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Este é o Caso ao Voto, o podcast da Rádio Observador dedicado à campanha eleitoral. Começamos, como sempre, por fazer as contas a quem está a ganhar e a perder votos nesta quinta-feira de feriado, através do olhar crítico e atento do Rui Pedro Antunes e da Judite França. Vamos também ao encontro de algumas das caravanas dos partidos que concorrem a estas eleições com os enviados da Rádio Observador. E tempo ainda para abrirmos o baú e recuperar uma história de tempos idos de outras eleições. Este Caso ao Voto começa agora. E começamos com a visita de Ursula von der Leyen a Portugal para participar de uma ação de campanha da Aliança Democrática ao lado de Sebastião Bugalho. Vai ser na próxima quinta-feira. O cabeça de lista da AD, que contou esta quinta-feira com a companhia de Pedro Santana Lopes. Também há pouco ficamos a saber que o candidato socialista à Comissão Europeia pelos socialistas europeus, Nicolas Schmit, também se vai juntar à campanha de Marta Temido. Marta Temido, que anda pelo Alentejo, esteve na mina de Aljustrel, provocou uma pequena explosão que não resultou de qualquer acusação aos adversários. De resto, recusou responder a Sebastião Bugalho, que ontem disse que a cabeça de lista do PS é irresponsável. As trocas de palavras de Bugalho e Temido foram hoje descritas por João Oliveira da CDU como uma guerra de alecrim e manjerona, que contribuem para a abstenção. Quem não está para picardias é João Cotrim Figueiredo. O cabeça de lista da Iniciativa Liberal pôs um ponto final no bate-boca com Catarina Martins. A cabeça de lista do bloco, que hoje voltou a criticar o governo pelo não reconhecimento do Estado da Palestina. O Chega voltou a desfraldar a bandeira da imigração, que deve ser controlada e não deve permitir a atribuição de médico de família a quem decidiu procurar melhores condições de vida em Portugal. Primeiro os portugueses, defende André Ventura. São estes alguns dos destaques deste quarto dia de campanha, que vão ser analisados pelo Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, e pela Judite França, que integra o painel da tarde política. Judite, Bruno, bem-vindos aos dois. Judite, começo hoje por ti. Quem está a ganhar votos neste dia?

É a primeira vez que vou pôr Sebastião Bugalho como vencedor. Também já é o quarto dia, portanto, já estava na hora. Eu acho que este dia está a lhe correr bem, de facto. Não por causa de von der Leyen. Ontem, acho que o último frente a frente aqui no Observador correu-lhe bem, que também correu bem a Francisco Paupério. Estiveram os dois bem neste frente a frente. Foi um frente a frente muito elevado. Nós aliás viemos os dois ouvi-lo no carro, quando vínhamos da emissão especial em Aveiro, e viemos ouvir atentamente. Portanto, foi de facto um debate com interesse e com conteúdo. Onde eu acho que Sebastião Bugalho finalmente vence é no fato de ter atacado os socialistas que governam onde o aborto é crime e onde se defende a deportação de imigrantes. Sebastião Bugalho tem estado sob ataque em relação à questão do aborto, que tem tido alguma dificuldade de desemaranhar-se disso à conta de, no Parlamento Europeu, o PPE ter votado contra o facto de se integrar a questão do direito ao aborto na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. Sebastião Bugalho podia ter apenas dito qualquer coisa como: "Não adianta estar lá." Quer dizer, o que adianta estar na Constituição o direito à habitação e não parece que os jovens como Sebastião Bugalho vejam esse direito cumprido.

Mas ele quer meter esse direito lá na mesma carta.

Eu sei que sim.

Se ele disser que estar lá o aborto não vale nada, está a destruir o próprio propósito.

É verdade. Portanto, se fosse eu, diria que não vale nada nenhum dos dois, mas ele não pode dizer isso, de facto.

Estás como a Catrine, não gostas de coisas simbólicas.

Não gosto, odeio coisas simbólicas. Não tenho paciência para ritos e para rituais. Mas aqui, no que diz respeito a Sebastião Bugalho, acho que ele fez bem em apontar o dedo para os países onde o aborto é crime. E porque, de facto, Marta Temido faz sempre esta coisa do nós e eles. Nós são os socialistas, eles são os outros. E então, se é para usar esta dicotomia, Sebastião Bugalho entrega-lhe os outros. Os outros são os socialistas que vivem em países onde o aborto é crime e defendem países onde se deportam imigrantes e onde há barreiras físicas nas fronteiras. Portanto, tudo aquilo que Marta Temido critica. E eu acho que Sebastião Bugalho esteve bem hoje em apontar Malta, Dinamarca, Espanha, que são países onde se verificam estas situações que enumerou. E a grande família socialista também tem telhados de vidro, e eu acho que fez bem em finalmente ter ripostado nesta história, porque esta história do aborto anda a pesá-lo desde a pré-campanha. E já se começou a levantar esta ideia de que é porque é católico. Quer dizer, não vale a pena lançar esta cortina em relação à questão do aborto, que não está sequer em causa. Em Portugal, o aborto não está em causa e acho que ele deixou isso claro, mas agora acho que arrumou para canto, porque Marta Temido agora podia responder o que ela acha da Dinamarca, de Malta, de Espanha. Portanto, dou o meu vencedor a Sebastião Bugalho pela primeira vez. Algum dia tinha que ser, foi hoje.

Sendo que o Rui Pedro Antunes também acha que a AD está a ganhar votos. Há pouco referia Judite França, a presença de Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, na campanha da AD no próximo dia 6. Isto dá votos, Rui?

Não sei se dará propriamente, mas pode dar uma imagem que a campanha está com força. Dá grávidas à campanha. Sobre o que o Judite disse, é verdade, o Sebastião Bugalho está a usar do exemplo de Malta e isso é inteligente. Não sei se foi uma pergunta que lhe foi feita novamente sobre o tema, não consegui perceber isso pelas nossas transmissões.

Também não. Mas eu tenho a ideia de que foi no discurso.

No discurso. Eu não sei se, por exemplo, ele ganha muito em ser ele a puxar este tema. Eu não estou a ver que ele vá ganhar, por exemplo, votos junto do eleitorado feminino, de esquerda, defensor do direito ao aborto, no sentido do direito ao aborto ser, como em França, colocado na Constituição.

Achas que tinha que se limpar deste assunto?

Sim. Eu creio que a fuga para Malta é interessante no sentido em que em Malta é muito complicado mesmo, são situações muito específicas e muito complicadas. Acho que só há pouco tempo é que foi permitido haver a interrupção voluntária da gravidez e caso esteja em causa a saúde da mulher. Portanto, é altamente restritivo e é um exemplo bem dado. Não sei se o ajuda tanto, porque ele queria buscar um eleitorado conservador CDS e do Chega, que é contra o aborto e no tal conflito de direito entre o direito da mulher e o direito à vida, privilegia o primeiro.

Eu acho que aí, nesse caso, ele não está a fazer nada em relação ao assunto, porque o assunto está decidido per si, não é?

Sim. E relativamente a isso, acho que o exemplo de Malta é interessante. Antes de passar para as coisas positivas.

E no caso da imigração também.

Pois, mas na imigração é que eu queria tentar ver um pouco um truque, que é: houve uma emenda em 2023, mais ou menos em abril, em que havia nas orientações orçamentais da União Europeia uma coisa que dizia o seguinte: o dinheiro da União Europeia não pode ser utilizado para construir muros. E o ECR, os conservadores, onde está a senhora Meloni e outros, o Vox, e o senhor Abascal, não queria aqui dizer senhora quando nenhum sentido, que normalmente dizem muitas vezes a senhora Meloni e depois isto fica na nossa expressão. E o senhor Abascal. E então o que é que queriam fazer? Uma coisa que dizia claramente que se devia financiar muros, etc. Tinha mesmo a palavra muros ou algo muito parecido. E o PPE, sempre naquela postura de vamos lá tentar aqui um meio-termo sem perder o leste, sem perder quem está a sofrer com isto, sem deixarmos ter força, sem ter Visegrád à porta. O que o PPE fez? Fez uma emenda nova em que tirou a proibição de financiar muros e colocou uma emenda que diz que devem ser apoiados os Estados-membros para criar barreiras inclusivamente físicas quando necessário para estancar grandes fluxos, etc. Não é bem assim como eu estou a citar, mas uma coisa externa. O PPE, de fato, aprovou uma situação em que passou a ser permitido a alguns países ter este tipo de situações. E Sebastião Bugalho, quando lhe perguntam sobre isto, diz: "No programa da AD não está nada", mas está no PPE. E só uma coisa interessante é que os eurodeputados do PSD e do CDS votaram a favor desta emenda. Eu sei que a outra dos conservadores era muito pior. Isto foi um meio caminho, mas votaram, e uma delas até faz parte da lista de Sebastião Bugalho neste momento.

Que é a Lídia Pereira.

A Lídia Pereira. O Sebastião Bugalho, quando fala de Espanha, Espanha tem um problema, porque Espanha tem uma parte territorial em África e, portanto, naturalmente, tem que fazer ali uma cerca, senão há quase uma invasão. Não estou a dizer se concordo ou não com a cerca. É uma questão completamente diferente do ponto de vista geográfico. Portugal, por mar, não necessita de fazer nenhuma cerca, a não ser para proteger os próprios espanhóis que quisessem vir. Não me parece que seja o caso. E, portanto, nesse aspeto, são situações muito específicas. E mesmo a Dinamarca e os países nórdicos, houve um momento em que abriram bastante e foram forçados. E a maneira como o governo socialista da Dinamarca está a responder a isso é mesmo para a extrema-direita não crescer à boleia disso. Portanto, há situações muito específicas, naturalmente, que são bons exemplos e que Sebastião Bugalho é combativo, mas também há aqui uma série de nuances. Ainda assim, eu concordo absoluto com o Judite que ele é bastante hábil a dar esses exemplos, que são eficazes no combate ao PS. Perdi tempo na parte que queria dizer, que é: Santana Lopes é interessante o apoio, também dá moral à campanha.

Ele é sempre animado.

O João Soares costumava dizer que o Santana Lopes tem mel. Eu acho que o Sebastião Bugalho não tem mel, tem qualquer coisa. Se quisermos para aqui utilizar uma expressão que iria orgulhar os senhores que jogam à sueca no Jardim Salvaterra de Magos, tem um je ne sais quoi, tem qualquer coisa ali, o Sebastião Bugalho tem qualquer coisa. Mas não é Santana Lopes, nem de perto, nem de longe.

Ganha-se também.

O carisma não é Santana Lopes e Santana Lopes, se calhar, na idade de Sebastião Bugalho também não tinha, mas enfim. Mas de qualquer das maneiras, essa comparação é interessante, porque Santana Lopes também era muito novo quando foi candidato ao Parlamento Europeu e tinha 31 anos, Sebastião Bugalho tem 28. Ele até disse que seria um perigo para a Presidência da República.

Se ele já tivesse 35 anos.

E quase que arriscava a não ter nas presidenciais de 2031. Por acaso já tem 36, que ele é de 95, mas se as presidenciais fossem em 2030, um ano antes, não dava, porque ele só faz anos, creio que no final do ano e ainda não se sabe se será.

Mas essa referência também de Santana Lopes também tem o que se lhe diga, não é? A referência é às presidenciais e à idade dos 35 anos.

Sim, na verdade, está se posicionar ele próprio. Portanto, o que ele diz é que é preciso haver saúde, etc. Mas é interessante a presença de Santana Lopes, junto a isso, a presença de von der Leyen, que dá esse moral à campanha de alguma forma.

Tal como Nicolas Schmit, o candidato dos socialistas à Comissão Europeia.

Acho que menos, ainda assim.

Eu acho que mesmo Martin Schulz e o próprio Frans Timmermans eram mais conhecidos em Portugal do que Nicolas Schmit. Ainda assim, é sempre bom também, mas von der Leyen está nas bocas do mundo há cinco anos e também era perfeitamente desconhecida quando a Merkel se lembrou dela para presidente da Comissão Europeia.

E hoje, Cotrim Figueiredo que disse qualquer coisa como: "Ela tem um telhado de vidro", que tem, de facto, porque está a ser investigada por causa de uma questão das vacinas. Eu acho que isso não toca as pessoas, eu acho que as pessoas não estão aí.

Antes que o Miguel Vieira Mate fosse terminar com isto, eu ouvi Cotrim Figueiredo há pouco aqui na rádio, as pessoas estavam nos a ouvir, a dizer que a Ursula von der Leyen não dá votos e ia criticar. Mas por coincidência, má para ele, hoje saiu na Agência Lusa um take em que eles perguntaram a todos os partidos quem é que iam apoiar. E um dos títulos era que a Iniciativa Liberal e João Cotrim Figueiredo admitem apoiar Ursula von der Leyen. Portanto, caiu mesmo mal essa situação. Mas pronto, ele depois também diz que pode dar votos, não se mete na estratégia dos outros. Acho que nesta expectativa erra.

Admito uma errada de interpretação e que, de facto, a Ursula von der Leyen possa ser um trunfo de campanha para a Aliança Democrática. Vamos então agora saber quem, na vossa opinião, perdeu votos neste dia, Judite?

Eu acho que neste dia quem perdeu votos foi Francisco Paupério, porque teve que dizer que não está sozinho, mostrando que está sozinho. De facto, Rui Tavares ainda não se dignou a aparecer na campanha, o que é desagradável. E de facto, Rui Tavares é a cara do LIVRE e portanto, sendo a cara mais conhecida e sendo Francisco Paupério um desconhecido, Rui Tavares faz muita diferença numa campanha. Pode fazer muita diferença pela sua notoriedade. E nós sabemos que a escolha foi polêmica, sabemos que Paupério não era o candidato da direção do partido e isto, se não é para o mostrar, se não é uma evidência, parece.

Rui, tu também queres falar sobre este tema, mas consideras que quem perde não é propriamente Francisco Paupério, mas mais o LIVRE.

Eu não estou a copiar a Judite, porque eu por acaso mandei antes quem ganhou e perdeu votos.

Confirmo.

Mas também queria dizer isso, que Rui Tavares é ele que tem um problema, porque Francisco Paupério está-

Está a fazer uma boa campanha, não é?

Está a fazer o melhor possível, lá que tem problemas. Jacinta Moreira não se dava bem. Francisco Paupério mandava, se calhar o problema está em Rui Tavares.

Se calhar o problema está em Rui Tavares.

E portanto também aí acho que o LIVRE perder votos e podia dar a volta um bocadinho a isso.

Há outro perdedor para além do LIVRE?

Deixa-me só dizer que o Bloco de Esquerda está a fazer uma excelente campanha e mesmo hoje, com subtileza, Catarina Martins conseguiu ir a um forte onde havia uma prisão, resistência durante o Estado Novo, e falar de Putin. Claro que estava a atacar André Ventura, o financiamento dos partidos de extrema-direita, mas na verdade ela sabe que quanto mais vezes disser a palavra Putin, mais está a mandar mísseis no seu adversário direto à esquerda, o Partido Comunista, e portanto repete-o dessa forma e por aí acaba por fazer a FCDU também perder alguns votos.

Quem ganhou e perdeu votos pelo olhar da Judite França e do Rui Pedro Antunes. E agora vamos até à estrada, ao encontro dos jornalistas do Observador que acompanham esta campanha eleitoral. E vamos primeiro ao encontro da jornalista Inês André Figueiredo, que acompanha a caravana do Chega. Daqui a pouco a arruada em Elvas, não sei mesmo se não terá já começado. É a segunda iniciativa do dia que junta André Ventura e António Tanger Correia, que esta manhã, Inês, boa tarde, bem-vinda, abordou o tema do reconhecimento do Estado da Palestina.

Boa tarde, Miguel. Não começou, mas está prestes a começar. Já está aqui quase tudo a postos, está tudo à espera de André Ventura. E é verdade, o dia de campanha do Chega ficou marcado por uma mini arruada em Estremoz, que por causa do calor não era para acontecer, mas a comitiva acabou por dar uma volta, cumprimentar as pessoas que por ali estavam, que eram poucas também devido a essa condição meteorológica. E portanto, André Ventura e Tanger Correia aproveitaram apenas para falar aos jornalistas. E foi durante essas declarações que o cabeça de lista do Chega falou sobre a situação da Faixa de Gaza e disse que Portugal não deve reconhecer o Estado da Palestina.

Para já reconhecer o quê? Querem-me explicar o que é que é o Estado da Palestina? É a Cisjordânia, é a Faixa de Gaza, não tem continuidade territorial. Quem é que manda na Palestina? É a Fatah, é o Hamas. Quem são os verdadeiros detentores e os três milhões de palestinianos que estão na Jordânia? Ninguém pensou neles, pois não? Porque de hoje para amanhã podem causar gravíssimos problemas na Jordânia e ao mundo inteiro. E se pensarem bem que todos os Estados árabes não gostam nem aceitam palestinianos nos seus territórios, somos nós europeus que temos mais simpatia por eles, não tenham dúvidas sobre isso. Os povos árabes servem-se os palestinianos como arma de arremesso, e não é de agora, há muito tempo. E vão-lhes pagando para estarem quietos. Desta vez não ficaram quietos. Agora, reconhecer uma coisa que não é um país, que não pode ser um país, não

Tanger Correia disse ainda não à possibilidade de reconhecer uma coisa que não é um país e que, na opinião do candidato do Chega, não pode ser um país. Contou ainda a parte histórica, disse que houve cinco tentativas desde a criação do Estado de Israel para se reconhecer a Palestina e que todas foram negadas pelos próprios palestinianos, palavras de Tanger Correia. Questionado sobre as condições para reconhecer este Estado, o candidato do Chega disse que primeiro é preciso alcançar a paz e depois haver uma negociação para ver quem é que pode gerir a Palestina. Já sobre outra guerra, neste caso a situação na Ucrânia, André Ventura respondeu a Catarina Martins, que tinha dito ontem que a extrema-direita pode bater no coração com juras de amor à Ucrânia, mas que há um relatório europeu recente que mostra a relação com Putin. A candidata à Europa do Bloco de Esquerda falava de Marine Le Pen e do fato de ter recebido um empréstimo de nove milhões de euros de Vladimir Putin e rematava que estes são os amigos de André Ventura. O presidente do Chega não gostou do que ouviu, colou o Bloco de Esquerda ao Irão e sugeriu que Catarina Martins devia estar calada.

Mas está enganada, a Catarina Martins tem estado sistematicamente ao lado das forças erradas da história. O Chega, como eu disse, propôs no Parlamento que o Estado russo fosse um estado terrorista. Esses partidos todos votaram contra, inclusive os partidos de esquerda, inclusive o Partido Comunista. O Bloco de Esquerda e o PCP têm estado de mãos dadas com os piores regimes do mundo. Olhe, com o Irão, que ainda há pouco tempo executou mulheres que tinham sido violadas. Portanto, gostava de saber o que a doutora Catarina Martins acha disso. Com a Arábia Saudita, com regimes da Venezuela e de Cuba, de onde estão a vir os imigrantes para cá. Portanto, eu estou muito à vontade para contrariar o Bloco de Esquerda nisso, e o PCP, que não têm moral nenhuma para dizer de quem é que estamos ao lado. Para além de que nós desde o momento zero estivemos ao lado da Ucrânia, há uma coisa que nunca estaremos: é ao lado do Irão, é ao lado do Afeganistão, é ao lado do Iraque, é ao lado da Venezuela, é ao lado de Cuba, ao lado de países que maltratam as mulheres, que maltratam o ser humano, que tiram direitos humanos. Portanto, eu acho que a Catarina Martins, neste caso, calada era uma poeta. Aliás, ela é atriz, por isso ficar calada até era uma boa ideia.

As críticas de André Ventura à Catarina Martins, que colou o Chega aos partidos que estão ao lado da Rússia e com o presidente do partido a defender que não, que o Chega sempre esteve ao lado da Ucrânia desde o primeiro dia. A campanha do Chega segue agora com uma arruada em Elvas, no Jardim Municipal de Elvas. Tem a presença de André Ventura e Tanger Correia. Esse contacto com a população estava marcado para as 18h30 e o Chega termina por aqui a agenda de hoje. Fica apenas a faltar um dia no Alentejo, neste caso em Évora e em Setúbal. A caravana segue para lá amanhã.

Acompanhada pela jornalista do Observador, Inês André Figueiredo, que segue na pisada do Chega e do cabeça de lista, António Tanger Correia, rumo às europeias do próximo dia 9 de junho. E depois do Chega, seguimos ao encontro da caravana da CDU, a esta hora em Beja. Terminou há pouco um comício que contou com a presença do secretário-geral Paulo Raimundo. O que disse Paulo Raimundo, Vasco Maldonado Correia, agora aqui em direto?

Boa tarde, Miguel. Antes de ir a essas declarações, queria só dizer, estive a ouvir o que estiveram a dizer sobre Rui Tavares e de facto nisso há uma diferença clara entre as duas lideranças, porque Paulo Raimundo, em quatro dias, este é já o segundo em que aparece na campanha e aparece para discursar ao lado do candidato. Há essa diferença. Mas então indo às declarações de Paulo Raimundo, há uma que se destaca porque é um ataque a Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo tinha pedido um consenso entre os partidos para que se pudesse evitar uma crise política, ou seja, um consenso no Orçamento do Estado. Ora, Paulo Raimundo considera essas declarações despropositadas.

Aquilo que tem desgraçado a nossa vida são os consensos. Os consensos entre o PS, o PSD, o CDS, a Iniciativa Liberal e o Chega. É visível todos os dias, na habitação, na saúde, nos salários, nas reformas, de deixar intocáveis os tais 13 milhões de lucros de euros lucros por dia da banca. Sobre isso há sempre consenso entre estes cinco partidos.

Não gostou de ouvir Marcelo?

Acho que foi um bocadinho despropositado.

São declarações de Paulo Raimundo considerar despropositada a intenção de Marcelo, que quer consensos partidários no Orçamento do Estado. Hoje estamos no caça ao voto e eu diria que esta ação aqui em Beja, este comício que aqui decorreu, que já acabou há cerca de uma hora, foi uma verdadeira caça ao voto a um eleitorado que fugiu em março nas eleições legislativas. O Alentejo estava muito ligado à CDU, ao eleitorado da CDU, mas o Alentejo acabou por não dar nenhum deputado aos comunistas para a Assembleia da República e por isso hoje houve aqui um esforço de trazer esse eleitorado de volta, logo com a presença de João Dias. João Dias era, na última legislatura, deputado da CDU, era enfermeiro de profissão e por isso houve também aqui nos discursos um foco muito especializado na saúde. João Dias apareceu com uma lista de 183 nomes de profissionais de saúde que apoiam a CDU. Nesse sentido, o Paulo Raimundo, no discurso que fez, aproveitou para comentar o plano de emergência para a saúde apresentado por Luís Montenegro, que apelidou, e passo a citar, de "um plano de assistência, garantia e financiamento dos grupos que fazem da doença um negócio". É um nome longo, diferente daquele que Luís Montenegro escolheu para o plano de emergência, mas houve um foco especializado nessa questão da saúde. Paulo Raimundo acusa a direita, a que a CDU costuma juntar também o PS, de nos últimos anos ter tido opções de fundo de desmantelamento do SNS, de favorecimento e de tentar continuar a subsistência dos grandes grupos econômicos. Houve, por isso, esse grande foco no setor da saúde. Houve também declarações de Paulo Raimundo em relação ao Chega e hoje acho que é um dia importante na campanha da CDU, porque até agora a CDU tinha passado mais ou menos ao lado dos temas da campanha, em relação aos outros partidos, não tinha havido propriamente grandes ataques políticos. Mas hoje João Oliveira criticou o Chega e quase que comparou Portas e Correia ao Estado Novo, disse que as declarações de Portas e Correia sobre a imigração e sobre a pobreza já vêm desde o Estado Novo.

De resto, ouvimos isso ao longo da tarde aqui, essa declaração que enviaste de João Oliveira, cabeça de lista do CDU.

Exatamente. Mas falou também sobre a Iniciativa Liberal, também criticou a posição da Iniciativa Liberal em relação à imigração, também foi ao PS, à AD, criticar por causa dos arrufos que têm tido durante a campanha e por isso diria que foi um dia, não vou dizer que a CDU acordou, mas em que a CDU escolheu o ataque político e nesse sentido Paulo Raimundo também se juntou e diz que o Chega está completamente a marimbar. É mesmo esta expressão que Paulo Raimundo usa, a marimbar. Ouvimos também isso no noticiário da Rádio Observador há pouco, que se está a marimbar para a imigração. Por isso é um dia marcante na campanha da CDU. A caravana comunista segue agora para Melides, é em Grândola, por isso tem também significado. Vai haver um jantar para o qual eu creio que já estou até atrasado.

Fasta então à estrada. Vasco Maldonado Correia, jornalista do Observador, a acompanhar a caravana da CDU, testemunhou há pouco este comício do Partido Comunista em Beja, que contou com a presença do secretário-geral do partido, Paulo Raimundo. E agora está na altura de abrirmos o baú. Judite, o que é que nos traz hoje?

Hoje começo com música. Os temas centrais das europeias de 1987 nos comícios, nas rádios, na televisão, nos jornais, eram sobretudo os temas das legislativas. Mas votar na Europa falando os problemas de Portugal deu polêmica, e uma das primeiras vozes a insurgir-se foi a do cabeça de lista do Partido Socialista à Assembleia da República, Vítor Constâncio. Era Cavaco Silva a peça central do primeiro tempo de antena do PSD nas europeias, transmitido a 30 de junho, apesar de ser Pedro Santana Lopes o cabeça de lista para o Parlamento Europeu. O resultado para Constâncio, parafraseado pelo Diário de Lisboa, foi um aproveitamento despropositado das europeias para a divulgação de questões internas, em especial assuntos que dizem respeito à ação governativa.

Uma crítica recorrente, porque houve outros cabeças de lista que criticaram o facto de o PSD aproveitar todo o espaço mediático para fazer campanha pelas eleições ao parlamento nacional e não europeu.

A 8 de julho, por exemplo, durante um comício em Santarém, era a vez da cabeça de lista do PS, Maria de Lourdes Pintasilgo, dizer que os candidatos tinham vergonha de aparecer nos tempos de antena, já que estavam sempre a ser substituídos pelo primeiro-ministro. No limite, o PS ponderou mesmo fazer queixa à Comissão Nacional de Eleições, tendo chegado a ser pedida por Constâncio uma apreciação do caso pelo gabinete jurídico do partido. Concluíram que não havia suporte jurídico para a queixa. As questões de política nacional e a campanha para as legislativas continuaram a contaminar a campanha das europeias. Pedro Santana Lopes reconhece, aliás, que foi precisamente esta a estratégia do PSD. Ao Observador disse há um ano que o partido conseguiu na altura o melhor resultado até agora em eleições europeias, 37,5%, mas pior do que teve nas legislativas de então, 50%. Num folheto de campanha de 87, que o cabeça de lista social-democrata guardou, surge em formato maior a fotografia do líder do PSD, Cavaco Silva, ao lado de outra, com metade do tamanho, onde aparece Pedro Santana Lopes.

Fica assim recuperado mais um episódio de campanha de tempos idos. Fechamos o baú e fechamos também este Caso Voto, que contou hoje com a participação da Judite França, do Rui Pedro Antunes e dos repórteres que andam na estrada, o Vasco Maldonado Correia e a Inês André Figueiredo. Fica fechada a análise ao quarto dia de campanha Caso Voto, que pode escutar em podcast em observador.pt.