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E quem era ao certo esta mulher? Contra um tempo e um país que não a quis ouvir. As boas meninas podem ir para o céu, mas são as más que mudam a história. Se havia mulher apaixonada por António Oliveira Salazar, essa mulher chamava-se Domitila de Carvalho e nunca o escondeu. Debaixo de uma superfície de entendimento político e ideológico, ardia um enlevo apaixonado, inconfesso e febril. Um amor secreto e reprimido, um arrebatamento, talvez inconsciente, que se revelava por cartas e versos. Admitia que sendo ela uma das poucas mulheres solteiras e emancipadas com telefone em casa, o presidente do conselho ia ligar-lhe para o 161 742. Desobediente número cinco, Domitila de Carvalho, médica, professora, escritora, política, quase 100 anos de uma vida pioneira na história da emancipação da mulher portuguesa. Mas pode ser uma revolucionária, ao mesmo tempo, uma conservadora. Está no ar as Desobedientes da Rádio Observador. Eu sou a Margarida Vila Nova.

Eu sou a Maria João Lobo de Carvalho.

E eu sou o Alexandre Barros.

Quem inventou a expressão "sexo fraco" não conheceu mulheres como a Domitila.

E quem inventou a expressão "o segundo sexo", foi a Simone de Beauvoir. Gostaste? Ou seja, toda a mulher era relegada para uma condição absolutamente secundária. E o que estas mulheres fizeram, a Domitila e as colegas, que já falámos e vamos falar, foi a dificuldade que sentiram para transpor este muro mental que havia na sociedade. Já que uma mulher, como também dizia a mesma Beauvoir, não nasce mulher, torna-se mulher. Por isso eu estou a responder à tua pergunta, uma conservadora ou uma revolucionária não nasce conservadora nem revolucionária, torna-se.

Torna-se, faz-se.

Faz-se. Conquista-se, também.

Também. Esta Domitila, que assistiu à queda da monarquia, à implementação da República, à instauração da ditadura, duas grandes guerras. É a nossa quinta desobediente. Já vamos com uma mão cheia de desobedientes e para quem não ouviu as nossas outras desobedientes, está disponível na plataforma podcast, YouTube e no site do Observador. A nossa Domitila nasce a 10 de abril de 1871. Domitila Ormizinda Miranda de Carvalho.

É minha prima, para já. Carvalho, Carvalho. É tudo o mesmo ramo.

Pensei que era de Ormizinda.

Tinha uma certa sonolência esta senhora, mas trabalhava que nem maluca. Faz as hostes, Maria João, conta lá.

Faz as hostes. Não já repararam que nas últimas também temos vários pais que eram professores primários ou que ensinavam em casa. Tem graça.

Os meus pais eram professores primários, portanto, fico orgulhoso.

Faz parte aqui do naipe e com muito mérito. Ela nasceu em Entrancamento da Feira, que é uma vilinha perto de Aveiro. Era classe média, os pais, como eu disse, eram os dois professores primários, mas, como também já aconteceu nas outras, o pai morreu ainda Domitila erme, continua a frase.

Ormizinda.

Miranda de Carvalho.

É sempre difícil o nome, mas olha, é uma boa ideia para nomes novos.

Sim, já chega de...

Já chega de nomes sempre iguais.

Beatriz e Martins.

Isso, chega. Morreu quando a Domitila nem um ano completara. A mãe não teve outro remédio senão tratar de ensinar fora de casa também, ser professora do Magistério Primário, como então se chamava, para ver se conseguia educar, salvar, financiar as filhas. Temos aqui uma frase muito gira, que aposto que o Alexandre vai adorar dizer, que era o que é que dizia o primeiro ministro da Instrução Pública em Portugal, que é o equivalente ao nosso ministro da Educação, då António Costa, não é o António Costa que nós conhecemos, nem é parente. Dizia coisas muito interessantes e, sobretudo, muito feministas.

Muito feministas. Dizia ele: "Sinceramente suponho, em meu humilde parecer, que a emancipação política e científica não é um princípio natural da mulher. Outras carreiras lhe podem ser destinadas. Esta não. Creio que se lhe opõe a sociedade e a natureza". Dois adversários pequenos. "É indispensável que exista a igualdade dos sexos, mas por um princípio natural, não artificial".

Mas é assim mesmo.

O que despertou alguma espicação aqui a nossa desobediente.

Sim. Por que razão havia de submeter-se a continuar a ficar como segundo sexo, como dizia a outra. Ela estuda em vários sítios, num país em que era difícil os transportes. Castelo Branco, Bragança, Leiria, etc. Entretanto, era muito mal vista menina que estudasse. Quem estudava, estava na lista negra para pretendente ao trono, ou seja, ao casamento. Chamavam-lhe essa bichona, que era o pior palavrão que se podia dizer na altura. Essa bichona com gosto para rabiscar. Nunca me chames isto.

Pronto, vou fixar.

Essa bichona com gosto para rabiscar é ótimo. Não se recomendavam de todo os estudos às meninas, para que servia a cabeça, para que servia o cérebro. O que elas tinham era que ser boas donas de casa, ajudar na família, ajudar a cuidar dos filhos, ajudar na cozinha. Palpites, para quê? Palpites intelectuais ainda menos. E então, como sabemos, há uma data histórica aqui, que é a data em que ela entra na Universidade de Coimbra, em 1890. Como? Tendo sido a melhor aluna do Liceu de Leiria. Mas não é muito fácil. Alexandre, entrar na faculdade, na Universidade de Coimbra, naquela altura.

Nunca tinha havido.

Pois.

É a primeira.

Exatamente. Nunca tinha tido uma mulher lá. A mãe da Domitila escreve ao reitor, mas tinha havido uma reforma universitária uns anos antes, pouca coisa, 100 anos antes, em 1772, que também não proibia, ficava em aberto de algum modo. E portanto, ela escreve ao reitor, o doutor António dos Santos Viegas, e ele próprio envia um ofício ao ministro, portanto, escreve ao governo, escreve ao ministro da Instrução Pública, requerendo a permissão da matrícula para esta jovem. Diz ele: "Não encontro na legislação académica disposição alguma que obste à matrícula de alunos do sexo feminino, a não ser para a faculdade de Teologia." Estava especificado que para Teologia não podia ser.

Mas sabes que há um truque também aqui, que havia umas licenciaturas menores em Coimbra, como por exemplo, enfermeiras, parteiras e dentistas.

Ah, pois.

E aí, na ideia de combaterem a superstição e combaterem os curandeiros e aquilo tudo, eles aceitavam que as mulheres fossem para estas, como já falamos das outras vezes, as parteiras, porque eram mulheres e era mais fácil. Mas já agora, dobra a língua, Alexandre. Não é um reitor, é o magnífico reitor. Estou a brincar.

Mas eu acho só curioso, é um parêntese, a mãe desta nossa desobediente chama-se Margarida, deve ser de um nome, com certeza, que era boa pessoa.

Vá lá o nome bonito no meio disto tudo.

Eu acho tão bonito a forma como encorajou a filha. Aliás, é a filha que escreve a carta ao magnífico reitor, mas assinada pela mãe. E então é engraçado como percebe, incentiva e apoia, numa altura em que a vizinhança toda tão mal achava que ela andasse a estudar, mas a mãe não desiste e deixa a filha seguir o seu caminho. E esta emancipação, sobretudo na ausência de um pai, eu acho que este lado feminista que ela depois vai contestar mais tarde, mas que saiu à mãe, de alguma maneira.

Sim, era a galantíssima demoiselle que andava por Coimbra, mas atenção que ela tinha que vestir de preto, ser recatada, não parecer excêntrica e sempre acompanhada pelo irmão.

Também estudava em Coimbra.

Em Medicina também. Não anda para lá.

A rapariga tirou três licenciaturas. Em 13 anos.

Não, mas espera, deixem-me só fazer aqui uma correção, que eu depois de tantas vezes ver casos destes, achei estranho. Lembram-se, no meu tempo, que já sou velha, tinha o ano propedêutico, que era o que hoje é chamado o 12º. Antigamente, eles quando entravam na Universidade de Coimbra e também na Escola Politécnica de Lisboa, tinham que fazer uma espécie de ano propedêutico, que eram para aí dois anos, em que estudavam Filosofia e Matemática.

Fantástico.

E portanto, esses anos era uma preparação para o curso de Medicina. Muitas vezes nós dizemos: "Fez três licenciaturas." Não, fez Filosofia e Matemática, que era obrigatório, tipo estudos básicos para entrar, e depois, sim, podiam ingressar em Matemática.

Mas olha, Maria João, mas não foi só um ano. Ou seja, ela formou-se mesmo neles, porque ela entra em 1871.

Formou-se, sim, esteve 13 anos lá.

Ela está três anos em Matemática primeiro, depois faz mais um ano para cumprir Filosofia. Certamente que já tinha esse ramo comum que dizes.

É o ramo comum.

E depois Medicina.

Ingressava em Medicina. Ela teve uma data de anos, ainda fez o doutoramento a seguir.

Aliás, ela depois vai ser professora de Matemática.

A primeira professora de Matemática, que eu acho sempre incrível. Ela é primeira em tudo.

Exatamente.

Esta mulher é a primeira professora de Matemática.

E sabem quem é que financiou o doutoramento? A rainha dona Amélia, madrinha de doutoramento. Não é financiou, é mais apadrinhar o doutoramento.

Amadrinhou.

Amadrinhou o doutoramento. E assim foi, estes anos todos passados, acabou por formar uma mulher especialíssima. Só que vem o amor, Margarida.

Não, é a Matemática.

Tu gostas de Matemática?

Não, claro que não. Matemática dá sempre problemas na vida das pessoas, estás a ver?

É isto.

Então, não é que a rapariga, muito concentrada, que andava lá nos estudos, e aliás, ela diz isso, que ela tinha que trabalhar muito mais do que qualquer uma, estudar muito mais do que qualquer uma, não qualquer um, sendo a única mulher que estudava. E esta noção de que tinha que provar muito mais por ser mulher, mas acaba por se distrair pelo caminho e apaixona-se pelo professor de Matemática. Um professor de Matemática que mais tarde a incentiva a candidatar-se ao lugar de astrónoma no Observatório Astronómico. E o senhor pede em noivado, a moça tinha aceito o noivado, já tinha uma relação de três anos, uma coisa séria.

Deve ter sido uma relação muito intensa.

Ora, quando de repente lhe negam o cargo e entregam-lhe o cargo de astrónoma aluno, ela sentiu-se discriminada e humilhada e não só recusa o cargo, como recusa o noivado. Eu acho isto fabuloso. Ela tipo: "Ah, não queres?"

Não queres? Eu não quero nada.

"Então pronto, então vou-me embora."

Grande mulher.

E seguiu em frente o seu caminho. E nunca mais se lhe conheceu nenhum amor, senão mais tarde, uma grande paixão.

Mas era uma mulher bonita, Margarida.

Era uma mulher linda.

O que tu achas? Podes mostrar aí. Ela era mesmo bonita.

Eu vou deixar aqui a imagem.

Exato, fica esta extra, para quem estiver a ver este podcast.

Dentro do género da época, esta fotografia será de 1890, quase 1900.

O penteado faz-me lembrar o da Sean Young no Blade Runner. Mas fica essa referência retrofuturista também.

Mas de facto era uma mulher extraordinariamente poderosa, na capacidade de dizer que não, de bater o pé, de voltar, de fazer o que queria e lhe apetecia. Até que vem aí a implantação da República.

Isso é que foi um desgosto.

Monárquica era, temos todos a certeza. Conservadora, também. Muito próxima da rainha dona Amélia, como percebemos. Agora imaginem o que é com isto tudo, mais uma que assistiu ao regicídio E não deve ter sido fácil para as pessoas que viveram naquela altura. O seu mundo de príncipes e princesas e de contos de fadas, como tantas vezes temos aqui falado, foi substituído pela República, pela bagunça da Primeira República e não sei quantos governos que aposto que o Alexandre sabe dizer de cor.

É curioso que ela era uma monárquica convicta. Ela diz: "Sou monárquica por convicção, por sentimento e por educação. Respeito as leis do meu país e cumpro os meus deveres de professora o melhor que posso e sei. Se eu deixasse por escrito sou republicana, tinham o direito de me chamar mentirosa."

Sim, porque é contra a religião, todos os contras que a República trazia para uma mulher monárquica, convicta, conservadora, tudo isto que tu acabaste de dizer. Portanto, de repente, a República é a república das bananas.

Claro.

É o não saber. Nós estamos agora a ver a 100 anos de distância, a olhar para trás, mas eles não sabiam. De repente aquilo era tiros, mortos, alguém a escapar. Não é, Alexandre? Tudo o que se passou aquilo, aqueles tumultos todos.

Sim, não é difícil imaginar.

Para as pessoas daquela época e as conservadoras.

Exato. Para alguém conservador, em geral, que tudo aquilo parecesse o fim do mundo.

Aliás, ela pede a exoneração do cargo. Ela na altura é reitora do Liceu Dona Maria Pia e bateu-lhe de tal maneira a República, que pediu a exoneração do cargo. Já ia em reitora e aquilo acho que foi um desgosto na vida dela, mas acho que ela se reconcilia depois mais tarde.

Também acho que sim. Acho que ela devia ser muito pragmática ao mesmo tempo. Ou devia concentrar-se imenso no trabalho e, portanto, aí tens. Já temos falado várias vezes dessa escola, que é o Liceu Rainha Maria Pia, que é o primeiro liceu feminino em Portugal. Ela é a primeira reitora, já agora, é mais uma coisa que ela é a primeira.

E sabe onde é que ficava nessa altura? Para as pessoas aqui de Lisboa.

Era em Alfama.

Boa, Alexandre! Ponto para ti.

Eu faço trabalho.

Esta é em Alfama. A gente acha: "Era ali na Rua da Filipa I."

Ali perto das Amoreiras.

Perto das Amoreiras, em Lisboa, para quem esteja a ouvir falar de Lisboa, que era no centro de Lisboa. Não, era em Alfama, que na altura era o centro de Lisboa.

E ela é mesmo uma das pessoas que intervém. Ou seja, a escola já existia, a escola Maria Pia, em geral como escola feminina, mas não era liceu. Ela é um de dois professores que intervém e que escreve ao rei, precisamente. Escreve ao rei D. Carlos, usando também os seus bons connects, a propor a transformação em liceu. Portanto, depois é por isso que é essa a primeira.

E só se torna liceu feminino Maria Amália Vaz de Carvalho em 1933, já em pleno Estado Novo.

Tal e qual, já bastante mais tarde.

Pronto. E entretanto a vida continua. Olha, uma das guerras dela também engraçadas, é que ela percebeu que havia que formar professores para o liceu. Não bastava só ser professora de liceu. Quem é que vai ensinar estes jovens?

Exato.

E era essencial ensinar a ensinar. Portanto, uma das guerras delas foi exatamente isto. Em relação às questões femininas, Margarida, isto é que foi mesmo engraçado. Porque ela era feminista ou não era feminista?

Exato.

Andava de rendinha e colares de pérola e toda bonitinha e golinho de vestido, ou andava de colarinho e bengala e com ar assim: "Vamos lá disputar o terreno dos homens."

Ela sobre o feminismo, diz: "O meu feminismo pretende a mulher ilustrada, sem vaidades, que a fariam ridícula, mas sem ignorâncias que a deprimam ou envergonhem." Independência e liberdade de palavras e ações foram sempre os valores mais caros a Domitila. Biografou Maria Amália Vaz de Carvalho e Sidónio Pais, escreveu sobre cinema, literatura e poesia, além das longas cartas que trocou com os mais notáveis interlocutores. Um, no entanto, mais notável do que os outros. Um homem especial. Quando o viu pela primeira vez, sentiu enfim derreter-se do coração. Era nem mais nem menos do que o presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar. E quem era ao certo esta mulher? Contra um tempo e um país que não a quis ouvir. As boas meninas podem ir para o céu, mas são as más que mudam a história. E quem era ao certo esta mulher? Contra um tempo e um país que não a quis ouvir. As boas meninas podem ir para o céu, mas são as más que mudam a história. Bem-vindos de volta às Desobedientes. Hoje estamos a contar a história de Domitila de Carvalho, a primeira mulher aceite como estudante na Universidade de Coimbra e que virá a ser também uma das três primeiras mulheres deputadas na Assembleia Nacional. Mas primeiro, deixamo-la num momento delicado, aquele em que se apaixona pelo presidente do Conselho. O que achava Salazar do movimento feminista?

Ei, posso só interromper?

Interrompe.

O que é que ela achava? Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Perante pessoa, slogan para a Coca-Cola.

Escrito mais ou menos nestes anos.

Exatamente, em 1927, e depois foi proibido, porque o Salazar não queria cá modernices americanas a contaminar o espírito Deus, pátria, família. Era só um aparte.

Alexandre, que me dizes sobre esta questão Salazar versus feminismo?

Exato, é interessante. Por um lado, vamos ver que vai haver uma senhora como Domitila e muitas outras ilustres que estão a favor do Estado Novo e, portanto, contra o dito caos da Primeira República de que estávamos a falar. Por outro lado, não há nenhuma dúvida, acho eu, que salazarismo e feminismo não rimam só acidentalmente. Não na substância. Por dentro, na substância, são, como penso que temos todos mais ou menos um conhecimento geral, são muito diferentes. A Constituição de 1933, que é a Constituição do Estado Novo, traz logo uma pequena diferença muito simbólica em relação à de 1911. A da República enuncia a igualdade dos cidadãos perante a lei e, portanto, e aqui cito textualmente, a negação de qualquer privilégio de nascimento, nobreza, título nobiliárquico, sexo ou condição social, inclui a palavra sexo, mas depois acrescenta um artigozinho à frente. Faz uma ressalva Quanto à mulher, as diferenças resultantes da sua natureza e do bem da família. E isto abre caminho a tudo.

O que isso quer dizer?

Somos todos iguais perante a lei, mas atenção à mulher e à sua natureza e ao bem da família. Portanto, toda a comunicação do Estado Novo fará o elogio do regresso ao lar, do papel da mulher enquanto esteio familiar. A família é sempre a imagem usada ao longo do Estado Novo como a da célula fundamental do Estado, da imagem do regime, e abertamente nos discursos de Salazar e dos ministros é feita esta analogia entre gerir a casa, gerir o Estado. E a mãe, a mulher, esse papel da mãe é louvado e, portanto, há um regresso. Portugal já é um país com crônicos atrasos do ponto de vista do desenvolvimento, apesar de tudo, tinha-se começado no século XIX com uma sociedade protoindustrial, em que as mulheres começavam a sair de casa para irem trabalhar nas fábricas, em todas estas coisas, e de repente tens um bocado este elogio do regresso.

Voltem para casa e sejam mulheres.

Exatamente. Isto aqui é fundamental. E portanto, há esta questão enorme do salazarismo com o feminismo. Também há, por exemplo, a questão da lei do divórcio, que tinha sido aprovada no início da República, que é retirada. Demora, mas vai ser em 1940, quando tens a concordata, o acordo entre Estado e Igreja em Portugal, que passa a proibir, pelo menos se o casamento foi feito pela Igreja, deixa de haver o direito ao divórcio. E também é revogado um direito que estava na lei, que era a mulher não pode ser coagida a regressar a casa. Esse direito foi revogado durante o salazarismo, ainda em 39, ainda antes da concordata. Portanto, vejam, é muito complicado. E é engraçado que nesta altura os números que tínhamos de divórcios, que ainda eram baixos em Portugal, mas é muito interessante também ver essa estatística.

Em 13 foi decretada a lei do divórcio.

É, do divórcio, tal e qual. Portanto, ao longo de quase 30 anos, apesar de tudo, tens divórcio, até à concordata, até 1940. O que aconteceu? Tu tinhas 40% dos divórcios, a percentagem acho que é mais eloquente. 40% dos divórcios aconteciam em Lisboa e no Porto. Portanto, isto era todo o país.

Mais oportunidades de negócio.

Exatamente.

É melhor não casar em Lisboa e no Porto, vamos casar em Bragança, que dá mais sorte.

Tal e qual. E depois também há uma diferença engraçada, nem sei o que quer dizer, mas tem piada, que era a maior parte dos divórcios em Lisboa eram pedidos pelas mulheres e no Porto eram pedidos pelos homens.

E custavam muito dinheiro.

Pois, deviam custar.

Ainda hoje custam.

Ainda hoje custam. Mas aqui mesmo o processo e tudo.

Mas portanto, tinhas esta grande cisão de um país urbano versus o país rural, particularmente nesta questão das mulheres. Porque o que é que é no fundo aqui entendido enquanto o trabalho familiar? E há aqui uma reconfiguração do entendimento legal do que é que é o trabalho feminino. Passa a ser realmente esse trabalho visto como o trabalho remunerado fora de casa, numa outra entidade qualquer. Ou seja, o trabalho feito no contexto familiar, que acontecia tantas vezes na agricultura, num pequeno comércio familiar, numa pequena coisa, passa a ser visto só como uma espécie de assistência ao chefe de família, deixa de contabilizar como um trabalho autónomo da mulher.

Assistência ao chefe de família. Oiçam bem.

E é curioso a Domitila, embora fosse uma apoiante de Salazar, Deus, pátria e família, ela apoia a lei do divórcio. Ela é a favor da lei do divórcio.

Ela vai evoluindo no seu pensamento.

É, e sente-se isso, o pensamento dela. Não sei até se ela não fica um bocadinho zangada com o sistema no final da sua vida. Ela viveu até aos 95 anos, portanto, teve muito tempo para se chatear. Teve muito bagagem para se chatear. Mas é engraçado uma mulher tão conservadora, católica.

Católica, só interromper a Margarida para dizer uma coisa. Sabes que ela rezava todos os dias um terço por Salazar?

Um terço inteirinho.

Inteirinho por Salazar. Vejam lá. Se fosse só o terço, imagina os pensamentos.

Isso realmente dá que pensar. Ela vai morrer para aí...

Ela morre quatro anos antes dele.

Portanto, acabaram-se os terços.

E portanto, o senhor caiu. Caiu da cadeira. Se tivesse a senhora ainda a rezar o terço por ele, ainda cá estava.

Ainda cá estava, mas rezará de outra forma. Bom, mas a verdade é que a história é sempre contada pelos homens, não é?

Tal e qual.

Portanto, estamos aqui a ver uma versão da história contada pelos homens. E não é o Alexandre, que é o homem a quem eu me refiro, mas é o que o Salazar ditava para contar a história.

E ela bate-se com ele.

Bate-se com ele, é isso mesmo. E realmente, nestas duas questões, no mínimo, nestas duas questões fundamentais, o que estás a dizer, Margarida, a lei do divórcio, e mesmo nesta questão do trabalho, ou seja, apesar de ser perfeitamente favorável ao regime, ela vai sempre bater-se contra isto. Quando começarem as vozes contra as mulheres que saem de casa, que parece que abandonam o lar para irem trabalhar fora, ela insurge-se contra essas críticas e defende injustamente esse direito.

É a história que ela diz que abandona os filhos. Portanto, ela diz: "Tanto abandona os filhos, a mulher que está em casa, se for para abandonar, abandona mesmo. Há um monte de coisas para fazer em casa, abandonando os filhos, não lhes prestando a menor atenção, os menores cuidados, como abandona a que está fora. Se formos por abandono, uma boa mãe é sempre uma boa mãe, trabalhe ou não, em casa ou fora."

Sim, e depois numa outra questão, que é a proibição do casamento às enfermeiras, ela também se vai bater e vai escrever a Salazar a dizer: "Deve vossa excelência ter razão a avaliar pelo dom da profecia, tantas vezes verificante, quando inclui numa lei geral inúmeros casos que, por motivos imperiosos, impostos pelas exigências da vida presente, devem estar fora dela". E por aqui vai, por aqui vai. E é curioso, ela não se deixa ficar. O Salazar para lá.

Sim, mas ela escreve, e ele responde-lhe com duas linhas lacónicas, uma das quais é sempre a perguntar: "Tem novas da sua amiga?"

Sim, que entretanto esta senhora era o pombo correio.

Era o pombo correio da rainha dona Amélia e o Salazar. Portanto, não ser ele a escrever diretamente, mandava a Domitila escrever e depois perguntava: "Tem novas da sua amiga?"

Escreveram durante 20 anos.

Mas então, mas isto era mesmo real? Ou seja, ela foi mesmo apaixonada pelo Salazar?

Agora vai da interpretação do texto, Alexandre. Se tu recebesses um lencinho perfumado com um A, Alexandre, neste caso era o mesmo A de António a enviar a Salazar. E aqueles poemas, quer dizer, se ela não está apaixonada por ti.

Porque ela escrevia poemas, não é? Ela escrevia poemas ao Salazar.

Sim, escrevia poemas e diz que escrevia-lhe coisas incríveis.

Lê lá, Margarida.

Queres o poema ou queres assim uma...

Podes ler uma tirada da carta, o que tu quiseres.

"Que Deus nosso Senhor o recompense, incutindo no coração dos portugueses o sentimento de gratidão por quem vem renunciando a todas as alegrias."

Olha lá o que é que ela renunciava. Ela amava pelos dois, como dizia o nosso Salvador e a nossa Luísa. Neste caso, amava o salazinha, em fantasia pura, mas acalentava-se das duas linhas que ele escrevia. Mas o Salazar tinha ali uma corte de admiradoras. Era um influencer, mas um influencer. Para as mulheres, não faço ideia o que seria o Instagram dele se fosse hoje. Não, era só mulherio ali, porque eram centenas de mulheres, lencinho branco, e ele sabia que se elas Algum dia pudessem votar, que o Alexandre já vai explicar.

Exato.

Que as mulheres que poderiam votar, votariam sempre nele.

Sim.

Era um exército.

Acho que estás a fazer uma ótima passagem, Maria João. É mesmo isso. Porque apesar de tudo, os críticos de Salazar dirão: "Ele era antifeminista, mas ele é que deu o voto às mulheres".

Como dizia o António Ferro, sabes a frase?

Diz lá.

"Elegantemente antifeminista, como todos os ditadores, incluindo o Mussolini."

Tal e qual.

Elegantemente.

Exato, elegantemente antifeminista, é muito bem achado. Nunca era assim uma coisa descarada. Mas realmente foi idêntico. Nas ditaduras do Sul da Europa, em Portugal, em Espanha, em Itália, a situação era a mesma. Por exemplo, a Alemanha também era uma ditadura, mas apesar de tudo, já havia muito mais mulheres a trabalhar fora, etc. Havia um outro entendimento da coisa. Realmente aqui embaixo foi mais esse discreto antifeminismo. Mas em 1933, já vimos aqui, vamos guardar isso para um episódio em que vai fazer muito mais sentido discutir explicitamente o direito de voto às mulheres, mas já sabemos que a República foi mais ou menos deixando que esta conversa acontecesse, mas depois, na realidade, não avançou com o sufrágio universal. Era um saco de gato, exato. A pretexto de um argumento que era que as mulheres eram muito influenciáveis pelos seus confessores, pelos padres.

E pelos maridos.

E pelos maridos. Mas é um pretexto mal pagador. Agora, em 1933, o Estado Novo concede direito de voto às mulheres sobre uma quantidade. Exatamente, isso mesmo. Portanto, elas tinham que ser ou viúvas e serem as donas de casa ou ter pessoas a seu cargo, ou solteiras com muitos estudos. Depois a lei chega a determinar as escolas em que elas têm que ter estudado para poderem exercer esse direito. De qualquer modo, a Adelaide Cabeta, que nós vimos no nosso episódio número 4, foi a primeira mulher a votar nessa altura, quando estava em Luanda, votou nos anos 30. E aqui a nossa Domitila vai ser uma das primeiras, apesar de se ter oposto.

Exatamente.

Sabes o que ela diz sobre o voto?

Ela era totalmente contra, antes.

Sim, mas ela diz uma coisa extraordinária sobre o voto. Teria que encontrar agora, mas é uma citação ótima que há. Bem, mais à frente, se me recordar, eu coloco.

No fundo, ela era contra o voto e achava que não é o assunto do dia, não é a prioridade, e afinal acaba por ser o voto que a elege.

Que a coloca na Assembleia da República, à época a Assembleia Nacional.

Com mais duas.

As três solteiras, as três formadas, as três independentes, nenhuma delas foi mãe.

É um perfil muito curioso, aliás, só antes de passar aqui a palavra à Margarida, dizer que não é um acaso que as três primeiras deputadas fossem as três solteiras.

Não, era de prever.

Vocês vão ver que no fim do salazarismo, a maior parte das mulheres que trabalha fora de casa ainda são as solteiras, justamente, ou as solteiras ou as viúvas.

As encalhadas.

Realmente prevaleceu.

As pulhizas.

É isso, exato. Podes crer.

Que não arranjavam noivo.

É isso, porque realmente prevaleceu esta ideia de que a mãe e a dona de casa estava em casa e tinha poucas condições.

Às ordens do seu Salazar doméstico, que era o marido.

As três nunca casaram, nunca tiveram filhos, fizeram uma carreira incrível, notável.

Chamavam mulheres guardiolas nos anos 50.

E não acho nada que tenham sido sozinhas, devem ter tido uma vida interessantíssima. Privaram com pessoas interessantíssimas.

Sim, com os deputados todos, com os membros do governo.

E abriram caminho a tantas outras mulheres.

Sim.

Ela hoje, se fosse viva, tinha que ter mordido a língua com o que disse, que foi: "Não me interessa a política e essa questão do voto para as mulheres também nunca me preocupou o meu espírito."

Toma lá.

Toma lá.

E é precisamente o que ela vai fazer. Votar em política.

Há coisas que estavam no destino.

Eu acho que ela dava mais prioridade nessa altura, tal como tínhamos visto na Carolina Michaelis, àquela ideia de que primeiro temos que nos preocupar com a instrução das mulheres.

Já é comum a todas. Se déssemos o nome do comum, feminismo era educação pelas mulheres. Esta não gostava da palavra, obviamente, mas era a educação das mulheres, ensinar a ensinar, evitar mortes prematuras por falta de conhecimento das mães, dos cuidados que tinham que ter.

Isso realmente põe um bocado a coisa em perspectiva.

Isso. Mas ela depois fazia parte dos médicos católicos portugueses, reparem que são organizações diferentes das que temos vindo a falar, e da Organização das Mães para a Educação Nacional. É claro que partilhava o palco com várias outras mulheres, também ditas conservadoras, mas também altamente contraditórias. Mas, Alexandra, aquela coisa muito gira mesmo, que é: quais são as bandeiras que ela ergue no Parlamento?

Exatamente.

Vamos a saber. Estas é que são. Aqui partamo-nos de rir em office.

Exatamente, foi muito giro descobrir isto. Ela, como estavas a dizer, não era mãe, não era casada, mas os seus temas tinham muito a ver com as crianças, com a educação delas, com a saúde delas, combater a mortalidade infantil. Os números eram assustadores. Ela diz numa intervenção...

Aquela da criança dos 12 segundos.

Exato. Ela diz: "Neste país, uma criança menor de 5 anos morre a cada 12 minutos." É uma coisa incrível.

Que é 1930, devido à ignorância das mães.

Exatamente. E é por causa da proposta dela que é inscrita na lei a obrigatoriedade das aulas de higiene e puericultura, de que já tínhamos falado também por causa da Adelaide Cabeta. Mas já este ponto maravilhoso diz?

Porque era mesmo com a ideia de salvar a criança.

Salvar a criança, exato.

E das mulheres

Exato. Repara, coisas mesmo de primeiríssima necessidade. Agora, divertiu-nos muito descobrir que é por causa da Domitila de Carvalho que trouxe a primeira classificação etária para os filmes e para o teatro em Portugal. É no final de 1938 que ela leva uma proposta à Assembleia, está muito preocupada com a influência do cinema.

Nociva.

Nociva sobre as nossas crianças e jovens. Isto é muito bom, todas as palavras ela diz: "A ação exercida pelo cinema no espírito das crianças é, de um modo geral, pernicioso, quando não haja na organização dos respectivos programas os necessários cuidados e delicadeza." Ela quer proibir simplesmente para menores de sete anos, não há cinema, e dos sete aos 16, isto tem que ser muito bem selecionado. No início de 39, vem o parecer da Câmara Corporativa, que eu também acho genial, a resposta é. Diz a Câmara Corporativa: "Na verdade, a projeção cinematográfica constitui o divertimento mais ardentemente desejado por todos, sobretudo pela mocidade. No entanto, o mau cinema é considerado uma escola de imoralidade, trazendo grandes malefícios para os jovens. Prejudica a saúde, incita ao sensualismo, corrompe os costumes, conduz aos vícios, aos crimes, à tentativa de suicídio, deforma as consciências e a mentalidade, faz baixar o nível espiritual, propaga ideias pagãs e materialistas."

Ring the bell?

É incrível, não acha?

Qual é a parecença que agora vos ocorre? Redes sociais.

A discussão sobre as redes sociais.

Sim.

Isto fez-me pensar.

É igualzinho.

A história repete-se. Com mais coisas, menos coisas.

Isto era a inovação.

Noventa anos depois, a discussão é idêntica, de facto, sobre as redes sociais.

Como se põe com a inteligência artificial também agora.

Exatamente. É genial, porque a Câmara Corporativa cita o bispo de Hollywood. Eu nem sabia que havia um bispo em Hollywood. Citam o bispo de Hollywood, que está muito preocupado e que diz: "A maior parte dos filmes ensina uma filosofia de vida falsa, errónea e insidiosa."

Agora vamos imaginar o que é a Domitila estar a ver um filme com a Margarida Vila Nova ou a peça de teatro.

É para estares ela.

Estava cancelada numa hora.

Proibida diretamente.

Minha menina, ias ouvir.

Vai para casa cuidar dos teus rapazes.

Deixa-me só juntar esta, porque há uma discussão de vários deputados, que isto prolonga-se durante dias, e há um senhor, um deputado, Guilhermino Nunes, que diz: "Atenção, o mal não está só no cinema, está também nas crianças que ficam desprotegidas nas casas, onde tudo abunda, onde a criança se perverte pela vida mundana que se faz." Isto é culpa de quem? Vão vocês dizer, quem é que tem a culpa destes males que acontecem?

As mulheres.

As mulheres, claro. Ele diz: "Eu queria saber como é que essas mulheres que se pintam, que se desnudam, se desonestam perante os seus filhos, querem ser olhadas." Eu adorei o verbo desonestar.

Eu vou adotar.

Desonestar, não é?

Desonestar.

Já viste como é tudo tão igual.

E é por isto que depois, de facto, acaba por haver aqui uma discussão e um balanço das coisas, mas vai sair uma lei, curiosamente a Lei 1974, ironias do destino, é o número da lei, vai ser a lei que define os primeiros limites etários ao cinema e ao teatro. Acaba por estabelecer os seis anos como mínimo, não tanto quanto a Domitila queria, põe os seis, depois dos seis aos 12, só durante o dia e determinados filmes, e a partir dos 12, qualquer coisa dos 12 aos 15, já podem ver filmes de dia ou de noite se forem acompanhados pelos pais.

E pronto, e com o bilhete se aporta a ver. Não havia bilhetes de identidade, certamente. Não sei. Pelo menos, graça e título de nascimento.

Exatamente.

Não sei, não, era o registo, claro.

Mas foram as causas da nossa Domitila durante as suas duas legislaturas.

Sendo que sempre iluminada pela paixão inconfessa pelo nosso presidente do Conselho. Morreu virgem, intocada, como alguns dizem, ao 11 de novembro de 1966. Quer dizer, não estávamos lá para ver. Se ela para verificou ou se foi desobediente. Mas se o foi, foi de boca calada. As nossas são as melhores.

Sempre a ouvir dizer.

Sempre a ouvir dizer. Mas até parece verosímil, não tendo tido outro amor.

Parece muito verosímil. Morre no ano em que é inaugurada a Ponte Salazar.

Sim, isso é engraçado.

É curioso.

No ano em que a Ponte Salazar é inaugurada, em que a guerra de África está ao rubro, 100 mil portugueses emigram à procura de uma vida melhor, muitas mulheres trabalham já fora de casa, cada vez mais seguem estudos superiores, a pouco e pouco, mas a maioria ainda está enclausurada naquele triângulo: Deus, pátria, família. Só para dizer uma frase muito bonita da última lição que ela deu no Liceu e que nós esperamos, os três, que seja muito inspiradora para quem nos ouve. "Qualquer que seja o futuro que o destino vos reserve, lembrai-vos sempre: sois mulheres acima de tudo."

E deixou este poema escrito a Salazar: "Não há repouso algum que mais conforte do que a serena paz interior de quem por amor de outrem renuncia. Se tinha de ser esta a minha sorte, seja feita a vontade do Senhor. Bendita seja a fé que me alumia."

Deixa também este que a Maria João cita no seu livro: "Eu sonhara uma vida tão ditosa, uma casita à beira mar de uma estrada, viver em paz, na graça do Senhor, num mundo que nos fosse o paraíso. Tu havias de rir do meu sorriso. Eu chorava por ti a tua dor."

Quando Domitila de Carvalho foi eleita deputada, estava já Ana de Castro Osório doente, em casa, retirada das muitas frentes de batalha em que se envolveu. Mesmo assim, a grande feminista ainda teve forças para sorrir com a notícia. Podia não concordar nem um pouco com o regime, mas o facto deste abrir, enfim, as portas da Assembleia Nacional a três mulheres acendia-lhe a esperança. Poderiam elas ser a voz da desobediência no coração da República? Quem foi Ana de Castro Osório e que chama era esta que se recusava a apagar? Se gostou deste episódio das Desobedientes, pode seguir-nos nas plataformas de podcast, no YouTube e no site do Observador. O podcast As Desobedientes tem o alto patrocínio da Toyota.

E quem era ao certo esta mulher?

Contra um tempo e um país que não a quis ouvir. As boas meninas podem ir para o céu, mas são as más que mudam a história.