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Penúltimo dia de campanha eleitoral, penúltima edição do Caça ao Voto e como sempre pode acompanhar-nos também em vídeo em observador.pt e no nosso Facebook e no YouTube. Contamos com o painel da tarde política, a Judite França e o Bruno Vieira Amaral, e ainda com o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, e com o diretor executivo do Observador, o Miguel Pinheiro.
Por quem vamos começar este Caça ao Voto, Miguel, boa tarde. Tem-se repetido o apelo ao voto dos indecisos. Há algum partido, em tua opinião, ou bloco ideológico que esteja em melhores condições de vir a beneficiar do voto dos indecisos, que de acordo com a sondagem da Intercampus hoje publicada, corresponde agora a 13% do eleitorado?
Em tese, se há dois anos houve uma maioria absoluta, em termos de deputados, mas vamos simplificar, se houve uma maioria absoluta que decidiu votar no PS e se agora estão indecisos, então essa indecisão, na realidade, favorece o outro bloco ideológico. Quem tem a ganhar com a criação da dúvida nos eleitores de 2022 pra agora é a direita. Agora, se conseguem depois fazer com que as pessoas façam essa viagem, passaram de crentes no PS de António Costa pra indecisos, se conseguem que eles agora passem de indecisos pra votantes à direita, seja em quantos partidos da direita for, temos que esperar por 10 de março. Mas nesse sentido, a direita tem potencialmente mais a ganhar com isso.
Pedro Nuno Santos apelou hoje ao voto da maioria invisível, foi assim que a classificou, a maioria que não está nas televisões nem nas redes sociais e que em 2022 deu uma maioria absoluta ao PS que não estava prevista, que ninguém esperava, nem o próprio Partido Socialista. Tendo em conta as sondagens, estão, Judite, os socialistas a agarrar-se outra vez a um golpe de sorte?
É pelo menos um ato de fé, porque se é invisível, não se vê e, portanto, pelo menos é um ato de fé. Mas eu percebo que, de facto, o resultado do Partido Socialista, sobretudo se olharmos, por exemplo, pro resultado que foi conhecido hoje pela Intercampus, 23%, é um resultado muito baixo para o Partido Socialista. Já falamos, aliás, disso no Semáforo há pouco, eu acho que o resultado será maior e acho, ao contrário do Miguel, que irá buscar aos indecisos aqueles que neste momento dizem que vão votar PS, eu acho que no fundo são menos do que aqueles que realmente irão votar no Partido Socialista. E acho que o Partido Socialista não consegue ir buscar mais à esquerda, portanto, ou vai buscar aos indecisos ou não vai buscar a mais lado nenhum. Dito isto, eu percebo que Pedro Nuno Santos não se reveja nas sondagens, acho, de facto, que não refletem a realidade. Agora, eu também percebo que Pedro Nuno Santos esteja muito chateado com as televisões, com as redes sociais, enfim, não sei com quem é que está chateado. Ontem notou-se, pelo menos no Ricardo Araújo Pereira, que está bastante chateado com os comentadores televisivos, talvez tivesse a espera de outra lateralidade por parte dos comentadores. Olhando pra esta sondagem, que tem mais de 800 entrevistas telefônicas, portanto, é uma sondagem significativa, e se somarmos a isso o facto da AD ter sido muito consistente nas sondagens, sempre superior ao Partido Socialista, eu acho que quem arriscar uma vitória pra domingo é um oráculo de Bellini, porque acho, de facto, que é difícil fazê-lo e acho que é preciso ter uma bola de cristal pra conseguir.
Continuando a olhar pra esta sondagem da Intercampus pro Correio da Manhã e para o Negócios, a grande novidade à esquerda, a subida do Livre, 2,7 para 4,3%, quase 1,5 ponto percentual, e também o PAN recupera para os 3,7. De acordo com estas intenções de voto, Rui Pedro Antunes, podem vir a ser estes partidos peças-chave para a formação de maiorias à esquerda ou à direita?
Sim, podem ser fundamentais, porque se existir uma divisão entre dois blocos, estes dois partidos acabam por poder ser fundamentais conforme seja essa aritmética. O Livre só alinha de um lado, é à esquerda, depois em acordos de regime. O PAN ainda não se percebeu bem, porque o PAN normalmente alinha com o poder.
Mas também já disse que não alinhava com a AD por causa do CDS e por causa do PPM.
A diferença ali do PAN é o fator Chega, que é se o somatório de AD, Iniciativa Liberal e PAN for maioritário, mas o somatório da esquerda, excluindo aqui o Chega desta equação, com o PAN não for suficiente, o PAN pode se encostar à maioria que lhe é mais confortável, percebendo-se perfeitamente, se ela nunca querer dizer, que em essence real está muito mais confortável à esquerda do que está confortável, ainda por cima numa coligação ou acordo que incluísse o CDS, que defende as estradas e isso tudo.
Mas como já teve a sua experiência na Madeira, pode repeti-la, não é?
Pode repeti-la. O PAN tem essa capacidade, é tão maleável que vai até aí e os militantes e eleitores do PAN até gostam disso. Nós nos congressos do PAN que acompanhamos, quer em Tomar, quer outro lá em cima no Porto, percebemos isso, que as pessoas não estão muito preocupadas, de facto, com a questão ideológica. Deixe-me só dizer, pra maioria da maioria invisível Invisível deve ser uma coisa meio científica, de ciência política, tipo-
Tipo silenciosa?
H.G. Wells, do Homem Invisível. Mas a maioria faz-me lembrar a expressão da maioria silenciosa, do Spinelli.
Se for como essa, não vão ter sorte.
Essa também acabou no dia 11 de março.
É verdade.
Essa ideia acabou no dia 11 de março. Esta poderá acabar no dia 10. Agora, isto vem dessa ideia, desta luta contra os comentadores, porque saiu aquele estudo do ISCTE que foi discutido aqui na rádio, que a maioria dos comentadores são de direita. Não contesto, até porque, por exemplo, o Pacheco Pereira conta nesses como de direita. E, portanto, há outros como a Ala Magna.
E há outros, e há mais.
Contam como sendo de direita.
Mas já viste como isso une André Ventura e Pedro Nuno Santos, os dois juntos contra o jornalixo, contra os comentadores, comentadeiros, essa gente, essa elite que está por aí a tentar enganar o povo. Têm muitas semelhanças os dois, não haja dúvida.
Isso é sinal só de uma coisa, que a campanha, de facto, não lhes está a correr bem.
Exato. Se Pedro Nuno Santos, em vez de estar preocupado com os comentadores e com o jornalixo, ou com a dívida da SIC, estivesse-
Foi outro comentário que foi completamente ao lado.
Que ele fez ontem no Ricardo Araújo Pereira, para quem não viu, fez uma graça. Ele próprio diz que não tem piada, por isso chamar-lhe uma graça. Mas enfim, um comentário sobre a dívida da SIC. Mas ele, em vez de estar preocupado com isso, estivesse preocupado em não ter passado cinco dias a falar de cenários, subcenários, extracenários, quem viabiliza o quê, e se tivesse falado para a maioria invisível, se calhar a maioria invisível tinha o ouvido e não tínhamos este resultado.
Estava mais invisível.
Podia-nos ter ouvido a nós, que dissemos que isso era uma má estratégia.
Podem existir poucos comentadores do PS relativamente à direita, e a direita tem mais-
Do Chega também não há.
Do Chega também não há. Mas há uma coisa: em pedronunistas, upa upa, Alexandra Leitão, Ana Gomes, que sempre foi, o próprio Pedro Nuno, que terá contribuído um bocadinho para o aumento da dívida da empresa. Quando lá esteve, pelo menos que eu saiba, esteve a receber e não se importou com a dívida. Portanto, a partir daí, acho que é um bocadinho ao lado vir com estas histórias dos comentadores, mas eu percebo. Eu percebo que uma coisa a que Pedro Nuno Santos tem que se agarrar é esta ideia que é o voto que não chegou às sondagens. E 2022 ensina-nos que ninguém pode dizer que Pedro Nuno Santos não vai ganhar as eleições no sentido de ficar em primeiro. Parecem mais consistentes as sondagens no sentido de não haver uma maioria à esquerda. E para ele, pode ficar em primeiro, mas isso não significa governar e, portanto, uma pequena nuance que ele fez no meio desse programa do Ricardo Araújo Pereira criou uma tensão estranha entre os dois, que foi dizer: não sei se a expressão foi exatamente esta, "Eu vou cá ficar por muitos anos, seja qual for o resultado". Pedro Nuno não está já só preocupado, ainda alimenta essa esperança, naturalmente tem que alimentar, os votos ainda não foram contados, de ficar em primeiro e poder governar e haver uma maioria de esquerda, como se está a posicionar para ser Pedro Nuno Santos e suceder a Pedro Nuno Santos no PS até o momento em que tem uma segunda oportunidade com mais tempo para tentar derrotar.
Esta derrota, se houver derrota, vai ser atribuída a António Costa. Aliás, ele até arrastou António Costa para uma segunda presença na campanha lá na Aula Magna, disse-lhe para estar caladinho, para não dizer nada, mas a narrativa vai ser essa: isto foi a derrota do costismo, nós não tivemos oportunidade de nos apresentar inteiros. Foi metade António Costa, metade Pedro Nuno Santos. António Costa só fez disparates e então perdemos as eleições. É certinho.
Mas o slogan é Portugal inteiro. Em relação à AD, ficámos hoje a saber que Cavaco Silva, Leonor Beleza e Manuela Ferreira Leite vão juntar-se à caravana da Aliança Democrática amanhã, último dia de campanha. São trunfos eleitorais, Bruno, dão votos?
Bem, eu não lhes chamaria tanto. Não cometeria esse exagero. Agora, se calhar cada um por si, analisando, talvez só o Cavaco Silva ainda consiga ter algum efeito eleitoral. Agora, olhando para o conjunto de figuras.
A Manuela Ferreira é vista como uma pessoa séria, que percebe de finanças, que jamais estaria ao lado de um projeto que tivesse as consequências que Pedro Nuno Santos diz que o projeto da AD vai ter. Eu acho que a Manuela Ferreira Leite tem votos.
Aliás, tem boas audiências há muitos anos.
E saiu-se bem no Ricardo Araújo Pereira.
Portou-se bem.
Que é o que interessa, é a única coisa que interessa.
Apareceu no Girão da Ponte. Ouviram falar em Cavaco Silva.
Mas independentemente de trazerem votos, cada um quantos votos é que trazem estas figuras, o facto de terem aparecido na campanha do PSD todas estas figuras do PSD é muito significativo, porque passa para o exterior, para o eleitorado, uma ideia de união, quando até Rui Rio aparece na campanha, isso passa uma ideia de união em torno de Luís Montenegro. E eu creio que aí o grande mérito, provavelmente será também da direção da campanha.
Rui Rio também às vezes é a versão empregado de café. "Desculpe, queria um café. Queria ou quer?" Ele está aqui para... Isto significa união. Desunião é que não significa, de certeza. É o perito com a maior capacidade de desconversar que eu já vi. Quer um copo de água ou um copo com água? Pronto.
Mas o facto de ter aparecido, dele mesmo, Rui Rio ter aparecido, acho que pode contribuir para essa ideia, tem contribuído, sem dúvida, para essa ideia de união e para reforçar também a liderança do Luís Montenegro. Ainda só em relação ao Pedro Nuno Santos, quando se queixa dos comentadores, pelo que me lembro, quando foi o debate televisivo com o Luís Montenegro, quase todos os comentadores televisivos deram a vitória a Pedro Nuno Santos.
Ele foi buscar um que lhe deu um empate.
Pronto, foi esse. A culpa foi dessa. Mas se calhar ele devia ter feito, ainda durante a campanha, aquilo que Luís Montenegro fez no Congresso do PSD, que foi dizer, assumir que não estava tão bem, ainda não estava à altura daquilo que esperavam dele. E em relação a Pedro Nuno Santos, as expectativas estavam muito altas. E se ele assumisse, até durante a campanha, que não estava a corresponder às expectativas criadas por ele próprio e por toda a gente à volta dele, talvez as coisas lhe tivessem corrido melhor.
Ele usasse da humildade que ele tanto fala.
Que ele tanto fala, pois.
Eu acho que ele só percebeu agora. Pedro Nuno Santos que esta semana na real e percebeu que as coisas são mais difíceis do que ele achava que seriam. Eu acho que havia uma perceção até das pessoas que estão com ele à volta e de vai dar e vamos conseguir e que eu achei que eventualmente ele não estava tão à espera que fosse tão difícil vencer estas eleições.
E pelo contrário, a expectativa em relação a Luís Montenegro era baixa e Luís Montenegro correspondeu acima das expectativas.
Eu não sei se são sondagens internas que entretanto estão a deixá-lo mais com essa certeza, mas algum azedume que ele também teve no programa de ontem parece que está com a perceção de que as coisas não estão a correr bem. E mais uma vez, eu não estou a dizer que Pedro Nuno Santos não ficará em primeiro lugar ou que não haverá uma maioria de esquerda. Aliás, mesmo as sondagens que andam a aparecer aí entretanto e outras, juntando os partidos à esquerda, muitas vezes eles vão para valores de 40 e poucos por cento e António Costa com 41%, embora num partido só, com a distribuição do método de ontem, teve deputados suficientes para uma maioria. Portanto, nós não sabemos a distribuição. Basta, por exemplo, o Livre e o Bloco em círculos grandes como Lisboa, Porto e Setúbal irem roubar pequenos deputados para isso fazer a diferença. Não estou a dizer isso. Parece-me é que Pedro Nuno Santos está mais com a perceção neste momento que é muito difícil vencer a AD, porque cá não há essa sensação de necessidade de alternância democrática, de mudar.
Estamos quase no fim desta edição de Caso ao Voto. O dia de campanha, este penúltimo dia de campanha, ficou muito marcado pelas arruadas, algumas delas da Iniciativa Liberal, ainda decorrem a esta hora, arruadas da Aliança Democrática, do PS e também da Iniciativa Liberal. Este tipo de iniciativas de campanha continua a servir para colher votos, Miguel Pinheiro?
Serve para criar um cenário de vitória ou, no caso da CDU, de derrota.
O que é que dizem as imagens para as quais estás a olhar das diferentes candidaturas?
Do ponto de vista sério, acho que a CDU está a vencer na split image, a CDU está a vencer porque tem Jerónimo de Sousa abraçado ao estilo de quem talentos já não Oliveira. Nós não ouvimos, mas todas as outras imagens é a melhor. Está Nuno Melo a falar, noutra estão tipos a tocar uma trompete de Pedro Nuno Santos.
E não se vê ali Paulo Raimundo, não sei se ele está ali incógnito.
Acho que isto...
A imagem conta, a imagem continua a contar.
Claro. Vamos ver, uma parte substancial das campanhas eleitorais é feita para as câmaras de televisão. Não vale a pena ter grandes ilusões.
Ou para os telemóveis.
É como os estádios. Aparecer para haver bons bonecos. E claro, ter os candidatos a descerem pela rua e a serem abraçados e muita gente. Claro que a esmagadora maioria, ou melhor, vou refazer. Todas as pessoas que nós vemos naquelas imagens são pessoas do partido. Aquilo não é propriamente como se o candidato seguisse sozinho na rua e se fossem juntando pessoas subitamente com bandeiras, entusiasmadíssimas com aquele líder. São as pessoas que eles trazem. Mas servem para tentar entusiasmar as pessoas que estão lá em casa.
E há uma coisa, os outros fazem. E se os outros fazem, o partido não pode deixar de fazer e André Ventura já percebeu isso.
Precisamente. Acho que a melhor demonstração disso é que André Ventura não ia fazer e agora foi fazer nas cidades onde sondagens internas mostram que eles podem ficar, senão em primeiro lugar, lá perto.