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Começa agora mais uma Boa Moeda, Má Moeda. Paulo, quero-te olhar para as rendas das casas que aceleraram.
As rendas das casas aceleraram. Começamos a ter dados finais agora que fecham 2024, que nos permitem olhar para a série agora. As rendas de casa subiram 7% em 2024. Tratou-se do maior aumento em 30 anos. Os dados foram divulgados há um tempo pelo INE, o Instituto Nacional de Estatística. Se olharmos só para dezembro, o último mês do ano, o aumento foi de 7,2%, ainda assim superior à média do ano, mas quando fazemos as contas à média anual, comparamos a média 2024 com 2023, ficamos com esse aumento de 7%. E esse foi o nono mês consecutivo em dezembro, em que se tinha registrado uma subida superior a 7%. Olhando agora para o ano, de facto, a variação média de 7% em 2024 está acima daquilo que tinha acontecido no ano anterior, em 2023, e é preciso recuar até 1994, altura em que as rendas tinham aumentado cerca de 7,5%, para encontrar uma subida tão ampla. A grande diferença, de facto, é que são anos consecutivos de subidas relativamente fortes, os últimos anos. E desde 2022 que as rendas têm vindo a acelerar, isto é, com subidas cada vez mais expressivas e maiores ano após ano. E este crescimento, diz ainda o INE, foi transversal a todo o país. Não se verifica nenhuma região portuguesa onde as rendas tenham registrado uma quebra. As regiões onde o aumento foi maior, ainda assim, foram o Norte do país e Lisboa, com aumentos de 7,2% em ambos os casos. No fundo, um facto novo sobre as rendas, a tornar ainda mais complicado o problema da habitação para quem, obviamente, anda à procura ou precisa dela, porque quando se fala de habitação, temos sempre aquela moeda com duas faces, de um lado, de quem é dono da casa de alguma maneira e que tem aqui o rendimento maior.
E também, Paulo, já estão fechados os dados da inflação do ano passado.
Estão, aliás, estes da habitação entram nessas contas também. Olhando agora para o conjunto de 2024, a inflação da generalidade dos bens e serviços teve uma variação média de 2,4% no ano passado, um valor que fica muito abaixo, por exemplo, do crescimento de preços ou de custos deste segmento da habitação. Se nós às rendas quisermos juntar os custos da água, eletricidade e gás, a subida em 2024, de custos relacionados com a casa, foi de 6,55%. É um aumento bastante para uma área que, de alguma forma, as pessoas não podem evitar, nem podem fazer grandes poupanças neste tipo de produtos. De qualquer forma, esta subida não impediu que 2024 fosse um ano de alívio da crise inflacionista. Se nós repararmos, fechamos 2024 com 2,4%, mas há dois anos, 7,8% e o ano anterior, 4,3%. Houve aqui uma trajetória claramente de saída daquela zona de risco da inflação.