Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E todas as sextas-feiras recebemos música ao vivo aqui na Rádio Observador. Hoje contamos com Beatriz Rosário. Bem-vinda, Beatriz, obrigada por estares aqui conosco.

Muito obrigada.

Obrigada nós. No final da entrevista, claro que vamos ter a oportunidade de ouvir este teu novo tema, chama-se "Crescem Flores". Mas antes disso vamos ter de falar um bocadinho sobre ele. Somos uns cuscos, vamos querer saber tudo. E vou começar pela inspiração. O que é que te inspirou para este "Crescem Flores"? Se calhar é uma pergunta um bocadinho óbvia. Não me vais dizer flores.

Por acaso hoje trouxe duas flores aqui.

Pois foi.

Sim. Este crescer flores representa a passagem dos dias menos bons para os dias mais felizes, floridos até. É a transição da dor em força e da tristeza em felicidade. Eu acho que todos nós passamos por isso. Representa uma fase da vida em que se calhar estamos um bocadinho mais debilitados até a nível de saúde mental, mas que a entrada de alguém muito especial, conhecido por anjo disfarçado, torna os nossos dias muito mais bonitos e felizes. Esta música é o amor. Foi composta por mim, pela Tinoco, pelo Fyodor e pelo Tyos.

E como é que foi essa experiência toda de trabalhar em conjunto e criarem esta música? Como é que foram as sessões em estúdio? Foi bom?

Eu já trabalhava com o Tyos para outras músicas e o Tyos é muito amigo da Bárbara Tinoco e ele na altura tinha dito que poderia ser giro reunirmos todos e compormos uma música. A Tinoco tem um estúdio que se chama Bichinhos, fica em casa dela. E todo esse processo de fazer música é muito terapêutico, porque às vezes é preciso tocar na ferida, porque nós não somos os únicos a ter essas feridas, mas também nem sempre é fácil falar sobre essas feridas e é por isso que eu também gosto tanto de música, porque é como se fosse uma forma mais fácil de falar sobre algo quando não é assim tão fácil transmitir por palavras. Então nesse momento fui para estúdio com eles. Falámos sobre vários assuntos da vida. Esse era muito recente, foi um tema superabordado. E esse lema de vida, do amor poder curar, assim como a música cura, foi o lema da música e daí o crescer flores, porque lá está, cresce vida, cresce felicidade.

Sim, o crescer flor é quase que uma esperança, não é? Que há ali uma luz ao fundo do túnel, está a crescer qualquer coisa.

Literalmente esperança, é literalmente uma luz que às vezes acontece nem sabemos bem como, porque às vezes queremos procurar tanto uma coisa e não encontramos e às vezes damos por nós em momentos que nem estamos a contar com nada e às vezes nesta naturalidade, quando não estamos a contar com nada, que as coisas surgem.

É tal e qual. É mesmo isso.

E são as coisas mais espontâneas.

Esta música acaba por ser um reflexo disso, não é?

Exatamente.

Esta música também acaba por ser uma mistura, uma fusão entre fado e pop. É fácil fazer essa fusão? Porque à partida são estilos tão opostos, quase. Fazer esta fusão e funcionar é incrível. Como é que é fácil pra ti fazer isso? Pelo menos parece fácil, soa bem.

Sim. Eu comecei no fado tradicional. Eu lembro-me desde pequena ir às casas de fado, seja Senhor Vinho, seja Clube de Fado. E levei muito dessa escola do fado. Mais tarde, quando vim pra Lisboa, tive um bocadinho da necessidade de explorar se calhar outras coisas que tenho aqui dentro. E mais recentemente já está preparado um álbum que vai sair previsivelmente no final deste ano, em que reúne um conjunto vasto de vários gêneros, em que está sempre presente de forma natural o fado, eu não consigo negar, porque é daí que vem a minha voz. E também está sempre presente a guitarra portuguesa, mas nós gostamos de ter este contraste em todo o álbum. Eu acho que este álbum é um bocado do contraste de ritmos, de sentimentos. E aqui há o contraste, claro, da música deep, mais sentimental, com a guitarra portuguesa e com o beat do pop, que é mais up beat, mas depois com a guitarra portuguesa e com a voz que é tão sentimental.

Sim, é um contraste que acaba por funcionar bem. Este teu single, aliás, é um primeiro avance deste álbum que tu estavas a falar, o teu álbum de estreia. O que te fez perceber, se calhar nem dá pra perceber que é a altura certa, mas por que agora é que foi a altura de lançar o álbum? Já tinhas muita coisa na gaveta que tinha de ser despachada.

Tinha mesmo. Tinha imensas músicas. Eu lancei o meu primeiro EP em 2022, o EP "Rosário". Depois, entretanto, lançamos mais algumas músicas. E neste entretanto, nós quando lançamos algumas músicas, pelo menos falo por mim, eu já tinha muitas mais na gaveta, até que chegou a altura em que, em reunião com a editora, selecionou daquelas X músicas, acho que eram aí 40, eu já nem me lembro bem. Mas escolhemos 10 ou 13. E essas foram as tais que nós pensamos: "Ok, estas 13 fazem um belo conjunto, há aqui um conceito muito giro, que vai representar toda uma viagem do início ao fim."

Exatamente, é uma viagem que também começa em Coimbra e vem até Lisboa.

Vai, porque eu nasci em Coimbra, a cidade dos estudantes.

É um disco autobiográfico, portanto vamos ficar a conhecer um bocadinho melhor Beatriz Rosário, é isso?

Sim.

Ai, que então não posso esperar por este disco, estou muito curiosa.

E muitas coisas vêm aí a caminho lá pra setembro também.

Então em setembro voltamos a falar, pode ser?

Sim.

Mas continuando aqui neste teu disco, que eu sou um bocadinho cusca e não sei se me podes dizer, mas vamos contar com alguma colaboração? Agora pus a Beatriz numa posição um bocadinho complicada. Vamos aguardar. É isso, está bem.

Sim, mas vêm certamente surpresas muito bonitas.

É isso. Beatriz, tu estreaste-te em 2021, se não me engano, foi com o tema "Ficamos por Aqui"?

Foi, sem dúvida.

Que foi a música mais ouvida nas rádios desse ano. Hoje és considerada uma das maiores promessas da música portuguesa. Esgotaste o Capitólio. Atuaste em vários festivais. Que balanço é que fazes destes últimos anos, que têm sido intensos, mas bons?

Têm sido intensos, sim. Têm sido intensos, muito bonitos, estou muito grata, porque efetivamente o EP "Rosário" deu-me dois anos de concertos. Estou muito feliz porque o meio e a crítica musical recebem muito bem os trabalhos. Estou muito grata por isso e este ano estou com muita energia positiva, no sentido em que estamos a lançar músicas fantásticas. Estou a sentir um feedback incrível por parte das pessoas. Ainda no outro dia estava em Coimbra e houve uma rapariga que veio ter comigo a dizer: "Bea, eu sinto mesmo a tua música "Crescem Flores"" e eu: "Ah, sério?" E ela: "Sim, tive uma história precisamente semelhante e agora que eu olho para o meu presente tão feliz, é que consigo mesmo perceber que deixei o passado enterrado e agora crescem flores."

Isso é gratificante para qualquer artista, receber que as pessoas se identificam com a nossa música, isso é ótimo.

Sim.

Já estamos quase a chegar ao fim para depois te ouvirmos cantar, que já ouvimos aqui nos testes. Foi incrível, vou já falar por mim. Tens alguma colaboração que queiras muito fazer ou um palco que queiras muito pisar? Eu sei que não vais revelar aqueles do teu disco, mas há uma colaboração de sonho, um palco que tu queiras mesmo pisar muito?

Palco. Sabes que isto parece um bocado clichê, mas eu gosto de todos os palcos desde que haja boa energia entre nós, músicos, banda e pessoas. Sinceramente, para mim, o palco é formalizar um momento de concerto. Desde que haja magia entre o público, até pode ser em Lisboa, na Praça do Comércio.

Cantar ali, exato.

Sim, mas adoro a vibe, não vou negar. Adoro a energia dos festivais, acho incrível. Gostei muito também da energia do Capitólio, mas lá está, eu acho que essa energia é feita pelas pessoas. Portanto, não tenho propriamente a sala, não tenho muita pressa dessas salas, as maiores de Portugal. Não, eu prefiro fazer as coisas bem e estar com as pessoas certas.

Claro.

E dar esse amor e sentir também esse amor.

Claro que sim. E como é que tu em palco? Tu sentes-te nervosa ainda passado estes anos, sentes aquele nervosinho antes de entrar no palco ou já passou?

Há sempre um bocadinho, aquele sentido de responsabilidade.

Mas depois passa? Passado uns minutos?

Passado a terceira música, já sinto que estou literalmente na praia.

Boa, ainda bem.

Gosto muito de estar em palco.

Boa, isso é ótimo.

Juro, sinto uma energia, é muito contagiante estar ali com o público e sentir de que maneira é que podemos também puxar a energia das pessoas que deixaram as suas casas ou deixaram as suas famílias ou estão com as suas famílias e estão ali a partilhar aquele momento. Eu acho que é um momento supermágico.

Tem uma troca de energias muito boa, entre a banda, o cantor e o público. Para este 2024, já sabemos que vem aí o lançamento do álbum. Mas onde é que te vamos poder ouvir, ver? Acredito que há concertos por aí.

Nós agora, tendo em conta que vamos lançar este álbum, decidimos preparar bem as coisas, porque o concerto que nós já tínhamos programado já foi bastante tocado. Portanto, agora nós estamos a focar-nos ao máximo neste álbum, para depois produzir um concerto específico, que vai ser literalmente uma viagem.

Beatriz, não podes dizer estas coisas, depois uma pessoa quer saber, quer ver, quer ouvir e depois não dá. Mas vamos ter de esperar um bocadinho.

Sim, mas vai valer a pena. A espera vai fazer todo sentido.

Boa, ainda bem. Beatriz, muito obrigada por teres vindo à Rádio Observador. Começámos por falar deste teu novo single, que é o "Crescem Flores", agora vamos efetivamente ouvir. Obrigada mais uma vez por teres estado aqui conosco.

Obrigada e eu só espero que depois desta música as pessoas também se sintam um bocadinho melhor.

Vão certamente sentir. Força. "Eu não acreditava em fantasmas, mas sei que vivia assombrada. Meia morta viva e conhecer-te, foi como chegar a casa. No meio do concerto e da multidão, vamos chamar a esta a nossa canção. Meia morta viva e conhecer-te, foi como reanimação. Deves ser um anjo disfarçado. Comigo mudaram as canções. No sítio onde enterrei o meu passado, crescem flores. Deves ser um anjo disfarçado. Fizeste o céu limpo dos meus trovões. Dançamos sem música e ao nosso lado, crescem flores. Crescem flores. Sorrisos e olhares infinitos. E aquele teu toque na minha pele. Desenhou uma história mais antiga como amor."

Outra vida. Contigo viajei até Saturno e mergulhei na tua imensidão. Perguntei ao tempo se parava neste nosso espaço a minha razão. Deves ser um anjo disfarçado. Comigo mudaram as estações. No sítio onde enterrei o meu passado, crescem flores. Deves ser um anjo disfarçado. Fizeste céu e pudos meus trovões. Dançamos sem música e ao nosso lado, crescem flores. Crescem flores. E do teu peito no meu, do teu peito no teu, do meu peito, crescem flores. Crescem flores. Crescem flores. Crescem flores. Crescem flores.

Que bom, obrigada, Beatriz, e boa sorte para este 2024. Obrigada por teres estado conosco aqui na Rádio Observador. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.