A Nobel da Paz e líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, regressou ao país este domingo, 25 de outubro, depois de mais de 10 meses de exílio. “Estou aqui. Convosco”, escreveu, nas redes sociais, confirmando a informação.

Também Edmundo González Urrutia, ex-candidato à presidência, confirmou a notícia. “Estou muito feliz em anunciar que a nossa líder, a minha querida Maria Corina, está em solo venezuelano”.

Corina escolheu a cidade de Barquisimeto para fazer a sua primeira aparição pública, visitando igrejas e cumprimentando a população.

Em declarações à CBS News, o principal conselheiro de Corina Machado, David Smoalnsky, afirmou que o seu regresso é “um passo importante para uma transição democrática e para eleições presidenciais livres, justas e verificáveis num futuro próximo”.

“Machado regressa para apoiar os venezuelanos na sua busca pela liberdade, democracia e justiça, e para ajudar a promover uma transição pacífica, inclusiva e sustentável que conduza a eleições presidenciais livres, justas e verificáveis, com garantias para todos”, disse, agradecendo também a Donald Trump, ao Governo dos EUA e a outros pela “sua liderança e apoio contínuos”.

No X, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que “as condições que permitem o regresso em segurança da Sra. Machado à Venezuela são o resultado direto das negociações de reconciliação apoiadas pelos Estados Unidos, que já levaram à libertação de centenas de presos políticos e ao regresso, do exílio, de centenas de figuras da oposição política.”

“Os Estados Unidos esperam que as liberdades de todos os setores da política venezuelana continuem a ser respeitadas. Da mesma forma, esperamos que todos os atores políticos apoiem estas negociações, que representam a melhor oportunidade que a Venezuela teve nos últimos trinta anos para alcançar, de forma pacífica, não só eleições livres e justas, mas também uma democracia duradoura.”

Corina regressa num momento de tensão na Venezuela. Na última semana, a oposição convocou protestos para exigir a liberdade dos presos políticos e a marcação de eleições presidenciais no país. O Comité de Direitos Humanos do partido Vente Venezuela (VV) denunciou a detenção de sete pessoas no protesto da passada quinta-feira. Desde a deposição de Maduro, em janeiro, que a Venezuela tem sido governada pela presidente interina, Delcy Rodríguez. Entretanto esta já ultrapassou o tempo autorizado para servir o cargo e ainda não estão agendadas eleições.

Machado escondeu-se na Venezuela durante 11 meses depois de ter sido brevemente detida na sequência de um protesto, em janeiro de 2025. Depois de deixar o país numa fuga clandestina, reapareceu em dezembro na Noruega, onde recebeu o Prémio Nobel da Paz pela sua luta contra o governo de Maduro. Um mês depois, os EUA prenderam o seu opositor. Ao longo dos últimos meses, viajou por vários destinos internacionais, incluindo uma passagem por Lisboa em abril. O último destino conhecido da líder da oposição venezuelana foi o Panamá.