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Pedro Lino, bom dia, mais uma vez. Vamos falar de um tema que se coloca seguramente a milhares de pessoas e famílias regularmente, que é a velha questão quando se contrata um crédito à habitação: taxa fixa, taxa variável ou, que está muito na moda também agora, taxa mista. Como é que se decide uma coisa destas?

Bom dia, Paulo. Bom dia a todos os nossos ouvintes. Antes de escolher uma taxa, o que nós temos que escolher é o nível de tranquilidade. Muitas pessoas começam sempre por perguntar o que é que vai acontecer ao Euribor, mas provavelmente há outra pergunta que deve ser feita, porque não se consegue prever com rigor quanto é que vão estar as taxas dentro de cinco ou 10 anos.

Claro.

Por isso, a pergunta correta é: quanto risco financeiro é que eu consigo suportar? Por exemplo, se a prestação aumenta 200 € num ano, como nós vimos em 2021 e agora com esta subida recente nas taxas de juro. Eu aguento ou não? No segundo cenário, se se mantiver exatamente igual a mesma taxa, qual destes dois cenários é que me permite dormir melhor? Ou seja, um aumento de prestação de 200 € ou um onde eu tenho uma taxa fixa durante os próximos cinco anos, por exemplo.

E nem que seja um pouquinho mais elevada no momento da contratação.

Sim, é isso que vamos ver. Normalmente, as taxas fixas são um bocadinho mais elevadas, mas o crédito à habitação é, sobretudo, um compromisso a 30 ou 40 anos. Não é uma coisa para amanhã, nem para um ano, nem para dois. Por isso, é uma decisão que é muito importante, é das mais importantes das nossas vidas, porque vamos ter um crédito durante as próximas décadas.

Certo. E, portanto, é com esse horizonte temporal que temos que trabalhar. Vamos lá então por partes. Quando é que faz sentido contratar uma taxa variável?

Muito bem. A taxa variável faz sentido para quem tem rendimentos mais estáveis, possui uma margem financeira, já tem um fundo de emergência robusto ou consegue suportar a oscilação nas prestações. Em termos históricos, e em termos históricos estamos a falar dos últimos 20 anos, a taxa variável tem saído mais barata do que a taxa fixa. Mas isto não quer dizer que seja sempre assim, porque isto depende também dos ciclos de inflação.

Claro.

E nos últimos 20 anos tivemos uma inflação muito baixa, até taxas de juros negativas. O que nós estamos a ver é uma alteração, na minha opinião, do ciclo em termos de inflação. Significa que até agora a taxa variável foi sempre mais vantajosa, porque se as taxas descerem, as prestações descem também, dependendo ou no mês seguinte, ou no semestre seguinte, ou no ano seguinte, mas tendem a descer mais rapidamente. O inconveniente também é aquele que nós vimos em 2021 e agora é que quando as taxas do Banco Central Europeu sobem, esta prestação também sobe.

Claro, é muito sensível a isso também. E quando é que faz sentido ter taxa fixa?

A taxa fixa faz sentido quando eu preciso de algo, que é previsibilidade. Ou seja, eu sei exatamente quanto é que eu vou pagar durante dois, cinco anos ou 10 anos, o que for, mas existe esta previsibilidade independentemente da inflação disparar, das taxas de juros subirem ou descerem, eu sei exatamente o valor. Ou seja, não tenho esta incerteza. E isto pode ser principalmente atrativo para quando existe um orçamento familiar mais apertado. Por quê? Porque eu posso não conseguir pagar prestações de crédito à habitação que subam 300 ou 400 ou 500 €. Por isso, se este orçamento não estica, então tenho um problema. Quando há filhos mais pequenos. Por quê? Porque as despesas também podem ser muito maiores e, por isso, é preferível ter um orçamento com uma despesa fixa. Eu sei exatamente quanto é que vou pagar no crédito à habitação. Quando só existe um rendimento principal no agregado familiar ou simplesmente quando nós queremos dormir descansados e não queremos estar preocupados se o BCE vai subir os juros, se a inflação está a subir, se eu vou ter que pagar mais, esse estresse financeiro. A taxa fixa serve, sobretudo, para dar tranquilidade e menos estresse, e para estas situações pode ser a mais adequada.

Estabilidade absoluta aí. E agora vamos falar da taxa mista.

Sim.

Que como o próprio nome indica, é um pouquinho das duas.

É um bocado as duas. E tornou-se muito popular nos últimos anos e percebe-se por quê, que é com esta subida que nós tivemos recentemente nos juros, e principalmente em 2021 e 22, fixar durante um período que pode ser dois ou cinco anos, depende da oferta dos bancos, fixar a taxa de juro num período de mais incerteza no curto prazo, isso pode traduzir-se em maior tranquilidade. Mas também, como referiste, normalmente a taxa fixa é superior à taxa variável, por isso fixa-se nos primeiros anos uma taxa. Isto previne estabilidade.

Três a cinco anos é a prática do mercado, não é? Que é estável, três a cinco anos.

Exatamente.

E depois passa à variável.

Passa à variável, que é Euribor mais um spread que já é acordado. Por isso, esta solução pode ser interessante para quem acredita que as taxas de juros vão estabilizar ou descer nos próximos anos, não no curto prazo, porque no curto prazo temos a taxa fixa, e se após três ou cinco anos se perspetivar a descida dos juros, então já irá beneficiar de uma taxa variável que também irá descer.

Pedro, quase a fechar, vamos aqui a cinco perguntas que devemos fazer antes de decidir.

Sim, antes de tomar esta decisão, que é para a vida, então perceber se a prestação aumentar 300 € ou 200 ou 300 €, eu consigo continuar a viver com tranquilidade? Tenho um fundo de emergência suficiente? A minha profissão é estável? Quanto tempo é que eu penso ficar nesta casa? E prefiro pagar um pouco mais, que é uma taxa fixa, e saber exatamente qual é o valor que eu vou pagar, ou aceito incerteza em troca de, pelo menos no curto prazo, pagar menos. Estas são as cinco perguntas que nós temos que fazer.

Respondendo a elas, temos basicamente o caminho indicado para fechar muito rapidamente.

Eu acho que para fechar é: o melhor crédito não é aquele que tem a taxa mais baixa, é aquele que continua a conseguir pagar menos quando a vida muda, porque nós sabemos que cada vez há mais instabilidade, seja em termos de empregos, de inflação, etc. Por isso, eu tenho é que saber que vou poder cumprir, porque isto é um crédito a muito longo prazo.

Muito bem, ficam as dicas então aqui para essa opção do crédito à habitação, taxa fixa, taxa variável ou taxa mista. Pedro Lino, bom fim de semana. Até para a semana.

Muito obrigado. Igualmente, bom fim de semana a todos.