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Miguel Ferreira para mais um Boa Moeda Poupar. Hoje, Miguel, para falarmos de fraude financeira.
Sim, bom dia, Paulo. Realmente, hoje trouxe o tema da fraude financeira, porque é um tema superatual e para o qual é importante as pessoas estarem atentas no dia a dia. Não é um problema só de agora, já atravessa os séculos, mas é muito atual e é importante saber quais são os esquemas mais comuns de fraude hoje em dia e como podemos nos proteger em relação a essas possibilidades.
Antes de mais, contextualizar isto: o que é uma fraude financeira?
Uma fraude financeira consiste em enganar alguém para obtermos dinheiro ou, no fundo, uma vantagem econômico-financeira de forma ilegal. Isto, do ponto de vista financeiro, pode ocorrer em vários contextos: bancos, investimentos, seguros e hoje em dia muito atual, em qualquer tipo de pagamento digital, transferências online, pode realmente ocorrer esse tipo de situação de fraude. E o impacto, obviamente, gera prejuízos financeiros, mas também tem um efeito adicional que é a perda de confiança das pessoas no sistema financeiro, que tem efeitos de longo prazo.
Claro. Depois, em termos jurídicos, isto pode assumir várias coisas, da burla, abuso de confiança e por aí fora, mas aqui estamos a olhar para a vertente financeira.
Exatamente.
E há exemplos, alguns até muito famosos, de grandes fraudes.
Sim, provavelmente a mais famosa e já antiga, que vem dos anos de 1920, é o chamado esquema de Ponzi, em que há alguém que faz uma promessa de retornos muito altos, em pouco tempo, que atrai as pessoas. Depois estes retornos não são sustentáveis do ponto de vista de investimento, do ponto de vista financeiro. E o que acontece? As novas entradas de dinheiro são usadas para financiar os retornos, os lucros que foram prometidos. E a certa altura, este esquema de pirâmide colapsa.
Chega a um ponto de colapso. Basta reduzirem ou pararem as entradas, não é?
Exatamente. Em Portugal, tivemos um caso, já há alguns anos, famoso da Dona Branca, que era exatamente um esquema de Ponzi, é um esquema em pirâmide. Hoje em dia, como já falamos, temos as fraudes digitais, que assumem diversas formas, pode ser phishing, que é uma mensagem ou um e-mail que tenta obter dados privados, que depois podem ser usados de forma ilícita, clonagem de cartões, também esquemas com criptomoedas são bastante comuns hoje em dia.
Ou aquelas mensagens que nos querem fazer passar por filhos ou pais a pedir dinheiro.
Exato, e imensos esquemas de fraude que hoje em dia têm uma divulgação muito massiva através das redes sociais, através de mensagens de telemóvel, etc.
Claro, e há sempre aqui uma questão de confiança, de alguma maneira, que está em causa.
Sim. E realmente é importante estar atento, como vamos falar, para evitar cairmos num destes esquemas de fraude financeira.
E como é que funcionam estes esquemas, Miguel?
Estes esquemas baseiam-se sempre em conseguir ganhar a confiança da pessoa que está do outro lado, que queremos enganar, e também é colocada alguma pressão emocional em que as pessoas se sentem quase forçadas a avançar e cair neste tipo de fraude. Normalmente, está associado a quê? A promessas de lucro rápido em pouco tempo, que gera nas pessoas uma pressão emocional, porque têm medo de perder uma oportunidade única na vida de ganhar bastante dinheiro. E normalmente também está associado à utilização de linguagem técnica para fomentar do outro lado, que tem alguém com grandes conhecimentos e também intimida, de certa forma, a pessoa. E muitas vezes estes esquemas são ainda mais eficazes quando estamos numa situação de crise econômica, porque aí as pessoas estão mais vulneráveis. Portanto, há a tendência a haver ainda mais fraudes durante situações em que as famílias estão com menos recursos financeiros, porque estamos numa situação de desemprego mais alto, de crescimento mais baixo e que realmente pressiona mais e torna as pessoas ainda mais vulneráveis a este tipo de situação.
Claro. Aí a tentação de ganhar algum dinheiro em pouco tempo é maior ainda. E como é que no dia a dia as pessoas se podem proteger disto?
Sim. Há alguns cuidados que devemos ter realmente para evitar cairmos nestes esquemas e proteger-nos. Primeiro é desconfiarmos sempre de retornos garantidos e elevados. Devemos sempre pensar várias vezes antes de investir num esquema em que promete rendibilidades muito elevadas em pouco tempo. É sempre de suspeitar.
E a palavra garantidos é muito importante aqui. É a chave desta equação.
Garantidos.
Há negócios e investimentos que têm um retorno elevado ou que podem ter um retorno elevado, e alguns têm, de fato, mas a questão é que nunca estiveram garantidos.
Sim, não podem ser garantidos. Retornos muito elevados.
As duas coisas ao mesmo tempo.
Uma coisa que já temos falado aqui é: retornos elevados estão sempre associados a riscos elevados. E devemos sempre desconfiar de investimentos que parecem bons demais para ser verdade, porque provavelmente não são verdade.
Claro. Mas estávamos aqui a ver, de fato, como é que as pessoas se podem proteger, portanto, desconfiar dessa conjugação de garantia de retorno e rentabilidade elevada. E há mais.
Um segundo cuidado é confirmarmos sempre a identidade de quem está a oferecer serviços financeiros. Isto é relativamente fácil hoje em dia, através da internet, consultando no Banco Portugal ou na CMVM, se realmente a pessoa ou a entidade com quem estamos a falar tem licença para oferecer serviços financeiros, porque os que estão licenciados oferecem mais garantias.
Claro, e obedecem a uma série de regras e leis e por aí fora.
Exatamente. É aí que temos mais proteção quando estamos a interagir com alguém que tem este tipo de licença. Depois, uma terceira regra importante é nunca partilhar dados pessoais ou dados bancários sem termos a certeza absoluta de que a entidade que nos está a pedir os dados é de confiança.
É claro. Lá está, as tais listas do Banco de Portugal e da CMVM, de pessoas e entidades autorizadas a operar.
Porque alguém que tenha os nossos dados pessoais ou bancários e que seja mal-intencionado, pode fazer bastantes coisas e termos perdas significativas, por causa de termos partilhado os dados. E finalmente, uma quarta recomendação é verificar sempre, pelo menos duas vezes, antes de clicarmos em qualquer link que não conhecemos a origem. Um truque é sempre verificar, no caso dos e-mails, por exemplo, de onde é que vem o e-mail. O e-mail pode dizer que é a EDP, mas depois se formos ver de onde vem o e-mail, não tem nada a ver com a EDP. Ou o e-mail que vem da Autoridade Tributária ou do SNS, mas depois vamos ver a origem do e-mail e o endereço não tem nada a ver com essas entidades. Portanto, devemos sempre verificar duas vezes antes de clicar em qualquer link que recebemos, que não conhecemos a origem.
Ficam aqui então as tipificações, se quisermos, e as dicas para evitar fraudes financeiras. Este foi o Boa Moeda Poupar com Miguel Ferreira. Voltaremos para a semana. Até lá.
Obrigado. Bom dia, Paulo.