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Bem-vindo ao "Caça ao Voto". Última semana de campanha, derradeira oportunidade para tentar cativar indecisos. Nos próximos minutos, vamos conversar com Miguel Pinheiro e Rui Pedro Antunes para saber quem ganhou e perdeu votos, depois de um fim de semana particularmente intenso. Vamos à estrada, ao encontro de dois jornalistas do Observador que estão a acompanhar as caravanas. Maria Martinho, que esteve com Rui Rio no Porto e nos vai contar a história de Marlene, e Mariana Lima Cunha, que esteve com o Bloco de Esquerda de manhã e está com a CDU a esta hora. Temos ainda um fact check, Rui Rio e as queixas em relação às sondagens, e do baú das autárquicas tiramos a história do pântano de António Guterres. A fechar, um hino de campanha que mostra que é possível fazer hip-hop com o nome da sede de conselho, Trofa, e ainda usar o nome das freguesias como Guidões, Covelas e Alvarelhos. Este "Caça ao Voto" começa agora. Da bazuca ao puxão de orelhas à Galp, António Costa está de corpo e alma na campanha autárquica e é também o principal alvo. Este domingo, em Matosinhos, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro afirmou sobre o encerramento da refinaria da Galp naquela localidade, que era difícil imaginar tanto disparate, tanta asneira, tanta insensibilidade, e prometeu mesmo dar uma lição exemplar à Galp. Francisco Rodrigues dos Santos, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa apontam baterias a António Costa.

Eu quero informar o senhor primeiro-ministro que o seu papel não é ser um papão na vida dos empresários, nem dar-lhes conselhos sobre uma forma de gerir os seus negócios.

A política não pode ser esse exercício de cinismo. A política tem que ser sobre soluções para a vida das pessoas. Sim, o Estado devia ter impedido aqueles despedimentos. E quando eu questionei António Costa no Parlamento, ele disse que não ia fazer nada, que ia ficar a assistir. Não pode agora estar chocado com aquilo que quis.

Bem pode o senhor primeiro-ministro vir carpir mágoas sobre os trabalhadores, como ainda ontem se viu ao acusar a Galp da falta de consciência social a propósito dos despedimentos, como se o capital monopolista, como se as grandes empresas tivessem coração em vez de um cifrão.

E se continuarmos nesta linha da metáfora belicista, ao usar palavras como bateria, mira, disparar, apontar, chegamos a Rui Rio, que assumiu esta tarde o cargo de armeiro oficial da campanha eleitoral.

Ora bom, o que é uma bazuca? Uma bazuca dispara tiro a tiro. E o doutor António Costa não dispara tiro a tiro, é rajada. O doutor António Costa dispara de rajada. Portanto, ele não é uma bazuca, é uma metralhadora. Até que ainda alguns vão. Agora esta parte é que é a pior. E no caso da metralhadora, e agora é que estou a olhar pra sala a ver quem vai entender, não é uma G3, é uma HK21. Quem é que sabe o que é a HK21? Eu aprendi na tropa e disparei com a HK21. É que a HK21 tem uma fita e aquilo carrega, se tem dois pés à frente, aquilo dispara que nunca mais para. Tá-tá-tá-tá.

Citando Rui Rio, esta tarde, tá-tá-tá-tá. Rui Rio em campanha pelo Grande Porto. E agora chamamos os nossos peritos em geoestratégia política e partidária, e está no ar de saber quem anda a ganhar e a perder votos. Comigo tenho Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador, e Rui Pedro Antunes, editor de política. Bem-vindos, Miguel, Rui Pedro.

Olá, Ricardo.

Querem começar pelos tiros, pelas bazucas, pelas metralhadoras ou por quem ganhou e perdeu votos? Vamos a quem ganhou votos, Miguel.

De certeza que não queres ir a quem perdeu? Podemos ir?

Pensa lá melhor um bocadinho, Ricardo.

Tu é que és o estratega. Eu apresentei-te como perito em geoestratégia político-partidária.

Só para nos mantermos aqui na bazuca, porque acho que hoje quem perdeu votos foi António Costa, precisamente porque foi longe demais. António Costa tem andado no limite nesta campanha eleitoral, a forma como tem feito a propaganda absolutamente sem freios, usando a bazuca, tem andado no limite. Acho que o que está na cabeça de António Costa é que os comentadores podem dizer o que quiserem, os jornalistas podem dizer o que quiserem, o Ricardo Araújo Pereira pode fazer as graças que quiser, que é tudo indiferente, porque as pessoas ouvem o barulho do cifrão, como diria Jerónimo de Sousa, ouvem o cifrão e não pensam em mais nada. Aqui eu acho que foi um bocadinho longe demais. De facto, foi demasiado, foi muita lata. Estas declarações de António Costa foram, de facto, demais. E por isso exagerou. Isso não quer dizer que o PS vá ter um resultado mau no domingo por causa disto, claro, nada disso, mas foi uma figurinha escusada esta.

Rui Pedro?

Podemos pôr aqui, sempre que António Costa fala do PRR e mais um IC qualquer, um sinal de ca-tim, ca-tim.

As cápsulas da HK21.

Não, e deixa-me dizer que quem perde votos é claramente a G3, uma espingarda.

Exatamente.

Uma espingarda com tanta- É verdade, com tanta tradição. Não, pra mim, quem perdeu votos foi Marta Temido. Eu acho que cada vez mais vamos perdendo o referencial ético e, de facto, olhando pra certas coisas, são só pormenores, mas que marcam eticamente. E houve uma história que o Observador deu este fim de semana, que teve a ver precisamente com o uso de um carro do governo por parte da ministra. E é verdade que

Marta Temido parece imune a tudo. Conseguiu sobreviver à pandemia com uma popularidade que deve ser incrível. Eu gostava de ter acesso a esses documentos dos Focus Group e a todos esses grupos de pesquisa que existem, porque de fato deve ter uma popularidade incrível, porque toda a gente a quer. Fernando Medina, mesmo depois deste caso do carro, vai tê-la hoje. Não é o único. Já foi também anunciado que às 21h estará no Bombarral e não deve ser a última vez que vai. Portanto, a ministra da Saúde, que ganhou esta popularidade respondendo a uma coisa terrível que é a pandemia e com a qual ela teve que dar bastante de si, está a utilizar essa popularidade a serviço do PS, que é o partido dela, recente, mas é o dela, e isso é legítimo. Mas há um sinal de que parece que as pessoas em determinado cargo acham que são imunes a tudo e que não têm que pensar em algumas coisas. Pode ter sido um descuido, mas claramente, para mim, perde votos por esse referencial ético. Acho que é sempre uma coisa que não fica bem e embora ninguém se importe com isso, parece-me que a ministra da Saúde perde votos e como potencial sucessora de António Costa, que é uma ironia, diz o primeiro-ministro.

E vamos já, para manter aqui a metáfora de rajada, a quem ganhou votos, Miguel Pinheiro.

Eu aqui vou estar um bocadinho em desacordo com o Rui Pedro.

Só pra dizer que pra mim quem ganhou votos foi o António Costa, portanto, se o Miguel for ao contrário, está tudo certo.

Então olha, estás a ver perfeito.

Eu ia pôr Fernando Medina a ganhar votos, porque de fato vai ter hoje Marta Temido ao lado e já se percebeu que Marta Temido dá votos. Por isso o que nós vamos ter hoje é de um lado Marta Temido, do outro Pedro Simas e Ricardo Mexia, que são os virologistas/médicos de saúde pública apoiantes de Carlos Moedas.

E de serviço.

Exato. E a verdade é que, se calhar, aqui há uns meses, algumas pessoas podiam achar que Carlos Moedas cá vai ganhar, agora não há nenhuma dúvida. No domingo, ganha votos quem tiver Marta Temido ao lado e vamos ver que mais coisas não acontecerão daqui até domingo pra reforçar esse peso. Por isso Fernando Medina hoje, mais uma vez, calmamente, discretamente, fazendo também o menos possível pra não dar asneira, vai ter Marta Temido ao lado e são mais uns votozinhos a cair.

Como dizia só sobre isso do Pedro Mexia, etc. Do Pedro Mexia não. Do Ricardo Mexia.

E Pedro Simas.

E de Pedro Simas, uma junção dos dois daria o Pedro Mexia. Mas para dizer que, como disse uma vez o Miguel Vietra Diz, eu já o citei nisto aqui da Rádio Observador.

Esse grande pensador.

Exato, parece uma reunião do Infarmed. Às vezes as listas do Carlos Moedas parece uma reunião do Infarmed. Mas pra dizer que pra mim quem ganhou votos foi António Costa, mais ou menos no mesmo sentido do que o Miguel disse, mas aqui com uma interpretação diferente, que é: António Costa andou por todo lado, pegou em reguifas, prometeu ICs, prometeu pontes, viadutos, tudo e mais alguma coisa durante o fim de semana. Fez pequenos nuances que não se nota. Por exemplo, Vizela é um conselho na regionalização, até pessoas de Guimarães diziam quando foi do referendo da regionalização, aquela coisa: "Antes morrer do que pertencer a Vizela", coisas do gênero. Pessoas de Guimarães que diziam, ela é um pequeno conselho, mas, por exemplo, o autarca que está lá é Vítor Hugo Salgado, que foi presidente da Associação Académica de Coimbra, etc., e que já antes tinha sido do PS e depois candidatou-se independente. António Costa convenceu agora a voltar a ir pelas listas do PS. É uma câmara que o PS ganha sem esforço nenhum, com o Toy a cantar e o Porto no espeto. Mais uma câmara. Com o Rui Rio a ter que lutar imenso pra conquistar cada câmara, António Costa neste jogo negocial consegue ir ganhando ali câmaras onde não se está muito bem à espera. Por isso tudo e por prometer tudo, obviamente não quero desconsiderar o povo português, nem os eleitores, nem nada disso. Mas o que é certo é que a frase "com papas e bolos se enganam os tolos" e em tolos põe-se toda a gente nisto. O que é certo é que no fim do dia, no momento de pôr a cruzinha, as pessoas dizem: quem é que pode ajudar mais a ter isto aqui na Terra? E há essa sensação criada, e António Costa usou isso, de que se a cor política da câmara for a mesma cor política do governo, é mais fácil que essa obra chegue à Terra. E, portanto, isso não devia ser legítimo e é mau, é pernicioso, mas acontece. E, portanto, ganham-se votos com isso, mesmo que não se goste, ganha-se votos com isso.

Fica a ideia que basta mandar um SMS pra ativar esse partido PRR. O Miguel Pinheiro e o Rui Pedro Antunes regressam amanhã. Agora vamos pra estrada. E vamos ao encontro dos jornalistas do Observador que estão na estrada. Hoje vamos começar pelo Porto, onde está a jornalista Maria Martinho, que esteve ao longo do dia a acompanhar Rui Rio, que anda muito ativo por estes dias, Maria. E hoje entrou em cena Marlene. Quem é Marlene, Maria Martinho?

Boa tarde, Ricardo. A origem da Marlene é um pouco remota. Ela aparece nos anos 80. Trata-se de um antigo veículo dos STCP, que foi restaurado e recuperado no início dos anos 80 para uma campanha das eleições legislativas com o Cavaco Silva. É uma forma de fazer campanha, de estar mais próximo da população, e que Rui Rio recupera anos mais tarde, quando se candidata pela primeira vez ao Porto. Faz todas as campanhas nesse veículo, que vai mudando ao longo dos tempos, vai se modernizando ao longo dos tempos, e a JSD batizou-a de Marlene, porque na altura, uma militante com este nome, natural de Vila do Conde, fez então a ponte com algumas empresas para a cedência deste mesmo veículo. Vladimir Feliz entrou nela pela primeira vez em 1991 e recorda-se de algumas peripécias, como conta o Observador, desde apanhar com ramos de árvores, uma vez que ela é de dois andares completamente descoberta, a ser apedrejado ou a ter mesmo banhos de mangueira. Em algumas subidas mais íngremes, este autocarro tem também que aliviar a carga dos seus passageiros.

As pessoas têm de sair para que o autocarro...

Têm que sair em algumas ruas. É verdade, algumas ruas do Porto.

Faltam cavalos.

Como a Rua 31 de Janeiro, por exemplo, que é uma rua bastante íngreme. A lotação é de 20 pessoas, hoje é um dia especial, estão muitas mais, entre jornalistas e alguns apoiantes. Falei também com o motorista, que é um antigo motorista da STCP, que está a conduzir a Marlene deste ano, uma Marlene 2.0, nas palavras de Rui Rio, e ele diz que este veículo é um veículo à inglesa, tem o volante do lado direito, consome entre 70 a 100 litros de gasóleo por dia, não ultrapassa os 50 km/h e tem 4,20 metros de altura.

Muito pouco amigo do ambiente. Maria Martinho, tu estás na Rua das Flores agora, mais uma arruada, é isso?

É verdade. Nós estivemos em cima da Marlene desde o início da tarde. Começamos com o bairro Fonte da Moura. Fizemos todo o percurso na Foz, passamos pela Câmara Municipal do Porto, Torre dos Clérigos. Estamos neste momento a descer a Rua das Flores, aqui muito próximo do Mercado Ferreira Borges, e o destino desta arruada será depois voltar para a Marlene e ir então até Matosinhos, onde Rui Rio marcará presença num comício do PSD.

E a Maria Martinho vai contar todas estas histórias ainda hoje, que vão ficar disponíveis em observador.pt. Em Lisboa está a jornalista Mariana Lima Cunha, que esteve com o Bloco de Esquerda esta manhã. A esta hora está com a CDU, mas já lá vamos, à CDU. Mariana, vamos começar pelo Bloco. Estamos aqui na última semana de campanha. O Bloco vai manter esta estratégia de dar a ideia que esteve com um pé dentro e outro pé fora no governo da cidade, que nada teve muito a ver com o governo da cidade?

Olá, Ricardo. É verdade, o Bloco de Esquerda está aqui numa estratégia um pouco dupla. É aquele equilíbrio precário entre quem tem de tentar, que é o que o Bloco de Esquerda quer fazer, voltar a entrar no governo da cidade agora para os próximos quatro anos e ao mesmo tempo distanciar-se do PS e dos falhanços desse acordo que eles mantiveram, até porque senão corre o sério risco de cair na armadilha do voto útil e dos eleitores de esquerda não verem razões para votar no Bloco e não no PS. E aliás, isso hoje foi visível mesmo durante a manhã. Nós estivemos com a Beatriz Gomes Dias em Chelas. Ela foi fazer uma ação, a ideia era combater os estigmas, foi até aos murais de homenagem ao ator Bruno Candé, que foi assassinado no ano passado. O Bloco pede que haja uma rua em Chelas, e desculpem-me agora aqui o barulho de fundo, uma rua em Chelas com o nome do ator. Mas na verdade, também teve de reconhecer que houve um insucesso e um falhanço nas políticas do acordo PS-Bloco nos bairros municipais. E enfim, uma vez que o Bloco de Esquerda não assumiu apenas um posto, fez mesmo acordo de governação na saúde e na doença da política da cidade, agora também tem de arcar com essas consequências.

E esse facto é aproveitado quase sempre pela CDU e por João Ferreira para apontar o dedo precisamente ao PS e ao Bloco. Tu agora estás com a CDU.

Exatamente, eu agora estou aqui com a CDU no Largo do Intendente, aqui mesmo no coração de Lisboa. O João Ferreira está aqui com a outra vereadora da CDU, a Ana Jara, para fazer uma sessão sobre espaço público, aquelas polémicas, por exemplo, sobre a Praça do Martim Moniz, alguns exemplos desses. E, na verdade, o João Ferreira, aliás, na comitiva hoje do Bloco de Esquerda, faziam-se algumas piadas e ironias sobre isso, a dizer que o Bloco não sai da boca de João Ferreira, mas na verdade, isso é mesmo parte da estratégia da CDU. Lá está, se os dois partidos estão a lutar por não cair no perigo do voto útil, o melhor que o PCP tem a fazer é distanciar-se como a força de esquerda que não foi a bengala do PS, que não foi a multa do PS, que não se meteu num acordo que em grande parte não foi cumprido e, portanto, o João Ferreira aproveita qualquer oportunidade. Aliás, ainda no fim de semana esteve também em bairros municipais a lembrar precisamente esses falhanços nessa população que estava muito revoltada, que fez muitas queixas, que dizia: "Vocês não fazem nada", e ele respondia: "Vocês é muita gente". E claro, lembrava sempre, o Bloco de Esquerda esteve com o PS.

Mariana Lima Cunha, jornalista do Observador, que está a esta hora no Largo do Intendente, em Lisboa, a acompanhar uma iniciativa de campanha da CDU. Já a seguir vamos ao fact-check. Bem-vindo, Pedro Raínho. Vamos lá tentar apanhar aqui mais algumas falsidades.

Olá, Ricardo.

Hoje vamos falar de Rui Rio e olhamos em particular para um ponto da entrevista que esta manhã foi divulgada pela Renascença, em que o líder do PSD fala de sondagens

É esta a frase: há uma sondagem para Lisboa que dá 20 pontos de diferença e passado uns dias sai outra.

Passado uns dias, sai uma sondagem que dá 7% de diferença. Isto demonstra o estado de subdesenvolvimento em que o país se encontra neste patamar.

Sondagens há muitas, mas essa oscilação de que Rui Rio fala está sustentada ou não?

Vamos então olhar para as sondagens, Ricardo. A 30 de agosto sai uma sondagem da Aximage para o Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF, e nessa sondagem Fernando Medina alcançaria 51% dos votos contra 27% de Carlos Moedas. Neste caso, fazendo as contas, 24 pontos de diferença entre os dois. Depois, uma semana mais tarde, 7 de setembro, uma sondagem da Pitagórica para a TVI, e nessa sondagem Fernando Medina surge com 39,8% dos votos e Carlos Moedas 32,6%. Mais uma vez, vamos à calculadora e dá-nos sete pontos de diferença. E como sondagens há muitas, a 22 de julho já tinha saído uma sondagem do ISCTE para a SIC Expresso, em que Medina aparecia com 42% das intenções de voto e Carlos Moedas 31%. Neste caso, 11 pontos de diferença.

E aqui chegados, Pedro Rainho, carimbo verde.

Temos um carimbo verde, a afirmação está corretíssima. Há ali uma oscilação de que Rui Rio fala e que tem sustentação factual.

Toma lá o carimbo.

Obrigado.

E será possível usar numa letra de hip-hop "guidões, cuvelas e alvarelhos"? O PS Trofa acha que sim. Mas o hino fica para daqui a pouco. Para já, vamos ao baú das autárquicas. Recuamos a 2001, há 20 anos. O PS perdia mais de uma dezena de câmaras. Rui Rio ganhava, por exemplo, a Câmara do Porto para o PSD, derrotando o favorito Fernando Gomes. Como nos recorda agora a Judite França, perante os resultados, o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Guterres, apresenta a demissão e o governo cai nessa noite de dezembro. Foi o tempo do pântano.

Penso que, com inteira lucidez, devo reconhecer que se nada fizesse e se olhasse para estas eleições e passasse por elas, como porventura seria integralmente meu direito constitucional, continuando a exercer as funções de primeiro-ministro, o país cairia inevitavelmente num pântano político que minaria as relações de confiança entre governantes e governados, que são indispensáveis para que Portugal possa vencer os desafios que tem pela frente.

Poucos entenderam exatamente qual era o pântano político que António Guterres jurava existir. A verdade é que o antigo primeiro-ministro demite-se na sequência de um resultado desastroso. O PS perdeu 14 câmaras. Foram-se os grandes centros urbanos como Lisboa, em que foi coligado com o PCP, Porto, Coimbra, Sintra, Faro, Setúbal. Com estes resultados na mão, António Guterres pedia a demissão, o que permitiu, em 2002, a vitória do PSD nas legislativas. Perdeu o PS, ganhou o PSD com 159 câmaras, um número histórico. Lisboa, Coimbra, Sintra, Gaia, Porto, todas pintadas de laranja naquela que foi a primeira grande vitória do PSD depois da era Cavaco Silva. E foi o que permitiu um empurrão para a vitória das legislativas de 2002. A noite de 16 de dezembro de 2001 trouxe muitas surpresas. A demissão do primeiro-ministro e uma vitória particularmente inesperada, ou uma derrota inesperada, talvez seja melhor assim. As atenções focaram-se no Porto. Rui Rio era um perdedor à partida, era o challenger de Fernando Gomes, não o presidente da câmara em 2001. Nessa altura era Nuno Cardoso, que estava apenas a substituir o popular socialista, que saiu a meio do mandato para assumir o cargo de Ministro da Administração Interna. Será uma nódoa no currículo do socialista, que acabou por sair do governo pela porta pequena. Ora, quem troca o Porto por Lisboa perde normalmente a simpatia dos tripeiros, e foi o que aconteceu. A Invicta gosta pouco de se sentir segunda escolha, mas o PS não soube ler a vontade dos portuenses. No início da pré-campanha, quando se alinharam os candidatos, a dúvida era se Gomes ganhava ou não com maioria absoluta. Quase dois meses depois, Fernando Gomes perde rotundamente e Rui Rio tem a sua primeira maioria relativa na Câmara do Porto. Daí, há de ter mais dois mandatos, esses com maioria absoluta. E pensar que a campanha pobre de Rui Rio, sem dinheiro da distrital e com pouca verba da nacional, chegou a ter menos cartazes do que o candidato do PSD à Junta de Freguesia de Nevogilde.

Judite França a recordar a noite em que António Guterres se demitiu numa noite eleitoral autárquica em que o PS foi o grande derrotado. Amanhã tiramos outra história do baú das autárquicas. Para acabar, um hino.

Em qualidade de vida eu penso, quando o tema é ambição. Com o Amadeu teremos mais. Trofa!

Na Trofa, Sérgio Humberto, do PSD, tenta o terceiro mandato. Conseguiu uma maioria de quase 60% há quatro anos. O PS aposta no vereador Amadeu Dias, professor de inglês e espanhol, de 32 anos, que já tinha sido candidato em 2017. A juventude do candidato socialista deverá explicar, em parte, a escolha deste estilo musical para o hino de campanha.

E levamos para o futuro todo o nosso passado. Bom vinho para o caminho, em janeiro, São Gonçalo. Em agosto, a Bom gosto Senhora das Dores é um regalo. Novembro foi o mês, 19 foi o dia, 98 foi o ano do início da magia. Trofa!

A sonorização é do Diogo Casinha e da Beatriz Martelo Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição. O Caça ao Voto regressa amanhã.

Trofa! Mais. Em busca de um sonho, nós vamos lutar para fazermos uma nova Trofa. Cidade à qual pertenço, terra do meu coração. A Trofa merece mais. Trofa! Em qualidade de vida eu penso, quando o tema é ambição. Com o Amadeu teremos mais. Trofa! Está repleta de bens, como o pôr do sol visto no topo de São Gens. Oito partes completam o legado. São Martinho, O Carinho e Almeida de Santiago. A nossa força está no muro, o nosso espírito não se mede. A nossa raça vem de São Romão e de São Mamede. Guidões, escovelas e alvarelhos são reflexo de que só com as oito partes juntas fazemos nexo. Mais. Em busca de um sonho, nós vamos lutar para fazermos uma nova Trofa. Mais. Em busca de um sonho, nós vamos lutar para fazermos uma nova Trofa. Cidade à qual pertenço, terra do meu coração. A Trofa merece mais. Trofa! Em qualidade de vida eu penso, quando o tema é ambição. Com o Amadeu teremos mais. Trofa! Cidade à qual pertenço, terra do meu coração. A Trofa merece mais. Trofa! Em qualidade de vida eu penso, quando o tema é ambição. Com o Amadeu teremos mais. Trofa! Tu mereces muito mais. Com o Amadeu teremos mais. Tu mereces muito mais. A Trofa merece mais. Trofa!

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