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Todas as semanas na Rádio Observador há uma edição extra do "Aprender a Comer" que tem a resposta à sua pergunta. Se tem dúvidas de nutrição, envie-as para Marianachaves@observador.pt. Foi o que fez a Ana. Olá, Mariana.
Olá, Nelson.
A Ana fez uma pergunta que eu próprio também tenho. Ela diz: "Não gosto dos outros vinagres, mas adoro o vinagre balsâmico". Ela quer saber: ele é tão saudável quanto os outros? Podia ser eu a fazer esta pergunta e não a Ana. Vamos tentar ver a diferença sobre vinagre e vinagre balsâmico. Quais são as diferenças?
Primeiro, quero dizer que vinagre é sempre um alimento saudável, de base. Portanto, é uma ótima sugestão, é uma ótima escolha. E o vinagre balsâmico é também dos mais interessantes. Temos que saber escolher. Mas tal como os outros vinagres que vemos no mercado, é feito com base em ácido acético. E é esse composto, que tem maior evidência científica, que vai ajudar a quê? A reduzir os picos de açúcar no sangue depois das refeições e aumentar a saciedade por isso. E isto no fim das refeições, por quê? Porque é no final da refeição que vais ter o teu pico ou não de açúcar.
Exato.
Por isso faz todo o sentido, especialmente se usarmos com frequência, no início das nossas refeições, com a dita salada. Devia ser o início da nossa refeição.
E olha que eu gosto das saladas bem avinagradas. Mas vamos tentar perceber. Todos os vinagres são mais ou menos iguais?
Têm efeitos semelhantes, não são todos iguais. Este ácido acético está lá em todos. O vinagre balsâmico, por ser feito a partir da uva envelhecida, pode conter mais polifenóis, antioxidantes, com nomes muito específicos, como o ácido gálico, que vão ajudar contra o estresse oxidativo. Ou seja, nós pretendemos ter uma alimentação com mais antioxidantes, como polifenóis. E estes não existem, por exemplo, no vinagre-
De vinho normal, aquele vinho branco, por exemplo.
Sim, não tanto. Portanto, faz sentido olharmos para ele com essa vantagem.
Oferece ali qualquer coisa a mais, o balsâmico.
Exatamente.
Mas isso é em todos os balsâmicos? Porque eu na prateleira do supermercado também já percebi que há alguns diferentes.
Sem dúvida. Nós encontramos mais à venda, são versões industriais que vão ter o quê? Açúcares adicionados, depois um corante de caramelo, que vai dar a cor, basicamente, para ser tão escuro.
Mais escuro.
Sim, e muitas vezes também sulfitos, como conservantes. É importante eu dizer aqui que não há evidência que traga problemas para a saúde, tendo em conta as doses pequenas que ali estão. Faz sentido olhar para o rótulo, isso sim, porque poderia haver outros.
E tu, qual é a tua melhor escolha? Eu sigo o que tu seguires.
Eu acho que o vinagre balsâmico, para quem gosta, deve escolhê-lo melhor. Ou seja, deve ser para um vinagre bom.
De boa qualidade.
Exatamente. Aquele mais tradicional de Modena, envelhecido.
O "di Modena", não é? Aparece muito nas embalagens. É dos melhores, na tua opinião?
É, é dos melhores. Ainda assim, temos que ir ver as várias marcas, mas aqueles mais tradicionais, em que se apoiam mesmo no mosto da uva, é esse que faz mais sentido, aqueles que respeitam a tradição, vão ter mais antioxidantes e normalmente não têm tanto estes corantes e estes aditivos. Por isso, eu acho que faz sentido, como nós apoiamos uma alimentação diversificada, faz sentido que nas vezes em que utilizemos este, que seja desta forma, com este de melhor qualidade.
Com este de melhor qualidade. E podemos usar só o balsâmico? Quer dizer, se for esse o que gostamos.
Olha, eu acho que nós devemos diversificar. É um ponto, para mim, importante. Não devemos comer sempre a mesma maçã, pera. Não devemos comer sempre a mesma fruta, não devemos comer sempre os mesmos vegetais, nem os mesmos vinagres. Por exemplo, o vinagre de sidra, que é o famoso vinagre de maçã. Há o mesmo ácido acético, a tal substância, mas depois vai ter outros compostos fenólicos, como o ácido málico, que tem a ação antioxidante e anti-inflamatória, e é um vinagre que é muito mais suave para pessoas que têm mais questões digestivas, portanto, que é melhor tolerado.
Para pessoas que não toleram muito o vinagre, por ser mais ácido.
Principalmente em caso de refluxo gastroesofágico, em caso de gastrite ativa.
O de sidra, se calhar, nesses casos, é um bocadinho menos agressivo.
Menos agressivo. Se estiver ativa a gastrite, aí a recomendação é que não haja, de todo, consumo de vinagre. Mas na transição, quando se torna uma gastrite crônica, em que já há tolerância, poderá ser o melhor para começar. E, na verdade, mais uma vez, é interessante ter vinagre em todas as refeições principais e, portanto, faria sentido em casa escolher um ou dois vinagres para irmos variando, sem dúvida.
Se calhar usar o balsâmico, mas de vez em quando também ir ao de sidra ou até ao de vinho tinto. Também gosto do vinagre de vinho tinto.
Sim, o vinagre de vinho tinto também faz sentido introduzir. Também vai ter aqui nutrientes vindos da uva preta, que tem mais polifenóis do que a uva branca e, portanto, faz todo o sentido. E hoje em dia até vinagre de romã nós temos.
A sério? Não conheço esse.
E também é importante pensarmos que se a forma de temperarmos a salada nos vai fazer comer mais salada, então faz todo o sentido nós variarmos nesse apontamento que é o sabor que vamos dar.
Olha, há alguma dose ideal por dia de vinagre?
Olha, eu diria que é assim, uma dose ideal de salada a comer por dia.
Pois, exato.
Que são pelo menos duas saladas por dia ou então legumes cozinhados, claro que sim. Também podemos utilizar o vinagre para temperar legumes, é uma coisa muito portuguesa. As famosas cenouras avinagradas do Algarve. Mas portanto, há uma recomendação de vegetais ao dia e o vinagre devia ser um tempero, acompanhamento desses vegetais. Por isso, vamos falar de pelo menos uma a duas colheres de sopa por dia, portanto, uma colher para cada prato.
Há quem dê um uso ao vinagre também de desinfetante, às vezes a lavar a salada, pôr umas gotas de vinagre. Isso tem algum sentido?
Por causa da toxoplasmose, sim, senhora, faz bastante sentido para fazer essa desinfecção. Normalmente, é uma tampa de vinagre para um litro de água e tem que se deixar repousar cinco a 10 minutos.
É uma boa ideia. Olha, então, para a Ana, que nos ouve e que nos enviou esta questão, vale a pena o balsâmico?
Sim, ela que use o balsâmico. Use-o, escolha bem, tente escolher aqueles mais tradicionais e se quiser variar, acho que faz todo sentido. Pense sempre que está a variar em polifenóis também, se for variar para vinagre de sidra, vinagre de romã, vinagre de vinho tinto, etc.
Muito bem, falamos de vinagre balsâmico, que foi uma questão colocada aqui pela nossa ouvinte. A Ana enviou um e-mail para Marianachaves@observador.pt. Ela diz que não gosta dos outros, mas adora o vinagre balsâmico. Questionou aqui a Mariana Chaves sobre quais são as diferenças, quais são os mais saudáveis. Está sempre disponível em podcast o "Aprender a Comer", também com esta edição extra semanal com a sua pergunta. Hoje respondemos à pergunta da Ana, mas esperamos as suas dúvidas também de nutrição. Marianachaves@observador.pt. E de hoje a uma semana estamos de regresso para esclarecer mais dúvidas dos nossos ouvintes. Combinado, Mariana?
Combinado, Nelson. Até lá.