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Bem-vindos ao Café Europa, o último do ano. Ainda vai haver Natal e Final de Ano, mas nós só voltamos para o ano que vem. Mas até lá e como de costume, vamos ter programa normal com o Bruno Cardoso Reis, o João Diogo Barbosa, a Madalena Resende e eu, Henrique Korné. E como de costume, vamos dar prêmios. Arrancamos com os maus, os Átilas da semana. E o primeiro Átila, Madalena, é para o acordo sobre o preço do gás. Andaram os líderes europeus, os ministros de Negócios Estrangeiros a reunir, nunca deve ter havido tantas reuniões de ministros da Energia da União Europeia em tão pouco tempo. Chegam finalmente a acordo.
E nós damos um Átila, é muito mau, não é? É mesmo muito mau, achei um prazer, é horrível, eu sei. Não, mas é um pouco de ceticismo, porque obviamente que é um feito este acordo e poderá eventualmente ter bons efeitos, mas de facto há um risco muito grande de levar a uma escassez de gás, porque está o mundo todo a competir pelo gás natural. Andamos nós a procurar mundos e fundos para substituir o gás da Rússia, nomeadamente os países que eram mais dependentes, a Itália, a Alemanha, os países de leste, e agora vimos dizer que só pagamos menos do que o preço de mercado atualmente. Portanto, há aqui um risco enorme.
Mas não, desculpa, termina. Eu não estou muito de acordo, estou de acordo com algum ceticismo, mas não com esse ceticismo específico.
Eu sei que isto é discutível, mas para mim parece-me bastante arriscado da parte da União Europeia e obviamente que o futuro nos dirá qual é que será a capacidade de continuar a competir pela aquisição de gás no mercado mundial, mas parece-me bastante arriscado.
Obviamente não estou a dizer que estás aqui a reproduzir o discurso alemão, mas essas têm sido muito as dúvidas da Alemanha, sobretudo da Áustria. Aliás, a Áustria acabou por se abster, a Alemanha votou a favor, mas depois de pôr uma série de condições que têm a ver exatamente com alguns desses contra-argumentos. Por exemplo, não é só a ideia de fixar um preço máximo, é fixar um preço máximo e, portanto, quando o gás exceder esse preço, estar com um diferencial de mais €35 do que aquilo que é a média no mercado mundial. No fundo, aquilo que se trata é tentar que não haja aqui uma exploração abusiva do mercado europeu pelos vendedores. É verdade que isso implica sempre riscos, sempre que se mexe no mercado, há riscos. Agora, também me parece claro que há aqui também um risco real de haver uma inflação descontrolada do preço do gás e, sobretudo, não pode, de facto, a Europa toda ficar refém, e a sua política energética, dos interesses de três ou quatro países, nomeadamente a Holanda, ou os Países Baixos, e a Alemanha, e a Áustria, e uns quantos países da Europa Central, que andaram anos e anos, décadas, a alardear a excelência da sua política económica, com um dos seus pilares sendo o gás barato russo. Apesar de muita gente lhes ter dito que isso tinha, por sua vez, também riscos. Que se diga, no passado parecia não haver grandes riscos, até durante a Guerra Fria esses acordos funcionaram. Os primeiros acordos de gás entre os países europeus e a então União Soviética foram logo a seguir à Primavera de Praga, foram assinados pela Itália e pela Alemanha em 69, 70. Portanto, também ignorando outros problemas e questões mais normativas e tudo isso. Agora, quer dizer, acho que tem de haver aqui a procura de algum equilíbrio e pareceu-me também particularmente negativo, aliás, comentamos aqui isso, que a Comissão Europeia parecesse aderir completamente à posição da Alemanha neste contexto, dizendo inclusive que era uma política impossível, depois fazendo uma proposta completamente ridícula, que era um preço de quase €300, quer dizer, que nunca o gás natural atingiu na história, portanto era basicamente uma medida puramente formal. Eu acho que apesar de tudo, houve aqui uma negociação mais séria, procurou-se alguns equilíbrios. Eu acho que apesar de tudo, é preocupante que os mercados saibam que a Alemanha claramente encara esta medida com grande reserva e a própria Comissão Europeia se calhar não está assim tão empenhada em implementá-la. Portanto, eu até temo que venha a haver aqui alguma reação e alguma dificuldade em concretizar esta medida, mas também por efeito disso, porque os mercados, vamos lá ver, convém também não endeusar os mercados. Sabemos bem que os mercados muitas vezes não são propriamente muito racionais, por um lado, e por outro lado, também são muito suscetíveis a percepções e a opções políticas.
João Diogo, tu estás otimista, cético ou com medo de ter frio?
Já me conheces, Henrique.
Estás com medo de ter frio, portanto.
Sim. Fico com uma mentinha nas pernas para dar opinião contigo.
Aí estou completamente contigo e com a Madalena também.
Não, mas eu acho que aqui vale a pena recordar as palavras do ministro checo, e também vale a pena dizer que a presidência checa, nós não podemos só olhar para duas ou três presidências rotativas. A presidência checa tem tido alguns sucessos e o ministro da Indústria que estava Que estava responsável por estas negociações, disse: "Esta foi mais uma missão impossível que nós cumprimos." E a verdade é que foi um pouquinho isso. Ou seja, o acordo demorou muito tempo a fazer-se e acho que ainda bem, porque era difícil arranjar um bom mecanismo. As propostas mais céticas da Alemanha, parece-me que vieram enriquecer o mecanismo, ter um mecanismo que simplesmente dissesse: "O limite do preço é este, a partir daqui não vamos comprar", era uma espécie de bluff que os mercados rapidamente descobririam. E esta ideia de teto dinâmico, que também foi um chavão muito usado esta semana, apesar de não fazer muito sentido arquitetonicamente e de ser uma má metáfora, acaba por descrever bem o que isto é. Ou seja, se o mercado se mover de uma forma que penaliza excessivamente os países europeus, a União tem agora um mecanismo para corrigir o seu próprio processo de criar um preço. Não podemos dizer aqui que é simplesmente um mercado, porque sabemos que tem especificidades. O preço não é simplesmente formado por consumidores que vão ao supermercado comprar eletricidade, são temas mesmo muito complexos e, de facto, o gás e toda a energia no verão atingiu preços muito difíceis, também porque a União Europeia teve uma política extremamente cautelosa de reforçar reservas, que depois por si mesmo, como estava a comprar por atacado e em competição com outros países do mundo, ajudou a subir o preço. É possível que esses preços não se repitam. Eu acho mesmo que eles chegaram a superar os € 300. Mas a verdade é que este mecanismo, sendo dinâmico e respondendo a uma falha concreta do procedimento de formar um preço no mercado europeu, parece-me que é uma ajuda. Poderá dizer-se, numa situação de estresse, num caso mesmo limite, nenhum mecanismo é perfeito à partida, porque não vai estar preparado para as circunstâncias. Mas este é um passo em frente muito interessante e que mostra como às vezes a política europeia é demorada, é técnica, alcança um acordo que não serve exatamente os interesses de toda a gente, mas enfim, se pudermos fazer passos incrementais e assegurar que não passamos frio, eu posso tirar a minha mantinha para comentar os próximos prêmios, isso já é uma boa notícia.
Mas João Diogo, deixa-me só dizer que realmente tens razão, estou aqui a olhar para o gráfico e houve um dia ou dois em que os preços desceram dos € 300.
Isso terá sido o máximo, não é?
Mas, portanto, foi a única vez na história. E já agora também, acho que era um pouco isso que a Madalena estava a apontar, eu também concordo que o próximo ano vai ser um teste especialmente difícil. Apesar de tudo, neste ano, nós esquecemos que os cortes significativos da Rússia só vieram já relativamente tarde. E também já havia algum preenchimento das reservas. O inverno tem sido relativamente moderado, portanto, o próximo ano pode ser um teste ainda mais complicado. Agora, é como tu dizias, acho que é importante que do lado dos compradores, do lado da Europa, também haja a ideia de que não se vai pagar qualquer preço. E, portanto, isso pode ajudar um pouco a moderar os mercados, mas vamos ver.
Não vou acrescentar muito à discussão, porque acho que a Madalena lançou bem o tema e acho que vocês têm a acrescentar. A questão essencial é: é bom, mas há algum ceticismo razoável. É bom que se tenha encontrado uma solução que permite dar um sinal ao mercado que: "Calma, que nós não estamos aqui para pagar qualquer preço", mas depois também se diz: "Mas também não ficaremos fechados num preço em que se não nos venderem a esse preço, não compramos gás porque precisamos." Vamos ver o que o mercado, que não é, de facto, um mercado puro e duro de oferta e procura, sem mais nenhuns elementos, não é um mercado completamente simples de entender, vai reagir. Concordo muito aqui com o que o João Diogo está a dizer. Eu tenho aqui duas ou três notas sobre tudo. Uma é, eu acho que a Comissão Europeia sai pessimamente deste processo. A Comissão Europeia andou a brincar com os Estados membros, porque começou por dizer que ia apresentar uma proposta para o teto do gás, depois apresentou uma proposta que olhava para as várias propostas e concluía: "Não há nenhuma proposta que se possa fazer." Depois os Estados membros disseram: "Faz favor de apresentar mesmo, porque isto não é o que nós pedimos." E a Comissão arrastou os pés. E, portanto, a Comissão Europeia, neste processo, saiu pessimamente e ficou muito a sensação de que isto se passou sobretudo a nível do gabinete da presidente da Comissão e era sobretudo alinhado com a Alemanha. E fica também a suspeita de que se foi arrastando os pés enquanto a Alemanha tratava de arranjar fornecimentos de gás, pelo preço que entendesse que devia pagar e depois a questão se resolveria adiante. Do outro lado, completamente ao lado do João Diogo, achar que a presidência checa, e não é a primeira vez, correu bem e foi conseguido resolver isto. Agora, há aqui, para mim, outro aspecto, se quisermos, lateral, a propósito de todas estas discussões da energia, onde nós vamos percebendo que os egoísmos nacionais se mantêm, sem grande surpresa. E um dos exemplos é se recordarmos o que aconteceu aqui há pouco tempo, num destes processos negociais, em que a certa altura, Portugal, Espanha e França chegaram a acordo sobre o famoso gasoduto, que afinal ia passar a ser não pelos Pirenéus, mas entre Barcelona e Marselha.
E que não vai ter gás.
Exatamente, vai ter gases renováveis. Só há dois detalhes nisto, é que há o desvio que não é o dos Pirenéus, mas é esse que vai pelo mar. Como não está sequer estudado, esse processo atrasou imenso. E entretanto, a França tem tratado de garantir que o hidrogênio feito com a energia nuclear, ou seja, a eletrólise feita com a energia nuclear, é hidrogênio verde. O que significa que quando o hidrogênio português e espanhol chegar a esse gasoduto para entrar pela Europa fora, já os franceses têm imenso hidrogênio feito em França com a eletrólise eletrificada, assegurada pela energia nuclear e, portanto, não será assim tão competitivo. O que leva, se calhar, a pensar que se nós queremos muito fazer hidrogênio e faz muito sentido, talvez seja melhor pensar em querer ter cá indústrias mais do que propriamente a exportarmos a energia.
Ou talvez explorar as minas de lítio, mas enfim.
Explorar as minas de lítio.
Talvez seja uma boa ideia, exatamente.
Henrique, só para sublinhar que eu acho que esse ponto em relação à comissão é realmente muito importante. Este foi um caso daqueles que, apesar de tudo, acho que não acontecem assim tanto. Se calhar o João Diogo é mais crítico.
Estou a ouvir o Henrique cheio de risos.
Mas que é, de facto, um pouco aquela crítica, que muitas vezes é caricatural, de uma Comissão Europeia que faz um pouco o que lhe apetece. No fundo, formalmente está dependente do Conselho, mas depois, na prática, utiliza o controle da agenda, o controle da burocracia, ser ela que tem a capacidade de produzir propostas detalhadas, etc, para fazer ou não fazer aquilo que lhe apetece. E de facto acho que foi muito importante que os Estados tivessem batido o pé e também não se deixassem levar por esta ideia de que simplesmente a Alemanha é que manda na União Europeia. Acho que foi também importante desse ponto de vista que se tivesse feito alguma coisa, enfim, vamos ver depois os resultados práticos.
Esse é exatamente o ponto, que é quando chegar o dia em que for preciso comprar. Vamos ver o que acontece, porque as temperaturas não têm sido muito exigentes com o consumo de gás, mas do ponto de vista industrial, tu tens continuado a precisar e o teu principal problema pode ser se faltar gás, para além de não aqueceres as casas, tens um problema com as indústrias e essa é mais difícil a resolução, porque em alguns casos pode ser irreversível.
Sim, agora esse é um problema de base que não vem simplesmente desta proposta. Quer dizer, o problema está em cima da mesa, haja ou não haja este esforço, porque a verdade é que também se o preço for completamente descontrolado, se houver uma inflação descontrolada do preço do gás, há muitas indústrias que não conseguem aguentar e os orçamentos do Estado também não dão para todos os anos estarem a fazer aqui apoios extraordinários com somas colossais para aguentar indústrias como a siderurgia e tudo isso. De facto, é um problema muito sério, mas eu acho que se tem de tentar fazer várias coisas, uma delas parece-me ser esta.
Henrique, só mesmo antes de passares. É muito importante a questão da gestão de reservas, porque se a União Europeia durante dois ou três meses do ano achar que é preciso pôr as reservas a 100% em todos os países, isso naturalmente faz aumentar o preço. E se o mecanismo impedisse a União Europeia de competir, por exemplo, com países asiáticos na compra de energia, essas reservas não podiam chegar ao nível a que chegaram. E portanto, a União também vai ter de adaptar para o futuro, continuando a situação com a Rússia muito difícil, como gerir reservas de forma que a própria atitude da União no mercado não seja uma pressão inflacionista que nunca se teve antigamente. Acho que nunca houve esta ideia de que todos os Estados-membros tinham de ter reservas a 100% e que tinham de o conseguir em dois ou três meses do ano. Essa é uma gestão prática que a Comissão podia gerir também, e que se calhar não vai fazer e era pena que não o fizesse para o ano.
Bem, é esta questão das compras conjuntas, veremos se isso também ajuda desse ponto de vista, daria mais poder negocial, ainda por cima associado a este que é um preço máximo.
É isso, sou bastante mais cético, Bruno, porque não há compras conjuntas, não são os Estados que compram, são as empresas dos diferentes Estados.
Não, é um sistema misto.
Não é uma coisa assim tão fácil. Pode-se tentar que haja alguma coordenação, colaboração, etc., mas na verdade, muitas delas, aliás, concorrem umas com as outras para ir aos mesmos fornecedores procurar gás, e o mercado não desapareceu, a lógica de mercado, as empresas que são privadas aqui não deixam de o ser. Percebo a ideia, percebo a intenção, alguma coisa pode-se conseguir, mas não me parece que faça muito sentido irmos comprar em conjunto, mas não sei se o resultado vai ser muito fácil. Bom, Madalena, fica um Átila, mas com a expressa de que se transforme num croissant quente e tudo. É isso? Exato. Mais ou menos. Esperamos. Mas com dúvidas. Exato.
Sim, sobretudo se faltar energia, depois não dá para aquecer o croissant.
Era essa a piada, obrigado por teres mostrado que afinal precisava de explicar. Que é burra. Exato.
Eu gosto sempre de ser muito pedagógico, sobretudo com o próprio, para ter a certeza que percebi bem.
Continuando nos Átilas, eu trago aqui um tema que me é muito caro, que é a Espanha e o governo espanhol, pelo qual nutro uma especial simpatia, porque acho que mais uma vez Pedro Sánchez voltou a mostrar um pouco a relação que tem com o poder e com a Espanha e com a história de Espanha. Sánchez tem basicamente uma ambição de poder tal que os equilíbrios institucionais e constitucionais espanhóis são-lhe pouco importantes. Se for preciso agitar a memória histórica para conseguir ganhar eleições, isso é ótimo, por mais que isso perturbe a estabilidade. Se for preciso aliar-se a ex-terroristas, alia-se, se for preciso coordenar-se com separatistas, que o seja. E agora, o último espetáculo foi a propósito de uma alteração que tem a ver com cedências feitas aos separatistas catalães, acabava por fazer uma alteração ao código penal que alterava também a forma como eram nomeados os juízes dos tribunais superiores espanhóis e fazia o bloqueio há vários anos. A situação foi tal que o PP recorreu a uma espécie de fiscalização preventiva ainda durante o processo legislativo, ou seja, uma espécie de fiscalização preventiva antes da legislação estar terminada e o tribunal resolveu suspender o processo, coisa que as cortes acabaram por aceitar. Independentemente da discussão jurídica à volta disto, a mim o que me preocupa é o tom e a linguagem usada. Já estamos na fase em que se fala de os juízes conservadores que estão a bloquear a democracia. O Podemos já diz que faremos tudo contra estes juízes que querem pôr em causa a nossa democracia. Portanto, quando já vamos na fase em que os partidos políticos se viram aos tribunais e que se for preciso corremos com eles, porque é preciso pôr lá juízes progressistas, eu acho que estamos no pior dos caminhos e, portanto, um Átila para Pedro Sánchez Tem sido um péssimo primeiro-ministro de Espanha.
Eu acho que, apesar de tudo-
Institucionalmente
Sim. Há aspectos em que sou crítico, há outros em que sou menos. Acho que apesar de tudo, é justo reconhecer que o bloqueio é estrutural e vem um pouco dos dois lados. Ou seja, acho que também do lado do PP, de facto, há muitas vezes a ideia de que qualquer acordo, qualquer compromisso com o PSOE também é algo de rejeitar, porque o que interessa é tentar eleições e voltar ao poder. Sempre que eu concordo com muitas das críticas ao PSOE, eu acho que era bom que os dois partidos parassem um pouquinho para pensar. Apesar de tudo, ouvia um ou outro apelo, digamos, de intelectuais públicos espanhóis nesse sentido, e seria muito importante para a estabilidade do sistema constitucional espanhol e da própria Espanha, e, por consequência, também para a Europa e para os seus vizinhos próximos, como Portugal, de facto, que os dois principais partidos do sistema político espanhol mostrassem alguma vontade de voltar às boas tradições do entendimento do compromisso, sobretudo em questões deste tipo, que realmente têm um impacto institucional, constitucional, muito importante, mas temo que, de facto, não seja assim.
Eu concordo com a tua crítica ao PP, porque tem anos lutado para tentar, o PP recusa-se a compromissos. Agora, acho que a escalada para o ataque ao poder judicial é o outro passo a seguir. É mais por aí que estanha para nós. Mas a tua crítica parece absolutamente legítima, justa e de resto, Espanha é parte em compromissos. Por isso é que foi tão importante manter o constitucional.
Tem uma cultura política e tem uma história, muitas vezes, de grandes dificuldades em alcançar o compromisso. Isso foi quebrado com a transição e com a democratização. Infelizmente, tornou-se moda nos últimos anos, quer à direita, quer à esquerda, demonizar a transição, voltar a ver o compromisso como uma coisa má, em política, o que obviamente numa democracia liberal constitucional é essencial, a questão de alguma cultura de compromisso. E acho que inclusive também os próprios escândalos que envolveram o Juan Carlos acabaram por facilitar, nos últimos anos, esta tentativa de demonizar a transição, que obviamente é um completo disparate. Uma coisa são eventuais suspeitas e críticas que se podem fazer ao rei, outra coisa foi o papel que ele desempenhou num contexto, de facto, num processo exemplar de transição democrática.
E exemplar é também o nosso timing, porque temos que chegar ao fim da primeira parte. Voltamos já em seguida para a segunda parte do último Café Europa do ano. E começa aqui a segunda parte do último Café Europa deste ano. Continuamos com o Bruno Cardoso Reis, o João Diogo Barbosa, a Marlene Resende e eu, Henrique Borneais. E vamos dar os prêmios para o que de bom aconteceu. Vamos dar croissants. Bruno, eu estou um pouco perdido com o teu croissant, porque tu queres dar um croissant à equipe europeia da Argentina, queres dar um croissant à equipe africana de França. Não estou percebendo a quem é que vais dar o croissant.
Eu quero dar um croissant.
Quero mandar uma curva a quem ainda ouve dizer estas coisas.
Sim, quero certamente esse último aspecto, ou seja, esta visão muito racista, vamos ser claros. Quando o Zemmour ou a Marine Le Pen dizem que não se vêem na equipe de França porque ela é um bocadinho africana. Isso é um escândalo, e bem. Mas quando muitas pessoas progressistas, muitos líderes africanos e do sul global, etc. Vêm com essa conversa, russos também, claro, foi um dos grandes pontos de discussão dos últimos dias, grandes contributos do Putin sobre o mundial, do Lukashenko, etc. Vêm muitas vezes com essa conversa que a equipe de França não é bem a equipe de França. Ora, o ponto aqui é: mas e então e a equipe da Argentina, que é basicamente constituída de descendentes de europeus, de imigrantes europeus na Argentina, também não é uma equipe argentina. É evidente que é. É claro que até se pode ir um pouquinho mais longe. E, por exemplo, há um cronista que eu aprecio muito, um comentador também dessas questões desportivas, com um pouco mais de profundidade, que é o Simon Kuper, que costuma escrever no Financial Times e que vem dizer: "Atenção que basicamente as grandes equipes do mundial são todas equipes de jogadores que jogam na Europa." De facto, o futebol mundial é sobretudo dominado pelo estilo de jogo que se pratica na Europa, nos campeonatos europeus e, portanto, a um nível de competição que não se consegue emular em mais sítio nenhum. E se formos ver por esse critério, na equipe argentina, nos 26, na seleção, só um, que é um dos guarda-redes suplentes que nem chegou a entrar, é que joga na Argentina. E todos os outros 25 jogam em equipes europeias. Aliás, é fácil de saber isso, o Messi, toda a gente sabe, mas, por exemplo, dois elementos importantes da seleção argentina jogam no Benfica. Portanto, de facto, há aqui um argumento para dizer que a Europa é que ganha, ou o estilo europeu de jogar é que ganha campeonatos do mundo de futebol. E não é por acaso que têm sido seleções europeias, a exceção foi agora a Argentina, que têm ganho os últimos três ou quatro campeonatos do mundo. Mas sobretudo aqui o meu ponto é realmente dar os parabéns à Argentina, dar os parabéns à França, acho que foi uma excelente final, dar os parabéns ao futebol europeu que tem produzido aqui excelentes jogadores e pedir que deixemos dessas conversas. E também que haja, já agora, se é para ter aqui uma análise identitária e racialista ou racista, ao menos que haja o mínimo de coerência. Portanto, não se pode ao mesmo tempo dizer que a Europa deve integrar os imigrantes e que pôr isso em questão é inaceitável, e depois, quando convém, para tentar desvalorizar vitórias ou equipes europeias, depois utilizar esses argumentos. E para terminar, queria dizer que Acho que realmente foi um ótimo campeonato do Mundo, apesar dos escândalos, apesar dos problemas, apesar das críticas que se justificaram, inclusive ao Qatar. Acho que foi muito bom ver que, de facto, esta dimensão mais identitária e nacionalista, que muitas vezes no passado se manifestava no campo entre os jogadores, basicamente esteve completamente ausente. Acho que houve dois ou três cartões vermelhos por questões mais formais do que outra coisa. E, de facto, os jogadores sempre tiveram atitudes extremamente corretas uns com os outros. Vimos, por exemplo, os jogadores americanos a consolarem os jogadores iranianos depois da sua derrota e, portanto, acho que o futebol aqui até pode dar, se calhar, algumas lições à política, o que nem sempre é o caso, à política internacional.
Eu queria entrar aqui para dizer que, de facto, este mundial, politicamente em França, foi muito interessante, porque Zemmour vem dizer, como bem apontava o Bruno: "É lamentável esta equipa francesa formada por gente cujos antepassados viviam em África." Zemmour, cujos pais e os avós vinham da Argélia. A verdade é essa.
Essa ironia adicional tinha me escapado.
Se me dissessem qual é a personagem da direita francesa que eu não vi a fazer este comentário, é precisamente Zemmour. Mas, de certa forma, e isto foi muito claro em França, antes do jogo com Marrocos, havia uma ideia de que mais do que uma meia-final do Campeonato do Mundo, seria uma espécie de guerra civilizacional que ia ser jogada em campo. Isto foi muito avançado, quer pelo lado Zemmour, quer pelo lado da reunião nacional, e de certa forma serviu para trazer o debate futebolístico e o debate da imigração novamente à praça pública. Mas é muito interessante que tenha sido feito por Zemmour, alguém cuja história vem precisamente do passado colonial francês. Não faz sentido. E foi muito divertido ver isso. Agora, por outro lado, o mundial também teve momentos espécimes. Acho que em geral o Bruno tem razão, mas houve um momento mau neste tipo de nacionalismos e que teve a ver com o castigo, o procedimento disciplinar, depois não sei se deu em castigo, à Sérvia, que num jogo do mundial tinha uma bandeira no balneário que incluía o Kosovo no território sérvio, e isso, de facto, deu azo à FIFA. A FIFA tem aquela política antipolítica, que faz sentido nestes casos, mesmo que seja muito criticável dos outros. Agora, para finalizar, eu queria recentrar a crítica para onde faz sentido estar, que é para o presidente Macron, que eu não sei se vocês viram no final do mundial. Ele nos trouxe algo chato. Os jogadores a chorar, o treinador a chorar e o Macron não os largava, foi ao balneário.
Não largava, é verdade.
Foi à zona de flash interview, um presidente atrás com marcas publicitárias, é sempre engraçado de ver, mas acho que Macron foi o grande derrotado do mundial. Foi mesmo muito chato. Os franceses não mereciam tanto, sobretudo aqueles 11 que, coitados, tentaram vencer a Argentina.
Imagina o nosso.
Exatamente. Uma final França x Portugal seria uma coisa mediaticamente muito difícil de gerir.
Uma sessão de terapia coletiva. Eu acho que vocês são excessivamente críticos do Macron e se calhar até do presidente Marcelo. Eu não sou assim tão alérgico a estas tentativas de consolação emocional do povo e da seleção, mas fui mais crítico da multiplicação das visitas de Estado, das visitas oficiais para ver jogos. Aliás, eu achei curioso que o presidente da Argentina não estava presente no jogo. Eu pensei: "Bem, se calhar está preocupado com a inflação, que está quase nos 100% e, portanto, é mais uma razão para ficarmos muito felizes com a Argentina e com os argentinos, que realmente têm tido más notícias noutros campos."
Assim o pessoal lá pode gastar dinheiro em barda e aumentar a inflação.
Isso não sei, mas o que é curioso é a explicação do presidente Fernandez, foi dizer: "Eu não fui porque toda a gente sabe que isso dá azar." Há uma tese na Argentina que é quando vai o presidente, aquilo corre mal.
Isso é uma grande ideia.
Eu pensei: "Olha, cá está." Portanto, foi exatamente isso. O problema foi que tivemos excesso de presenças oficiais nos jogos da seleção.
É por isso.
Não teve a ver com outros problemas. Um exemplo a seguir.
Madalena, mudando radicalmente de tema, temos um croissant seu para a adoção do Tratado Quadro da Biodiversidade. Falamos de coisas sérias, portanto.
Não, falamos de coisas que todos temos ouvido falar, como o multilateralismo está morto, como a Organização Mundial do Comércio já era, etc. Mas aqui as Nações Unidas conseguiram produzir, de facto, um tratado quadro num tema que é obviamente global, que é a biodiversidade. Sabemos que há mais de 1 milhão de espécies em perigo nas próximas décadas e isto está a acelerar este fim da biodiversidade. A Europa foi, de facto, uma das grandes impulsionadoras desta iniciativa. Os Estados Unidos estão fora, são um dos dois Estados que estão fora do acordo, e 190 nações assinaram o acordo, de facto, é uma coisa mesmo global. E, portanto, penso que é uma vitória para o multilateralismo, é uma vitória para a Europa, que de facto quis ser um sponsor destas regras e também tentar preservar 30% da Terra e dos mares do planeta e, portanto, aqui fica um croissant para um esforço que eu acho que tem tido pouca É pouco conhecido no esforço diplomático, mas que demonstra que ainda há capacidade de acordos, nomeadamente entre países industrializados e países do sul global, como se chamam hoje em dia, que são aqueles que são mais afetados por esta baixa da biodiversidade. Isto daqui fica um croissant para os europeus e para as Nações Unidas.
Sinto que esta foi uma grande semana para a agenda ambiental europeia, se calhar naquela que foi a grande proposta legislativa do ano, e num ano que foi muito rico. Também foi possível chegar a um acordo entre os vários negociadores para aquela ideia do imposto para a importação do carbono. E isso foi muito importante de fazer, porque, por um lado, alargou-se a quantidade de matérias que estavam cobertas, por exemplo, introduziu-se o ferro e a eletricidade. E a certa altura, e isto foi muito surpreendente, introduziu-se também o hidrogênio, o que parece querer dizer que a política ambiental europeia hoje em dia se encaminha para ser não só uma forma de atingir os objetivos da ONU, mas também uma forma de política industrial e de política econômica, porventura até uma resposta às iniciativas americanas. Vale a pena lembrar que há uns meses se discutia como é que os Estados Unidos poderiam estar excepcionados destas medidas na altura em que se estava ainda a negociar. E hoje essa ideia parece ter caído. E em geral, o facto de acrescer esse acordo sobre biodiversidade, a possibilidade da União Europeia tentar melhorar o seu sistema de licenças de emissão, que é uma das grandes políticas que a União conseguiu construir, e tentar proteger as empresas não só dos esforços que a própria União as obriga a adotar, porque tem padrões de sustentabilidade dos mais elevados do mundo e depois se calhar não as compensa devidamente, como os Estados Unidos estão a fazer agora com o IRA, parece-me uma boa notícia, ainda que impostos às importações seja sempre uma forma difícil de lidar com o comércio internacional e uma forma até juridicamente dúbia depois na Organização Mundial do Comércio, que está mais ou menos defunta, mas ainda não morreu. E, portanto, vai ser muito interessante ver os próximos passos nisto, mas foi uma semana importante ao nível da legislação ambiental.
João Diego, continuo a concordar contigo e acrescento só-
Estou a perder qualidades.
Eu calculo que era por isso que eu ia te manter alerta.
Espírito natalício.
Mas chamar a atenção, porque a quantidade de dossiês que têm sido fechados nos últimos tempos na área do ambiente e energia e com imensos impactos para a indústria, é muito significativo.
Sendo que o Parlamento Europeu está a perder pessoas, como nós discutimos a semana passada. É impressionante. Há uma fuga de cérebros para as prisões belgas, não é?
Mas mesmo assim, com imensa relevância, precisamente, do Parlamento e do Conselho. Portanto, eu acho que para quem duvida às vezes do que se trata na Europa, é exatamente isto. Bom, continuamos. Vamos passar para os disparates. Temos vários disparates e tínhamos um prometido que vai ser o grande final, mas vamos avançar para os disparates desta semana.
"One cannot spend all the money in alcohol and women and then ask for help."
Eu posso começar com o meu prémio Daiselboom, que é para a ex-chanceler alemã Angela Merkel, que manifestamente não conhece o ditado "quando cais num buraco, pare de escavar". Porque eu acho que a chanceler teve várias virtudes, fez várias coisas bem feitas, mas a estratégia alemã em relação à Rússia e à China não é uma delas, e isto tornou-se cada vez mais evidente. E a chanceler, em vez de reconhecer, até como o próprio Scholz já vai reconhecer, que houve erros, mas que havia um contexto, continua a insistir muito nas virtudes de tudo o que fez. E a mais recente foi numa entrevista ao Der Spiegel aqui há já alguns dias, em que resumidamente veio dizer que nos últimos tempos teve um bocado de tempo livre, então viu uma série na Netflix sobre o Chamberlain e que chegou à conclusão, no fundo, que ela, nessa série Chamberlain, segundo a chanceler, é retratado de uma maneira mais positiva, no fundo, foi um homem não apaziguador, mas um homem que permitiu ganhar tempo para os países se prepararem para a guerra. E então a chanceler acha que foi isso que ela fez também quando recusou a entrada da Ucrânia na NATO, porque foi isso que permitiu então que os ucranianos se armassem e agora resistissem. Suponho que a continuação da construção do Nord Stream 2 e a dependência do gás em relação à Rússia tinha sido um enorme bluff, que ela também fez para enganar os russos, e que resultou muito bem.
É caso a dizer que ela não se viu ao espelho, não é? Apesar de ser o Der Spiegel. Vem aqui o trocadilho.
Exige conhecimentos esse. Der Spiegel quer dizer espelho em alemão. É incrível que Merkel... Não, o Bruno está imparável.
Eu gosto de explicar estas coisas, Henrique. Desculpa.
Estás bem.
Mas deixa-me só dizer que Merkel inaugurou o conceito de Chamberlain, mas no bom sentido. Interessante.
A reinterpretação do Chamberlain.
Na verdade, João Diego, há de facto uma escola revisionista que diz que Chamberlain, de facto, deve ser visto de forma mais benévola, precisamente por este argumento, que ele próprio também utilizou, o próprio Chamberlain também utilizou, que de facto ajudou a rearmar a Grã-Bretanha a bel tempo, etc.
Há um filme deste ano sobre isso.
O problema com esse argumento é: por que eles então não começaram a rearmar ainda mais cedo, quando o Churchill andava a chatear há anos para isso? Ainda tinham tido mais tempo para se rearmar mais. Sobretudo, o outro lado interessante disso é que esse tipo de argumentário foi já utilizado pelo próprio Putin, que veio dizer: "Afinal, eu que tinha assinado, como toda a gente sabe, sou uma pessoa que assina os tratados de boa-fé. Portanto, a Rússia é um país em que se pode confiar. Quando nós assinamos uma coisa é para cumprir." Tipo o Memorando de Budapeste, em que a Ucrânia nos deu as armas nucleares todas que tinha, um terço das armas do arsenal soviético, em troca da garantia do seu território. Nós assinamos, claro que estamos a cumprir. Toda a gente pode confiar em nós, mas afinal nós que estávamos de boa-fé fomos enganados, porque os países ocidentais, quando assinaram o acordo de Minsk, na verdade, o que nos queriam era enganar para dar tempo à Ucrânia para se rearmar. Claro, tudo isto tem um lado quase cômico, se não fosse trágico, que é: mas então quem obrigou a Rússia a invadir a Ucrânia? Todo este plano maquiavélico magnífico dependia apesar de uma coisa, que era da Rússia invadir a Ucrânia. Mas em todo caso, isto mostra como realmente esta narrativa é bastante problemática, se ela pode ser usada pela propaganda russa é claramente problemática. Como dizias, Henrique, eu posso perceber até certo ponto este argumento, que tem de se ter em conta o contexto, e não se pode hoje achar que se sabia ou que se podia dar por certo que ia haver esta invasão. Agora, apesar de tudo, foram muitos avisos e foi uma grande insistência sempre no mesmo sentido. Não estamos só a falar do Nord Stream 1, estamos a falar de toda a questão do Nord Stream 2. Estamos a falar do facto, ainda agora estava a ver isso, desculpa, que a Alemanha não tinha um terminal para receber gás liquefeito. Tem de estar agora a fazer estes terminais improvisados com navios gasificadores, etc., porque não tinha um. Acho que era talvez o único país da Europa com costa que não tinha um terminal para gás liquefeito. Isto mostra bem como de facto estamos muito longe de ter aqui uma grande estratégia muito bem pensada. Tratou-se sobretudo de economia acima de tudo, o preço da energia acima de tudo, e de facto isso teve um custo evidentemente muito caro. E a Merkel é um bom exemplo daquilo que acontece muitas vezes na história, que é estadistas que até saem com uma avaliação relativamente positiva e que depois, à luz dos problemas, que algumas das opções que tomaram acabam por revelar, pelo preço que houve que pagar no futuro por opções tomadas nessa altura.
E os seus próprios comentários também não facilitam.
Exatamente.
Também ajudam essa imagem. Bom, mas agora temos, Bruno, junto de eu, que temos quase dois minutos para ouvir falar do pônei de Ursula von der Leyen. Explica-nos.
É verdade, von der Leyen tinha um pônei. Eu tenho dois minutos, vocês precisam me deixar acabar isto. O pônei de von der Leyen tinha 30 anos e chamava-se Dolly, era bem bonito. No entanto, ele foi atacado por um lobo, ou aquilo a que os alemães chamam um lobo problemático, porque fizeram-se testes de ADN e identificou-se especificamente aquele lobo. Vejam lá a precisão alemã. E esse lobo já tinha sido responsabilizado pelo atentado à vida de duas ovelhas e vacas. Vai daí, depois de assassinar a pobre Dolly, este lobo pagou pelo seu cadastro com a própria vida, sem apelo nem agravo. E o assunto escalou, não só porque é um bocadinho divertido, um bocadinho trágico, depende do lado da boca em que estamos, mas ao mesmo tempo o PPE, e isto é brilhante, porque normalmente von der Leyen não estava alinhada com o PPE, mas o PPE andava numa campanha no Parlamento Europeu para tentar acabar com o estatuto protegido dos lobos, que fazem mal a muitas aldeias, no entanto, não podem ser atacados. E von der Leyen mostrou como é que é possível acabar rapidamente com a população de lobos e portanto, o PPE ficou muito feliz com esta iniciativa da presidente da Comissão. E se calhar, mais do que aprovar uma resolução no Parlamento Europeu, era pôr uma Dolly em cada aldeia afetada pelos lobos protegidos, que depois os senhores da Alemanha vêm cá, fazem ADN e disparam contra o lobo. Enfim, isso merecia 10 minutos de conversa, mas eu acho que isso é outro.
O lobo não houve nenhum indício de ligações suspeitas à Rússia, não? Essa parte não entrou.
Acho que não, no máximo. Atenção, vale a pena dizer. O lobo era alemão, era isso. Pois, o problemático não sei se tinha problemas psicológicos, se calhar Freud explicaria qualquer coisa aqui.
Isso por si era um problema, era um lobo alemão, isso por si era o problema. Bom, e com esta história do lobo mau, acho que não temos mais para dizer. Chega ao fim o Café Europa desta semana, deste ano, e nas imortais palavras do Coro de Santa Maradoiras, a todos um bom Natal.