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Está no ar a Boa Moeda, Má Moeda, sempre com o Paulo Ferreira. Paulo tens a palavra, o que tu quiseres.

Assim?

Eu estou cansada mentalmente.

Mas não queres falar das rendas?

Não, quero falar muito das rendas.

Então vá.

Porque com a redução do IRS para senhorios pode ser mais vantajoso baixar a renda para os senhorios.

Pensei que era assim bar aberto hoje. Não. Vamos às rendas.

Vamos começar por aqui, mas o outro é o tema livre.

É tema livre, está bem. Já lá vamos. Bom, então vamos lá ver. No pacote fiscal para a habitação, uma das medidas que o governo implementou ou vai implementar é a redução do IRS das rendas que os senhorios pagam, que vai cair de 25% para 10%. Atenção, isto só se aplica às rendas que têm o limite de 2.300 €. A lei, isto sabemos, está promulgada pelo Presidente da República, deverá ser publicada até ao final deste mês de maio, entra em vigor logo a seguir. Há aquela coisa chamada vacatio legis, que é um período de dias entre a publicação e a entrada em vigor. Mas atenção, esta regra tem efeitos retroativos até 1 de janeiro, o que significa que quando se fizer as contas do IRS, os senhorios vão receber estes pontos. Lá está, estamos a falar de rendas até 2.300 €. E há muitos senhorios neste momento a fazer contas, e eu aqui sigo também as contas feitas, e muito bem, pela CNN. Por quê? Porque reparem uma coisa, quem cobra uma renda de 2.300 € vai pagar apenas 10% de IRS. Quem cobra uma renda de 2.301 € vai pagar um IRS de 25% sobre a renda.

Que diferença.

É muita diferença. Reparem uma coisa, 2.300 € dá ao senhorio líquidos 2.070 €, porque estamos aqui a retirar 10% para o IRS. Um euro a mais na renda, 2.301 €, dá líquidos apenas 1.725. Estamos aqui a comparar 2.070 com 1.725 €.

Portanto, é um bom incentivo.

É um bom incentivo. Para quê? Para baixar rendas para os 2.300 €. Algumas rendas.

Pois, lá está, mas 2.300 € é um valor ainda assim não acessível a muitos portugueses.

Certo, é verdade. Mas as rendas também estão muito caras.

Mas o incentivo é muito bom.

É muito bom.

É muito bom para os senhorios.

Na fronteira entre 2.300 e 2.301 €, há uma diferença de 345 € líquidos que o senhorio receba menos por ter uma renda mais cara. Feitas as contas, mesmo por exemplo, uma renda de 2.600 € vai continuar a dar um rendimento líquido ao senhorio de 1.950 €, que é inferior àquele que ele recebe se a renda for apenas 2.300 €. Feitas as contas, as rendas entre 2.301 € e 2.760 €, lá mais acima, têm incentivo para baixar para os 2.300. Isto é, se passarmos dos 2.760 para 2.300, o senhorio ainda vai receber líquidos, mais dinheiro.

Mais dinheiro com a redução. Portanto, vamos no mercado ver aqui um hiato grande entre rendas até os 2.300 e depois a partir dos 2.700.

Tal e qual. O mercado, se as pessoas fizerem contas, e neste momento deve haver senhorios a fazer contas e, já agora, inquilinos a fazer as contas para mostrar aos senhorios.

Olhe que tem vantagens.

Exatamente. Aqui neste intervalo, como diz, fiscal entre 2.300 € e 2.760 €, a dizer aos senhorios: atenção à toda a vantagem em trazer a renda para os 2.300 €, porque fiscalmente há esse incentivo. Portanto, o que vai acontecer é mesmo isso. A partir daí pra cima já não conta, porque o benefício fiscal não abrange rendas acima disso. Abaixo disso, o benefício fiscal está lá na mesma. Portanto, vai haver agora uma mudança muito grande. A questão do limite, eu percebo perfeitamente os 2.300 €, mas isto é um pau de dois bicos.

Pois é, é verdade.

Porque se fosse muito baixo, havia muita gente a dizer: "Bom, mas não há rendas dessas no mercado. Até os 1.000 €, até aos 1.200 €. Não se encontram rendas até aos 1.000 €. Se é muito acima, é muito acima." Enfim, vamos lá. Mais alguma coisa, João?

Diz-me tu, Paulo.

Estagflação.

Sim.

É isso que queremos falar?

Era, apetecia-me. Sim.

Vamos lá falar disso.

Apetece falar da estagflação. Estagflação, gosto.

É verdade, há esse risco. A palavra começa a surgir novamente aqui nos discursos. O comissário europeu para a Economia e Produtividade, o Valdis Dombrovskis, chama a este choque causado pelo conflito do Irão, precisamente um choque estagflacionista. Isto é, no fundo, a mistura, a fusão de duas palavras, estagnação econômica com inflação, que é uma coisa relativamente rara, porque, por regra, quando há inflação é quando as economias estão muito aquecidas e a crescer de alguma forma. E ele explicou que o Bloco Europeu vai ter que se ajustar. Por quê? Porque as previsões da Comissão Europeia vão ser revistas em baixa para o crescimento e em alta pra inflação. Não sabemos até que ponto é que isto vai, se vamos passar de crescimento mais baixo para uma recessão ou não, e até onde é que vai a inflação, mas esse cenário é um cenário que começa a estar no horizonte.