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Seja bem-vindo ao "Aprender a Comer". Acontece na tarde, em direto, da Rádio Observador, sempre à terça-feira. Tem repetição ao fim de semana e está sempre disponível nas plataformas podcast. Se escutar o "Aprender a Comer" no Spotify, tem lá sempre uma pergunta que a Mariana Chaves nos deixa todas as semanas, a propósito do tema que estivemos aqui a falar no programa. Olá, Mariana, bem-vinda.
Olá.
E está conosco a Judite França também. Olá, Judite.
Olá.
Vamos falar de comida processada. Na semana passada falamos de comer em frente a um ecrã. Já percebemos que faz engordar, que faz comer mais e faz comer pior. Por isso, não há nada de ecrãs.
Por isso, nada de ecrãs.
Nada de ecrãs enquanto comemos. Prazeres diferentes em sítios diferentes. Mas hoje vamos falar dos alimentos processados, porque eles, de facto, aumentam bastante o seu consumo quando estamos em frente a um ecrã. Mas Mariana, tudo o que vem dentro de um pacote é processado?
Olha, Nelson, sim, mas...
A não ser que seja um raminho de salsa.
Ou um feijão seco.
Cá está, é isso.
Ou um tremoço.
Tudo o que está dentro do pacote teve algum nível de processamento, mas não quer dizer que sejam tudo alimentos não saudáveis. Nós temos esta analogia. Os alimentos processados, nós costumamos associar na nossa mente a uma conotação negativa, assim como a palavra natural tem, naturalmente, uma conotação positiva. Mas muitas vezes os produtos alimentares ajudam-nos a poupar tempo e esforço, como é esse caso dos feijões que já estão cozidos, como é o caso dos vegetais já picados ou do tomate pelado, massa integral. E na verdade, não podemos categorizar os dois tipos de alimentos no mesmo saco.
Quando diz que tudo tem algum nível de processamento, é por quê?
Exceto os alimentos reais. Portanto, os alimentos que vêm da terra.
Não, os que vêm no pacote.
Existe hoje em dia mesmo uma categorização.
Primeiro, estão ali num fatinho de plástico.
Certo, mas têm alguma coisa que os faça conservar, é isso?
Existe aqui três níveis de processamento. O primeiro chama-se minimamente processado, o outro processado e o último ultraprocessado.
O que é minimamente processado?
Exatamente. Ou seja, é aquele que teve apenas alguma transformação para ter maior validade, por exemplo.
Isso acontece com os feijões, não é?
Acontece com o feijão, mas acontece, por exemplo, com o leite. O leite é pasteurizado, tem maior nível de...
Mas, por exemplo, tu se tirares aquela goma do feijão, estás a tirar algum aditivo que foi posto.
Esse frasco de feijão já é processado. Ainda nos minimamente processados, tu tens, por exemplo, uma massa integral. Tens os vegetais congelados. Ou seja, tiveste aqui um processamento, seja de exposição de temperaturas, um de congelamento, o outro de altas temperaturas, como no facto da massa, tens aqui um processo manual de refinar, ou seja, de transformar o grão em farinha e depois a farinha em massa.
Mas é um alimento seco, portanto, menos processado.
Sim. Agora, quando tens um alimento que nós chamamos processado, nesta categoria que estávamos a falar.
São quais, por exemplo? O que consideras os processados?
Os processados é, por exemplo, este feijão que estávamos aqui a falar, em conserva, portanto, que já tem ali o sal para conservar e alguns conservantes, às vezes. Mas estamos a falar de um alimento que nós conseguimos identificá-lo. Nós conseguimos perceber que aquilo é um feijão que foi cozido e que nos está aqui a simplificar a vida.
Mas que tem ali qualquer coisa à volta. Que não fica igual ao nosso cozido em casa.
Sim, mas também, por exemplo, um iogurte natural é um alimento processado.
Porque foi pasteurizado.
Porque foi introduzido o fermento, as bactérias para fazerem a fermentação, aliás.
Pronto, isso é o minimamente processado ou é o processado? É o do meio.
Então agora o ultraprocessado é que tem o resto tudo.
Para nós percebermos, aqui no minimamente processado, em regra, não é adicionado grande coisa. No processado, já adicionas alguma coisa para conservação, para produzir o produto, como neste caso do iogurte.
Para ficar com aquela cor. Porque, por exemplo, os congelados, se nós congelarmos um brócolis, por exemplo, ele não fica verdinho como ficam aqueles brócolis ultracongelados.
Sim, mas aí foi o processo de congelação que permitiu que não houvesse essa deterioração. Não foi um corante adicionado, porque se fosse corante já era ultraprocessado. Mas no milho, que é altas temperaturas, e depois mesmo as altas temperaturas não permitem que ele se conserve, tem que ser adicionado sal, é um processado. Os picles, em que tem que haver a fermentação, é um processado.
É um processado que até pode ser feito em casa.
Sim, claro, exatamente. E é um bocadinho esse o conceito, o ultraprocessado nós nunca faríamos em casa.
Certo.
Todos os outros poderias fazer em casa.
Ok, é uma boa forma de perceber a diferença.
Exatamente.
Dá-me alguns exemplos de ultraprocessados.
Todos. Todos esses que estás a pensar, mais alguns.
Pronto, mas cá está. Exceto esses que estão todos aqui a pensar ao mesmo tempo, as pizzas, os refrigerantes. Não estamos a pensar nisso agora. Bolachas, não. Vamos tentar pensar um bocadinho fora da caixa. Por exemplo, pensemos em granola. Uns flocos de aveia é um alimento minimamente processado, mais uma vez, como a massa. Foi só um tratamento físico que fez chegar ao floco de aveia ou floco de outro cereal qualquer.
E que se conserva per se.
Exatamente. Quando entramos numa granola industrial, nós temos os flocos, temos a fruta, temos os frutos secos e depois, 90% dos casos, temos xarope de glucose frutose, mais outros edulcorantes e também açúcar, óleo de palma ou de colza ou de outro óleo qualquer refinado. E portanto, isto é um ultraprocessado.
Portanto, quando nós compramos aquela granola e pensamos: "Estamos a fazer uma coisa muito saudável".
Sim, qual é a maneira de nós sabermos que aquilo é saudável? Lista de ingredientes, passa sempre por isso. E por exemplo, pão. O pão da padaria normal, que teve fermentação, é um processado, mas cá está, como o iogurte natural, um processado que nós podemos incluir na nossa vida, que nos vai facilitar. Já um pão de saco, vamos simplificar, com aquela lista de ingredientes que nunca mais acaba, é um ultraprocessado.
Porque tem óleos, açúcares, etc. Conservantes.
Adição de conservante, açúcar, gordura.
Para durar interanos.
De aditivos, é de fácil digestão, exatamente. Alta validade, vamos pôr assim, muito tempo de prateleira e também alta palatabilidade, ou seja, que nos vai saber muito bem na nossa boca, porque é isso que a indústria nos produz.
Sendo que o leite também dura muito tempo.
O leite também dura.
Mas tem muitos químicos, quero dizer, tem muitos ingredientes que o fazem durar.
Hoje em dia, temos a vantagem da indústria alimentar ter processos que nos permitem aumentar a validade do produto, em alguns casos, como no leite, em que ele é apenas leite. Mas graças à grande evolução da indústria alimentar, nós conseguimos tê-lo pasteurizado fora do frigorífico muito tempo. A nossa cabeça vai um bocadinho para ultraprocessados ser aqueles cereais cheios de cores e formas de estrelas e afins. Mas a verdade é que vimos aqui que há-
Então e o que tu aconselhas? Fazer granola em casa?
Fazer granola em casa e também há granola processada. Vamos ver assim, deste nosso conceito de minimamente processado, processado e ultraprocessado. Existe granola processada, granola que nós olhamos o ingrediente e alguém, na indústria alimentar, fez como nós fazemos em casa, juntou os flocos com fruta, com frutos secos, com mel e está. E azeite e já está.
E mesmo assim conserva.
E mesmo assim conserva.
Isto é um bocadinho confuso, mas nós tentamos ajudar. Para terminar, temos um quiz que pode ajudar ainda melhor a perceber o que é que são ultraprocessados ou não.
Exatamente.
É só para saberem, caros ouvintes, que nós não temos aqui nenhuma respostas.
Pois não, isto é mesmo verídico. Então vamos lá ver. O que vocês acham? Vão dizer se é ultraprocessado ou não. Um gelado.
Super.
Muito bem.
Eu ia dizer médio. Cala-te.
Não, mas por que ias dizer médio? É importante.
Porque é pasteurizado. Estavas a pensar num daqueles sorvetes tradicionais e caseiros, se calhar. Pois, daqueles assim bons que se compram naquelas cuvetes.
Terá sempre emulsionante, lecitina de soja, por exemplo, porque senão não se vai conservar.
Senão não fica cremoso. Ganha cristais.
Ao ter isto, já é ultraprocessado.
Certo.
Iogurte de aroma.
Médio, processado só. Ultraprocessado, se tem aroma.
Ultraprocessado. Porque tem o aroma. Mas é que não é morango.
É isso que eu ia dizer, vai ser uma coisa qualquer para dar sabor a morango.
Química, para dar sabor a morango.
Se comprarem os iogurtes errados.
Sim, qualquer um de aroma vai ter. Imaginemos assim.
Ou os de pedaços, por exemplo.
O de pedaços, que tem realmente pedaços de morango, qual é o problema? Para esse pedaço de morango se conservar lá dentro, vai ter que ter açúcar adicionado, senão não há forma de fazer isto.
Nem com coisas boas?
Não, não há mesmo forma de fazer isto. O mesmo de pedaços também é ultraprocessado. E a gelatina?
Ultraprocessada.
Ultraprocessada.
É? Pensei que era um processo assim mais simples. Não, porque essa teve que ser refinada, teve que juntar-
Emulsionantes, corantes, edulcorantes.
Exatamente.
Sem dúvida.
Mais corantes, para ficar vermelha, verde e azul.
Sim, é literalmente uma poção mágica, a gelatina. E agora um wrap integral.
Processado. Ultraprocessado.
Ultraprocessado.
Por quê? Dura muito.
Dura imenso, tem edulcorantes, tem conservantes, tem emulsionantes. Então se for integral, e aqui deixo uma dica, vocês vejam, comparem o integral com o wrap normal, porque até o ingrediente de óleo consegue ser pior no integral.
A sério?
A sério. Vejam isso.
Tendo uma pessoa a mamar. Ali a tentar ser saudável.
Cá está.
A abdicar de sabor.
Temos que olhar para as atenções nutricionais e tentar descortinar aqui um bocadinho. Depois até podíamos entrar numa tema destes.
Era muito interessante falares dos integrais, e dos doces, e dos lights, e dos saudáveis. Temos que dedicar um programa só a isso. Temos um minuto, ainda temos algumas?
Temos três. Tortitas de arroz. Sabem o que é? Aquelas que parecem umas dietas.
Não sabem é nada, são horríveis, não sei como é que alguém gosta daquilo. Mas são ultra, porque também se conservam imenso.
O que dizes, Nelson?
O do meio.
Processado. É processado. Porque é só o arroz. Vocês vão aos ingredientes e diz: arroz tufado.
É tão seco, tão sem sabor, que é impossível fazer mal.
É arroz tufado.
Quando dás pequenos, eles depois gostam. É verdade.
Agora, se tiver recheio disto e daquilo, já é ultraprocessado.
Mais?
Salsichas.
Super, hiper, mega. Talvez a coisa mais ultraprocessada que está aqui. Ninguém sabe o que está lá dentro.
Cerveja.
Processado.
Só processado?
Por acaso tenho dúvidas. Mas por quê? Se for daquela dos monges. Se tiver arroz e não sei o quê lá dentro.
Conservantes.
Se for só a boa da cevada.
Pois, mas é que isto não é só cevada.
Cerveja deve ser ultraprocessada.
É ultraprocessada, como outras bebidas alcoólicas também.
Mas é ultraprocessada em bom. Depende da marca e do modelo. Mariana, estamos aqui a ficar sem tempo. Deixa-nos lá a pergunta para quem nos ouve no Spotify. Vão reparar que nos episódios do "Aprender a Comer" tem sempre uma questão no final. Qual é a questão desta semana? A propósito de minimamente processados, processados e ultraprocessados.
Então é para ver em casa se as pessoas sabem quais é que são os ultraprocessados. Quais destes alimentos são ultraprocessados? Um, pizza congelada. Dois, iogurte de aroma. Três, margarina. Quatro, todos os anteriores.
Peçam pelo Spotify, também podem ouvir.
Se ouviram parte do programa, já aprenderam.
Algum já deve ser fácil responder. Para a semana regressamos com mais um "Aprender a Comer" e com a Mariana Chaves. Até lá, Mariana.
Até lá.