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Este é o som da Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado o deputado do PSD e antigo vereador da Câmara do Barreiro, Bruno Vitorino. Bom dia, bem-vindo.
Olá, bom dia.
Obrigada por ter aceitado o nosso convite.
Muito obrigado, eu que agradeço.
Foi fácil estacionar?
Não.
Ai toquei num ponto frágil.
Por acaso foi uma coisa caricata, porque eu tenho carro elétrico e, portanto, nós com o District ML de carro elétrico podemos estacionar gratuitamente em Lisboa, o que é bom, nos locais adequados. Mas está fora de prazo, então tive que voltar para trás para pôr a moedinha.
E ter moedas também é outro problema.
Em Lisboa, por causa do Sr. Moedas, é melhor ter sempre moedas no carro, porque de facto isto fica um pouco-
Moedas no carro e na câmara, não é?
Não, as moedinhas que se transformam em notas vão para a câmara, mas saem dos bolsos de alguém. E confesso que do meu bolso também já saíram e não foi muito simpático. Por uma coisa simples, eu acho que os carros que estão mal estacionados têm que ter uma multa, ponto final, e se estiverem a estorvar outros. Para isso não tenho dúvidas. Agora, os valores aplicados em Lisboa e o método aplicado, eu acho que é absurdo. Nós estamos a falar de poder bloquear um carro, pagar o desbloqueamento do carro, se não for rebocado, entretanto, e pagar a multa. Portanto, a pessoa pode ser penalizada duas ou três vezes pela mesma infração. Muitas vezes é uma infração e está mal sinalizado. A pessoa nem se apercebe que está em infração.
Tem que falar com o presidente da Câmara.
Sim, não tenho uma relação muito próxima com ele, mas quando o vir posso lhe dar o recado. Pode ser que ele assista o programa.
Ainda não são 11:00, portanto a esta hora já deve estar acordado.
Espero que sim, porque acho que era justo, porque o valor que se paga para desbloquear o carro e pela multa para uma pessoa que tenha um salário normal, um salário até médio, é muito elevado. Isto chega a ser imoral, na minha opinião, e acho que a Câmara devia olhar naturalmente, não só para a receita que lhe deve dar jeito, mas para o valor que isto custa, porque isto tem impacto mesmo nos bolsos das pessoas. Eu felizmente posso pagar. Custa-me na mesma, mas posso pagar. Mas há quem não possa, há quem isto faça mesmo mossa.
Bem, isto não foi uma pergunta, não contou esta. Sobre o estacionamento esta não dá pontos.
Só dá multa.
Só dá multa. São cinco perguntas, cada resposta certa vale então os cinco pontos, se tiver a nossa ajuda a acertar, recebe dois. Começamos por testar os seus conhecimentos sobre a arquitetura da segurança em Portugal. Em que ano foi aprovada a atual Lei de Segurança Interna?
Ai, não faço mesmo a mínima ideia.
Só para dizer, o primeiro-ministro Rui Pereira era o ministro da Administração Interna.
Isso já é uma boa dica.
Já.
Já o dá para situar mais ou menos.
Mesmo assim, Sócrates fez tanto mal ao país em pouco tempo, mas mesmo assim ainda foram alguns anos.
Só precisa saber em que anos é que ele fez mal.
Quer uma ajuda?
Eu acho que vou precisar de ajuda.
1987.
87 não era.
2008.
Sou capaz que Silva.
Ou 2010?
Pois, 2008 ou 2010. Terá de ser por aí, mas sinceramente não sei. Eu sou da área de Defesa Nacional no Parlamento. Portanto, isto é uma rasteira mesmo, daquelas muito grandes.
Então o primeiro não foi, não é?
Sim, o primeiro não foi, garantidamente.
A primeira a ser aprovada foi a néscia. E foi em 1987.
Eu diria 2008.
Em 2010 andávamos muito ocupados com a troica, quase.
Bruno Vitorino.
Sem dúvida.
Estas polémicas quase diárias a envolverem o ministro da Administração Interna fazem de Luís Neves um ministro a prazo?
Eu acho que o senhor ministro é a primeira pessoa que tem de fazer a avaliação se tem condições ou não para ser ministro, condições, autoridade perante os olhos dele próprio primeiro e dos portugueses, e depois do senhor primeiro-ministro. Eu estou muito preocupado com questões que têm a ver com essa área da administração interna, mas não com casicasinhos. São com a criminalidade que nós temos e que tem vindo a aumentar, mesmo quando o RASI de um ano é ligeiramente maior nalguma tipologia de crimes, é ligeiramente menor, até em termos de crimes, do que no ano anterior, nós estamos a falar de conquistas muito pequenas, porque às vezes ficam os políticos muito contentes: "A criminalidade desceu 0,2%". Pois desceu de uma base enorme do que subiu na última década. E isso é preocupante. E eu venho de um distrito onde a criminalidade, a violência associada aos crimes, a criminalidade grave e violenta tem subido muito. O distrito de Setúbal, onde nós temos se calhar três ou quatro conselhos no top 10 dos conselhos mais problemáticos do país. Eu dou-vos este exemplo só para perceberem qual é a nossa realidade. E o que é que me custa às vezes como político, sendo de partido do governo ou de partido da oposição é igual, porque muitas vezes os partidos ditos tradicionais têm a mesma forma de abordar esta matéria. Portugal é um país seguro. E depois recorremos ao Global Peace Index, tem uma série de outros requisitos, que não só a questão da criminalidade interna, que é o que interessa. Braga e distrito de Setúbal têm a mesma população, cerca de 1 milhão de habitantes. Braga teve cerca de 400 casos de criminalidade grave e violenta. O distrito de Setúbal teve 1800. Mas eu oiço a mesma afirmação para o meu distrito que para Braga.
Então, mas por isso não era preciso ter um ministro da Administração Interna muito focado em problemas como esse que está a denunciar e não a defender-se publicamente?
Eu espero, naturalmente, do ponto de vista político, que ele se possa defender. Esperava, naturalmente, que as explicações tivessem vindo mais cedo. Explicações até me pareceram bastante razoáveis. Algumas das acusações que lhe foram feitas até me pareceram bastante absurdas. Agora, se calhar era mais fácil ter explicado logo, se era tão simples de explicar.
E devia ter ido ao Parlamento.
Eu se fosse ministro e se tivesse numa posição dessas e se quisesse esclarecer, era eu a disponibilizar-me para lá ir. Isso era clarinho. Mas isso é a forma de ser de cada um. É muito difícil também porque de facto nós temos comunicação social que gosta muito de inventar coisas. Eu tinha no meu terreno, eu tenho um terrenozinho pequenino, muito pequenino mesmo, que comprei no Alentejo e tinha lá as tais súlipas, as travessas de linha. Tinha lá porque alguém as abandonou lá, porque aquilo era um problema que nós tínhamos na altura, quando foi feita a renovação da linha do Alentejo, e não sabiam o que é que haviam de fazer. Muitas foram abandonadas, outras foram oferecidas. Portanto, houve situações, se calhar com alguma Potencial gravidade, que eu acho que até foram minimamente explicadas, e outras misturadas com isto, que aquilo eram absurdos completos. Portanto, por isso depois nós próprios ficamos na dúvida, o que pode ser verdade, o que não é verdade. Para isso é importante dar explicações e rápidas. Na política não podemos estar tanto tempo a dar explicações. Agora, para mim o importante é isto: é ele ter o foco naquilo que é mais importante e nós somos globalmente, comparado com outros países, um país seguro, mas queremos continuar a ser. E nós temos focos de criminalidade hoje na área metropolitana de Lisboa, muito foco na margem sul do Tejo, onde, desculpem, mas Portugal ali não é um país seguro. E é isso que eu gostava que ele tivesse focado.
Vamos avançar para outra pergunta. Temos também alguns limites de tempo. Agora vamos para a literatura. Queremos saber como se chama o livro de José Saramago em que se verifica uma vaga de votos em branco?
Literatura. Eu sou um deputado da margem sul, concelho do Barreiro, ainda se fosse geografia, talvez ainda lá fosse.
O Nobel de Literatura.
Pois é, mas escreveu muitos livros, se fosse só um era mais fácil.
Então com ajuda, se calhar, vai lá.
Mesmo com ajuda não vou lá. Não li nenhum livro de José Saramago. Só pra ter ideia, o livro que eu estou a ler agora é do Dan Brown. Gosto muito mais desse tipo de literatura, "O Segredo dos Segredos", é o último e ainda estou a meio.
Vamos ver se com isso lá chega. "Memorial do Convento", "Ensaio sobre a Cegueira", "Ensaio sobre a Lucidez".
Eu acho que é o "Ensaio sobre a Cegueira", mas não tenho certeza.
É um ensaio.
Pois, então se é uma ajuda.
A vaga de votos em branco.
É uma vaga de votos em branco. Há um outro livro que é uma vaga de pessoas que ficam sem ver. Há um livro em que a Península Ibérica se afasta do continente africano. Há outros que contam a história.
Onde é que fica o Coliseu de Roma em Vaticano. Sendo assim, o "Ensaio sobre a Cegueira".
Só pra fixar a sua resposta final.
"Ensaio sobre a Cegueira".
Não. Então havia "Ensaio sobre a Lucidez", "Sobre a Cegueira" e "Memorial do Convento".
Então é sobre a lucidez.
Não, é mesmo que ganhe das partes.
Isto é mesmo rasteira.
Não é nada.
Eu sou daqueles que sentado no sofá, posso estar a ver estes programas.
Quem quer ser milionário, exato.
E sei algumas coisas, mas assim não sei tudo. Estas áreas, então de literatura é uma desgraça completa.
Mas a pergunta mais importante vem a seguir.
Não, mas é uma desgraça completa mesmo.
A mais importante vem a seguir, Bruno Vitorino.
Eu falhava pra 50 mil euros com a pergunta mais básica, porque até bloqueava naquela altura. Portanto, isto é mesmo uma má lábia.
O mais básico pra uma pessoa não é pra outra.
Eu ainda penso, ainda me vão fazer perguntas sobre a NATO, ou sobre algumas questões de defesa, sobre o orçamento de defesa nacional, que é a minha área no Parlamento.
A próxima vai ser sobre música.
Continua a piorar.
Aqui estamos a ver o Bruno Vitorino sair. Mas esta aqui vai-lhe sair do coração.
Vou ter um episódio tipo Santana Lopes e vou-me embora a meio do programa.
Não, vai não. Bruno Vitorino, aquando da segunda volta das presidenciais deste ano, anunciou que nunca votaria num socialista nem num populista.
Sim.
Que balanço é que faz destes primeiros meses da presidência de António José Seguro?
Acho que ainda é muito cedo pra fazer balanços. A tomada de posse terá sido por aí em março.
Março.
Três, quatro meses.
Quatro meses, acho que ainda é muito pouco tempo. Há uma coisa que claramente eu não gostei, e não me lembro se foi logo na campanha eleitoral, o desdramatizar, digamos assim, o tirar a pressão sobre os partidos da oposição, uma frase que o senhor presidente teve, eu acho que foi enquanto candidato na altura, a dizer: "Não há drama nenhum se o orçamento for reprovado." Isso é quase um convite às oposições.
Enquanto candidato.
Enquanto candidato. Eu acho que isso é quase um convite às oposições a dizer: "Chumbem lá o programa do governo." Eu acho que isso não se faz. Eu acho que isso não foi prudente.
Mas não acha que é um regime melhor?
Se for pelo presidente, ainda é pior.
Não acha que desligar uma coisa da outra, isto é, o chumbo do orçamento da queda do governo ou dissolução do Parlamento, que não é uma coisa positiva?
Pré-anunciar, não. O Presidente da República, naturalmente, e a probabilidade de ganhar eleições na altura já era grande, tem naturalmente uma responsabilidade de manter a estabilidade política, mas também tem a responsabilidade de perceber que as suas palavras têm impactos e têm leituras. E a leitura que pode haver por parte da oposição, até porque neste momento é líder da oposição quem faz mais barulho, quem grita mais, quem mais cedo devia dizer, mesmo sem conhecer documentos, devia dizer: "Não, isto não presta pra nada, vamos chumbar." E tentar condicionar logo os outros, a dizer: "Não, tentem todos chumbar." Portanto, eu acho que isso foi um mau serviço que prestou, porque eu acho que o governo precisa de condições pra governar.
Bruno Vitorino, mesmo que aparentemente pareça não ser a estratégia do PS de vir a chumbar o orçamento e a criar uma crise política.
Eu do PS não espero nada. Não sei qual é a estratégia, não faço ideia, o que é dito hoje é outra coisa. Confesso que o doutor José Luís Carneiro me parecia uma pessoa muito mais sensata, muito mais moderada. Depois chegou o líder do PS e é o que é, portanto, eu não vou por aí.
Muito bem.
O que tenho visto de fato é que os partidos políticos, o Partido Socialista e o partido Chega, que se odeiam, que não se podem ver, que um diz que o outro é o responsável por todos os males do mundo, que o outro diz que a democracia corre perigo de vida se alguma vez o Chega chegar não sei o quê, depois a seguir, quando é alturas pra tentarem só minar o caminho do governo, estão sempre de acordo e conseguem sempre isso, isso eu sei. Quanto ao Presidente da República, acho que ainda é cedo, não gostei desse episódio. De resto, acho que tem sido uma pessoa até mais moderada. Eu tenho o Presidente da República como uma coisa que eu acho que é importante hoje em dia, vou dizer desta frase, como uma pessoa que tem caráter. É uma pessoa que tem tido bom senso e tem sido uma pessoa séria ao longo da sua vida política. Não ficou lá na última fila do Parlamento a ganhar o salário, sem fazer nada e só a mandar umas larachas de vez em quando. Foi-se embora, foi tratar da sua vida. Eu acho que isso também é demonstrador de caráter e de bom senso.
É um ponto a favor do Presidente da República.
E começou bem na questão de ir à Espanha, agora da aproximação também aos PALOPs. Ou seja, acho que em termos do posicionamento de Portugal no mundo, acho que está a acertar. E tem tido algum silêncio que também tem sido importante.
Portanto, é um balanço positivo pra estes primeiros meses.
É um balanço globalmente positivo, com esta nota negativa do início. Mas esperemos, naturalmente, que continue a ser assim, porque o mandato é...
Ainda é longo. Vamos avançar então para a terceira pergunta, esta sobre música.
Pior ainda.
Não, esta é fácil. Fomos aos seus temas preferidos.
Completamente.
Esta é uma canção da sua juventude, da nossa juventude. "Sol da Caparica" é uma canção de que banda portuguesa?
Sol da Caparica.
Pode cantar um bocadinho que ajuda.
Não quero que as pessoas mudem tudo. É outra vez com a
Mas é uma rockada.
Que ajuda.
Sim, eu sei qual é a música.
Então vamos lá. Chutos e pontapés censurados ou pesticida?
É dos pesticidas. Sol da Caparica. Eu agora fiquei na dúvida, por acaso, porque censurados têm algumas...
É a sopa. Esta não, esta é dos pesticidas. Na Caparica continua a haver sol, mas tem havido falta de água, pouca água. Este problema pode estender-se a outros municípios da margem sul, nomeadamente o do Barreiro? Foi vereador da pasta do ambiente.
Sustentabilidade ambiental. Não tive nenhuma dessas áreas operacionais, nem higiene urbana, nem as áreas operacionais ligadas ao planeamento.
Mas conhece essa realidade, esteve numa autarquia. Acha que é um problema que pode estender-se a esses outros municípios da margem sul?
Nós temos um problema na margem sul, que é transversal à maior parte dos municípios, por acaso estranhamente ou não, todos governados à esquerda, primeiro pela CDU e depois pelo Partido Socialista. Nós quando vamos aos indicadores da ERSAR, nos relatórios, vemos a quantidade de água não faturada que existe e a maior parte dos municípios da margem sul está muito acima da média nacional a esse nível. E a água não faturada pode ser alguma que é utilizada para regar jardins e coisa do gênero, mas tem muito a ver com a ineficácia dos serviços a reparar uma conduta. Os furtos de água que existem de bairros clandestinos ilegais, em Almada tem N bairros ilegais, de barracas mesmo. Se calhar não tem essa noção. Fala-se muito de um dos casos porque a senhora presidente da Câmara, muito incompetente por sinal, deu-lhe jeito falar daquele bairro porque é em terrenos do Estado, mas não fala dos outros que lá estão há muito tempo e que duplicaram de população, como a Segundo Torrão, por exemplo, nos mandatos desta senhora enquanto presidente. O problema não é só ser água não faturada, é água não controlada no sentido de que é feita uma picagem numa tubagem, numa conduta e fica a jorrar não é dias, é semanas.
É uma falta de investimento nas infraestruturas, mas acha que isso também pode acontecer noutros municípios?
Nós também temos um problema ao nível do abastecimento, que é tudo por furos. Nós não temos propriamente, e não há uma redundância, por exemplo, ligação a Lisboa, que falou-se há uns tempos, agora voltou-se a falar. Espero sinceramente que se venha a fazer para haver uma redundância de abastecimento. Não temos centrais de dessalinização, portanto, temos a captação de água através de furos. Esse também é um problema que eu acho que devia haver ali mais redundância. Depois há a dificuldade entre as Câmaras se entenderem. Mas por ineficácia de gestão do bem precioso e raro que é a água, vamos continuar a fazer o quê? Mais furos? Não, nós temos é que agir nas percas da água. É insustentável aquilo que temos. Nós temos que exigir que haja investimento a sério nas infraestruturas, não só na reparação de condutas, nas infraestruturas. Alguém fez as contas e Almada, para renovar as condutas de água, com o investimento médio que tem feito nos últimos anos, precisava de 150 anos para conseguir renovar. O meu concelho, que é o Barreiro, está mais ou menos na mesma. Agora o senhor presidente da Câmara do Barreiro resolveu taxar, penalizar completamente os barreirenses com um aumento brutal do tarifário da água. Mas não investiu o montante no resto que é preciso investir. Primeiro porque é um bem escasso e depois porque isto tem um custo. Toda esta ineficácia da forma como está organizada, como não são reparadas as condutas atempadamente. Há ruturas na via pública que ficam meses. Não é semanas, é meses, com as pessoas a darem o alerta e ninguém quer saber. E isto paga-se.
É evidente.
Respondendo à pergunta, sim, isto pode vir a acontecer noutros sítios da margem sul. A esquerda tem de perceber uma coisa: governar autarquias não é só fazer festas. Tem de ser Sol da Caparica. Tem de ser fazer outras coisas, e nomeadamente estas. Eu sei que as pessoas só se apercebem quando lhes vai ao bolso, quando vão à torneira e não há água.
Vamos avançar para a quarta pergunta.
Vamos lá. E temos que acelerar. Bruno Vitorino, temos mais duas perguntas.
Falávamos de outras coisas e não faziam perguntas.
Esta é para a área da saúde. Em que década foi inaugurado o edifício atual e principal do Hospital Distrital do Barreiro?
O Hospital Nossa Senhora do Rosário, década de 80.
Certíssimo, 85.
Sim.
Antes disso, na década de 50, foi inaugurado o primeiro hospital. O PSD Barreiro votou contra o encerramento.
Que atualmente é a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.
Certo.
Várias unidades que eles têm de cuidados, uma falha também na margem sul, aliás, um bocadinho na área metropolitana, as camas que existem para cuidados continuados, curta, média e longa duração, são muito aquém daquilo que nós necessitamos e portanto é uma área muito prioritária que devíamos investir como país, não é o governo, não é a OB.
E há também a questão da obstetrícia. O PSD Barreiro votou contra a decisão do governo de encerrar a urgência do Barreiro. Isto não é um bocadinho aquela política: a política é boa, mas não no meu quintal
Há uns anos atrás, com o governo do Partido Socialista, não me lembro o nome do senhor ministro na altura.
Rui Pedro Campos, talvez.
Eu creio que seria. Sim.
Penso que foram as salas de parto. Algumas salas de parto.
Sim, mas na altura havia um estudo que dizia que também se tinha de encerrar a maternidade do Hospital do Barreiro. E maternidade e urgência do serviço de obstetrícia e ginecologia não é a mesma coisa.
São diferentes.
Não é a mesma coisa. Nós, neste momento, temos a maternidade do Hospital do Barreiro aberta, continuam a nascer mais bebés. E vou vos dar uma novidade: nascem hoje mais bebés do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete do que nasciam antes. Por quê? Porque muitas pessoas cometem aqui um erro. Partem do princípio que o serviço de urgência de obstetrícia do Hospital do Barreiro, de ginecologia e obstetrícia, estava aberto e agora está encerrado. Mentira. Ele estava a funcionar em sistema de intermitência, portanto, de encerramentos temporários com os outros hospitais da região. Portanto, por mês, estava aberto entre oito a 16 dias, e muitas vezes não tinham capacidade, nem ele, nem o São Bernardo, nem o Garcia de Orta, para garantir essa abertura. Portanto, esta medida que foi feita agora foi uma boa medida de gestão. E não é o encerramento da maternidade, porque as grávidas continuam a ser acompanhadas naquele hospital, porque o serviço não foi encerrado, os médicos continuam lá a fazer as grávidas, e não é só as grávidas, há outras complicações na parte de ginecologia. Não houve uma deslocalização massiva de doentes para lá. Agora, os episódios de urgências concentram-se no sítio que tenha mais condições. Atenção que há médicos do Hospital do Barreiro que vão lá fazer horas, dias, precisamente para garantir no Garcia de Orta esse atendimento. Eu acho que é muito melhor ter previsibilidade e garantir que o atendimento ao menos sabe-se que há um sítio. Atenção que eu acho que aquilo até no verão pode falhar, como vão falhar imensos serviços espalhados pelo país inteiro.
Mas parece-me uma solução mais adequada essa reorganização das urgências, mesmo com o fecho da urgência no Barreiro.
Eu diria que o ideal era, temos três hospitais, garantir que os três serviços estavam abertos. Isso seria o ideal, mas há recursos humanos para isso? É engraçado o Partido Socialista agora ter a pole position da contestação a estas medidas, mas no tempo deles, descemos de 15 para nove obstetras do quadro, e dos quais, dentro desses nove, seis tinham mais de 55 anos. Quer dizer, que eram obrigados a fazer os turnos, nomeadamente às noites. Isto tornou impossível, naturalmente, garantir a abertura full time e por isso é que no próprio Partido Socialista, porque este sistema de rotatividade de abertura das urgências obstétricas foi decidido no tempo do Partido Socialista e depois deu-se continuidade, tentou-se melhorar e depois viu-se: "Mas isto não é viável". Porque uma grávida que vá por si só, as urgências, a pessoa vai de ambulância, se calhar está referenciada e sabe mais ou menos para onde é que há de ir. Se correr tudo bem. Às vezes corre mal. Mas as pessoas não sabem. Chega a um sítio, está fechado, vai para outro. Portanto, previsibilidade eu acho que é muito melhor.
Bruno Vitorino, temos de avançar, estamos mesmo a ficar sem tempo, temos ainda uma última pergunta.
Mais uma.
Mais uma. Escolheram mesmo a dedo. Isto tem a ver com uma polêmica que está aí muito discutida: como se chama a atriz que faz de Helena de Tróia no filme "A Odisseia"?
Tem a ver, pois, mas não me lembro. Sei que é aquela grande polêmica.
Mas está a par da polêmica. Exatamente, é mesmo essa a polêmica. Então vamos dar três ajudas. Uma ajuda com três nomes: Angela Bassett, Viola Davis ou Lupita Nyong'o.
Viola Davis. Não, é Lupita Nyong'o. Era uma outra.
Foi a tempo.
Eu estou a par da polêmica, sim.
E Bruno Vitorino tem sido uma das vozes mais críticas daquilo que se chama cultura woke ou wokismo, mas não há, por vezes, uma certa histeria por parte da direita conservadora no que diz respeito ao wokismo ou à cultura woke?
Não sei se há histerismo ou não. Quer dizer, depende. Se as pessoas acharem normal que a uma criança de seis anos se comece a ensinar que ele pode ser um menino ou uma menina, que isso de ser menino ou menina é uma construção da sociedade, e se há pessoas que estranham que isso seja uma coisa que passa a ser normal, e que reajam, e que digam, e que se interroguem, que vão perguntar porque é que isto mudou em tão pouco tempo, mudou tanta coisa, então se calhar essa pessoa é muito conservadora. Mas questionar sobre essas matérias... Quer dizer, em 2000 anos tivemos dois sexos e toda gente aceitou isso. Nos últimos 20 anos, o sexo passou a evoluir para a palavra gênero, que primeiro sexo era igual a gênero, era a igualdade de gênero. Quando se fala de igualdade de gênero, é igualdade entre sexos, não é igualdade entre os 83 gêneros que entretanto criaram através dessa loucura woke que por aí anda. E quem questiona: "Então, mas isto é normal? Agora pode haver os therians. Agora podemos ter therians. Podemos ter crianças que antigamente eram acompanhadas quando tinham problemas e que agora vão vestidas de gato, de cão, de zebra, para a escola, para a universidade, e as pessoas acham isso normal. E tendem a andar de quatro patas, com as mãos no chão, a fingir que são animais, e as pessoas tendem a normalizar isso, porque são therians. Depois há os andróginos, que é aqueles que não se identificam com o gênero humano. Podem identificar-se com animais, com vegetais ou até com algo do reino mineral. Não deixa de ser uma coisa curiosa. Se isto é normal, e se contestar ou interrogar estas matérias passou a ser os conservadores de direita. Então eu sou um perigoso radical conservador de direita, porque eu interrogo-me muito com estas matérias. Como é que foi possível esta evolução, entre aspas, estou a fazer aqui com os dedos as aspas. Portanto, como é que isso foi possível, esta evolução, em tão pouco tempo, e depois a seguir não se pode contestar, porque se contestamos, somos logo o rótulo. A teoria, o woke era o despertar para as injustiças. A teoria é esta. Como todas as coisas que a esquerda inventa, que os pensadores de esquerda inventam, têm uma roupagem muito bonita. "Isto é contra as injustiças e é a favor dos mais discriminados". Mas depois inventam um conjunto de outras coisas, que depois ninguém pode questionar, pôr em causa, porque temos logo um rótulo, um carimbo. Somos logo conservadores, somos logo retrógrados, somos logo homofóbicos, somos os outros "óbicos" todos que quiserem inventar. Somos logo isso tudo quando só questionamos. Mas quem é que questiona? Sou só eu?
Nós também questionamos.
Isto é questionável.
Mas sabe qual é a dificuldade? É que tirando o observador
Na semana passada, um conjunto de deputados que fomos três, eu, Paulo Marcelo e Miguel Guimarães, fizemos uma pergunta à senhora Ministra da Saúde para perguntar quanto é que isto custa, esta loucura da teoria em relação à ideologia de género, à teoria de género, as cirurgias, os acompanhamentos cirúrgicos, as mudanças de sexo, quanto é que isto custa ao SNS? Fizemos essa pergunta à senhora Ministra da Saúde. Sabem quantos órgãos de comunicação social replicaram a dizer que: "Olha, deputados do PSD até perguntam ao seu próprio governo esta matéria. Quanto é que isto custa?" É importante saber onde é que é gasto o dinheiro dos contribuintes, julgo eu, e se isto é sustentável, porque o número de pessoas que têm vindo a querer alterar e fazer estes procedimentos cirúrgicos e hormonais, estes tratamentos para alterar, crianças e adultos, para mudar de sexo, tem vindo a aumentar de forma exponencial. Sabe quantos órgãos de comunicação social é que transmitiram esta notícia? Só o Observador. Portanto, isto é a cultura woke, é a censura e o cancelamento, quem quer perguntar.
E ainda não veio, a resposta ainda não veio.
A resposta ainda não veio. Acredito que para ser séria, demora algum tempo.
Claro.
Bruno Vitorino, não vai questionar os 13 pontos que conseguiu aqui na comissão de inquérito?
Só 13? Ah, já acabou essa parte.
Acabou. Acabou com o positivo.
Obrigada por ter vindo à comissão de inquérito. Um bom dia. Obrigada.
Obrigado