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Está no ar mais uma Boa Moeda, Má Moeda. Paulo, confirma-se o bom momento do mercado de trabalho, não é?
É verdade, os dados saíram ontem do INE, do Instituto Nacional de Estatística, e dizem-nos que a taxa de desemprego se situava em novembro de 2025 em 5,7%. O que isto quer dizer? Que por cada 100 pessoas ativas e que querem trabalhar, 5,7 não encontraram emprego. Isto é quase pleno emprego. Primeiro, é o valor mais baixo desde fevereiro de 2002, portanto, neste século, o valor mais baixo do século. Mostra bem quão baixo é o número. Há muito tempo que Portugal não tinha um desemprego tão baixo. Nessa altura, a taxa de desemprego estava nos 5,6%. Antes disso, no final da década de 90, tinha andado ali na casa dos 4% também, mas essa foi a última vez em que a economia portuguesa teve um bom momento de crescimento durante muitos anos, ou consecutivamente durante vários anos, na caminhada para o euro. Depois disso, nunca mais chegamos a estas taxas.
Claro, e este século já estivemos nos dois dígitos.
Nos dois dígitos e na casa dos 17%, no pico de desemprego causado pela crise da dívida, quando a troika estava em Portugal. Portanto, para percebermos um pouco a trajetória, por isso é que se olha também pra estes números e se diz que isto é quase pleno emprego. 5,7% não é assim tão baixo, como é que se pode falar de pleno emprego? Porque em cada momento, nos bons e maus momentos da economia, há sempre pessoas que estão temporariamente sem emprego, desempregadas, porque estão basicamente entre empregos. Despediram-se de um e há um prazo de alguns meses em que estão à espera de outro, ou já têm outro apalavrado, se quisermos, combinado. E depois há também as pessoas chamadas de desencorajadas. Isso é, pessoas que não têm emprego, mas também já não procuram emprego, por várias razões que também pesam um pouco na estatística. Mas quando se diz que a economia portuguesa precisa de imigrantes, também estes números ajudam a perceber isso. Não há pessoas disponíveis, neste momento, para trabalhar, ou há muito poucas pessoas disponíveis para novos empregos. No fundo, isto está muito no centro da nossa discussão. De alguma forma, esta conjuntura também dá força aos trabalhadores nas negociações salariais, porque as empresas têm dificuldade, como se vê aqui. Depois, os setores não são todos iguais, como é evidente, e as empresas não são todas iguais. Mas em termos médios, as empresas não têm facilidade, neste momento, em contratar quando precisam.
Paulo, então o que se passa com os empréstimos a jovens?
Olha, tem uma taxa de sinistralidade muito baixa. Estamos a falar daqueles feitos com a garantia dos 15% do Estado, que atingiram os 20 e tal mil contratos, 23 mil créditos, em 11 meses, desde que o sistema foi colocado em prática, e um trabalho do Observador diz que só um caso, nestes 11 meses, de um cliente foi acionada a tal garantia do Estado. Ou seja, só uma pessoa, um jovem daqueles que pediram, destes 23 mil que pediram o crédito, é que nestes 11 meses deixou de pagar. E a garantia do Estado é acionada precisamente nesses casos. Os bancos executam a garantia porque o Estado substitui-se aqui como avalista ou como fiador a estas pessoas. E, neste caso, o reembolso que o Estado teve que dar ao banco, neste caso foi a Caixa Geral de Depósitos, foi de 25 mil euros. Ok, 11 meses não é um período muito grande, há empréstimos que duram anos, portanto, não é muito provável que as pessoas que contraiam empréstimos tenham problemas logo nos primeiros meses. De qualquer maneira, já existiram alguns. Os bancos dizem que todos os casos de dificuldades têm resolvido a negociação com os clientes e só neste caso é que não foi possível mesmo, mas de qualquer maneira mostra que, para já, não há aqui incidências de sinistralidade assim tão grande neste tipo de créditos. Já agora, o montante médio dos financiamentos neste processo é de 200 mil euros. Portanto, não estamos aqui a falar de empréstimos muito caros. O limite é de 450 mil. O apoio aplica-se a casas até 450 mil. A média dos contratos é 200 mil. Portanto, as pessoas estão a ser conservadoras, se quisermos, no dinheiro que pedem aos bancos ao abrigo deste mecanismo, o que significa que pode ser um sistema que corre bem pra toda a gente, incluindo pra nós, contribuintes. Os 25 mil euros que foram pagos neste caso, fomos nós que pagamos, nós contribuintes. E portanto, ainda bem que o mal parado nestes casos não é elevado.