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Cá estamos mais uma vez, Pedrolino. Bom dia. Estamos num arranque de ano, sempre altura boa para fazer balanços e tomar decisões.
É verdade, o início do ano é quando nós devemos fazer uma fotografia financeira dos nossos investimentos e da nossa vida, e em família, muitas vezes envolvendo não só os nossos cônjuges, mas também os filhos, fazer um planeamento para o que é a vida. E há algumas técnicas de organização de dinheiro que devem ser implementadas ainda antes de saber onde investir, porque muitas vezes as pessoas pensam: "Onde é que eu vou investir? O que é que eu vou fazer?" Mas antes disso, convém organizar-nos, porque senão o dinheiro fica todo num bolo e depois nós não temos muita organização. Temos aqui hoje as quatro caixinhas do dinheiro. No fundo, uma organização começa por dividir o dinheiro em quatro caixas mentais. A primeira é liquidez do dia a dia, a segunda, fundo de emergência, a terceira, curto prazo e a quarta, longo prazo e planeamento sucessório.
Muito bem, vamos só entrar em cada uma delas.
Vamos entrar então.
É tipo Marie Kondo.
Exatamente.
Organizar isto em caixinhas diferentes. Vamos lá. Liquidez do dia a dia.
Liquidez do dia a dia é o dinheiro que está na conta à ordem. E nós referimos isto porque muito frequentemente é dado também notícias no Observador que o dinheiro à ordem e a prazo continua a bater máximos históricos. E as pessoas muitas vezes têm muito mais do que é necessário nesta caixa. E esta caixa da liquidez do dia a dia serve para quê? Pagar despesas correntes como a renda, a prestação do crédito habitação, supermercado, as contas normais da água, luz.
Os gastos normais do dia a dia.
Os gastos normais. Não se deve ter muito mais do que isso. E por que é importante este planeamento e esta organização financeira? Para não termos, por exemplo, 5.000 € à ordem quando só vamos precisar de 500.
Certo.
Por isso, o resto pode ser rentabilizado ou pode ser colocado noutro tipo de soluções que permita ter algum rendimento.
Certíssimo. Vamos ao ponto dois, que é o fundo de emergência.
Fundo de emergência.
Já aqui falámos há uns episódios.
Sim, já falámos e é aquele dinheiro que é para imprevistos, seja no caso de doença, de desemprego, despesas inesperadas. Todos os anos, todos nós temos despesas inesperadas ou parte-se alguma coisa ou temos que comprar. Isto, infelizmente, há sempre. E a regra geral é, como já falámos, entre seis a 12 meses das despesas essenciais. Ou seja, nós temos despesas correntes como a renda, mais uma vez, supermercado, as contas, aquelas que vimos no ponto um, multiplicar por seis a 12 meses e esse dinheiro deve estar seguro e acessível rapidamente. Isso quer dizer o quê? Eu preciso de poder desmobilizar rapidamente em um, dois ou três dias.
Não tem que estar na mesma conta que nós usamos todos os dias, ligado ao nosso cartão de débito ou de crédito, com que pagamos tudo, desde o café até ao supermercado.
Até convém estar separado.
Convém estar separado, que é para não haver tentação.
Por isso é que são essas caixinhas. É bom estar separado, que é para não misturar, porque se o dinheiro estiver todo à ordem, ele depois vai-se embora.
Vamos gastando.
Vamos gastando.
Portanto, fundo de emergência é para isso, para fazer face depois àqueles picos que acontecem de vez em quando de despesas extraordinárias. Vamos agora entrar no curto prazo, na caixa de curto prazo.
Objetivos até dois, máximo três anos, como sejam férias, entrada para uma casa, um carro, obras, planos que nós sabemos que iremos ter no curto prazo. E aqui o risco deve ser baixo, ou seja, eu posso investir este dinheiro que vou precisar e até fazer um mealheiro e continuar a reforçar, mas como o tempo é inferior a três anos, então devem estar em produtos também mais conservadores, como seja, por exemplo, o investimento em obrigações ou fundos de mercado monetário, fundos de obrigações. E por quê? Porque se for fundos de ações, muitas vezes existem períodos de volatilidade, subidas de 20%, mas também quedas de 20%.
Claro.
E será muito mau termos que desmobilizar o nosso investimento numa altura em que as bolsas estão a cair 20%.
Certo, isto é, não podemos esperar para que elas recuperem, porque sabemos que elas vão recuperar.
Exatamente. A longo prazo, sabemos que recuperam.
Sim, sem dúvida. Não podemos é esperar em algumas ocasiões por isso.
Exatamente. Imaginemos que já sabemos que vamos ter uma obra dentro de dois anos e que está contratada ou vamos contratá-la. Vamos mesmo precisar do dinheiro, por isso aí não se pode ter muito risco.
Portanto, o curto prazo, estes objetivos até dois, três anos com esse perfil de risco. Resta-nos agora olhar mais à frente, o longo prazo.
O longo prazo e o planeamento sucessório. E é aqui que se deve mesmo aumentar o nível de risco, porque é aquele dinheiro que nós não vamos precisar durante muitos anos. Ele até pode ter liquidez imediata, mas a nossa expectativa é não precisar dele e até podemos transmitir aos nossos filhos, aos nossos herdeiros. E aquele dinheiro que nós queremos fazê-lo crescer para a reforma, termos independência financeira, para o futuro dos nossos filhos, ou seja, agora nasceu um filho, quero já começar a fazer um mealheiro, 20 € por mês, o que for, para que ele quando tenha 18 anos possa ter alguma coisa ou possa ir estudar ou para a universidade, os custos da educação, etc. E aqui as pessoas têm que aceitar mais volatilidade para ter mais crescimento, porque é aqui, nestes prazos mais longos, onde devemos estar muito expostos, senão na totalidade, a ações.
Mais volatilidade.
Mais volatilidade, mas também mais rentabilidade a longo prazo. Como disseste há pouco e bem, são aqueles períodos que podemos ter na bolsa de quedas 10, 20%, mas depois que a longo prazo eles recuperam e até temos rentabilidades muito superiores. E, por isso, nesse caso, nós devemos aceitar esse risco, porque a rentabilidade é muito mais elevada.
Claro.
E também poder transmitir depois esse patrimônio aos descendentes.
Sem dúvida, porque neste caso, longo prazo, nós podemos à vontade esperar que os mercados recuperem.
Exatamente. E eles têm recuperado.
Desde que há mercados.
Desde que há mercados, mas mais recentemente, desde o início do milênio, tivemos a bolha da Dotcom, tivemos a bolha da crise financeira, depois tivemos a pandemia, tivemos uma série de crises.
A guerra da Ucrânia.
Guerra da Ucrânia.
Parecia sempre fim de mundo, não é?
Parecia sempre fim de mundo.
É um bocadinho como andar na montanha-russa. Quando está naquelas descidas, parece que não vamos passar dali.
E nessas descidas é quando devemos comprar.
Exatamente.
Devemos ainda reforçar mais os nossos investimentos.
Isso mesmo. Pedrolino, então e aqui os quatro prazos, se quisermos, as quatro caixinhas com prazos diferentes para nós arrumarmos o nosso dinheiro. Pedro, voltamos para a semana.
Obrigado, até para a semana. Bom fim de semana.