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Está na hora da Boa Moeda, Má Moeda, com o Paulo Ferreira. Paulo, está decidido o salário mínimo para o próximo ano.
Está decidido. Estava nos planos do governo, só que, por vezes, há algumas surpresas. Os governos, às vezes, neste tipo de surpresas até para cima, dar um pouquinho mais do que aquilo que está previsto. Mas não, desta vez confirma o salário mínimo vai ser de 920 € a partir de janeiro do próximo ano.
Mais 50 €.
Mais 50 € em relação aos 870 € atuais. E aqui a taxa de crescimento são 5,7%, que é simpático. Estamos com a inflação na casa dos 2%, uns pozinhos, 2,1, 2,2.
O ponto de partida é que é baixo.
O ponto de partida é sempre baixo. Mesmo assim, nos últimos anos tem havido uma recuperação grande. Significa que, previsivelmente, o poder de compra, prevendo que a inflação do próximo ano também não terá surpresas, andará ali por volta dos 2%, a recuperação de poder de compra é grande, porque entre os 2% e os 5,7% de aumento, há aqui uma recuperação de três pontos, o que é bom. Por regra, isto tem o efeito também de puxar um pouco os outros salários para cima. Não sabemos quanto, porque os outros salários não são definidos por lei como o salário mínimo e portanto vai depender muito, não só das condições de economia, como também das negociações, obviamente, entre trabalhadores e empresas. Portanto, boas notícias para os rendimentos. Ontem saiu mais uma estatística, esta olhando para o passado, para 2024, o poder de compra em Portugal aumentou para 82,4% da média europeia. Significa que recuperamos nessa média 1,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior e portanto estamos mais próximos da média. Mantemos a 15ª posição entre os 20 países da zona euro. Significa que os outros também recuperaram, de alguma maneira. Alguns que estão ali no nosso campeonato, que é o campeonato do fundo da tabela. Estamos em 15º em 20. Abaixo de nós só há mais cinco. Mas apesar de tudo, é melhor ir subindo, recuperando, do que não. Há outra indicação que podemos dar aqui. Vocês gostam de descontos ou não?
Não. Desagrada-me. Aborrece-me.
É horrível, isso da coisa dos descontos. Mas alinha muito naquela coisa dos cartões de fidelização, de supermercados e de ir à bomba de gasolina e receber um cartão.
Isso nunca funciona pra mim.
É preciso uma organização, se quisermos.
Depois onde é que está o papel que te permite ir a algum sítio e depois não vais. Não, isso não funciona. Descontos no momento fazem mais sentido.
Eu também sou relativamente desorganizado para isso, mas devemos ser uma exceção, porque estes esquemas de fidelização cruzada são muito bem-sucedidos. Prova disso é que a Galp, a Nós e o Continente vão ter um desses programas de descontos. A Galp e o Continente já têm um programa há vários anos. Isto é, abastece-se na Galp, te dá pontos que depois descontam no Continente e vice-versa também, compras no Continente, dão descontos na Galp. Agora entra nós.
Os clientes aderem a isso?
Aderem. Porque isto é bem-sucedido ao ponto de eles agora alargarem, até porque estes sistemas de fidelização custam dinheiro às empresas para os montar, isto é, a logística e os sistemas informáticos para ir controlando isto têm um custo que não é marginal. E portanto, se mantêm estes programas e os gerem com o custo para o gerir é porque funciona. Agora vai entrar a Nós também, e forma-se aqui um triângulo deste grupo, portanto Galp, Continente e Nós, a Nós do grupo Sonae também, que tem o Continente, e vão ter de fato um programa de descontos cruzado, que vai gerar poupanças. Isto arranca já no dia, chama-se Combina, arranca no dia 26 de dezembro, portanto logo a seguir ao Natal.
É como saldos.
É como saldos, exatamente. Só pra termos uma ideia, em cada minuto há cerca de 500 clientes a utilizar o cartão Continente. Cada minuto, 500.
O cartão Continente usa muito.
Exato. E depois há outras marcas também, o Pingo Doce também. Estão sempre a perguntar pelo cartão, o Lidl e por aí fora. Ou a aplicação.
Sim, o Lidl com a aplicação.
Exatamente. Só pra termos uma ideia, de fato, da adesão disso. As pessoas utilizam de fato. E esse cartão do Continente tem parceria com 20 marcas.
Cartão e aplicação também.
E aplicação, claro. Cada vez mais os cartões são substituídos. Este Combina vai ter três níveis de adesão, Combina 1, que tem os níveis mais baixos de descontos, Combina 2, com 5% de desconto no Continente e 25 centimos por litro e o Combina 3 com descontos acima.
Pra mim é o Combina Todos.
Combina Todos. Há detalhes, obviamente, pra estes tipos de adesões, mas de qualquer forma fica a nota de que estes esquemas de descontos cruzados estão de saúde. E a prova disso é que as empresas vão aderindo.