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Começa agora mais uma Boa Moeda, Má Moeda. Paulo, hoje começamos pela banca. Só a Caixa já recebeu mais de 800 pedidos de crédito com garantia do Estado. Só a Caixa.

Só a Caixa em três semanas. Este sistema está em vigor desde o início do ano, depois de os bancos terem tratado todos os procedimentos burocráticos para isso. Isto foi revelado pelo próprio banco, que esteve com o presidente Paulo Macedo e o administrador José João Guilherme na Comissão de Orçamento e Finanças do Parlamento. E então foi revelado: a Caixa recebeu 800 pedidos de crédito à habitação, aquilo para que os jovens até aos 35 anos vão buscar a garantia de 15% do valor do imóvel para perfazer os 100%. Ainda nada foi aprovado, estão em fase de análise, mas já entraram os pedidos. E se nós fizermos aqui as contas rápidas, 800 pedidos, e vamos imaginar 300 mil € por imóvel, dá 240 milhões € de montante global, o que é um montante importante, provavelmente o montante médio é aí abaixo, mas de qualquer maneira estamos a falar já de um arranque positivo. Os outros bancos também estarão a receber certamente os seus pedidos, portanto, significa que a corrida a este mecanismo é grande. Vamos ver depois quando começarem a aparecer números oficiais finais.

Entretanto, os serviços aumentaram mais do que a inflação. Isto no ano passado, claro.

No ano passado, olhando um pouquinho para este detalhe daquilo que é o balanço de 2024 em termos de preços, salta à vista aqui uma tendência no ano passado que não é muito comum. Quando nós olhamos para as classes de produtos e serviços calculados pelo INEC, que mais subiram e mais desceram, há uma coisa que salta imediatamente à vista: os serviços estão no topo das subidas de preços. Estamos a falar, por exemplo, de eletricidade, recolha de lixo, seguros de saúde, serviços postais, serviços culturais, serviços relacionados com transportes, os próprios transportes, todos com aumentos acima dos 8%, por exemplo. Depois podemos continuar aqui com serviços telefónicos e telecomunicações, quase 7%. O que é curioso, porque depois vamos olhar para uma série de produtos, desde mobiliário e acessórios, equipamentos de desporto, bens de uso doméstico não duradouros, e todos caíram de preço no ano passado. A que é que isto se deve, de alguma maneira? Primeiro, os serviços não estão sujeitos, na maior parte das vezes, a concorrência internacional, isto é, os mercados são relativamente fechados. Nós quando decidimos contratar um seguro de saúde ou ir a um restaurante, não pensamos: “Bom, faço aqui ou faço em Espanha”. Fazemos aqui de alguma maneira. E, portanto, essa concorrência internacional, que muitas vezes leva à quebra de preços, que acontece nos produtos que são importados e exportados, não acontece. Depois, a componente do custo de salários nos serviços também é maior, porque, por natureza, um serviço é prestado por pessoas, de alguma maneira. E nós sabemos que no ano passado os salários cresceram bastante para compensar até a inflação elevada dos últimos anos. E, portanto, depois há o reflexo desses salários aqui no custo dos serviços. Mas fica essa nota, de facto. O único serviço que nós temos de exportação é o turismo. Nós aí é que pensamos, fazemos férias cá ou noutro país qualquer, mas não pensamos nunca nessa transição internacional. E portanto, fica essa nota: o ano passado, sobretudo bens físicos, com queda de preço ou aumentos muito reduzidos e os serviços, que tiveram aumentos bastante acentuados.