já não tens tanto espaço, se calhar, pros hidratos de carbono e pra gordura. Mas também já acaba por ser uma alimentação desregulada. Tu tens que ter um bocadinho de espaço pra tudo, porque todos estes nutrientes vão ser importantes para o teu bem-estar. Por isso, existe esse limite um bocadinho nesse sentido, sendo que a proteína obviamente que é super interessante, mas nós não precisamos assim tanto. O nosso corpo absorve só uma parte e o resto vai excretar, nós não precisamos assim deste mundo e do outro de proteína.
Mas da parte das pessoas que chegam até ti, tu sentes um bocadinho esta tendência?
Esta ideia? Sim, elas sabem que a proteína é importante, ouve-se, até porque os produtos são ricos em proteína, este leite é proteico, mas não vêm até mim já a comer muita proteína.
Ok.
Isto até pode ser uma das coisas que nós trabalhamos muito em consulta. Maneiras de ir buscar fontes de proteína que consigam atingir as suas necessidades ao longo de todo o dia. Só que as pessoas vêm com a ideia errada de que para atingir essas necessidades precisam de incluir a proteína em pó. Exatamente, e não é por aí. Nós conseguimos incluir proteína de várias formas e é um bocadinho esse o nosso trabalho. Não nos chegam tantas pessoas à consulta já a tomarem este mundo e outro de coisas ricas em proteína.
Mas se calhar associa-se a whey, associa-se a barras proteicas, a todos estes produtos mais ultraprocessados.
Ultraprocessados, sim, exatamente. Bem, então as barras proteicas é quase como se fosse um chocolate hoje em dia. Tu vês as barras proteicas e não há necessidade, não há mesmo. Tu consegues ir buscar proteína a outros sítios. Claro, isto varia sempre com as necessidades da pessoa, mas tu consegues ir buscar a outras coisas que se calhar sejam mais interessantes do ponto de vista nutricional. Isto dos ultraprocessados também tem que se lhe diga, porque os alimentos são quase todos processados, sem ser as frutas, vegetais, acabam por ter sempre algum processo por trás. E esse processo nem sempre é mau. Agora, se obviamente adicionarmos gorduras, óleos, açúcares, claro que aí já torna a coisa menos interessante.
Por acaso agora tem se falado cada vez mais também, era um tópico que eu queria tocar, de alimentos naturais, alimentos processados e ultraprocessados. E qual é o risco da nossa alimentação ser muito com base em ultraprocessados? E a diferença dos processados pra ultraprocessados, qual é a diferença?
É o nível de processo que uns e os outros têm. Processado acaba sempre por ter algum processo por trás, tem que ter alguma alteração no alimento original. E muitas vezes as alterações são associadas a refinamento. Eles são como se fossem limpos, e acabam por ter uma absorção mais rápida no nosso organismo. Por exemplo, a farinha refinada, farinha integral e farinha refinada. Qual é que é aqui a grande diferença? A refinada foi mais limada, então acaba por entrar mais rapidamente no nosso organismo e dá-nos um pico de açúcar mais rápido no sangue, que não é muito interessante. Se nós tivermos estes picos várias vezes, podemos ter o desenvolvimento de alguma doença, portanto devemos evitar estes picos de açúcar no sangue. Enquanto que a farinha integral entra mais lentamente no nosso organismo. Mas repara, até chegarmos a uma farinha integral, também já houve um processo de um alimento. Podemos aqui ver um bocadinho essa diferença. E não tem necessariamente de ser má. Porque nós gostamos de ter farinhas para fazerem bolos.
Claro, facilitar a nossa vida.
Facilitar a nossa vida. Também não precisamos de ser radicais, mas podemos, obviamente, optar também pela versão completamente pura, integral, vá, da coisa. Podemos é fazer as coisas assim intermédias. Não é preciso sermos nem oito nem 80. E sabermos utilizar cada alimento.
Mas o que é um ultraprocessado? A lista de ingredientes é maior? Como é que nós, à partida, conseguimos perceber isso?
Eu não te consigo dizer uma definição pra um e pra outro certa. Eu diria que tem a ver com o nível de processamento que um e o outro leva. Uma farinha integral, não tenho a certeza se isto é assim, mas diria que uma farinha integral é um produto processado. Uma farinha refinada é mais ultraprocessado. Acho que não é tão assim. Estou a dizer é que tem a ver com o nível de processamento, entendes? Não sei a definição certa, posso ir ver. Não sei a definição certa de um e de outro, mas tem a ver com o nível de processamento. Eu também acho que tem a ver com a adição de outras coisas.
Pra durar mais tempo.
Exatamente, sim.
Conservantes.
Exatamente. Óleos. E depois isso também tira interesse nutricional ao alimento. Os óleos, o açúcar, o sal em excesso, também deixa de ser tão interessante.
Certo. Olha, jejum intermitente.
Com que objetivo? Emagrecimento? Porque há pessoas que fazem jejum intermitente também para limpar o corpo. O jejum intermitente é uma técnica que se utiliza há milhares de anosNeste sentido mais de limpar o corpo. E hoje em dia aplica-se essa técnica numa questão de renovação celular, supostamente. E hoje em dia aplica-se esta técnica para o processo de emagrecimento, porque como nós estávamos a falar, nós sabemos que para emagrecer é preciso estar em déficit calórico. E há pessoas que gostam de aplicar isto, tirando partes do dia a nível alimentar. Os estudos mostram que existe e até para o negativo, para a parte do jejum, porque tu acabas por desacelerar um bocadinho o teu metabolismo ao tirar partes do teu dia alimentar. Portanto, aquilo que eu costumo dizer é: tu acordas e gostas de tomar o pequeno-almoço? Sim, então não faz sentido estares a fazer jejum. Se é uma pessoa que naturalmente não gosta de tomar o pequeno-almoço e que está ok em começar o seu dia alimentar mais tarde, e se começar o dia alimentar mais tarde, tem de o começar de forma saudável. Não é do gênero: "Ok, não tomei o pequeno-almoço, agora posso comer tudo o que quiser". Então pode ser ok, se fores acompanhado, mas não é propriamente uma técnica que eu recomende em consulta. Eu normalmente não vou chegar-me à frente e dizer: "Olha, vamos aplicar então o jejum". Mas há pessoas que já chegam até mim a dizer: "Olhem, eu faço, sinto-me bem" e eu trabalho com isso, está tudo ok. Mas a nível científico, o que está estudado é que faz mais sentido comer várias vezes ao longo do dia, porque o teu metabolismo acaba por estar mais adaptado a isso do que estares a cortar partes do teu dia alimentar.
E passas muito tempo com fome, é suposto nós termos fome?
Imagina, as pessoas que fazem jejum dizem que não sentem essa fome. Portanto, eu espero que seja verdade, porque acho que não faz sentido nenhum estares a fazer isso a ti própria.
Por acaso eu tenho uns amigos que começaram agora a fazer há uns tempos e eles estavam a contar, estava a trabalhar com eles e estava na hora de almoço. Eu assim: "Tenho dia, fazer o almoço. São quase duas horas, estou cheia de fome". Eles: "Nós não almoçamos, nós só fazemos uma refeição por dia. Só jantamos. Ontem fomos à francesinha".
Ah, excelente!
Estava a contar. Que ontem foram à francesinha, pediram as entradas, pediram a francesinha, pediram duas sobremesas e depois estavam a fazer as contas das calorias disto tudo para perceber se tinham estado em manutenção ou não. Para mim é assustador.
Sim, não faz sentido. Por quê? Basicamente, quando o teu corpo não está a receber nutrientes, ele pensa desta forma: "Ok, eu não estou a receber nada, não vou gastar energia nenhuma, porque ela não me está a dar nada. Então não vou gastar energia nenhuma". Estou a explicar isto de uma forma muito leiga, porque se eu tiver aqui com termos muito científicos, se calhar não se percebe. Mas ele abranda, do gênero: "Ok, não vou gastar muita energia, vou estar a desacelerar". E depois, de repente, pumba, uma catrefada de comida, uma bomba de comida e lá tem ele de acelerar. E isto desorganiza completamente o teu organismo. Tu estás um bocadinho ali a enganá-lo e não faz sentido. Tu tens de ir dando várias refeições ao longo do dia, falando num processo de emagrecimento, por exemplo, para ele estar também ali num metabolismo mais constante. E se tu de repente paras de comer, ele desacelera e vai gastar muito menos energia. E isso também não é interessante, porque tu queres gastar energia quando estás em repouso. É interessante para ti. E agora, de repente, vais ali comer, não faz sentido.
Isto deve gerar muitos picos de estresse no corpo também.
A fome certeza que vai gerar, depois a nível hormonal também, não faz sentido.
E depois comer assim tanto e ir para a cama cheia.
E depois o pior é que as pessoas têm esta ideia de: "Eu vou fazer jejum porque isto é melhor para mim". Mas depois, de repente, quando comem, comem mal. É que se ao menos começassem jejum, mas depois comessem bem. Agora, de repente comem mal. Isso então é que não faz sentido.
É aquele pensamento de compensação. Não comi nada, então agora posso comer tudo. Já passou o jejum.
Claro! Porque não vais simplesmente comer bem e tens prazer ao longo do dia a comer e vais comendo várias vezes ao longo do dia? O ser humano come. Nós gostamos de comer. Eu não sei, eu conheço pouca gente que não goste de comer.
Isso acho que esse é o problema, é todos gostarmos de comer.
Exato, então é só uma questão de aprender a comer.
Não é? Mas parece simples, mas depois na prática, se calhar estas pessoas que já passaram também por várias dietas, isto é mais uma solução que estão a tentar encontrar. Se calhar, mais tarde vão perceber isso.
Eu percebo perfeitamente. E lá está, eu sei que é super confuso. E eu digo muitas vezes isso às pessoas que chegam até nós. Eu sei que é difícil, sei que é confuso. E eu sei que é difícil agora, de repente, voltares a acreditar em alguém que te diz como é que podes fazer as coisas e como é que podes ter resultados. Mas eu estou aqui para simplificar a tua vida, para te dar prazer, porque eu acho que é mesmo importante tu conseguires ter prazer a comer e conseguires olhar para o teu corpo não só como algo que, uma coisa de imagem corporal, de eu vou só mostrar que estou bem. Não, tu tens que estar mesmo bem, tu tens de te sentir mesmo bem. E a alimentação também é muito disso. Nós temos de nos sentir bem com o nosso corpo e com a nossa alimentação.
Sim, com a rotina que temos.
Exato.
Não estar constantemente com fome ou a pensar naquilo que vamos comer.
Ou pensar em comida, isso é horrível.
É uma prisão.
É uma prisão. E atenção, como eu estava a dizer, eu também já passei por este período mais dark da minha alimentação e com a minha imagem corporal, e portanto eu sei perfeitamente a dor que as pessoas estão a sentir nesta relação inconstante, em que nunca mais chegam a um balanço. Eu sei que é difícil, mas eu prometo que a ideia do nosso acompanhamento, meu e da minha equipe, é mesmo esta: é dar estabilidade, prazer, confiança e uma boa relação com a alimentação e com o corpo.
Sim, eu acho que essas trends acabam por prejudicar tudo isto, porque são luzinhas novas que vão aparecendo e tu: "Uma nova forma para eu testar". Depois entras em cada uma delas, é cada um loop, depois parece que não consegues sair. Uma roda dos ratos.
Sim, exatamente.
Olha, também tem aqui não tomar o pequeno-almoço, mas isso faz um bocado parte de jejum intermitente. Agora, entrando em suplementação, o que se deve ou não tomar, como é que se sabe o que tomar. E queria falar um bocadinho também sobre creatina.
Ok. Então, como se sabe o que tomar, é apenas e só com análises. E isto obviamente que é sempre falado com a nutricionista e também depois tem de ser com o médico, nós não podemos prescrever. E faz sentido, atenção, faz sentido haver suplementação quando há necessidade. Quando há necessidade, faz todo o sentido haver suplementação. E portanto, claro que sim, vitamina D, ferro, vitamina B12, ácido fólico, etc. Principalmente depois durante os períodos específicos, como a gravidez, claro que sim, faz todo o sentido. Agora, suplementar só porque sim, só porque ouvi alguém no Instagram a dizer, aí não, não faz, porque podemos não ter as mesmas necessidades do que a pessoa que acompanhamos nas redes sociais. Portanto, acho que essa parte da suplementação é desta forma. Agora, existem hoje em dia outros suplementos de que se fala, que depois também depende aqui um bocadinho daquilo que estamos a falar, de que tipo de suplementos, porque eu sei que hoje em dia existem outros suplementos nas redes sociais que às vezes podem não fazer assim tanto sentido para toda a gente. Sei lá, coisas que tirem a vontade de comer, etc. Pronto, isso tem muito que se lhe diga, tem de haver sempre estudos por trás, que acredito que haja, mas tem de ser sempre com algum cuidado aquilo que vamos tomar. E lá está, sempre acompanhados. Relativamente à creatina, queres que eu passe já para essa parte?
Sim, por favor.
Relativamente à creatina, também faz todo o sentido. Há estudos científicos que comprovam o sucesso da sua toma. Claro que também, ao mesmo tempo, deveria ser acompanhada, porque faz sentido tomar, por exemplo, creatina quando faz uma refeição com hidratos de carbono, se calhar muitas pessoas não têm essa noção. Portanto, saber exatamente quando é que o vais tomar, teres um plano também para saber se faz sentido a sua toma, porque depois existem quantidades específicas para tomares nos períodos de tempo e com treinos específicos. Porque agora, de repente, eu jogo paddle de vez em quando ou eu vou ao ginásio de vez em quando e vejo que o meu colega toma creatina e eu vou começar a tomar também, mas depois não sou consistente nem no treino nem na alimentação, que sentido é que faz estares a tomar creatina? Portanto, tanto a creatina como a whey fazem todo o sentido, a proteína whey, desde que sejam bem implementadas.
Por acaso uma coisa que eu fiz foi, quando eu estava a começar a mudança de estilo de vida, comecei a ter uma nutricionista, que depois acabei por não fazer a mudança alimentar, porque estava primeiro focada no treino e não queria fazer tudo ao mesmo tempo. Não conseguia lidar com tantas mudanças. Então o foco era o treino. E depois a nutricionista sugeriu-me tomar creatina. Mas como eu também não estava a conseguir ver o impacto no meu corpo, eu queria primeiro sentir o impacto de treino. Depois das mudanças de alimentação, se eu metesse uma creatina em cima, eu não ia conseguir perceber se os efeitos estavam a vir da creatina ou das mudanças que eu estava a fazer. E eu também acho que para tomar, também quero saber se estou a sentir efeitos ou não.
Claro, sim. Eu sou a favor de que devemos confiar, não estou a dizer que não confiasses, mas devemos confiar no profissional que nós temos ao nosso lado e que se ele nos está a dizer: "Olha, se calhar isto pode fazer sentido para ti", à partida vai fazer parte dos resultados e do sucesso que vais ter. Mas eu também percebo que se calhar do teu ponto de vista mais pessoal, tu preferias: olha, primeiro quero ver os resultados aqui, depois aqui e depois então quero inserir isso para ver como é que resulta.
Sim, porque vamos sempre falar dos benefícios da creatina, cognitivos, de recuperação e tudo mais, mas como é que eu, ao mudar tanta coisa na minha vida, consigo perceber de onde é que está a vir tudo isso?
Pois, diria que vai ser um bocadinho geral, vai ser um bocadinho de tudo. Não diria que vai ser só da creatina ou só das mudanças de hábitos, mas vai ser assim um bocadinho de tudo. Percebo o teu ponto.
Quais são os maiores erros que tu sentes que as pessoas têm hoje em dia? Ou preconceitos em relação à alimentação?
À alimentação? Eu acho que vai ser um bocadinho neste sentido das trends que vais dizendo. Vejo muito esta ideia de que tem de ser 8 ou 80 e acho que não há necessidade. Por isso é que eu partilho muitas vezes, é ok comermos chocolates, é ok o açúcar, é ok farinhas refinadas, desde que saibas quando comer. Então existe muito, se calhar, este preconceito de não podes mesmo, não podes. Só no Natal.
Na dieta, ou seja, é considerada alimentação saudável a dieta.
Exatamente.
E qual é a tua abordagem de ter uma refeição livre? Ou achas que isso não faz sentido?
O termo refeição livre faz-me um bocado de confusão. Porque imagina, sei lá, eu sou livre para comer o que eu quero e eu escolho comer e sou mesmo feliz a comer como eu como todos os dias, com as refeições nutritivas que eu faço. Mas de vez em quando apetece-me um hambúrguer com batatas fritas e está tudo bem. E não é propriamente a refeição livre do género, porque as pessoas ficam com a ideia que é refeição livre, então eu vou poder comer este mundo e o outro, e depois vou voltar ali à linha, e depois vou poder voltar a comer este mundo e o outro. E não é assim, eu acho que pode ser com equilíbrio. Tu podes comer um hambúrguer com batatas fritas e perceberes a meio do hambúrguer e a meio da dose de batatas fritas que já estás satisfeita e não precisas estar a comer até ao fim. Podes guardar e depois comer, sei lá, dois dias depois ou no dia seguinte, ou dividir com alguém. Portanto, também não é preciso ser: "Ah, refeição livre, vou comer tudo e vou comer sobremesa e vou beber álcool". Acho que é preciso haver esse equilíbrio. Apetece-me um hambúrguer, vou comer, mas também não preciso de estar a exagerar. E no dia seguinte, se calhar apetece-me um quadrado de chocolate e vou comer um quadrado em vez do chocolate inteiro. Pronto, e é estes pequenos prazeres, de forma equilibrada, que eu sou a favor. Não ser propriamente um dia da semana marcado para exagerar, porque isso depois tende a complicar muito a coisa. É do género, ok, durante o resto da semana eu estou super regrada, não posso fazer nada, porque naquele dia vou exagerar, naquela refeição.
É sim, depois a restrição vai dar a volta e vai ser ainda pior para ti. Era o caso daqueles meus amigos que foram comer a francinha, eu estava a dizer: "Mas então se vocês vão comer a francinha, quando como francinha, fico muito cheia da francinha. Então não vou pedir entrada nem sobremesa, porque para mim já está a ser demais e já vou sair mesmo enfartada da francinha". "Ah, mas não, nós não comemos muitas vezes, então quando vamos é para ter a experiência toda completa". Eu: "Mas vocês vão sair de lá mesmo super mal dispostos, como é que é possível?" "Sim, saímos". Eu: "Então, agora não faz todo sentido".
Sim. Lá está, as pessoas têm a ideia do oito ou 80 e isso não é bom, é o que eu tento descomplicar. Isso, sem dúvida, é uma das coisas que eu também vejo. E ainda vejo muito estas coisas que tu abordaste, o jejum, que é o que se tem de fazer para perder peso, a questão do detox, não posso comer pão, não posso de todo comer açúcar.
O que é que dizes sobre isso, dos 30 dias sem açúcar? Há muita gente a fazer agora.
Há muita gente a fazer, é verdade. Olha, eu não conseguia. Não sei como é que as pessoas são felizes assim.
Eu também não.
Mas pronto. Imagina, está tudo bem. Não é necessário, mas está tudo bem em fazeres, se te sentires bem dessa forma. Agora, se é necessário, vais estar a criar um bocado a ideia de que tu precisas porque o açúcar é veneno. Calma, o açúcar não é veneno, o açúcar faz parte da nossa alimentação e nós podemos incluí-lo de forma completamente equilibrada. Obviamente que devemos evitar, existe um limite, mas ele pode estar presente. Tu tens açúcar em muitos alimentos que se calhar não fazes ideia. E há açúcares e açúcares. Portanto, eu acho que quando fazem esses 30 dias é a adição de açúcar nos alimentos. Mas, por exemplo, há uns cereais que eu adoro e que têm 95% de trigo e depois têm 1%, 2% de açúcar. E eu compro, os meus filhos comem, e não é dramático. E isto dá para ver que, de facto, o açúcar pode estar presente, desde que seja nas doses indicadas, nas doses ideais. Portanto, também não é preciso sermos-
Extremistas.
Radicais.
Eu acho que há muita gente que faz este desafio numa ótica de ver como é que o corpo reage a não ter picos glicêmicos.
Mas lá está, as pessoas podem ter picos glicêmicos à mesma.
Com outras coisas.
Com outras coisas que se calhar não têm açúcar adicionado, mas têm um açúcar naturalmente presente. Isto vai sempre, obviamente, depender da quantidade, mas eu acho que a questão dos 30 dias vem daquela coisa que se diz que precisas de 21 dias para adquirir um hábito, que não existem estudos científicos que comprovem isso. Mas faz mal? Não, não faz mal nenhum, podes fazer. És feliz? Eu não seria. Mas se tu és, está tudo bem.
Mas o que dizem é que o açúcar é viciante. E a partir daí és quebrar esse vício, supostamente.
Sim, é viciante, mais ou menos. Imagina, não é propriamente um vício. Sim, apetece-te comer muitas vezes, mas imagina, se tu gostas de um quadrado de chocolate, por que não saberes incluí-lo na tua alimentação e estares a restringir-te completamente? Acho que sou mais nesse sentido.
É aprender a comer isso sem culpa, não é?
Sim, exatamente. Porque muitas vezes, depois desses 30 dias, lá está, causam esta sensação de culpa que é: "Ok, estive 30 dias sem comer açúcar. Perfeito, sinto-me bem, ótimo, mas agora vou comer, é a Páscoa, e agora apetece-me um bocadinho destes ovos recheados. Vou comer e vou sentir-me culpada, pronto. Fiz estes 30 dias, estraguei tudo". E é isso que eu quero mesmo combater com o meu trabalho. Não há necessidade disso, não há necessidade dessa sensação de culpa. A comida tem de ser uma coisa leve na nossa vida. É ótimo comer, pode ser superprazeroso, portanto, que o consigamos fazer sem essa sensação de culpa.
Sem restrições. E também, uma coisa que hoje em dia muitas vezes se faz sem sequer ir ao médico, é assumir que temos intolerâncias, seja à lactose ou glúten, e tirar esses alimentos todos, depois sentes-te melhor, I guess. E ouve-se muitas vezes as pessoas a partilhar essas experiências.
Sim, é verdade. E existem efetivamente algumas intolerâncias. E eu acho que o nosso corpo consegue comunicá-las de uma forma bastante clara, no sentido em que nós ficamos inchados, nota-se que podemos eventualmente ter alguma intolerância. E nesse caso, então faz sentido recorrermos a um profissional de saúde para nos indicar qual é a melhor abordagem. Porque normalmente podemos fazer exames, mas também há formas de percebermos como é que podemos estar a tolerar mais ou menos alguma coisa. Claro que eu normalmente indico sempre uma consulta de gastroenterologia se desconfio de alguma intolerância ou de algum síndrome do intestino irritável, por exemplo. Aconselho sempre, mas também podemos fazer, acompanhados, alguns testes do género: "Olha, se calhar vamos experimentar esta semana sem glúten". Mas as pessoas às vezes nem sabem onde é que o glúten está, por isso é que eu digo que é mesmo importante fazer o acompanhamento. "Agora vamos experimentar esta semana sem lactose", por exemplo. Isto pode ser feito numa consulta de nutrição e podemos ali descartar algumas coisas, mas obviamente que os exames são o ideal para nós percebermos, de facto, o que é que temos.
Sim, mas aquilo que eu vejo é muitas vezes as pessoas, sem irem ao nutricionista, a tentarem ver em casa, descobrir em casa, autodiagnosticar-se.
Exatamente. E sabes o que é que acontece? Principalmente no leite, e fica a dica para as pessoas. O leite tem lactose e para nós quebrarmos a lactose no nosso organismo, nós temos que ter uma enzima que é a lactase. E quando nós deixamos de consumir leite e deixamos de ter lactose no nosso organismo, deixa de entrar lactose, nós deixamos de produzir esta enzima, a lactase. Então imagina que tu fazes um período da tua vida em que não consumes leite. Muito provavelmente vais ficar intolerante, de facto, à lactose, porque vais deixar de ter esta enzima no teu organismo e depois já não a consegues voltar a produzir da mesma forma, vais deixar de ter lactase e ficas intolerante à lactose também, de facto. Portanto, depois vais sentir eventualmente.
A sério?
Vais sentir eventualmente.
Mas não é só leite, é tudo que tenha lactose.
Mas o leite é o produto que tem mais lactose. O iogurte já tem um bocadinho menos, porque é fermentado, o queijo também tem menos. Portanto, o leite é o que tem maior quantidade de lactose. Por isso é que eu digo, se tu retiras o leite.
É que eu retirei o leite há muitos anos e vi imenso.
Exato, mas se calhar agora já só consumes iogurtes.
Iogurtes, queijos, natas.
Pronto, mas se eventualmente voltasse a introduzir o leite, podes sentir ali alguma questão. Já não tens tanta lactase, de certeza absoluta.
Não fazia ideia.
Exato.
Como é que nós conseguimos distinguir o que é uma fome física de uma fome emocional?
A fome física tu sentes que o teu estômago está a colar às costas, ou que a tua barriga está a colar às costas. Tu sentes fisicamente uma dor, um desconforto. Podes eventualmente até ficar com dor de cabeça e sentes mesmo uma dor física. Sensações mais físicas. A fome emocional vem muito com a questão de: "Apetece-me comer alguma coisa." Normalmente são coisas menos interessantes. "Apetece-me comer um chocolate, apetece-me comer um hambúrguer". E se tu fores a pensar, pode ter a ver com uma alimentação menos regrada que tenhas feito durante o dia e muito provavelmente com emoções que tu tenhas sentido também. Se tu estás mais triste, mais estressada, mais ansiosa, eventualmente podes vir a ter esta sensação de: "Apetece-me comer isto".
É o conforto.
Exatamente. E achas que é fome física e na verdade é completamente uma fome mais emocional. Enquanto que a fome física tem a ver com: "Ok, eu já não como há algumas horas", já começa a ter, se calhar, dor de cabeça, uma sensação de mal-estar, esta sensação da barriga colada às costas. Isso é muito mais físico e tem a ver com ser horas de estares a ir comer, que fazes.
E não vês muitas vezes as pessoas a fazer aquilo de fazes dieta ou comes bem durante o dia todo e depois chegas à noite e estragas tudo. Por que que isto acontece?
Olha, eu acho que não é assim que acontece. Eu acho que é: eu tento comer bem, mas depois fica ali um período. Isto é o que eu vejo muito mais em consulta. Eu até como bem, mas fica ali um período muito grande sem comer. Por exemplo, durante a tarde, isto acontece imenso. "Eu como bem, mas cheguei à noite e cheguei a casa cheia de fome". "Então, mas quando é que foi a última vez que comeste?" "Ah, foi na hora do almoço." Então, claro que é normal que tu vás ter muito mais apetite. Ou por exemplo, fiz um lanche superleve, comi uma fruta e um queijinho Babybel, que até pode ser uma boa opção, mas se calhar não é suficiente para ti e chegas cheia de fome e comia este mundo e o outro, claro. Então se calhar nós temos é de rever como é que foi a tua alimentação ao longo de todo o dia e não só essa altura em que tu chegas a casa. Se isso estiver a acontecer, que tu dizes que é: "Eu comi bem durante todo o dia, comi para as minhas necessidades, mas ainda assim chego ao final do dia com um apetite de comer alguma coisa", então lá está, eu acho que aí já tem muito mais a ver com esta tal fome emocional e pode ter a ver com emoções que tu tenhas sentido durante o dia, ansiedade, etc., e que possam te estar a levar a esse apetite ao final do dia.
Por acaso eu sinto muito isso quando aumenta a carga de treinos e de corrida. Por exemplo, agora estou a treinar para uma meia maratona e nos dias em que, por exemplo, faço treinos longos, eu sinto depois muito mais fome, porque eu também não adaptei a minha alimentação para esses dias. É uma coisa que eu já percebi, que agora estou a tentar mudar.
Uma necessidade, completamente.
Sinto uma fome e depois parece que vai tudo à frente e aí já te esqueces o que é bom, o que é mau e vai ao que for.
Exatamente. As pessoas não têm noção que nós temos períodos em que precisamos de mais comida. Lá está, quando fazes mais exercício, nós mulheres, dependendo da fase do ciclo menstrual em que estamos, também existe este período em que temos maior necessidade energética, porque o nosso corpo também está a gastar mais energia. Então também é normal aquela altura do mês em que nos apetece comer mais doces, mais chocolates. Isso também tem a ver com o nosso corpo estar a pedir necessidades energéticas diferentes. Portanto, nós também temos sempre a ir adaptando-se. Nós mulheres é um tema, porque todos os meses um bocadinho ali temos de ir controlando. Mas lá está, pessoas que praticam atividade física e se calhar que têm treinos diferentes em alturas diferentes do ano, do mês, também têm de ir adaptando, porque depois associamos a: "Ai, eu estou com um apetite e se calhar isto, sei lá, é emocional". Mas não, é de facto físico. É de facto o teu corpo a pedir mais nutrientes.
Mas é engraçado que falas disso das mulheres, porque eu também queria abordar um bocadinho esse tema, de que forma é que nós, imagina que não vamos a uma consulta de nutrição e não conhecemos assim muito sobre as fases do ciclo. Mas como é que nós podemos avaliar que alturas é que precisamos mais, de que forma é que também podemos adaptar os treinos, o movimento, essas fases? Achas que passa por uma consulta ou podemos também tentar aprender a ler o nosso corpo?
Não. Eu acho que faz sempre sentido termos uma consulta e termos algum conhecimento do nosso lado. Mas de forma resumida, tu passas pela fase, por exemplo, menstrual, em que estás a perder sangue, portanto, precisas de repor, se calhar, alimentos mais ricos em ferro. Por exemplo, que também precisas de alguns hidratos de carbono de absorção mais lenta para também te sentires saciada. Precisas de alimentos ricos em antioxidantes, porque é uma fase de renovação também, então precisas disso que acaba por ser mais interessante. Depois também a fase folicular, fase ovular, a fase da ovulação, acabam por também estar a pedir mais energia, o teu corpo pede mais energia. E a fase lútea, que é uma fase em que estás mais estável. A fase ovular é a que tens mais energia, portanto, é uma boa fase para dares nutrientes interessantes, frescos, nutritivos, tal como em todas estas fases. Também antioxidantes. É uma fase em que tu estás sempre com mais energia. Esta fase lútea é uma fase que faz a tua alimentação normal, no fundo.
Mas é a fase em que te pedem mais os chocolates. A lútea é aquela pré-menstruação.
Exatamente.
É uma fase grande, mas tens ali a fase mesmo antes da menstruação, que depois apetece-te comer mais chocolates, mais hidratação.
Nessa semana, exatamente, antes da menstruação, em que estás com essa fase, desculpa, tens razão. É então aí a altura que se tu estás nessa fase e o teu corpo está a precisar também mais energia a nível hormonal, que acabas por ter necessidade de dar mais nutrientes, portanto, aumentar eventualmente um bocadinho as tuas necessidades energéticas. E na altura da ovulação, exatamente, estás com mais energia, acho que faz aí uma alimentação maisNão é mais descontrolada, a tua alimentação também normal, com alimentos frescos, alimentos ricos em antioxidantes, hidratos de carbono de absorção mais lenta, e alimentos ricos em cálcio, também é numa destas fases.
Mas tu fazes isso de forma intuitiva?
Eu acho que sim. Primeiro, eu tomo a pílula, portanto isto não é tão desta forma.
Não sentes tanto.
Exatamente, sim. Mas há mulheres que sentem muito mais. E de facto é preciso ir adaptando. Eu dei uma aula há pouco tempo, que acho que ainda está no YouTube, que podem ver exatamente sobre isso. Tem aqui todas as fases certinhas e que não estou a dizer nenhum disparate.
Porque eu tomei a pílula durante muitos anos e depois deixei, e quando deixei senti uma diferença gigante.
Sim.
E eu não sentia as "cravings", esses picos de querer mais açúcar, nunca senti com a pílula.
Certo.
Mas após isso senti muito.
Porque a pílula dá-te uma estabilidade que não tens ao longo destas fases do ciclo menstrual. Acaba por ser diferente neste sentido.
Esconde um bocadinho.
Sim, exatamente. Eu, Bárbara, não faço, mas há mulheres que sentem muito mais. Se tu chegasses à consulta e dissesses: "Olha, eu sinto muito isto". Muitas vezes adaptamos esta fase, a semana antes da menstruação, a fase menstrual também, muitas vezes temos essa necessidade de adaptar ao longo da fase da vida da mulher. Mas há mulheres que não sentem nada e que está tudo bem também com isso. Portanto, podes não ter necessidade de adaptar. Mas se tu vens com estes "cravings" e com vontade de comer mais, eu muitas vezes digo: "Olha, não te esqueças que nesta semana aumenta um bocadinho o teor de hidratos de carbono, em vez de comeres as quatro colheres de sopa de arroz, mete as cinco ou seis". Aumentamos um bocadinho nesse sentido.
Mudanças drásticas.
Sim, como eu estava a dizer, há a fase em que precisas de aumentar os alimentos ricos em cálcio, há fases que precisas de aumentar os alimentos ricos em antioxidantes, mas não precisas de propriamente estar ali a ver as semanas em que os vais aumentar. Se tu incluíres estes alimentos já na tua alimentação geral, então acabas por já os ter de certa forma. Portanto, não precisas propriamente de estar ali a contar as semanas. Mas há, de facto, mulheres que sentem muito mais do que outras e aí temos de adaptar um bocadinho.
Sim, eu sinto alguns na fase em nível de açúcar, mas sinto também principalmente em termos de treino. E aí eu já faço um ajuste maior, porque, por exemplo, nessa fase em que estou mais de hibernação, não tenho tanta energia, então não consigo puxar cargas tão pesadas, fazer corridas longas com tanta velocidade e tento adaptar também isso para não me sentir frustrada por não estar a conseguir.
Exatamente. Porque se calhar na fase ovular acabas-
Estou cheia de energia, é completamente o oposto. Por isso eu também fui aprendendo a ouvir o meu corpo nesse sentido, mas em termos nutricionais, se calhar é um bocadinho mais difícil de perceber isso do que no treino.
Acho que tens de ouvir muito o teu corpo, cada mulher tem de ouvir, e porque nós também vamos tendo respostas um bocadinho diferentes. Eu lembro-me que tive uma paciente que me dizia que não era na semana antes da menstruação que sentia maior "craving", era duas semanas antes. E nós somos diferentes e temos de adaptar. Acho que uma nutricionista ao lado pode ajudar a dizer-te: "Olha, consoante isto que estás a sentir, se calhar estas mudanças é o ideal". Mas se tu também conseguires ouvir e perceber, se tu estás mais cansada, adaptas o teu treino, naturalmente também devias adaptar a tua alimentação um bocadinho. Sim, nessa fase apetece-te alimentos mais de conforto, se calhar podes apostar em refeições também que sejam mais confortáveis para ti. Aquelas refeições de tabuleiro, mais quentes, mais apetitosas, consoante também os teus gostos, mas que não te cortem nutrientes. Ou não te deem nutrientes em excesso. É sempre uma questão de adaptação. Faz sentido?
Sim, faz muito sentido. Olha, em termos de sono, é uma coisa que tem muito impacto, a rotina alimentar, de que forma?
Sim. O sono regula algumas hormonas que nós temos no nosso organismo. E, por exemplo, se nós dormirmos pior, nós temos duas hormonas, que é a leptina e a grelina, que regulam tanto a tua fome, o teu apetite, como a tua saciedade, e elas são reguladas durante o sono, e se tu dormes mal ou dormes pior, ou tens uma noitada, etc. No dia seguinte, a probabilidade de teres muito maior vontade de comer doces, alimentos menos nutritivos e nunca ficas saciada, então é muito maior. Portanto, é muito provável que isso aconteça. E isto é uma coisa que se nota imenso em mães. Em mães em pós-parto que estão a dormir pessimamente e que têm muita tendência para no dia seguinte apetece-lhes comer este mundo e o outro, principalmente coisas assim mais gulosas. Isto é natural, porque o sono está completamente desregulado, então acaba também por desregular a nível hormonal. Neste sentido, tem impacto. E no inverso, também tem impacto no sentido em que se tu comes muito, se tu comes mal, ou, por exemplo, se bebes álcool, então o teu sono não vai ser a mesma coisa, não vais ter o mesmo descanso. As pessoas têm a ideia de que o álcool as faz dormir melhor, do gênero, bebo álcool, então durmo melhor, mas é um sono que não é um sono mesmo descansado, não é um sono profundo. Portanto, tem impacto das duas formas. A alimentação tem impacto no sono e o sono tem impacto na alimentação.
E depois isto é um ciclo. Tu dormiste mal, acordas mal, com pior humor.
Exatamente.
Tens vontade de comer e de falhar ao treino porque também já estás mal. E depois como é que sais deste loop?
Tal e qual.
E o álcool é mesmo o veneno que dizem? Tu recomendas mesmo?
Sim, não recomendo de todo, obviamente, enquanto nutricionista e profissional de saúde, não recomendo de todo. A Organização Mundial de Saúde mostra com muita evidência de que o álcool não se deve consumir. Não é mas, acabou. Não recomendo, obviamente. Claro que se tu me perguntares do ponto de vista pessoal, eu, Bárbara, e não estou a recomendar isto a ninguém, eu, Bárbara, não vou dizer que não bebo álcool, que não bebo um copo de vinho de vez em quando, claro que me dá prazer. Agora, eu sei os malefícios que isso traz e tento evitar, obviamente, ao máximo no sentido, mais uma vez, numa questão de equilíbrio.
Sim, mesmo em termos de sono, de recuperação.
Sim, é tudo mau.
Eu quando comecei a treinar mais a sério é que sentia mesmo o impacto no dia a seguir, não ser capaz de treinar tão bem, de recuperar tão bem.
Sim, exatamente. Não faz bem, não tem benefícios nenhuns e obviamente tem muito impacto na nossa vida a vários níveis. No nosso organismo também. Portanto, claro que sim. E antigamente acreditava-se e dizia-se: "Um copo de vinho tinto de vez em quando é bom porque traz antioxidantes". Não é o vinho tinto que nós queremos ir buscar antioxidantes, é os frutos vermelhos, que queremos vir buscar, obviamente. Portanto, não é propriamente nesse sentido que nós devemos agarrar-nos à ideia de que o álcool é ok de vez em quando. O álcool não é ok, não recomendo enquanto profissional de saúde, porque não traz benefícios nenhuns.
E o café, de que forma é que tu recomendas?
O café-
Porque há muita gente que ainda continua também a ter essa postura, como estavas a dizer do álcool, de: "O café não me faz nada, eu vou beber café até à noite" e depois acabam por também não entrar em sono profundo, porque o café continua a ter efeito mesmo que tu não o sintas ao adormecer.
Sim, é verdade. E tem de se ter atenção quando é que se bebe o último café. Mas isto depende mesmo de pessoa para pessoa e dizem que não afeta, se calhar há pessoas mesmo que não sentem que afeta, mas também podem não ter a necessidade de estar a beber cafés infinitos, porque depois também não é interessante. Portanto, o café acho que depende. Existem limites que são consoante a pessoa, normalmente eu não recomendo muito mais do que três, mas depende mesmo muito da pessoa. Não é uma coisa que eu diga assim: "Bebe café porque te vai fazer super bem", mas de facto, o café pode ter benefícios, a composição do café pode ter benefícios, portanto é ok beber, sim. Desde que seja com equilíbrio e dentro do limite que é o teu limite.
Até que horas é que tu bebes?
O meu último café- Não, eu bebo. O meu último café é a hora de almoço. Eu bebo de manhã e a hora de almoço, não bebo mais. Eu bebo dois cafés por dia.
Isso é outra trend, o matcha, trocar o café pelo matcha.
Exatamente.
Para não ter tanta cafeína.
Admito que não adiria a essa trend. Não sei se eu não gosto ou não adoro. Sabe mal. Não adoro para mãe, propriamente. Mas as minhas amigas estão nessa trend.
Sim, acho que de todas as trends não me parece que seja aquela que seja a pior.
Concordo.
Gostas de matcha mesmo, matcha?
Sim, e tem benefícios.
Qual é o risco de contar calorias e pesar tudo? O que é que pensas sobre isto?
O risco é entrares num registo de relação com a tua alimentação e com o teu corpo muito perigoso, que te pode levar a extremos também muito perigosos e muito pouco saudáveis. Imagina, contar calorias, eu sou a favor, que é um trabalho do nutricionista, não é um trabalho da pessoa. Eu só deixo os clientes contarem calorias se eles chegarem em mim e tiverem objetivos extremamente específicos, por exemplo, se forem atletas, e se já o fizerem. Então aí é ok, mas eu tento ao máximo que as pessoas não contem calorias e não façam pesagem de comida. Podem fazer eventualmente dois dias, vá, três.
Então é o quê? Tipo a olho, colheres.
Sim, imagina. Eu trabalho muito mais a nível de colheres e explico como é que o podem fazer. Mas se eu quero ter a certeza absoluta que aquela pessoa está a comer aquelas quantidades específicas, se eu quero ser assim tão regrada, então o que eu vou pedir é: pesas dois dias no máximo, três dias, tiras fotografia, até, se quiseres, se te sentires confortável, porque isto depois também acaba por ser um tema, e depois começas a ter uma noção visual das quantidades para então aplicares no teu dia a dia. Mas nós também enviamos, por exemplo, fotografias já de quantidades. Mas é perigoso neste sentido, que tu ficas agarrado a uma coisa que não é sustentável a longo prazo. Vais para o Natal e para os anos dos teus amigos e para almoçar fora, momentos especiais, ir contar calorias com uma balança atrás. É que eu já conheci pessoas que sim, que faziam isto.
Levavam a balança?
Levavam a balança atrás ou que levavam a marmita já com as coisas delas contadas, então não iam comer.
Tão triste.
Sim, não é? Do ponto de vista social, acaba por ser mesmo mau. Imagina, se as pessoas estão confortáveis com isso, eu também sou a favor de que está tudo bem. Agora, isso é sustentável para ti? A minha abordagem é tentar que as pessoas não fiquem agarradas a isso, mas também há pessoas que estão super ok. Tenho a certeza absoluta que vai haver pessoas a comentar que fazem isso e que estão super confortáveis. E está tudo bem, mas não é a abordagem que nós temos em consulta. Nós tentamos mesmo tirar esse peso do peso, tanto da comida como da balança.
Pois, porque eu acho que isso depois também entra naquele loop de estares a pensar em comida a toda hora, depois convidam-te para ir jantar fora, já começas a pensar e vais ver o menu e vais tentar fazer as contas das calorias.
Completamente.
E agora o ChatGPT também-
Também te ajuda nisso, não é? Não sei quão fidedigno isso pode ser, mas sim, é verdade.
Tu sentes que há muita gente que vai para o chat fazer consultas de nutrição?
Não tenho essa noção. Acredito que sim, mas não te consigo dizer que há pessoas que o fazem. Eu acho que as pessoas têm consciência, principalmente porque as pessoas continuam a marcar consultas, têm consciência de que não existe nada como teres um nutricionista, um profissional que estudou e que já teve vários casos daqueles e que sabe exatamente o que te vai prescrever ao teu lado. Portanto, acho que as pessoas têm essa consciência. Podem ir tirar ideias ao ChatGPT, mas acho que não vão lá tirar um plano, se calhar.Das pessoas que eu conheci que chegam até nós.
Se calhar o teu público já também está mais informado. Não sei.
Exato.
Mas há muita gente que vai para o chat, seja para planos de nutrição, para planos de treino, de tudo e mais alguma coisa, como é óbvio que acaba por sempre ser usado em prol de substituir aquilo que já existe.
Exato.
O pagar, também aquilo que estávamos a falar no início.
Exatamente. Sim.
Para quem quer começar a mudar, se calhar começa a pensar e a fazer contas, investir em tanta coisa também acaba por ser um bocado assustador à partida.
É verdade. Claro que sim, eu percebo. Eu acho é que tu não podes pensar que vais mudar tudo de repente. E tens de escolher as tuas apostas, no fundo, e aquilo que tu estás preparado para mudar. Portanto, se tu neste momento estás preparada para mudar a alimentação, maravilhoso, mas se tu neste momento encontraste um desporto que gostas realmente e agora queres apostar neste desporto, ótimo. Depois com calma, se calhar mudas a alimentação. E depois com calma, se calhar pensas em que faz sentido haver suplementação. E depois com calma, pensas no teu próximo passo, que se calhar faz sentido investir em psicologia, em psicoterapia. Acho que pode ser feito com calma e não tem de ser logo tudo. Há pessoas, obviamente, que precisam de logo tudo.
Por saúde, não é?
Por saúde, por questões de saúde.
Sim. No meu caso foi desporto e terapia, e eu sabia que eu também tinha uma má relação com a comida e com o corpo e tudo mais, e era uma coisa que eu sabia que precisava trabalhar primeiro em terapia e a alimentação foi uma coisa que foi surgindo de forma natural e não tanto logo com uma nutricionista, porque eu sabia que não conseguia me comprometer a isso.
Claro, e isso é super importante ter essa consciência de que eu neste momento não estou pronta para este compromisso. E se não estiveres, está tudo bem, faz o teu caminho e nós depois falamos novamente. Mas é importante que haja este compromisso. Portanto, que tu queiras de facto esta mudança. Isto acontece muitas vezes, nota-se muitas vezes quando as pessoas recebem consultas de presente, do gênero um voucher de uma consulta, e está tudo bem em fazê-lo. Acho que é maravilhoso oferecermos saúde. Mas as pessoas têm mesmo de querer. Porque se não quiserem, obviamente que o trabalho vai ser em vão, tanto do nutricionista como da pessoa.
Sim, é como obrigares alguém a ir para a terapia. Se a pessoa não estiver preparada para isso.
Claro, sim, eu acho que isso ainda é pior.
É pior, mas é isso. Tem de ser ela a querer dar esse passo, porque senão vai ser totalmente em vão. E é aquilo que estávamos a falar no início, de mudar o chip, que eu sinto que é mesmo uma mudança de não querer perder peso rápido e estares no mood certo para conseguir trabalhar essa parte da tua vida. Pelo menos senti isso e agora estou a começar a ser acompanhada por uma nutricionista para limar pequenas coisas, mas olhando, por exemplo, a minha alimentação agora, comparando com há um ano e meio atrás, mudou muita coisa de forma muito natural. E agora já sinto que tenho uma alimentação até bastante equilibrada. E foi uma coisa que também fui lendo, fui aprendendo e fui mudando aos poucos, mas agora sinto-me pronta para seguir um plano e para fazer essas pequenas mudanças que eu sei que ainda faltam.
Lá está, mas isso é super importante. Foi uma mudança de um ano e meio, foi uma mudança com calma, mudaste hábitos, mudaste uma coisa de cada vez. E isso é super importante para as pessoas perceberem que as coisas não têm de ser mudadas logo de imediato e que os resultados não têm de aparecer ontem. Os resultados vão aparecer como consequência destas mudanças de hábitos que tu vais fazer. E vão aparecer, não tenho dúvidas nenhumas, porque é inevitável. Só que claro, podem levar o seu tempo, mas levando o seu tempo é que torna as coisas muito mais sustentáveis a longo prazo. Eu vou conseguir manter este ritmo, eu vou conseguir manter estes hábitos que mudei a pouco e pouco, porque mudares de repente, a probabilidade de desistires é muito maior.
Sim, naquelas dietas que estávamos a falar no início, as dietas io-io, é mesmo por isso, porque é fácil de fazer no início, se fores comer aqueles produtos ultraprocessados, só chocolates e coisas assim. Parece que é fácil fazer dieta, mas depois quando vais para o mundo real, a manutenção é insustentável.
Exatamente.
E acho que esse é o maior problema. Olha, estamos mesmo aqui a chegar ao fim. Queria te fazer uma última pergunta que é: se tu pudesses mudar uma coisa na forma como a nossa geração se relaciona hoje em dia com a comida, o que é que tu mudavas?
Que pergunta difícil, mas eu acho que é muito na base daquilo que nós estávamos a falar, é na relação não só com a comida, mas com o nosso corpo. De perceber que nós conseguimos ter prazer com a comida e ao mesmo tempo saúde. Portanto, que alimentar-nos é uma coisa extremamente boa e valiosa e que temos de tirar o melhor partido disso. Portanto, não criar uma má relação, não criar um peso naquelas refeições. Nós portugueses temos muito prazer em comer à mesa com a família, com os amigos, portanto, é mesmo tirar o melhor partido desta nossa alimentação, que pode ser saudável, ao mesmo tempo equilibrada, prática, prazerosa, e tentar tirar sempre o melhor partido, portanto, tirar o peso e estes pensamentos mais negativos associados à alimentação, que depois consequentemente também acabam por ter no nosso corpo. E vice-versa. Portanto, acho que é tirar um bocadinho este peso que possa existir e haver mais leveza na alimentação.
Sim, eu gosto disso, que eu acho que na nossa sociedade hoje em dia pomos tanta pressão naquilo que comes e parece que está toda a gente a olhar e sempre a ver o que estás a comer e toda a gente a partilhar sobre isto, parece que estás constantemente a comparar e acho que é muito isso. É percebermos o que é que resulta para nós. E ir com calma.
É isso mesmo, é perceber o que resulta para nós.
Obrigada, Bárbara, por estar aqui.